31.12.11

Passas para 2012 #9


continuar a praticar “mente sã em corpo são”

Sempre que me for possível e tiver forças para isso, nunca vou deixar de correr, fazer desporto, comer bem e saudavelmente (os acessos calóricos de doces por vezes acontecem, mas também ainda bem, porque senão era uma chatice isto cá em casa), continuar com as minhas saladinhas multi-variadas e as doses industriais de sopa. Talvez devesse tentar comer um bocadinho mais de fruta, coisa com a qual sempre tive uma péssima relação. Além disso, não deixar as meninges atrofiar e continuar a ir tirar cursos de escrita, filosofia e electromagnetismo dos aparelhos se é isso que me faz feliz.

30.12.11

Passas para 2012 #8


não deixar de sonhar

Sonho bastante, tanto que até comecei a registar um Diário de Sonhos. Por preguiça deixei de ir registando os sonhos, que até tinha piada depois ler. De uma maneira geral sonho imenso, farto-me de gemer e murmurar durante a noite, sendo que muitas vezes tenho de acordar com cotoveladas do meu Príncipe aos gritos: “Rita!! Rita, vira-te para o lado, estás a sonhar! Vira-te!” Pois descobri que quando sonho mais é quando durmo de barriga para cima. Então muitas vezes evito adormecer de barriga para cima, o que se torna uma chatice, porque sonhar até é bom. Como se a nossa vida fosse plenamente vivida, “no palco” e “nos bastidores”. A ver se arranjo uma maneira de sonhar a dormir de barriga para baixo.

29.12.11

(pequena pausa para informar os caros leitores que: 1. estou em Roma; 2. está um frio do caraças; 3. os romanos são loucos; 4. encontrei a agenda encarnada; 5. os gelados italianos são mesmo bons.)

Passas para 2012 #7


conseguir de uma vez por todas que o Flash seja um cão adulto

Aos três anos diz-se que um cão atinge a sua maturidade, é adulto, portanto. No caso dos Labradores diz-se acontecer mais pelos 4 anos. No caso do Flash (com 3 anos), as pessoas perguntam  se ele já tem “um aninho, porque ainda parece tão novinho!”. Não há velho, novo, criança, coxo, preto, branco, de muletas, de mota, de capacete, com sacos das compras, a falar ao telemóvel, a varrer as folhas do chão, a lavar janelas, a distribuir correio, a sacudir o tapete. Não há nada que ele não cumprimente e não abane o rabo, e às vezes até salte e ladre, como se fosse a primeira vez que visse alguém na vida. É pura manifestação de alegria e querer brincadeira. Uns acham graça, poucos são os que não gostam. Mas de uma maneira geral, incomoda-me porque ele até corre para pessoas que espirram no meio da rua, para as cumprimentar. E depois vem o tal comentário. Oh my dog.  

28.12.11

Passas para 2012 #6


ir a Moscovo e ao Bolshoi

Graças às minhas idas e vindas de Moçambique, acumulei qualquer coisa para cima de 50 mil milhas. Um verdadeiro exagero, proporcional à distância a que estamos da velha colónia, que me permite então a passagem directa para a Rússia. Precisamente para Moscovo e mais especificamente para ver o Bolshoi. O mítico Bolshoi esteve fechado durante 6 anos em obras profundas e, pelo que vi numas imagens na televisão, está absolutamente maravilhoso. Se conseguisse ver o Ballet de Bolshoi, então seria um 3 em 1 que até palpitações me daria certamente. Mas só lá pelo Verão, convenhamos.

27.12.11

Passas para 2012 #5


ser Mãe

Este desejo é aquela coisa apirosada que se diz quando se começa a pensar no assunto, mas que no meu caso, já vem de outros anos. É tipo como quando eramos miúdos e havia um presente cujo pedido se repetia todos os anos, sempre na expectativa dos Pais finalmente perderem a cabeça e afundarem-se nas malhas da Concentra e finalmente darem-nos toda a colecção de vestidos da Barbie. Ou, quando dizemos “é este ano que vamos a ….”. E nunca se vai a lado nenhum. Pois isto de ser Mãe já anda nos tops há uns anos, a ver se finalmente em 2012 é destronado por uma coisa fútil, do género: ter um blusão de pele.

26.12.11

Passas para 2012 #4


escrever  o meu segundo Romance

O primeiro não só terminou, como eu resolvi rescrevê-lo. Uma autêntica loucura que me levou a pensar seriamente no que estava a fazer. Mexer em 125 páginas de texto era uma peregrinação cujo final não me parecia trazer grande recompensa. Efectivamente terminei a rescrita e enviei para mais umas duas editoras. Chega de “Chão de Sangue”. Desde que voltei de Moçambique que ando aqui com uma ideia que não me sai da mioleira. A história é simples, mas a escrita uma odisseia. Parece-me que 2012 vai ser um ano homérico.

25.12.11

Natal Africano


Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz... Mas é Natal.

Que ar abafado!
A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.

Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.

Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.


Cabral Nascimento
Obra Poética
Porto, Edições Asa, 2003

(Obrigada a Ana Ribeiro, que me enviou no ano passado um postal de Boas Festas para Pemba e lá vinha este poema que tanta verdade contem sobre o que eu sentia ser o Natal naquelas paragens - é tal e qual assim. Não existe nada do que é convencional, só o riso das crianças, que em toda a parte do mundo, é sempre igual.)

23.12.11

A agitação dos dias!

Saí à rua e gostei de respirar a agitação pelas minhas redondezas.
À porta da frutaria, onde costumo ir, estão umas paletes de couves de tamanho industrial. Couves verdes e viçosas, prontas a serem cozidas e a juntarem-se ao bacalhau!
As pastelarias têm mesinhas especiais onde se põe o bolo-rei, as azevias e os sonhos, os cuscurões e as broas.
No Largo do Camões, num "happening" de free hugs, dei um abraço a uma rapariga que o pedia a quem passava. Desejei-lhe um "Feliz Natal e um Bom Ano Novo" e ela a mim disse-me "Boas Festas e Tudo de Bom!"
As velhinhas no Mini Preço, de roda das últimas compras, queixando-se das dores nas costas e da constipação que não passa.
No Centro Comercial do Chiado, onde só fui na vã tentativa de adquirir a minha agenda 2012, que soube agora estar praticamente esgotada (horror!!), já a agitação era mais gráfica/obscena: filas e filas para pagar, para embrulhar, para encontrar aquele último presente, uma ansiedade pouco saudável.
Regresso ao meu Bairro, desejo Boas Festas aos donos dos cães amigos do Flash, aos vizinhos e ao carteiro. À senhora da Loja das molduras e da livraria.
Senti muito a falta disto quando passei o meu único Natal em Moçambique. Não dos presentes e do sofrimento de ter de comprar. Era disto. Das pessoas. Da comunicação. De um abraço dado a um estranho.

P.S- A Moleskine faz todos os anos uma edição limitada de agendas encarnadas, cor do Benfica, do coração! Não sei o que se passou comigo que não realizei isso e estando com uma na mão a semana passada achei que era talvez "cedo" para a comprar. Agora não a encontro em lado nenhum! Help!

22.12.11

A Felicidade exige valentia

(Ler e reler este texto a vezes que forem precisas!)

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

Verão a Hemisfério Sul


Aqui começa o Inverno. No Hemisfério Sul começa o Verão. Lá termina a época seca e chegam as primeiras chuvas e o calor é tanto quanto mais se deseja que chova. Não consigo deixar de pensar nesta passagem do Equinócio, sem me lembrar do que sentia, da mesma forma que quando lá estava a minha memória dava-me as referências daqui.
Dormia até às 6h00, no máximo conseguia manter-me na cama até às 6h30. A rede mosquiteira acaba sempre por abafar a atmosfera e fechar o ar entre os minúsculos buracos. O sol nasce às 4h30 da manhã, às 8h00 o calor já se tornava insuportável. O telhado da casa fervia e nós, debaixo dele, fervíamos também. Os barrotes do telhado estalavam com o calor, dilatando-se e nós dilatávamos também.

Só existe um lençol que cobre um colchão e duas almofadas com fronha. Nada mais. Durmo de barriga para cima, os braços afastados do tronco, o cabelo preso num elástico, a cabeça no centro da almofada. Procuro mexer-me muito pouco. Evito acordar a meio da noite, quando abaixo do meu queixo, e seguindo para a covinha que há logo depois da garganta, no meio de dois ossos, correm as gotas de suor que se juntam num lago de sal.

Tudo é muito pensado e feito de forma lenta. Ir onde, fazer o quê, esperar onde, falar com quem. O calor limita o avanço, o progresso. A simples ideia de ter de ir ao outro lado da estrada, onde o sol bate, é desanimadora. Os bichos ficam lentos, os cães ficam lentos, o mar fica lento, os mosquitos ficam lentos, tudo fica lento.
A pele derrete-se em suor, em contacto com a mais milimetrica superfície, as baratas voam, os escorpiões e as poças ressecam, os bichos quase desaparecem, o homem esconde-se nas sombras. 
E chegando ao pico do Verão (em Janeiro), quando a terra já não consegue ter mais pó e o ar começa a ficar amarelo, chega a água. Chega a chuva e eu nunca pensei desejar tanto a chuva. Todos os dias, ao final da tarde e na manhã seguinte, cai uma água que liberta a terra, os animais e as pessoas. Como se cobrisse a terra de um manto, como um bálsamo para as queimaduras e que depois se vai diluindo ao longo das horas. E com a água tudo regressa, a mandioca cresce, o milho, as papaias, as mangas, o verde, a relva, as flores, os pássaros e os ninhos, o mangal, os rios e os lagos, numa espécie de Primavera que se segue a um Verão.

21.12.11

Passas para 2012 #3


conseguir de uma vez por todas fazer suspiros

Já devo ter gasto, no mínimo, umas 237 claras de ovo a tentar fazer suspiros. Já fiz de tudo: a de uma clara para uma colher de sopa de açúcar, a de 100grs de açúcar por uma clara, a de ½ clara para ¾ de colher de açúcar, até a receita da Bimby, o pino, a ponte no meio da cozinha. Tudo. Eu já fiz de tudo e no final de contas o resultado é sempre o mesmo. Uma pasta branca, tipo goma espalmada, que se cola nos dentes, impossível de se trincar e partir. Certo que é doce, mas aquilo tem tanto de suspiro como os meus pés caberem num 39 “grandinho”. Ainda não percebi se é do forno, suspeito que seja o forno. Se alguém estiver por ai e ouvir este meu apelo, que se junte e partilhe o seu segredo em fazer suspiros comestíveis e apresentáveis. Eu posso, por exemplo partilhar a receita de ovos moles que é infalível e hiper-simples: 1 gema para 1 colher de açúcar e outra de água. Mistura-se tudo, vai ao lume, mexendo-se até ficar grosso. Não falha.

20.12.11

Passas para 2012 #2


ouvir mais boa música e ler mais bons livros

Não me canso de repetir esta frase, mentalmente, em silêncio, dentro de mim, vezes sem conta. Quando estava em Moçambique, tanto em Pemba, como no Ibo, em casas despojadas, sem grande conforto, ou quase nenhum, sendo que no Ibo não tinha um sofá sequer, a música e os livros eram o melhor que eu tinha. Os dois faziam a vez do sofá e da ventoinha que faltava, de uma refeição mais saborosa ou de uma cama apetitosa. Não estou a ensinar nada a ninguém, mas a maior riqueza que temos vem de cá de dentro. E se a ela juntarmos uma boa banda sonora e uma boa história, temos tudo, afinal.

19.12.11


ainda acerca do happy dog.
acho que este é o sonho de qualquer cão. ter um amigo em casa e depois dormirem na cama dos donos. o que vale é que o Flash não tem acesso à net.

...here comes a happy dog!
Este sol cru de Inverno faz com que a minha alma canina se sinta um cão feliz, assim como o Flash.
O Flash anda agora com o vício do calor da luz, que procura em casa pedaço do chão da casa, por onde ela entra, filtrada pelas janelas. Fica com o pêlo a ferver, como xisto e os olhos de um âmbar cintilante.
...here lives a happy dog!

18.12.11

Ainda a propósito da "abertura de época".
Esqueci-me que na 6ªfeira almocei uma alheira de Mirandela com ovo estrelado, arroz e batatas fritas e à tarde fui a um lanche com umas filhoses de meio metro e salame de chocolate.
A Popota está no Natal dos Hospitais.

Abertura de época

Está oficialmente inaugurada a época de engorda do perú. E até dia 25 vai ser sempre a somar, terminando, quem sabe, com uns cálices de vinho do Porto para o bicho ficar mesmo com o grão na asa e está feito!
Ontem, de uma acentada só, tive um almoço e um jantar de anos, mas já com cheirinho a Natal.
Ao almoço portei-me benzinho, até comi peixe grelhado com legumes, nem comi entradas (vá, um croquete e uma chamuça), bebi água e é certo que comi sobremesa, mas foi partilhada!
Agora, o jantar, meus amigos. Comi como se o mundo fosse acabar! Fiz pijaminhas vários, entradas (requeijão com abódora, queijos, canapés variados, cajús, amêndoas salgadas, gressinos,...), comi seis variedades de quiches com outros tantos acompanhamentos como salada de fusili e doses generosas de lays gourmet (é de mim, ou essas batatas fritas são boas como tudo?) e finalmente entreguei-me à barbárie dos doces. Comi pão-de-ló até ficar enjoada (o que para mim é difícil) depois dei um intervalinho de uma hora e ainda ataquei mousse de chocolate, arroz doce (feito por mim, aliás) e cheese-cake.
Às 3 da manhã andava pela casa super mal disposta e de cor azul.
Hoje cortei um ananás, bebo água da torneira e estou a ver o Natal dos Hospitais 2011.
É justo.

16.12.11

a Lua e a Estrela


Forço bastante a utilização de acessórios/ bijuteria, como pulseiras, brincos, colares, etc. Mas, de uma forma quase sistemática, acabo sempre por usar a mesma coisa: relógio, os mesmos brincos, um fio ao pescoço que não tiro, duas pulseiras, e a minha aliança de casamento com uma aliança da minha Avó.
Depois, quando vejo aquelas lojas e marcas que se debatem de forma justa e ultra-criativa pelos acessórios mais cool e mais fashion, ainda me obrigo mais a pensar que devia utilizar estas coisas, que até parece mal, nunca ando com nada.
Consigo manter um dia ou dois e depois volta tudo ao normal.
Finalmente concluo que o meu problema é ser "fina". Do que eu gosto mesmo é do verdadeiro, daquele que se trinca e não ficam lá os dentes marcados, por muito 'canino que ele seja.
Como estas minhas duas pulseiras, que não as tiro por um segundo: uma pelos 10 anos de casamento, outra pelos 34 feitos em Agosto!
A M., minha sobrinha com 2 anos e picos, diz-me quando mexe no meu pulso: "é a Lua e é a est'ela...".
E eu que olho todos os dias para elas e nunca me tinha lembrado disso!

15.12.11

Tinta permanente

Foi nessa altura que comecei a ter consciência de mim. Principalmente do meu corpo que teimava em crescer depressa de mais, se me comparasse com as minha amigas. Com 13 anos saí à noite pela primeira vez com o meu irmão (3 anos mais velho) e ninguém questionava se teria ou não 16 ou 17 anos.
Fiquei grande de mais, depressa de mais. O cabelo grande, os pés grandes, tudo grande. Quando tudo o que eu mais queria era ser menos grande.
Nessa altura era tão ou mais alta do que a maioria dos rapazes da minha turma, o que mais uma vez me fazia querer desampliar o meu tamanho. Foi aqui que começou uma consciência de mim, como nunca antes a teria sentido.
Esta é aquela fase a que se dá o nome de "adolescência", em que é suposto ser muito parvos e muito idiotazinhos e só dar dores de cabeça aos Pais.
Eu, enfiada num corpo que não reconhecia, era a que tinha os cadernos todos forrados, nunca tinha tido um namorado, andava de bicicleta, comia Bolycaos, tinha boas notas, estudava sozinha, juntava as semanadas para comprar calças de ganga da Benetton, usava filofax, post-its de várias cores, estojos, etiquetas e separadores, colava os horários das aulas no armário e escrevia com canetas de tinta permanente. 
E como eu adorava escrever com canetas de tinta permamente. Tinha várias canetas e cartuchos de várias cores. Muitas vezes era um desatino porque aquilo abria-se tudo no meio das aulas, era tinta por todos os lados, os meus dedos todos sujos.
Há pouco tempo, estive em arrumações (lá vem a minha doce obsessão) e descobri das minhas últimas canetas de tinta permanente. Já nos tempos de trabalho profissional corporativo, qual manager da indústria farmacêutica, recebi esta caneta de presente, pelas minhas boas prestações. Engraçado que pouco depois deram-me um chuto no rabo e mandaram-me apanhar caracóis (graças a Deus!).
Nas minhas gavetas ainda recuperei uma carteirinha de cartuchos de tinta azul. Limpei o aparo que já tinha a tinta ressequida com um lenço de papel ligeiramente molhado. Repeti tudo como há 20 anos atrás. Fiz uns rabiscos e a pouco e pouco a tinta começou a fluir pelo aparo e eu escrevi. Arrumei a caneta no meu estojo.
Agora, com a minha caneta de tinta permanente, gostava de escrever aquela miúda, cheia de mundo interior e de pontos de interrogação na cabeça, que não tinha mal em sentir-se um bocadinho à parte do resto do mundo e que mesmo sendo grande, ela era uma pessoa maravilhosa, que acabaria por se tornar numa mulher bonita cuja paixão da sua vida seria poder escrever para sempre.    

14.12.11

Tenho para mim a ideia de que, cada vez mais, os bons momentos acontecem quando não são planeados. Já essa mesma teoria acerca da vida, é um pouco diferente. Claro que o segredo está no equilíbrio entre viver um dia de cada vez e saber "organizar" o futuro. Mas quando se diz que "a vida é que nos acontece enquanto estamos a fazer outros planos", isso carece já de alguma reflexão.
Acredito que temos de sonhar, temos de querer evoluir, ser melhores amanhã do que somos hoje e isso implica planear, pensar na construção do caminho. Inevitavelmente.

Por outro lado, de uma forma muito natural, gosto de tentar encontrar um padrão para cada situação que me acontece, e ultimamente tem sido na base do inesperado. Daquilo em que "tropeço" sem querer. 
Já por várias vezes tenho tido encontros com amigos e pessoas que não via há um ano, na base do imprevisto. E daí surgem momentos de uma genuína celebração de amizade.
Nessa tarde, depois de me ter perdido pela Bertrand no Chiado, resolvi subir o resto da Rua Garrett até casa. Era suposto encontrar-me com este amigo, ele está de passagem por Portugal, vindo de Moçambique (Pemba) indo para a Coreia do Sul. Falamos num possível encontro nessa tarde, pela Baixa, mas não se marcou hora nem sítio. E acabou por acontecer em plena Rua Garrett, sem lugar nem hora marcada. Vi um amigo que não via há meses e com ele voltaram as memórias de um lugar onde pertenci, a 13.000 km daqui.

O A. vive com a Y. em Pemba. Conheceram-se na Malásia. Ele é português, ela sul-coreana. Ela vem de uma família coreana altamente tradicional, tinha um emprego como designer de jóias, onde ganhava muitíssimo bem. Ele já trabalhava em África há alguns anos como topografo. A Y. resolveu tirar um curso de Yoga e depois viajar sozinha durante 5 meses e assim conheceu o A. que andava de férias pela Ásia. Juntaram-se os dois em Pemba e por lá vivem há mais de um ano a partilhar uma vida a dois. Uma experiência de vida fabulosa. Poucos planos para o futuro, vivendo um dia de cada vez, sabendo que têm de ganhar o seu, trabalhar, pois não se vive do ar. Mas com um plena escolha da sua liberdade, uma genuína escolha da vida que quiseram tomar.  

No outro dia, ouvi alguém dizer, a propósito destas mudanças de vida, de seguir os seus sonhos, de arriscar, de sair da zona de conforto, que não vivemos num mundo de faz-de-conta, que a realidade é bem crua e andar atrás dos sonhos é uma fantasia, que arrasta a família, os filhos, os maridos e as mulheres para um pesadelo de contas para pagar.
Penso que o mais importante é que cada um se sinta bem na escolha que tomou, se a sua escolha é viver num T2 com a televisão plasma e a quinzena de férias no Algarve, então muito bem. Mas se a sua escolha/ sonho seria experimentar a vida numa outra cidade, ter dois cães, um gato, tirar um curso de nadador salvador, aprender a fazer velas ou tapetes de arraiolos, então por que não tentou?

Acredito que o do T2 também gostasse de experimentar o curso de nadador salvador, mas queixa-se que 1º: tem filhos e 2º: é complicado. É sempre muito complicado. Será sempre tão complicado quão amedrontado está o do T2 em pela primeira vez ter pensado na vida que lhe "calhou" e não na que "escolheu" para si. A desculpa do dinheiro (da falta dele) é a mais fácil e a mais óbvia de dar, como se o dinheiro, algum dia, pudesse pagar os sonhos de cada um. Se assim fosse, haveria um "Corte Inglês" de sonhos, era simples e pagava-se com cartão de crédito. Mas não há. Não há, porque o dinheiro não resolve nada disso, antes pelo contrário.

E assim se vão "dividindo" os Homens, entre a quem a vida calhou e a quem a vida escolheu.

13.12.11

Ao contrário de muita gente que por ai anda, eu ainda sou daquelas almas penadas que gosta de receber chocolates pelo Natal. E se forem destes, feitos pelos mesmos senhores que inventaram o Nutella, eu recebo-os de braços abertos.
Mas como a malta só dá chocolates aos Avós velhinhos e aos Tios solteiros, eu fico a ver as caixas a passar de mão em mão, gente que abre o embrulho e põe uma cara de enjoo.
Sim, eu sei. Ando muito gulosa. É do frio. Eu com este frio encarno o meu lado esquilo/ urso pardo que engorda na gruta e armazena na casinha da árvore, para as tempestades e os furacões que para lá vêm.
Por esta altura, há um ano atrás, estava o pico do calor e da humidade no Ibo, sofriamos que nem cães a suar em bica, comiamos pão, peixe grelhado com arroz e litros de água. Pois.
Com este frio eu não chego lá. Valha-nos as corridas à beira Tejo, valha-nos os passeios com o cão, valha-nos o Lisboa Viva.

12.12.11

Rita a.k.a "Master Chef da treta"


A Bimby não pode servir só para fazer sopa e arroz, certo?
Vá que ainda faço uns scones e o famoso bolo de chocolate. Mas quando percebi e quase li as quase sete mil e quatrocentas receitas (não se são mesmo 7.400) que a Bimby faz, achei que era o momento da mudança!
Para o lanche ou para um chá ao final do dia, resolvi arriscar estas bolachas de amêndoa (chamadas "rendas de amêndoa" e a propósito tão a calhar, uma vez que a renda é uma tendência desta temporada). Uma receita demasiado simplória, que nem leva ovos e demora 30 segundos a misturar tudo ao mesmo tempo (como eu gosto de "amandar" tudo ao molho para dentro do copo).
Depois é o óbvio. A Bimby não explica que a massa se expande em 35% do seu volume e no final ficou uma espécie de placa de bolacha de amêndoa que tive de partir, de forma aleatória, tipo cacos de amêndoa (mas sempre rendilhados).
O aspecto não é lá grande coisa, mas lá que são boas como tudo, lá isso são. O Flash comeu cada migalha milimétrica que caiu ao chão. A casa cheirava ao interior de uma Pastelaria, ficamos todos felizes e contentes a morfar a experiência bimbesca.
Prometo voltar com mais testes, agora que descobri que afinal a Bimby não é (só) uma sopeira!

João Paulo


Andar de metro pressupõe um movimento que nos leva de um ponto a outro. O que implica uma energia, uma mudança, um caminho para se chegar, um encontro, uma tarefa.
Gosto de andar de metro porque faz-me sentir que estou a cumprir uma missão e o movimento das carruagens e a força da composição são pura energia. Ir a pé até ao metro, voltar a pé do metro. Descer escadas, subir escadas.
João Paulo é um velhote que se senta no terceiro degrau das escadas do metro, sempre do mesmo lado direito de quem sobe, em direcção ao solo. O canto é dele. Tem umas fichas do Centro de Saúde e uns cartões por baixo de umas moedinhas. Está sempre calado e nunca de mão estendida.
Para passar o tempo, julgo eu, vai mexendo o corpo, num subtil vai-vem, como se estivesse a repetir um mantra vezes sem conta dentro de si.
João Paulo é o não-movimento. É a espera, o estático, o perene. Passam por ele, sobem e descem, degraus e degraus de sapatos, botas, sandálias e saltos altos. Movimento atrás de movimento, energia feita em passadas.
João Paulo permanece no degrau, calado com a mão não estendida.
Já lhe dei moedas. Houve um dia em que até lhe dei uma moeda de 2€. Não sou capaz de não olhar para ele, de não o fixar por uns segundos, de não imaginar quem ele é.
De todas as "vidas debaixo do chão", esta é aquela que mais me inquieta, que mais dificuldade me dá em perceber o que se passa dentro dela e é por isso que muito me atrai.

11.12.11

Os putos

Esta semana fui almoçar com uma amiga que estava em plenas compras de Natal para as crianças, nomeadamente para os filhos dos amigos, na sua maioria rapazes. Resolvi juntar-me a ela e assim actualizar-me acerca do que os putos gostam, nos dias de hoje.
Ainda deu para ver uns Pin Y Pons, muito mais giros e actualizados do que no meu tempo (eu nasci nos loucos anos 70, ok?), mas o que mais me surpreendeu foi esta cena a que se dá o nome de Beyblades. Uma coisa que não é nada que se perceba, uma espécie de soldadinhos de chumbo dos tempos modernos, cheios de batidos de proteínas e hormonas de crescimento. Inexplicável. Mas lá que os miúdos gostam disto, gostam mesmo. Eram muitas as coisas e os acessórios que se estavam a vender naquela tarde.


No meio dos presentes da minha amiga, estavam uns 8 Beyblades. Cada um melhor do que o outro. E de repente há uma caixa de Playmobil, que caía ali tão mal como uma festa do homem aranha com os sete anões. Eu disse logo: o puto que vai receber este Playmobil é o tótó do grupo!


Coitados dos putos, tenho ideia de que hoje quem brinca com Playmobil e Legos deve ser altamente gozado pelos amigos. No meu tempo era uma coisa super-legal ter um Playmobil. Hoje é uma sentença de tótózice.  Nem sequer conheço o puto e já lhe tirei a pinta só pelo brinquedo que vai receber. A minha amiga entretanto explica-me que ele é filho de uma Professora, logo convém ter um brinquedo mais "didáctico".
Hum. Agora é que o puto está mesmo lixado.

10.12.11

Gosto disto.


E quem acha o contrário que atire a primeira pedra (cuidado é com os estragos!)

9.12.11

Ultimamente tem sido assim:

- as corridas à beira rio com este frio e nevoeiro fazem-me sentir na Idade Média; ando a ler um romance dessa época e cada vez mais confirmo a minha teoria de que o frio nesse tempo deveria ser tão frio, como quando o frio existiu pela primeira vez na terra; a atmosfera é misteriosa e nublosa, vê-se mal a outra margem, só uma parte da ponte está a descoberto, a outra emergida em nuvens geladas, tenho pena de não levar a máquina, mas já levo as chaves de casa nos atacadores dos ténis e é tudo.
- gosto de observar as gaivotas a comer o mexilhão; atiram-no de uns poucos metros de altura e com o bico abrem a concha preta; imagino que deve ser um belo petisco e elas não se afastam de mim quando passo.
- no feriado fiz um passeio para os lados da Praia da Adraga, em Sintra; eramos 5 adultos e 5 cães, num trilho entre as rochas e as escarpas, terminando num pinhal; trouxemos musgo e pinhas, verdura de cedro e pinheiro; em casa fiz as decorações de Natal, tal como se fazia em casa dos meus Pais, no dia da Mãe; juntei ainda o presépio de pau preto comprado no Ibo, feito pelo nosso amigo Emanuel.
- há certas imagens que se fixam na minha cabeça como uma chapa de radiografia; vi uma luva de pele encarnada, impecável, linda, tamanho médio, solta, perdida, no meio do chão; não resisti a pegar-lhe e a imaginar quem seria a dona daquele rasto de sedução.
- as minhas saídas à noite com as minhas amigas são os momentos em que estamos todas dentro do carro a rir às gargalhadas, a dizer disparates, a ouvir músicas na rádio e a tentar adivinhar quem canta; rimos tanto que qualquer ideia de ir a algum lado é sempre menos divertida.

7.12.11

dear santa claus...


Adoro a malta que faz a sua lista de presentes e publica nos Blogs, pois no fundo aquilo são grandes indirectas aos maridos/mulheres, aos Pais, aos irmãos, aos amigos mais chegados. Com uma grande pinta sacam os presentes, disfarçados de uma pueril inocência.
Como aqui para estes lados o Pai Natal não existe mesmo, nem há margem de manobra para indirectas, torna-se muito mais divertido pedir coisas.
Em que o meu pedido está ao mesmo nível de fantasia das crianças pequenas, mas os objectos são bem mais encorpados, se assim se pode dizer.
A colecção Panthère da Cartier é linda de morrer e eu quero tudo, até mesmo quando não são panteras e são leopardos, um bichinho mais familiar desta simples casita de joalheiros (como se vê no anúncio). Pode vir o que for: anéis, pulseiras, brincos, colares.
Haverá coisa mais bela e indulgente no universo do que usar uma jóia sem adjectivos?
Deixo então ficar ao Pai Natal as imagens das peças, os  valores são tão terrenos e singelos que evito ferir susceptibilidades.
Não sou esquisita. É mesmo o que quiserem. Desde 1847 à nos jours!



6.12.11

Eu sou os 31%

Há poucos dias vi na Sic Notícias uma entrevista ao Pedro Bidarra, um dos Directores da BBDO, uma agência de publicidade multinacional e ultra premiada em Portugal.
Obviamente que é seu papel desconstruir dogmas e agitar as mentes, mas eu gostei imenso da entrevista que ele deu no Programa "Portugal 2011".
Essencialmente falou na ideia de que temos de ser diferentes, para ser melhores. A diferenciação é o que nos puxa para os limites da criatividade e daí irá nascer algo de inovador, inesperado, algo que surpreenda a mente tão enfadonha e ao mesmo tempo hiper estimulada do consumidor.

Portugal tem de se fazer valer pela localização geográfica: a costa oeste da Europa. É errada a conotação que nos dão ao Mediterrâneo, quando Portugal é muito mais Atlântico do que Mediterrânico, prova disso é o clima. O nosso clima não é mediterrânico, é frio, é atlântico, é resultado da frente com que estamos virados para o mar, como nenhum outro povo da Europa.
E isso é ser diferente e ser diferente é bom!

Devemos parar de nos julgar como pequenos e inferiores, como se fossemos sempre vítimas dos mais fortes, apanhados pela crise como um bambi inocente numa armadilha feroz.
Ser português é efectivamente ter uma forte conotação ao destino, à melancolia e à saudade. Mas isso não significa que tenhamos de ser medíocres, que as mulheres se vistam de preto, tenham buço e usem um lenço da cabeça, que no fundo sejamos permanentemente rurais e rasteirinhos.

No final da entrevista ainda falou num estudo que se realizou a propósito deste clima de crise, em que se descobriu que existe uma fatia de 31% de portugueses, que apesar de tudo, ainda se mexem e procuram crescer e ser melhores com a crise.

Fiquei contente por me sentir parte desses 31%. Por ser parte de quem ainda acredita que Portugal é bom e é diferente e que devemos lutar por construir algo, por querer evoluir, por ser melhor hoje do que fui ontem.
Eu não sou indignada. Eu não sou os 99%. Eu sou os 31% dos que lutam, acreditam, continuam a pagar impostos e não desistem do seu País!

5.12.11

Mais coisas que eu ando a descobrir!



E isto é tão bom como um iogurte grego com bolachas Maria e lemon curd!
A D O R O!

As coisas que eu ando a descobrir!


O meu mais recente devaneio calórico é esta combinação que passo a explicar: um iogurte grego (natural) + bolacha maria partida aos bocados + uma colher de chá de lemon curd. Mistura-se tudo directamente no copinho do iogurte e o resultado é qualquer coisa entre uma tarde de limão merengada fresquinha e uma mousse de leite condensado com sabor a limão.
O sabor é absolutamente divinal. Devora-se em 1minuto e 13 segundos.

Desde o dia em que a minha sobrinha de dois anos lanchou um iogurte grego à minha frente, que eu fiquei vidrada: a textura, o aspecto, tudo. Corria o mês de Junho e eu estava em Lisboa de regresso a Moçambique. Agora que já cá estou de vez, a primeira coisa que fiz quando cheguei, além de snifar cápsulas de Nespresso e comprar salmão fumado à tonelada (vá-se lá entender o que resulta das nossas privações!), foi comprar embalagens de iogurte grego.
Comecei a fazer esta "papinha maravilha" com geleia de marmelo, em vez do lemon curd (cá não o encontro). Mas quis um dia, que viesse de Inglaterra, um frasco desta compota que é para mim uma perdição e uma memória doce e já longínqua.

Tinha uns 13 anos (a fazer 14), quando, nas férias do Verão, tive o bilhete de passagem para uma dessas Escolas de verão em Inglaterra, perto de Londres, em que todo o dia era dedicado às artes performativas: ballet, sapateado, dança jazz, teatro, danças tradicionais. Foi há 20 anos e lembro-me como se fosse hoje. Fomos umas 10 raparigas de Cascais com a Professora, dormíamos em camaratas, passávamos o dia a dançar, à noite a jogar ping-pong e a beber chocolate quente da Cadbury´s. E de manhã, no refeitório, havia torradas de pão de forma com... lemond curd! Oh! Assim que comi pela primeira vez fiquei viciada (sendo que aquilo é só ovos, açúcar e limão!).
E no regresso a casa, em vez de trazer uma t-shirt que dizia "I went to London and all I got was this lousy t-shirt", trouxe frascos de lemon curd.

Pronto. Foi o começo de uma linda amizade. Sendo que eu sou fã nº 1 de limão: gelado de limão, limonada, doces de limão, tudo o que tenha limão eu adoro.

Este frasco, que cá aterrou, está a chegar ao fim. Tristeza. Melancolia.
Até que hoje, quando resolvi escrever esta "receita do demo" no Blog, descobri que na interné há a receita de lemon curd para a Bimby! Concertinas e xilofones tocam dentro de mim, há foguetes e serpentinas pelo ar! É a loucura total, eu vou começar a fazer lemon curd em casa e arruinar-me para o resto da minha vida! (mas vejam que até acabo as frases com pontos de exclamação e tudo!)
Se também tiverem receitas maléficas partilhem, há que ser amigo do seu amigo.

Ora então, boa semana e bons limões!

4.12.11

Passas para 2012 #1



Ora aqui está a minha primeira passa/resolução e um do meus projectos de escrita para 2012.
As ferramentas já tenho: o (óptimo) curso de "Histórias de Família: memórias e biografias" da Escrever, Escrever está feito, os manuais já vieram da Amazon, os livros já foram recolhidos, as fontes seleccionadas.
Agora é meter mãos à obra e começar a... trabalhar! Não é a escrever, que essa parte é a mais fácil.
É obrar como os calceteiros. Suar em bica, sentar 4 horas por dia a escrever, fazer um Índice por capítulos e outro de fontes, entrevistar pessoas, descobrir pessoas, desesperar por mais pessoas, andar à busca de pormenores como um cão a farejar a caça. Estabelecer rotinas, ser aborrecida e quase enfadonha. Mas daqui vai resultar qualquer coisa, espero eu!
A pior parte é que se trata de uma história da minha família (lado paterno) e não convém ao investigador (naquilo em que me vou tornar nos próximos tempos), envolver-se emocionalmente com o objecto em estudo. Há que haver uma "neutralidade objectiva" - o que significa ser fria como um calhau. Pois quanto mais granítica eu for, mais revelações irei obter das minhas fontes (as humanas, diga-se).
Ora vamos lá ver como é que esta alma, mole e doce, como uma lata de leite condensado, se vai comportar nestas novas lides.
Vou dando notícias e desejem-me sorte!

P.s - de notar que eu não gosto nada de passas, mas enfim, não as comendo posso imaginá-las.

2.12.11

Das coisinhas da vida # 3


Do mudar de vida.
Nunca, num período tão curto, se falou tanto em "mudar de vida". É o leitmotiv do ano que quase termina. Temos de mudar de vida.
Ora eu, 34 anos de gente em permanente crescimento (mental diga-se, que do outro fiquei-me aos 13 anos) e mudança, fui a personificação desse lema quando decidi, com o meu marido, ir viver para um outro Continente, num outro País, ter uma outra "profissão", viver numa outra casa, numa outra cidade, com novos vizinhos e amigos e estar muito, muito longe de uma vida "normal".
Quando voltamos, um ano depois, percebi que afinal não é preciso ir para uma Ilha no meio do Índico (ver textos com a etiqueta "1 ano em Moçambique"), sem luz nem água canalizada para conseguir mudar de vida. As ilhas desertas e os locais paradisíacos estão dentro de cada um de nós. Mesmo.
Para os encontrar, aí sim, há que mudar de atitude, o que não obrigada a mudar de vida tão literalmente e drasticamente como eu e o meu Príncipe fizemos. Até porque bastaria termos filhos para que nada disso se concretizasse. Eu duvido que me fosse mudar para um local onde a malária existe e mata, estando a milhares de kilometros de um Hospital com padrões ocidentais/europeus.

Assim sendo, a tal mudança da atitude passa por momentos/ passos que, com o bom marketing da numerologia, eu identifiquei como sendo 7:

1º Fazer perguntas. Não as da "idade dos porquê", mas aquelas em que nos questionamos acerca do que nos rodeia. A primeira é a mais óbvia: quero MESMO mudar? Sim.
Então, o que nos faz sentir bem? o que nos incomoda? o que nos faz mudar de ideias? o que nos faz pensar? o que?
Este primeiro passo é o pior e o mais difícil. Porque fazer perguntas, obriga a ter respostas e muita gente não quer ouvir o que o "universo" tem para lhe contar. É duro e é preciso querer-se questionar. Passamos a julgar que estamos esquizofrénicos quando ouvimos uma vozinha interior que talvez pela primeira vez na vida fale. Mas ela existe e sempre existiu. Ela responde e não cobra nada por isso.

2º Pensar. Com a vozinha esquizofrénica que há em cada um, começar a pensar com ela. Vamos no metro, no autocarro, sentados ou em pé, e a vozinha vai falando, vai vendo, vai questionando. Pensamos no que nos faz querer mudar. Pensamos qual a dimensão de nós que quermos mudar: não temos de passar a usar cabelo encarnado, vestir roupa com algodão orgânico e comer abóbora biológica para achar que mudamos. É de dentro que tem de vir a mudança.

3º Encontrar uma paixão. Algo que realmente gostamos de fazer, uma coisa que nos faz sentir mesmo, mesmo bem e em que usemos a nossa energia, em que nos empenhemos para que ela surga. Coser meias, assar lombos de perú, correr maratonas, fotografar árvores, escrever postais, pintar gesso, coleccionar livros antigos; o que quiserem desde que usem o vosso corpo e a vossa mente para o fazer.

4º Partilhar. Com os amigos mais chegados, com a família, com o marido ou a mulher, namorado ou companheiro, alguém que nos conheça bem. Essa pessoa sabe quem somos, sabe o que somos além de sermos bancários, cabeleireiros, gestores ou funcionários do clube desportivo da Amora. Das melhores descobertas da minha vida tem sido o quanto os meus amigos me conhecem bem, o quanto eles gostam de mim e sabem quem eu sou. Eles ajudam a dar-me um "chão", um ponto de referência, para que eu possa gerir todas as implicações que a mudança traz e as suas consequências.

5º Ser sincero. Consigo mesmo e com os outros. Ter a mesma atitude por dentro e por fora. Assim, mantemos a cabeça livre, evitamos dogmas, preconceitos, verdades absolutas, ideias pré-concebidas. Mantemos um circuito livre e aberto dentro e fora de nós.

6º Arriscar. O nível de risco pode variar, mas ele irá existir sempre quando tomamos uma atitude de mudança. Engane-se quem julga que é possível mudar sem qualquer risco. Mesmo quando mudamos de casa arriscamos. A que nos calhe um vizinho demoníaco, por exemplo. Tem de se aceitar que se vai arriscar. E isso torna tudo muito mais interessante, verdade?

7º Não ter medo. Vem um pouco no seguimento do arriscar. Mas o medo é uma coisa muito mais lixada. É uma coisa boa, quando usado na medida certa, pois as descargas de adrenalina são o que nos mantem vivos, desde o tempo dos nómadas, em que andavamos a caçar nas estepes, mas pode paralisar-nos. Sentir medo é sinal que estamos vivos, mas também pode ser um obstáculo à mudança. O medo tem de existir q.b.

A receita é simples e parece fácil. Eu aprendi-a porque fiz uma outra coisa, que é essencial à mudança: errei! O erro é o que nos permite avançar. E que não se julgue que vai acertar logo à primeira. Isto leva tempo, não é uma aspirina efervescente. Têm de haver tentativas atrás de tentativas.
Diga-nos que para este Bolo sair perfeito, o tempo é o forno e o erro é o fermento.  Já a forma é sem dúvida a vontade de querer mudar.
Bons cozinhados e bom fim de semana!

1.12.11

Dias à "mal-me-quer"



A isto chama-se: "tirar a barriga de misérias"!
Que saudades já tinha eu do CCB e que bom foi ver este Ballet.

Ontem foi mesmo um dia em cheio, ora vejam:
- Na véspera recebemos uma ma-ra-vi-lho-sa notícia acerca dos nossos projectos para 2012. A ser verdade e a concretizar-se, pode-se dizer que conseguimos uma "lança em África"; e notem bem que eu até lá estive a viver e mesmo assim, enquanto lá estive, não consegui ver lança nenhuma!
- Logo de manhã, corri os meus 7 km (mesmo com 8ºC) e usei as minhas novas calças-coladinhas-à-cromo-para-o-frio da NIKE!
- Fui visitar a Madalena que nasceu na véspera, filha de uma grande amiga e recebi outra grande notícia. Quando cheguei ao Hospital, vi-a, ela dormia, sentei-me à conversa com os Pais, depois fui lavar as mãos, meti aquele líquido desinfectante, que eu até gosto daquele cheiro, arregacei as mangas, estendi os braços e a Mãe, entregando-me a criança, diz-me: "Pronto, agora vai ao colo da tua madrinha!". Ohhhh. Fiquei tão sem palavras. Agora sou madrinha de três meninas lindas, sendo uma delas já universitária: a Joana, a Carolina e a Madalena.
Atribuo um significado importante a este gesto. Não me compete dizer o que acho, mas a escolha de um padrinho/ madrinha, independentemente do simbolismo religioso, não é coisa que se tome de ânimo leve, julgo eu!
- Tive a minha aula do curso de Filosofia. Já vamos no segundo módulo (Pensamento Político Português) e na segunda aula com um Professor não tão enigmático como o primeiro (História das Ideias), mas igualmente um poço de sabedoria e cultura!
- E para terminar, fui ver ver o Ballet Nacional de Marselha ao CCB.

Nada mau, para uma quarta-feira, hum?!

Os meus dias são à "mal-me-quer", porque eu não tenho uma vivência contínua e constante. Tenho dias em que piso bosta de cão, passo a tarde na Loja do Cidadão e recebo cartas horripilentas das Finanças e depois tenho dias assim, como este. Daí ter medo do que virá a seguir.
Cheira-me que hoje ou amanhã devo entornar um tupperware com 2 litros de sopa de espinafres.
Já que na 3ªfeira, antes de ontem, cortei o dedo enquanto cortava o ananás e dei uma cabeçada daquelas à séria no armário da w.c, quando fui buscar um penso rápido para o corte...



29.11.11

Estou lixada!


Acabo de conhecer um novo Blog de uma rapariga que se propõe passar 365 dias sem fazer nenhuma compra. Ao fim da primeira semana ela estava radiante e feliz porque tinha passado uma prova incrível na sua vida. Hoje vai no dia 47. E ainda não comprou nada... Uau.
Tem uns 60 e tal seguidores e quase 30 mil visitas (sendo que o Blog começou em Outubro).
Há dias em que penso abandonar este Blog, porque para mim é uma forma cruel de perceber que "ninguém" se interessa por ler estas coisas que partilho. É como um grito nos ouvidos: "Vai vender sabonetes, Rita!".
Os meus 10 leitores diários são-me fieis, eu sei, mas juntemo-nos num café ali na Baixa e pronto. Escuso de vos estar a importunar com estas coisas tão enfadonhas, quando de facto há vidas tão mais excitantes e tão mais inspiradoras.
A minha bandeira - quero escrever e fazer disso a minha vida - parece-me impossível de hastear nestes moldes.
Estou assim a pensar nos seguintes cenários:
- mostrar o meu armário e os meus sapatos;
- fazer receitas de bolos com fotos de deixar tudo a salivar;
- contar detalhes da minha vida privada;
- contratar uma rapariguinha magrinha e com dois palmos de cara, dizer-vos que sou eu e tirar umas fotos também, assim armada em modelo.

Se calhar, acho melhor continuar nesta luta.
Até ao dia.

P.S - não estavam à espera que eu fosse colocar o link desse Blog maluco aqui, pois não?!? então aí é que isto acabava de vez!

27.11.11

Tempo e Memória


Já tinha saudades.
Do cheiro da sala, do veludo rosa das cadeiras, do verde e do dourado das paredes, de ouvir a Orquestra a afinar os instrumentos minutos antes do espectáculo.
E durante o concerto, senti-me num barco a caminho do Ibo, senti-me a caminho. Naveguei a milhares de kms daquele auditório. Pela primeira vez revi o meu percurso e fiz uma viagem no tempo. Voltei atrás. Depois regressei ao presente.
Sonhei que o melhor do mundo seria navegar num barco ao lado de tartarugas e golfinhos, sentir a natureza tão explosiva e ao mesmo tempo ouvir aquele concerto fantástico, naquele lugar tão especial. O equilíbrio de dois mundos tão distintos. Ontem, o Ibo esteve no palco do Teatro Nacional de São Carlos.
pessoas, artistas fora do comum, que nos levam para locais da nossa memória.
Ontem, percebi que o Ibo é agora uma memória. É uma distância. É um tempo.
Com tempo e memória a arte surge, seja a escrita ou um quadro.
Aproveito o movimento de ontem e embarco em novas escritas. Agora sinto que começo a conseguir escrever sobre o que vivi e o que passei.

26.11.11

Indignada


Estou indignada com esta juventude. Estes jovens imberbes, legítimos caçadores de ideais perdidos, que se juntam às Manifestações e se dizem indignados.
Que o povo, que ainda se julga "o povo", mas não compreendeu que já se passaram 30 anos desde o 25 de Abril, e já não existe povo nenhum, existe sim uma ideia de classe, mas no fundo queremos todos o mesmo: ir de férias uma quinzena em Agosto e comprar uma bicicleta nova para o filho no Natal. Dizia eu, que o povo se revolte, tudo bem, faz parte. E "o Partido" também assim é. Que se diga: unido jamais será vencido. Sim senhora.
O que me indigna são "aqueles" que há mais de um mês abancaram à porta da AR, com alguidares de plástico e garrafões de água do Pingo Doce, numa de negar o luxo burguês e de dar um ar de dissidente e desleixado porque isso até é uma cena fixolas. Não contribuem um chavelho para a Economia, muitos aposto que nunca fizeram uma declaração de IRS, não sabem o que é estar à espera de uma consulta ou de uma cirurgia, não sabem o que é ter de sustentar quatro filhos, tendo três empregos,  não pagam IMI ou IMT e muito menos o selo de um carro ou de uma mota. Isso é o que me indigna. Muito.
Quando eu estava em Moçambique, conheci aldeias inteiras sem dinheiro, era possível viver-se sem um centavo. Aqui, não é bem assim. Até para se ser indignado é preciso ter algum, e eles até têm um computador portátil. São por isso uns indignados- yuppies.
Bebem litrosas e fumam droga, tocam uns tambores e escrevem uma frases nuns cartões. E quando aquele povo, povinho miúdo, sai à rua a gritar, porque tudo o que lhes resta é gritar - como isto está, o caminho vai ser sempre a descer - estes indignados, que se dizem um movimento, exteriorizam a sua revolta, ou seja, dão aso à sua indignação.
Mas há por aí muito ferro velho e edifícios devolutos em Lisboa a precisar de umas intervenções e demolições, eles bem que podiam dar uma ajudinha, pôr-se aos pontapés e fingir enfrentar a polícia, como tão fortes e corajosos que são.
Porque quem não tem para comer, sem ser deitando-se todos os dias às onze da noite e acordar às cinco da manhã para ir limpar escadas e as casas dos outros, também não tem para se indignar. Então, afinal quem se indigna? Parece-me ser quem tem educação e talvez cérebro pensador, mas quem também tem de descarregar os recalcamentos da sua infância atribulada, algures entre o consumismo obsessivo e a ausência total de uma estrutura familiar, culpando o mundo e a sociedade onde eles mesmos fazem parte. Somos todos o 100%, não há 99% e 1%, como eles tão bem se colocam nas franjas do mundo, quais vítimas do sistema. Eles são também o sistema. A culpa é NOSSA.
Pobre povo. Apenas queria mostrar as suas bandeiras novas, os novos cantares que ensaiaram numa garagem da Moita, os cartazes que mandaram fazer numa tipografia que era de um familiar do Álvaro Cunhal. Deixem o povo com ele próprio. Que ele se entende muito bem. As greves sempre existiram.
Mas agora essa gentinha armada em malta alternativa, que dorme em tenda em frente à AR em Lisboa (por quem eu passo quase todos os dias) e literalmente não fazem ali nada, a não ser dar imagens de uma certa postura, armados em nómadas modernos - são esses que me indignam. Penso muitas vezes que não sobreviveriam um mês a viver no Ibo, e que aquele estendal e show-off é isso mesmo, uma treta sem sentido nenhum.
Quem trabalha, não se pode indignar. Nem tão pouco entende porque se indignam os indignados. Só querem "o seu" no final do mês. E se "aperta", passam a comprar o papel higiénico do LIDL em vez do Mini-Preço.
Os indignados não são a voz de ninguém, senão deles próprios. Uma cambada de gente egocêntrica, que acha que defender ideais é uma nova forma de filosofia de vida, que tendo um computador e a carta de condução são cidadãos e por isso têm o direito de abancar à frente de um edifício - símbolo do Estado a fazer fogueirinhas à noite com violas.
A revolução, e a legitimidade do conceito de liberdade e cidadania já veio de 1789, das chamadas luzes, que põem a nú a noção de sociedade civil e trazem à discussão movimentos tão interessantes e vastos. Isso já foi feito e isso está gravado na História do Mundo.
Os indignados, se querem ficar para a História, como os seus antepassados, não é com reuniõezinhas à fogueira que vão lá. Se querem mesmo ficar conhecidos como um movimento, que actuem com estrutura, firmeza e exemplo, com ideais, conceitos e correntes de pensamento,.Com cabecinha e não com murros e pontapés.
É por isso que ando indignada com esta gente, que se perde em tardes de litrosas e ganzas, em vez de tomar um banho, vestir uma camisa lavada e começar a estudar e a estruturar o pensamento. Só assim a História evolui. E o que me assusta é que o futuro parece pouco nítido e denso, e a brincar às cabanas não vamos lá. Eu também não fiz a coisa correcta, eu "desisti" deste País durante um ano. É certo que voltei, mas efectivamente desisti. Porque, lamentavelmente, esta classe, que não percebo ser média, se baixa, se alta, parece-me na sua maioria ser muito fraquinha de cabeça, a sua intelectualidade é muito, muito fraca.
O que eu acho que realmente ficará  para a nossa História é que nunca pessoas com tão pouca estrutura mental e intelectual, tiveram tanta voz e tanto poder.   

24.11.11


O Alfa cá de casa foi para Manchester ver o Benfica e ainda não voltou, por culpa de uma greve nos Aeroportos. Há duas noites que o Flash faz-me esta cara.
A quantidade de informação que contem este olhar é maravilhosa.
Mas na essência, é isto:
- Então, mas como é isto? A gente anda aqui os dois e não há meio de ele voltar? Não há ninguém com quem se possa falar? Hum?!

22.11.11

Mens sana in corpore sano

Há dias assim.
Mesmo.
Então toca de entrar na Mango e comprar um vestido: tungas! E depois abrir um pacote de nozes do Mini-Preço e parecer um esquilo obsessivo em privação, a amontoar metades de nozes nas bochechas. E ver episódios das séries Mildred Pierce e Downtown Abbey e mais SIC Mulher até vomitar televisão (que praticamente não vejo, para grande desgosto da minha Paulita, a nossa empregada). E entrar na Loja da Tema nos Restauradores e virar tudo o que é Vanity Fair&Harper's Bazaar da vida. E descer as escadas rolantes da FNAC com fagulhas a sair pelos olhos, pronta a rebentar com o cartão dos pontos em toda a novidade literária e clássico do mundo da escrita. E ainda, entrar no itunes e não dar misericórdia a qualquer novidade, descarregar tudo, desde o Concerto nº2 para piano de Rachmaninov à Adele.
Cansados?
Este meu delírio não acabou, falta ainda mandar vir coisas perfeitamente inúteis do Continente online como: farinha de fécula de batata, porque vi numa receita de 1876 ou uma tesoura de unhas para cães, sendo que o Flash, em 3 anos de vida, nunca cortou as unhas...
E então? Nada.
Fica tudo na mesma, como se fazer aquilo que nos parece ser o que mais gostamos ajudasse a serenar a nossa desorganização interna. Ando desorganizada, a bem da verdade. Faço aquilo que me parece ser o correcto. Errado.
Amanhã parece-me que o que vou fazer será mais sensato: ir correr de manhã, como de costume, à tarde escrever, depois ir ver a Exposição da Gulbenkian: "A Perspectiva das Coisas" e no final rematar com mais uma aula de Filosofia do meu cursinho na Universidade Nova.
E conclusões?
O acto de consumir às vezes ajuda, mas não serena. Eu que vivi no anacronismo do consumismo, numa atitude tão feliz por não estar a gastar e a consumir, assim que me vi nas malhas da sociedade dita evoluída, caí na mesma "armadilha"!
Exercitar corpo e mente, parece-me mais sensato, já diziam esses tipos que também estão em crise, os romanos.
Digam-me de vossa justiça, o que vos ajuda a organizar as meninges?
(e não vale dizer que é a fazer arrumações em casa, ou melhor, limpezas!)

P.s - com a cena do itunes aproveitei e descarreguei mesmo o Concerto para Piano e com a ida à FNAC comprei dois livros novos; isto vá que é consumir, mas ajuda muito!

18.11.11

Montra da Pastelaria



Partilho convosco este espectacular exemplar de vitrinismo popular urbano-pasteleiro! E como eu gosto desta coisa de se encherem prateleiras de pastéis de nata, brigadeiros, rochas, bolo de ananás, bolacha coração, tarte de amêndoa, pingos de tocha, suspiros, bom-bocados e o céu é o limite! E ainda há espaço para garrafas de vinho de Porto! Isto, é uma coisa muito portuguesa!
Em nenhum outro lugar do planeta se enchem 2 metros quadrados de vidro com tantos quilos de bolos e de calorias. É uma catarse de açúcar, gordura e mau gosto que eu assumo desde já que: ADORO!
Tudo ali enfiado. Tudo ali para o freguês apreciar. Qual manifestação de arte, de engenho, de perícia em encavalitar 19 variedades num só lugar.
Nenhum engenheiro projectista alemão chega aos calcanhares dos empregados das Pastelarias da Baixa, que com os seus paninhos húmidos esfregam o vidro verde, grosso e riscado do balcão e produzem estas verdadeiras esculturas boleiras!
Já esteve mais longe a minha tese de doutoramento acerca deste fenómeno tão Português a que se dá o nome de: Pastelarias.
Dá-se ao nosso povo o mérito da via verde e dos Descobrimentos, mas as pastelarias, os seus empregados e a capacidade de invenção e criação de nomes dos bolos é já um standard nacional!

16.11.11

Cristina


Todas as 3ªfeiras, Cristina almoça em casa da Avó, no Intendente. Sai das aulas da Faculdade no Campo Grande e mete-se no metro.
Só ela é que ainda visita a Avó, Mãe do seu Pai. O seu feitio complicado, para não dizer infernal, faz com que ninguém se aproxime da Senhora. Só Cristina, a neta mais nova, é que ainda visita a Avó. As duas juntas fazem a cama de lavado, vêem o Jornal da Tarde, conversam sobre o tempo e Cristina costuma ainda sair à Mercearia para trazer as coisas mais pesadas: os pacotes de leite, a terra ou a ração do gato, garrafas de azeite, sacas de um quilo de batatas ou de cebolas.
No Natal fazem juntas a Árvore e o Presépio, no Verão abrem os roupeiros e arejam a casa. Cristina já não sabe o que fazer às 3ªfeiras, na hora do almoço, sem ser apanhar o Metro até ao Intendente.
Sempre quis aprender a tocar Piano. Certo dia soube de um curso muito barato na Junta de Freguesia às 3ªfeiras, das 12h30 às 14h00. Falou com a Avó. Passariam a almoçar às 4ªfeiras? Nem pensar! O que faria agora a Avó às 3ªfeiras? O mesmo que faz às 4ªfeiras, dava-lhe Cristina a solução.
Mas como? Se às 4ªfeiras faz-se o que se faz às 4ªfeiras e não o que se faz às 3ªfeiras. Não faz sentido.
E por isso, nesta 3ªfeira, lá vai Cristina a caminho da casa da Avó Laurinda e do gato Tobias.

14.11.11

E o Douro outra vez!



A profunda paixão que eu sinto pelo Douro, não é novidade para ninguém. É mesmo uma profunda paixão.
É qualquer coisa de inexplicável, em que me perco pelas palavras, em que não sei como me justificar. Não tenho família no Douro, não tenho qualquer ligação, sendo que só há poucos anos comecei a beber vinho do Porto, até mesmo a apreciar os vinhos do Douro. Para mim, o Douro era como uma mancha no coração de Portugal, um lugar longínquo a que poucas pessoas acediam, como uma espécie de “clube restrito”, a que a só alguns era permitida a entrada. Não falo dos cruzeiros e do visitante mais turístico, falo de quem entra na vida de uma Quinta e conhece a sua família, envolvendo-se naquela vivência obstinada em torno do vinho.

Foi em 2003 que pela primeira vez conheci o Douro. No Vale do Rio Torto, onde há o lugar de Casais do Douro, está a Quinta do Barão dos nossos amigos Ana Rita e Mário. Quando torno a visitar o Douro é lá onde fico. E é onde sempre quero regressar.

Tudo no Douro é grandeza, sendo ao mesmo tempo simples e rude. Dizem que quando as pessoas se conhecem pela primeira vez e à medida que vão cultivando as suas relações, desencadeiam-se reacções químicas. Eu tive e tenho uma reacção química com o Douro. É qualquer coisa que acontece fora de mim e me leva a desejar voltar.
São as Quintas, as casas e as famílias, o profundo amor ao vinho, a um produto tão simples e tão ilustre que durante séculos representou o maior e mais importante produto de exportação portuguesa (ainda hoje não o será?). O Douro é feito de uma história que vem de trás, muito atrás. De uma história que confunde amor com sofrimento, pragas, crises comerciais, doenças, cheias, seca, fome, morte, perdas, anos extraordinários, ganhos, concorrência, cobiça e paixão.

Nada nem ninguém explica o que faz com que famílias inteiras se dedicassem, e se dediquem, aquela terra, quando não havia comboio e muito menos Pontes ou Barragens, e as estradas eram uma mistura de lama e pedras. Naufrágios, acidentes de carro, bois que caiam pelas encostas, muros e oliveiras que o Rio levava nas cheias, perdas e mortes. Um lugar onde ora o sol asfixia e o xisto ferve, ora a chuva não cessa e destrói anos inteiros de melhoramentos e investimentos nas vinhas.
Ao longo destes 8 anos de relação com o Douro, tive o privilégio de ter conhecido várias Quintas. Uma das que conheci foi a de Roriz. E agora, com este Livro, reforço a minha profunda admiração por estas famílias e a tamanha coragem e capacidade de entrega.

O Douro tem sobre alguns o encanto, a ideia vaga de um sabor doce na boca, de uma sensação de respirar fundo, de fechar de olhos e de sentir o silêncio do Rio. Onde em nenhum outro lugar da terra quero voltar a sentir. O silêncio do Douro é único no mundo. E eu prometo não gostar de mais nenhum.
Como não tenho uma Quinta, nem família no Douro, criei uma. Das coisas boas de se escrever é criar mundos onde talvez nunca possamos existir, ir fazendo parte deles com o prazer da escrita e participar numa vida que não é mais do que uma fantasia. Em 2008 escrevi o meu primeiro Romance: “Chão de Sangue”. Entre o Douro e o Alentejo.

Agora, concluindo o meu êxtase duriense, até penso ainda bem não ter uma Quinta no Douro. Porque se a tivesse, não saberia viver sem ser dentro dela, com ela, e por ela. Seria a minha obsessão, a minha fobia, a minha utopia.
Contento-me com a leitura desta “História de Uma Quinta no Coração do Douro” –  não sou digna em tecer comentários, eu mera lisboetazinha, pouco mais de 30 anos, pequenina e sem saber nada ou pouco da vida. Mas posso dizer que se alguém, algum dia, também sentiu essa química por aqueles vales de socalcos plantados de videiras enraizadas até aos confins da terra, leia este Livro. Compreenda o que são séculos dedicados ao vinho do Porto, a uma tarefa tão dura como quase ilusória.
É por isso que o Douro é para mim aquilo que mais se aproxima de um sonho, de um pequeno delírio. É uma febre que se instala e só de escrever sobre ele fico irrequieta e perdida, como qualquer coisa de inexplicável e intraduzível em palavras.

Dizem que isso é Amor. Então que seja. Que sinta Amor por uma terra: é isso!

I LOVE DOURO!



"Roriz - História de uma Quinta no Coração do Douro", Autor: Gaspar Martins Pereira, Edições Afrontamento e Symington Family Estates, 1ª edição Outubro 2011


13.11.11

O chocolate

É verdade que até dar uma volta inteira a todas as estações e momentos do Ano, vou andar aqui a escrever coisas de gente que parece tolinha.
Do género: sentir o cheiro das castanhas assadas na rua! vestir as minhas camisolas de gola alta pretas! ver as folhas no chão! salivar à porta das pastelarias e das suas montras obscenas! ver as decorações de Natal na rua! 

O momento de ontem foi: comer um Baci(o)! Há tanto tempo que não comia um Baci(o)!
E ler a mensagem e guardá-la.

É que no Ibo um milagre aconteceu e no Natal houve quem levasse desde Maputo (a uns 3.000km de distância) uma caixa de Ferrero Rocher. Quando comi um, o mundo parou uns segundos para que o mastigasse e o engolisse.
Ontem foi a vez do Baci(o).
Obrigada querida V. pelo encontro de amigos (de há tantos outros anos) e pelo Baci(o).
Outro para ti.

11.11.11

11.11.11 às 11.11



Quando hoje acordei e saí à rua para passear o Flash, não me lembrei que era dia 11 do 11 do 11. Estava uma manhã menos fria, com a ameaça da chuva, mais uma vez.
Desde que voltei de Moçambique - ultimamente tenho ouvido tantas vezes "voltaste!?!"- tenho ido correr todas as segundas, quartas e sextas feiras de manhã. Começo na Estação de comboios de Santos, vou até ao BBC (já quase a chegar ao Museu de Electricidade) e volto.
Nestas últimas semanas, tem estado sempre sol às terças e quintas. Eu posso confirmar. Esta semana, então, não houve um dia que não chegasse a casa ensopada. Completamente. Qual Jessica Augusto ou a minha eterna heroína, Vanessa Fernandes, enfrento o vento e a chuva, numa batalha inglória contra a roupa toda molhada, os ténis a fazer blherg-blherg-blherg, a cara encharcada e o meu cérebro (seco) que me fala: o que raio estás tu aqui a fazer? olha bem a tua figura.
É verdade.
Na 4ªfeira era só eu e um pescador, que me deu guarida debaixo do chapéu por uns minutos, quando só me apetecia atirar-me para debaixo de um carro, tal era a carga de água e sem qualquer tecto à vista senão árvores e caixotes do lixo. Enquanto esperei que a chuva acalmasse, o Sr. pediu-me um instantinho e foi puxar uma das canas. Já lá tinha uma mini-dourada. "Está a ver?" - dizia ele - " É preciso é a gente vir, se a gente não vem, a gente não sabe se apanha ou não?!".
Nem Kant diria melhor.
Despedi-me da guarida do chapéu e segui até ao BBC. Completamente sozinha naquele percurso, era só eu e as gaivotas que serenas sobre a calçada adoptavam uma posição geometricamente igual, todas com o mesmo ângulo em relação ao Rio. A chuva voltou e eu decidi não parar mais até chegar a casa. E assim foi, depois com Aspirina C e espirros até mais não.
Hoje, no dia 11.11.11 às 11horas e 11 minutos e 11 segundos, deveríamos estar todos atentos a qualquer coisa, ou conscientes que algo poderia acontecer.
Pois aqui a vossa serva só pensou que hoje era 6ªfeira. Dia da corrida junto ao Rio. Mais uma dia que está a chover e eu lá me meti rua abaixo, caminhando a pé até à Estação.
Até chegar à Ponte, tudo bem, depois foi o dilúvio. Estava muito pouca gente, só me cruzei com um ou dois corredores e lá estava o meu "amigo" pescador-filósofo agarrado ao seu chapéu de chuva e às três canas de pesca. Consegui chegar ao Café In e abrigar-me da carga de água maior.
Decidi não parar mais, chovesse o que chovesse. Mas o pior não era a chuva, era o vento. O troço até ao BBC foi com a banda sonora de uma Ópera de Wagner - vento descontrolado e fortíssimo, mal conseguia abrir os olhos tal era a força e a quantidade de água que chovia, as gaivotas nos seus postos, eu, desfeita em suor e em chuva, a contornar os pilares e a iniciar, finalmente, o regresso a casa.
Cruzo-me novamente com o pescador-filósofo, começa a chover com muita força. Continuo. Não sentia os pés, nem as pernas, encharcadas. Só tinha uma imagem na minha cabeça que era um duche quente.
Aquela hora, em que mundo devia estar a desabar, eu estava a debater-me contra o tempo, pisando e saltando poças intermináveis até chegar novamente à Estação de Santos.
Missão cumprida.
Duche quentíssimo tomado. Aspirina C, desta vez sem espirros.
Pronto, foi assim que passei o meu único dia 11.11.11.11.11.11.
Para o ano há o 12.12.12. Vou fazer por estar na Biblioteca Nacional a ler os Sermões Escolhidos do Padre António Vieira, parece-me bem melhor e mais seco.
Bom fim-de-semana e boas castanhas!
(Nota: Não façam como eu que toda contente quis fazer o magusto cá em casa e queimei as castanhas todas, ficaram duras como pedras da calçada e era uma fumarada que não se podia aqui estar!)

9.11.11

20.000

E assim o Bolo-de-Arroz atingiu as 20.000 visitas! Fico tão feliz! Pois tenho cada vez mais a certeza de que está alguém desse lado que dá o seu precioso tempo à leitura do Blog.
Para comemorar, fiz uma busca do número 20.000 e, claro, o que mais poderia surgir senão o Júlio Verne e as suas léguas submarinas!


Acho engraçado relembrar a história do Capitão Nemo e do seu submarino Nautilus (por opção não pûs uma foto com a lula gigante, pois isso é um nojo, deve ter sido um delize do Senhor Júlio), além de que ultimamente tenho adorado usar a minha caneca à marinheiro comprada no Cabo da Boa Esperança, na África do Sul!


Quem diria que o número 20.000 me levasse para junto do mar?
E para terminar, fica o meu marinheiro preferido, o Capitão Haddock e a sua múltipla imaginação para inventar nomes e insultos. Acho-lhe muita graça e acho que ele devia usar uma caneca igual à minha.


Obrigada e até aos próximos 20.000!