29.4.11

Branco, Chuva e Preto!

Três factos dignos de três bolos de arroz:
- O Casamento Real, da Kate e do William.
- A carga de granizo que caiu em Lisboa e que cobriu de branco a zona de Benfica com imagens espectaculares.
- O Flash a sonhar e a ladrar no meio do sono.


O Casamento
Assisto pela primeira vez a um casamento real, de uma Monarquia à séria, da minha geração. Sou contemporânea deste momento, vivo-o como nenhum outro. Quando foi a Diana tinha 4 anos e tenho uma vaga ideia de ser Verão, estar no Jardim a brincar enquanto espreitava a televisão. Parece que foi em Inglaterra que se inventaram os Reis e as Rainhas, Príncipes e Princesas.
E estão tão bem para aquilo a que se prestam, como é fabricar Reis e Rainhas, assim como Espanha inventou o "salero".
O protocolo ao minuto, as fardas de botões dourados, as alcatifas sem pó, os pneus dos carros a brilhar, tudo impecável. Sem um vinco. E ela que podia ser uma amiga da Faculdade, a caminhar pela Abadia como possível futura Rainha de Inglaterra. Consegui mesmo calçar os sapatos dela (não devem ser 41, mas pronto) e senti aquele nervoso miudinho. Foi tudo lindo e eu adorei mesmo.

A chuva e o granizo
A poucos dias do mês de Maio cai um dilúvio que me deixou incrédula! Afinal nem tudo se explica em África no que diz respeito ao clima. Ao mesmo tempo que é um claro sinal de que o Planeta anda perdido dentro da sua meteorologia. Granizo em Maio.

O Flash a sonhar
Adorava ter uma câmara de vídeo que projectasse na parede as imagens que passam pela cabeça do meu querido cão. Já tinha saudades de o ouvir a ganir e a ladrar enquanto dorme e a dar à cauda como se estivesse a correr. Acho sempre que ele deve sonhar com imensos cães, tudo a correr atrás de uma bola ou a correr por um campo de papoilas, lá está!

26.4.11

Voltamos nós. E ele, também!




Por uma questão prática, optamos por nestes primeiros tempos em Moçambique, não incluir o nosso Flash. Não sabiamos o que nos iria esperar. No fundo não faziamos ideia do que seria ter um cão "ocidental" em África. Até que culturalmente, o Norte de Moçambique não é muito dog friendly, pois sendo profundamente muçulmano, não existe um grande amor pelos animais de 4 patas. Consideramos tudo isso e com a ajuda (preciosa) dos meus Pais aguentámos o Flash desde a partida em Julho, em Cascais.

Senti imensa falta dele, sou sincera. Mas foi melhor, porque agora já sei para o que vamos. No nosso regresso a Moçambique, previsto para breve, ele vem connosco! Já tem o Boletim de vacinas em dia, o "Passaporte para Animal de Companhia", a caixa para transportar no porão (isso será um desafio até para mim) e a certeza de que temos um amigo sempre ao nosso lado.



O Flash vai para África!

P.s - hoje, enquanto passeava o Flash pela rua ouvi o seguinte: "ai, quem me dera ser cão, até já sou preto e tudo!"

(Mas então o que é isto? Mas o que se passa aqui? Mas então ela julga que vem aqui, diz meia dúzia de linhas sobre mim e pronto. Está feito?! Então e eu? A mim ninguém me perguntou nada! Ando aqui há meses, senhores, meses sem saber nada deles. Nem uma carta, um email, uma fotografia que se veja. Nada. No outro dia apareceram lá em casa e trouxeram-me para a minha rua, que finalmente devem ter percebido que se esqueceram de mim. Não percebo como. Mas enfim. Adiante. Trouxeram-me para aqui, para a minha casa, sim senhor! A minha cama, as minhas tijelas, tudinho como era. Os cheiros é que estão diferentes, não vem tanta gente à porta, o que é pena, mas tenho agora o meu Alfa que acorda todos os dias comigo e tenho saído com ele de manhã. Ou seja, só agora perceberam o que eu ando a dizer há imenso tempo. Por que saem de casa tão cedo, por que me deixam sozinho quando eu quero ir com vocês para a rua, no fundo perceberam que eu sou essencial na vida deles e por isso resolveram fazer como eu. Que é não fazer nada o dia todo. Dormir até tarde, ir à rua, comer, ir ao jardim, sentar nas esplanadas, andar de comboio e de metro que é tão divertido (só detesto é aquelas escadas que se mexem para cima e para baixo), etc... Ainda não se convenceram é que a minha cama é muito melhor do que a deles, mas devem estar quase a mudar-se para uma igual à minha. Já percebi que é uma questão de tempo. Ora os meus cumprimentos e até breve, sim? Adeus que vou dormir mais um bocadinho.)

13.4.11

Recycle Bin

O mundo dos Blogs em Portugal dá-me ideia que também anda em fase de "desinspiração"... Num Blog de uma jornalista leio um texto em que ela diz que morreu (literalmente) o seu instinto maternal, agora que já tem três filhos. E, de adorar bebés e grávidas passou a um enjoo profundo...
http://coconafralda.clix.pt/
Está maluquinha da cabecinha, não? Mas isto anda tudo a fumar borracha de pneus furados, só pode. O tema presta-se, nem que seja pelo nome do Blog, mas não exageremos! Acho de uma falta de noção e de sensibilidade, pessoas que supostamente são lidas por milhares e chegam a ser milhões de leitores, a escrever isto na net... It's a free world.
Eu sei.
Outra é a Pipoca Mais Doce, que escreve um texto sobre (supostamente) a Função Pública em Portugal, gozando com a entrada do FMI, num tom completamente desajustado, achando um piadão desgraçado às larachas que manda, quando a própria da menina faz parte disto.
Ou ainda não percebeu que ela também cá anda?
http://apipocamaisdoce.clix.pt/

É por estas e por outras que cada vez tenho mais a certeza que fiz bem em ter feito as malas e dado o grito enquanto fui a tempo. Eu acho que está tudo tontinho da cabeça, e dá-se voz a este lixo virtual... Faço delete.
Um dos temas a que regressei, neste meu regresso (redundância propositada), foi à leitura. Esgotei em 6 meses o reportório em Moçambique e no final já quase lia o manual de instruções do gerador, tal era a "fome". Mas a escrita, anda já há algum tempo, "fora de mim".

Não consigo escrever. Se não fosse este Bolo de Arroz, e eu saber que um dia ou outro alguém vem cá ver a "bolaria", já há muito que tinha deixado de o escrever. Ando assim... disse-me um dia uma pessoa que há alturas em que só escrevemos e outras em que só lemos, e outras ainda em que nem escrevemos, nem lemos.
Numa letargia profunda. Pensava eu que talvez na ausência de tudo surja a criação, e me venha a inspiração.
Mas de nada me tem servido a espera. Assim ando eu com a escrita, então se não escrevo, pensei, vou ler.
Fiz a minha lista "top", e enquanto aguardo pela Feira do Livro (outra das boas coisas de estar em Lisboa por estes tempos), permiti-me entregar a um só livro.

Estou a ler Paul Auster, "Inventar a Solidão". Não é propriamente uma história, é quase auto biografia do autor, na altura em que o seu Pai morreu e ele resolveu escrever sobre ele, sobre a família, a casa, ... tudo.
O centro está no seu relacionamento com o Pai, revelando uma personalidade complexa e misteriosa. E eu sublinho frases, tal é a riqueza do relato que ele faz.

Acerca da incapacidade horrosa e virulenta que se entranha em quem adora escrever, como eu, e quer escrever, mas não consegue, nem percebe porquê, ele diz:
"Tão grande era a minha necessidade de escrever que pensava que a história se escreveria a si mesma. Porém, até agora, as palavras têm saído muito lentamente. (...) Pareço extremamente afectado, amaldiçoado por uma qualquer insuficiência intelectual que me impede de me concentrar naquilo que estou a fazer".

"Nunca estive tão consciente do abismo que separa pensamento e escrita"

Nem eu...

7.4.11

Volver

Há poucos dias disse-me uma amiga assim: "é bom ir, mas também é muito bom voltar." Voltar. É um movimento, por isso implica mudança física, e a partir dessa mudança, há, inevitavelmente, uma mudança dentro de nós.
Partir e voltar.
Eu agora já não estou aqui.
Eu agora volto aqui.
Pode parecer aos meus caros leitores um preciosismo de léxico da minha parte, mas é muito mais do que isso. É tudo. Deixei de estar, para voltar. E é óptimo voltar, quando há tanto que nos espera!
Do que sentia mais falta?
Dos abraços e do afecto de quem bem me conhece, do contacto olhos nos olhos, com olhos que me veêm de olhos fechados, de um ritmo e de uma rotina ligeira, do queijo e do fiambre, de iogurtes e bacalhau, da luz Lisboeta que põe tudo a nu, do barulho do eléctrico a subir a rua, das andorinhas ao final do dia, do cheiro do Tejo, do Palácio de Papel no Calhariz (já comprei canetas novas, não resisto) e de flores, flores e mais flores.
Daqui a pouco devo estar a escrever do que sinto falta de lá.
Por agora deixo-me ficar neste volver.