25.3.13

então assim, nem se fala...

 
Os Pais da minha vizinha de baixo (sobre quem eu já falei, quando escrevi que tenho os melhores vizinhos do Bairro), vieram de Arouca passar a Páscoa a Lisboa.
Ela pediu-lhes um saco de Melindres, pois.
Eu pari uma criança, mereço um saco inteiro não é?
A resposta correcta é não, mas como dizer não ao Senhor que fez quase 400 kms para me entregar um pacote?!
Tive de os aceitar e fotografar e encetar o pacote.
As aulas da generala são três vezes por semana, já agora.


o corpo é que paga...

 
Isto de se ter um filho, ou seja, de parir, é muito lindo, sim senhora.
Somos uma leoas, não há homem que aguente esta dor, temos uma coragem e uma força não-terrestre, dormimos uma hora na primeira noite e duas na segunda, e mesmo assim amamentamos a cria, lambemos-lhe a cara, não pomos álcool a 70º nos olhos e soro no umbigo, não o vestimos do avesso, não deixamos de lavar a cabeça e pôr um bocado de pó bronzeador na cara, não senhora.
 
Mas cheira-me que o corpinho é que paga...
 
Estava na Maternidade e pensava que a natureza, afinal, não seria assim tão perfeita porque no momento de maior exaustão física, psicológica e emocional da minha vida, havia uma criatura que precisava de mim a 100% físico, psicológico e emocional.
É um momento, são umas horas, uns dias, porque, afinal, tudo tem o seu tempo.
E talvez eu não estivesse assim tão cansada.
 
Isto tudo para dizer que retomei as minhas rotinas, uma delas sendo o exercício físico que há mais de 9 meses me abandonou. E o horror que foi o recomeço.
Só de subir as escadas no Centro de Saúde para fazer o teste do pezinho, quatro dias depois, achava que me dava uma patalepa ali mesmo, nos degraus, em que velhotes de andarilho ultrapassavam-me pela esquerda.

Mas tudo vai ao sítio...
 
Dez dias depois de parir, meti-me num ginásio, com ginástica pós parto, que mais parecem aulas da tropa, ou podem ser mesmo sessões de fuzileiros ou comandos, com soutiens de amamentação e barrigas de gelatina.
Aquilo é um terror pegado.

E antes das aulas esfrego sempre o nariz neste cartaz motivacional que está colado nos balneários...
É verdade, Rita.
Lembra-te bem e põe a cabecinha no lugar que o corpinho vai lá chegar.
 
 
 
 


19.3.13

as pedras da calçada...


 
O Martim nasceu no dia de anos do meu querido Avô.
O meu querido Avô, a quem eu escrevi esta carta, no dia 1 de Fevereiro de 2011, poucas horas depois de ter sabido que tinha morrido em Lisboa. E eu a 9 mil kms de distância dele, em Moçambique.
Foi uma dor horrível sentir-me tão longe. E então acreditei que talvez os pássaros, que eu adorava observar no Ibo, pudessem ser a minha ligação com ele.
Mas foi o meu filho que me ligou a ele, acertando na sua data de nascimento, 93 anos depois.
É verdade que foi um parto induzido, não era suposto nascer, mas o líquido amiótico escasseava e até acabou por nascer com duas voltas do cordão umbilical no pescoço (eu nasci com uma!).
Estive quase 30 horas deitada, sozinha, numa singela Enfermaria, à espera de ter contracções... Fui visitada e observada por médicos, enfermeiras e alunos da Faculdade de Medicina. O tempo passando. A noite chegou e caíu uma chuva horrível em Lisboa. Muito trovoada. Nessa altura já estava meia sedada pelas dores ligeiras de umas primeiras contracções e lembro-me de estar muito quieta na cama, a ouvir a chuva e os trovões, e de me levar para África. Até comentei com o enfermeiro que apareceu a meio da noite: "Eu antes tinha medo da trovoada, mas agora já não tenho...".
Ele riu-se. Eu também e adormeci.
Na manhã seguinte foi tudo muito rápido, contracções, dores, epidural, águas a rebentar, mais médicos, mais estudantes, passagem à sala de partos, choros de bebés à esquerda e à direita.
Chegava a minha vez!
Ele nasceu perfeitinho e a berrar e eu logo pedi para o colocarem no meu colo, assim mesmo, sujo, cheio de coisas agarradas, besuntado numa cera branca, molhado, como um bezerrinho quando nasce no meio do campo.
Nesse mesmo segundo calou-se e eu explodi de lágrimas.
Afinal tudo é verdade. Ele existe e está aqui!
Sentir o quente da pele contra a minha e a sua respiração, foi talvez a sensação mais mágica que tive na minha vida.
À saída da Maternidade, 48 horas depois, enchi o peito de ar, fechei os olhos pelo rasgo de sol e aceitei com todas as graças este filho que me nasceu.
Chorei muito de alegria, uma alegria descontrolada, sem nexo. Nunca chorei tanto de alegria.
Nunca julguei ser possível gostar tanto de um ser com tão poucas horas e dias de vida.
Ninguém me disse que era assim tão bom, tão enorme.
E todos os dias são os dias do meu filho no mundo. Não é uma 3ªfeira, é o 11º dia do Martim.
E assim, passei as pedras da calçada. Fi-las uma por uma. Durante anos.
Agora voltei da minha viagem, em que finalmente chego ao destino.
O caminho será outro. Duro também, cheio de buracos, mas tenho sangue novo e olhos de outra vida. Tenho oxigénio que chegue por dois.
Estou plenamente no meu papel.
Ser Mãe.




14.3.13

há magia todos os dias

 
tenho pouco tempo para palavras.
prometo regressar com elas... por enquanto estou cheia de emoções e sentimentos.
uma sensação única na minha vida de 35 anos.
por muito que me tenham dito que era bom, nunca pensei ser tão bom.
obrigada pelas mensagens!
 
P.s - sou agora uma hipopotama ultra feliz!!

6.3.13

últimos cartuchos


 
uma viagem de 28 até ao Largo do Camões;
almoço com amigas no Chiado;
passeio pela Rua Garrett;
uma ida à "Vida Portuguesa";
um rebuçado de Portalegre no bucho;
 
e é tudo o que eu consigo.
chego a casa e deito-me, como se estivesse a acartar com duas sacas de cimento em cada ombro...!
 
 
 


4.3.13

number 1

Não sei por que raio demorei tanto tempo a ver este filme, mas finalmente consegui! (no Tv Cine da Zon)
É um lado da Marylin, da sua vida meteórica, antes de chegar a um absoluto pico para depois vir a queda brutal.
Iria depois disto (das filmagens em Londres do filme com Laurence Olivier, "O Princípe Encantado") sofrer um aborto, ver o seu 3º casamento com Arthur Miller terminar, mas mesmo assim ainda faria papéis magníficos no "Quanto mais quente melhor" e "Inadaptados".
Era a pessoa mais insegura acerca de si própria, não acreditava minimamente no seu talento, não percebia porque razão seria ela uma boa actriz. A sua auto estima era tão baixa que acabou por ser a sua sentença de morte. Fazia terapia três vezes por semana e tinha aulas de representação a que faltava constantemente. Mas era absolutamente linda, enigmática e atraente.
O facto de ter tido uma Mãe que a abandonou aos cuidados de terceiros e um Pai inexistente, nunca a fez acreditar numa outra coisa que não fosse que as pessoas à sua volta, mais cedo ou mais tarde, a haviam de abandonar também.
Nunca conseguiu ter filhos, tinha endometriose, coisa que naqueles tempos era sinal de infertilidade permanente.
Sempre me fascinou esta actriz. Uma diva autêntica, sem noção nenhuma do seu valor e da sua magia, insegura, cheia de dúvidas, frágil, autêntica, uma sobrevivente num meio difícil (Hollywood) e numa época conturbada (EUA e os Kennedy).
O Mourinho, hoje em dia, é o melhor do mundo e sabe que o é, a sua auto estima é assustadoramente elevada, o homem auto eleva-se aos píncaros e isso dá-lhe a força de continuar a vencer.
A Marylin, naquele tempo, era a maior estrela mundial de cinema, não sabia como era capaz disso, estava completamente alienada do seu talento e isso ditou-lhe um fim precoce.
Conclusões? 
A Marylin é um mito, o Mourinho é um aborrecimento!

3.3.13

coisas que eu gosto muito

 
Havia uma tradição no dia de Natal em casa do meu Avô que eram os Maltesers.
Infelizmente nunca lhe cheguei a perguntar, não indo já a tempo de saber, por que razão o meu Avô nos dava Maltesers, em vez de pais natais de chocolate, por exemplo.
E não era em pacotes. Mas em caixas. Cada neto (eramos 8) recebia uma caixa de Maltesers (eu nunca mais vi isso em lado nenhum), com umas 500 grs de bolinhas de chocolate, no mínimo.
Era o delírio!
Lembro-me de ver os meus primos a jogar e fazer apostas com os Maltesers, eu devorava os meus na hora! nunca os trouxe de regresso a casa...
E a verdade é que ainda hoje, quando compro um pacote, o sabor do chocolate é automaticamente uma memória desses dias de Natal. E provavelmente será assim sempre que eu comer uns Maltesers. 
O meu querido Avô, sem saber, todos os anos dava-me uma memória eternamente doce, e isso é tão bom!
 
 

2.3.13

coisas que eu gosto muito (continuação)

 
Jarrinhas com flores, cada uma de sua nação, as jarrinhas e as flores.
Há dias em que sinto a falta de ter um jardim, e hoje, por acaso é um desses dias,
uma jarrinha destas anima qualquer mesa! (este trio é de casa dos meus Pais, onde pode faltar o que for, mas flores é que nunca, há sempre natureza dentro de casa e isso eu gosto muito!)