24.2.14

surto mensal de malária - Gurué


África não se explica, não se escreve.
África é um exercício de escrita falhado.
As fotos são sempre bonitas.
As palavras ficam sempre bem.
Mas como se explica? Como é que se conta?
Um lugar onde o chá cresce em molhos verdes e fofos, os dias esticam-se até ao fim do mundo, a luz é sábia e o andar pela cidade faz que os pés toquem no fundo da terra; um lugar onde os meninos crescem num Rio, respiram por guelras e sonham com nada; um lugar com um cinema esquecido e estradas untadas pelo puré das mangas que brotam durante a noite e besuntam os caminhos de um cheiro doce ; um lugar que não existe, porque não existe outro; um lugar onde talvez nunca mais volte, e só essa ideia faz doer, assim como dói quando um amigo se despede de nós.
Nunca vou conseguir, nunca vou conseguir escrever sobre África; é um assolo que me pertence e me vai pertencer eternamente, como estas memórias cruas e densas que teimam em impregnar os meus ossos e apertar o meu coração.

21.2.14

confirma-se!



 
...é verdade, confirma-se!
Aos 16 anos, quando era suposto uma miúda preocupar-se com os All-stars, o alisamento do cabelo, as calças da ganga da Uniform, os blusões da Chevignon e os sacos da Benetton, eu, preocupava-me com tudo isso, e também coleccionava as crónicas do MEC d´O Independente.
(em arrumações encontrei os recortes muito bem guardados num Dossier)
Lá esperava eu pela sexta-feira, quando o meu Pai trazia o jornal para casa.
Hoje uma miúda de 16 anos, que mais parece uma mulher de 22, se fizer isso é porque é "intelectual", uma tótozinha portanto.
Também confirmo que nunca fui a rapariga popular, nem tão pouco fazia parte do grupo das miúdas giras do Liceu; tive sempre azar nos namorados, gostava sempre de quem não me ligava nenhuma, enfim, um tormento que só amainava quando lia as frases perfeitas escritas por quem foi responsável pela minha entrada no mundo das letras.
Gostava um dia de conseguir escrever como o MEC escrevia naquele tempo.
Já não colecciono as crónicas, pois estas são para os "novatos"; quem gosta, sabe do que estou a falar.


20.2.14




Estar numa sala da 1ª classe, com uma dúzia e tanto de crianças de 6 anos assusta muita gente, mas a mim não.
Adoro.
A minha cabecinha ficou nos 6 anos provavelmente, daí que nos damos tão bem!
Fui ler o conto "Gata Gatilde", da Ana Maria Magalhães e da Isabel Alçada, fizemos jogos de palavras, perguntas e respostas.
Inventámos um bocado, rimos muito, falamos sempre de mais.
Começamos a falar do conto, acabamos a falar sobre cães, veterinários, o jogo do elástico e saltar à corda, enfim... é preciso alguém que chame a atenção, porque o tempo voa!
Ficou prometido regressar, aos meninos da 4ºclasse, para ler o meu conto do Príncipe Igor.
Agora vou ali jogar uma macaca e já volto : )


17.2.14

um minuto e meio de fama...








 
...Facsimile...
Estreia da Lifestories na Televisão (SIC - Jornal da Noite 14.02.2014)
Fizemos uma reportagem a pretexto do dia dos namorados, e dos cadernos "it takes 2", nós umas eternas românticas, e também fomos falar e conversar sobre aquilo que nos move: as histórias de vida.
Efeito explosivo: mensagens, comentários, polegares ao alto, curiosidades, smiles!
É muito bom quando temos um espelho que do outro lado nos devolve o exacto reflexo daquilo que sentimos quando nos dedicamos a um objectivo, e o transmitimos aos outros, envolvendo-os no nosso brilho entusiasta.
O cenário, verdadeiramente fílmico da Casa Independente, foi perfeito, e por gostarmos e acreditarmos tanto naquilo que fazemos, acho que não houve dúvidas quanto ao resultado da primeira experiência na "caixinha mágica"!
... ...
 


16.2.14

como foi o meu Valentim?

 
 
 
 
 
 
 






Foi tudo em modo fast-forward.
Deixar o M. na creche, ter à entrada uma mensagem tão bonita sobre o amor e uma banquinha de bolinhos e mini-chefes apaixonados; correr para apanhar o comboio, abrir a mala e ver um sapatinho perdido do meu Principezinho; chegar a Lisboa e rir sozinha com a ementa super romântica e suave do Restaurante na Estação; oferecer um presente a uma amiga, porque sim; andar a fazer de cupido, distribuindo amor encadernado e tendo rendez-vous com desconhecidos; voltar a Cascais, correr a ir buscar o M., receber um cartão cheio de corações e suspiros coloridos.
 
No 14.02.2014 o meu mote é: namorem muito, mas riam-se mais.
 
E agora, um bocadinho de poesia, que também fica bem nestas datas...
 
 
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
 
(Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos)


10.2.14

do amor

 
 
sempre acreditei e agora ainda mais.
o amor pode tudo e existe em tudo.
de uma forma violenta e cruel soube o que é quando termina; mas como das cinzas renasce a savana depois das queimadas, do meu sofrimento e do meu luto renasce a força de acreditar no amor.
quem quer estar comigo, é com quem eu quero estar.
e a pessoa com quem eu tenho mais gostado de estar, é comigo.
a solidão não é ser solitária.
nunca fui solitária, gosto de estar sozinha.
mas não para sempre.
o amor acontece e eu aguardo tal e qual uma miúda a espreitar para dentro da panela das pipocas a ver quando começam a saltar...
 
pop...!

5.2.14

Sempre o Douro


Um miúdo com 22 anos, Rafael Farias, pega na máquina e faz esta Galeria de Fotos, "Nativos do Douro" que se pode ver no Público, P3.
Eu não consigo escrever mais nada, estou capaz de ficar a olhar para esta foto a tarde toda.

2.2.14

Levei-o a África

 
 

 


  





Saimos de casa pouco depois do almoço.
Era a primeira vez que o levava a uma visita guiada. Já foi a Exposições (do Avô, em Cascais) e a Museus (Paula Rego, idem), mas visitas guiadas seria um risco. Desatava aos gritos e eu tinha de sair de cena.
O tema era África, arquitectura, fotografias, anos do colonialismo. Passado. Coisas bonitas. Estética.
Muitos edifícios vi-os eu, com os meus olhos, 40 anos depois, meios de pé ou a desfazerem-se. Por todo o lado. Gurué, Montepuez, Pemba, Ibo, Maputo, Inhambane, Nampula, Ilha, Metangula, Chimoio, Lichinga, Cuamba...
Mostrei-os ao M.
Pelas rodinhas no cimento afagado, rodou ele, plantas, imagens, slides, retratos que hoje seriam os mesmos.
A Exposição é lindíssma, o espaço fantástico, a visita, pela condução do meu primo, neto de um dos Arquitectos do Gabinete de Urbanização Colonial, foi compassada e calma, assim como uma tarde em África.
O M. nem piou.
Ouviu tudo, testou a acústica da "garagem" e deixou-se levar, como se estivesse debaixo de um cajueiro a apanhar o fresco.