30.6.13

June Photo a day #30

E assim termina o desafio deste "photo a day" com a minha letra numa das páginas do meu Diário de Moçambique, onde falo de quando estive com uma cria de baleia dentro de água, a tentar "salvá-la" dos que gritavam em terra pela sua carne...

29.6.13

June Photo a day #29

dentro da minha mala vive lá um botão há uns tempos... não sei bem porquê, mas deixo-o ir ficando!
 

28.6.13

June Photo a day #28


...é uma das fases do meu Pai!
(red)

this is Africa...


"Never, never, and never again shall it be that this beautiful land will experience the oppression of one by another."
Nelson Mandela
 
África do Sul foi das viagens que mais gostei.
Pelo inesperado, pelo improviso, pela surpresa de conhecer um País carregado de referências históricas portuguesas e pelo Nelson Mandela.
Nunca até então me tinha apercebido da luta deste homem, que quase parece desumana aos olhos daquilo que eu imagino ser África naquele tempo.
Se ainda nos dias de hoje a tensão branco/ preto (e não é negro, é preto, eles próprios dizem que são pretos e nós somos brancos, ok?) é tão patente em algumas cidades como Joanesburgo, o que seria há vinte e muitos anos atrás andar a lutar por um ideal utópico.
Porque apesar da sua presença de espírito e existência tranquila, Nelson Mandela sabia de certeza que nada é mais obviamente incomodante do que a relação entre as cores naquele País.
Eu senti, apesar de andar feita turista durante duas semanas, o que era a separação, principalmente porque vinha de Moçambique, onde tudo é muito naturalmente misturado.
Lá não é assim.
Nunca foi, algum dia será?
Este homem é de uma dimensão superior e só vejo imagens dele a sorrir, sempre a sorrir.
E aqui estou eu com a sua estátua, em homenagem ao Prémio Nobel da Paz em 1993, em Cape Town.
(para se compreender a dimensão do sério conflito, só neste País houve 4 nobeis da Paz... tal é o esforço e a dedicação a que a causa obriga) 
  

27.6.13

June Photo a day #27

Não é de hoje.
Foi tirada no dia 16 de Setembro de 2010, quando tinha feito 10 anos de casada.
É no Ibo.
O pôr do sol africano puro, dos mais bonitos que possam existir.
Uma última luz no céu que se apaga, mas regressa logo no dia seguinte.
O meu coração põe-se no mar e descansa, triste, magoado, cansado. De ferida aberta, pequenino, solitário, perdido.
Tenho dias piores. Tenho dias.
Hoje a noite trouxe-me melancolia, saudade, timidez na mágoa, solidão. E só podia imaginar um pôr do sol africano.
Não sei como se faz a partir do momento em que acaba o amor, assim como não sei o que acontece ao sol quando se põe.
Fico à espera, como fica este mar todas as noites que ele volte.
Mas o meu já não volta. E isso dói, como se o tivesse perdido para sempre.
Mas é a força da sua luz que me faz acreditar que ele possa um dia, mais tarde, renascer dentro de mim, sob a uma forma diferente, nova.
A estranheza dessa novidade assusta-me, mas dá-me a esperança do regresso.
Aguardo então.


26.6.13

25.6.13

June Photo a day #25

finalmente fiz hoje a máquina de peluches do Martim e tive direito a um estendal como os tantos que eu cobicei pela vizinhança!
não tem nada a ver com o tema do dia (sharp) mas não interessa. cada um sabe de si.
o que posso acrescentar é que hoje às 14:10 em ponto (isto sim sharp) fui Tia pela terceira vez de uma menina linda!


ontem

 
Ontem foi dia 24 de Junho. Dia de São João Baptista, o santo do Ibo.
Dia de festa na minúscula Ilha no Ibo no meio do Índico, onde vivi e senti tanta coisa.
Dia em que assinamos o contrato da nossa casa há 3 anos atrás e o X. aprensentou a carta de demissão. Dia em que a burocracia confirmou os nossos planos de seguir para Moçambique.
Ontem foi o dia em que fiz a mudança para a minha casa nova, com 37ºC na rua.
Ao fim de quase quatro horas a despejar caixotes escadas acima e abaixo, sentei-me a preencher o cheque e confirmei com o homem da mudança: que dia é hoje?
24 de Junho.
Pois é..., pensei, é dia do Ibo.
Por acaso marcamos as mudanças para ontem e não realizei esse facto até ao momento de preencher o cheque.
Mas o que ainda carregou este dia de significado, foi a forma como terminou.
Fui dar um mergulho no Guincho com os meus primos e o Flash.
E se eu fosse cão, e não estivesse feita picadinho, de exausta de cansaço e calor, era o Flash a correr na praia e a mergulhar no mar. A alegria dele e a sua total liberdade confirmaram o que senti ontem, acompanhada pelos meus primos, como se fossemos irmãos, na praia que sempre foi minha.
Mergulhei às oito da noite, no Atlântico, numa água limpa, fresca e cheia de energia positiva.
Foi um banho para a minha alma, um baptismo de nova vida.
E se fosse cão, era esta a minha expressão.
Cansada mas feliz.


24.6.13

June Photo a day #24

não estou em condições de ter espaços negativos na minha vida;
aqui fica a nova morada do Bolo de Arroz e bolinho júnior; um espaço com boa energia, bom astral!
só coisas positivas!

23.6.13

June Photo a day #23


a última coisa que vejo antes de fechar a portada é um gato no telhado...
 

22.6.13

21.6.13

June Photo a day #21


não é de hoje, é de "amanhã", mas eu não consegui tirar fotos ontem...
(confuso, hein?!)

20.6.13

Foi uma amiga que partilhou este texto comigo, não conhecia este Blog, mas o texto até podia ser escrito por mim.
Na verdade, esta vidinha portuguesa pequenina ainda condena quem anda na terapia, acha que isso é para maluquinhos.
Para mim é mesmo uma questão de saúde pública; fizessem as pessoas terapia como quem lava a cabeça todas as semanas, e andaria este mundo bem melhor.
É sem dúvida um luxo, como uma vela da Diptyque; não é propriamente um salva vidas, mas ficamos muito melhor com isso.
Cada um sabe de si, há muito boa gente que não precisa, outras para quem poderá ser contra producente e finalmente há que acertar no terapêuta certo - e isso é que é o caneco!
Eu gosto do meu (minha), gosto de me ouvir e gosto de me perceber e me conhecer melhor.
Costumo dizer que é a hora mais cara da minha semana, mas a mais bem usada da minha vida!
  

 
Estes dias de "paragem forçada" em casa dos meus Pais, fizeram-me regressar a coisas das quais já andava um bocadinho longe... como as flores.
Não há nada como flores frescas em casa, sempre disse e praticou a minha Mãe.
E é bem verdade!
Estas vieram do jardim, cheiram muito bem e são bonitas.
E pronto.

June Photo a day #20

os panos de cozinha (mais) que eu comprei...
são fofinhos não são?

Conversas do Divã #8

Planos.
 
Tem a vida planos para nós, ou traçamos os nossos planos para a vida?
O Forrest Gump dizia, num filme com quase 20 anos: "Life is like a box of chocolates, you never know what you're gonna get"
Mas ninguém o ouviu muito bem. Eu pelo menos.
O que podemos fazer são escolhas e tomadas de decisão, mas há sempre um pedaço que nos escapa. E os planos que traçamos podem ser escolhas que tomamos, nada mais.
O universo trata do resto, pois nada que é nosso pode alguma vez ser. E a terra não gira porque é nossa.
Se fazemos rodar o dado, que seja por nossa opção, o resultado é que já não o podemos prever.
E assim continuamos sem ser capazes de fazer planos. Ou não?
 
Quando escrevi esta última entrada do meu diário, houve um ponto de interrogação que nasceu no fim da minha boca: eu achava que sim, que tomava o pulso daquilo que tinha como certo, que tomava conta da minha vida, mas afinal não.
Passaram quase três anos e a minha arquitectura desfez-se em pó.
Hoje, com o filho sonhado e o pedaço de terra ambicionado, os planos de pouco me serviram.
Tinha projectado um caminho, amplo e perfeito.
Mas a caminhada não dependia só de mim.
Julgava eu saber da vida. Mas foi a vida que me deu um chocolate completamente diferente e eu tive de o aceitar.
Aprendi a aceitar.
Aprendi a viver com um novo "plano".
Aprendi a comer outro chocolate.
 
No outro dia assisti na televisão à entrevista da Sónia Brazão, na SIC, a actriz que sobreviveu a uma explosão de gás em casa. Ficou toda queimada (90% do corpo), em coma, e lentamente foi recuperando até "regressar à vida".
Ela disse coisas com as quais me identifiquei, e eu não tive uma explosão de gás em casa, mas talvez tenha passado por um muito mau bocado (e ainda estou a passar, mas já são restos do "tsunami" que me abalou).
Que a vida, por vezes, não é o que idealizamos e que aceitar a sua nova pele (com marcas) foi a maneira de enfrentar a nova realidade.
 
Que assim seja.
Que me refaça das cinzas, da destruição que me abalou por dentro e reconheça que mesmo assim, posso fazer escolhas e tomar decisões.
Afinal ainda posso fazer planos, mesmo quando o que me aconteceu não era previsto, projectado ou sequer ponderado.
De qualquer modo, ainda acredito que o universo vai-se entreter a colocar uns chocolates na minha caixa.
Por agora, vejo uma luz ao fundo e encontro as forças para me erguer.


19.6.13

June Photo a day #19


capítulo 11...
há já muito que queria começar este colosso (702 págs);
comprei-o o ano passado na feira do livro e só agora o comecei;
é bom e arrepia. 

diários de moçambique**#9

Diário de Moçambique. Volume 1. "do que te leva a ir"


13 de Dezembro de 2010 (2ªfeira)
Era uma vez uma rapariga, de joelhos esfolados, sardas no nariz, olhos verdes e franja desajeitada. Ela gostava mesmo de saltar à corda e jogar ao elástico – de brincar com as amigas e de subir ao palco. De se expor, de se mostrar, porque sentia que dentro de si crescia qualquer coisa de diferente.
Certo dia teve vontade de escrever, e na escrita saiam-lhe palavras diferentes, frases únicas. Ela nunca soube o que seria o dia seguinte, apenas vivia, nunca esperando muito do que de lá viesse – o que viesse seria bom. Pouco exigente? Pouco ambiciosa? Não. Ela era apenas uma rapariga, os seus sonhos eram diferentes – eram sempre memórias e cheiros, pessoas e sentimentos. Os seus sonhos eram sempre um momento presente, e não uma coisa que talvez nunca acontecesse.
Quando cresceu, reparava que se arrepiava quando ouvia música clássica e gostava de dançar – era apaixonada pelo Ballet. Dançava muito sozinha, no seu quarto, uma música imaginária e mexia, gestos, mãos, pernas, braços.
Nunca se deu bem com o amor, talvez. Não sabia o que era isso de ter de se controlar – achava que podia amar tudo ao mesmo tempo e dar tudo às pessoas. Quando se apaixonou pela primeira vez tinha 16 anos e achou que nada no mundo poderia ser mais perfeito do que aquela sensação. Claro, que como qualquer primeiro amor, foi um desastre que terminou 3 meses depois. Uma tragédia.
E ele então foi sempre fugindo dessa coisa que a tomava, que era o amor. E o querer entregar-se a alguém.
Às vezes um pouco triste e melancólica, a rapariga, já a caminho de ser mulher, pensava que os homens eram seres muito estranhos e que ela nunca iria conseguir atrair a atenção de ninguém – pois sempre se sentiu muito “transparente” ao lado das suas amigas, e por isso, nesse aspecto, tinha a sensação que os assustava.
Até que houve um dia em que, pela força do destino, conheceu um rapaz quase homem, de olhos de amêndoa, dentes brancos perfeitinhos, mãos de Príncipe e um sorriso genuíno.
Ele apaixonou-se tanto por ela, e ela por ele, que ali começaram a viver a sua história de amor e resolveram casar.
Ela com 23 anos, ele  a duas semanas de fazer 25. Era a maior aventura das suas vidas. Saiu cada um de casa dos seus Pais, ela de um grande ninho que a acolhia e foram viver para um apartamento em Lisboa.
Que mudança! Que sensação! Ir às compras, ganhar um ordenado, gerir uma casa, ter uma casa – era tudo tão novo para ela. Viver longe dos seus Pais, numa outra cidade, num novo universo. Estar com ele e os dois começaram a sua história.
E começou. E foi tão divertido. Os primeiros fins de semana a dois, casados; acordar na sua casa e partilhar as manhãs de descanso. Os jantares na cozinha, ir às compras ao Continente, o primeiro Natal e as primeiras férias.
Foi tão divertido descobrir a vida assim, a dois, sempre com o apoio dos Pais, claro, mas foi uma louca aventura a dois.
Depois as amigas começaram também a casar e houve uma altura em que ele lhe falou de filhos e ela sentia-se muito longe disso. Ainda não seria a altura certa – havia uma certa insegurança dentro de si.
Depois as amigas começaram a ficar grávidas e foi tudo mais ou menos ao mesmo tempo. E isso, sem se conseguir explicar muito bem, criou entre eles uma certa tensão.
Estavam no ano de 2004 quando também tentaram essa sorte, de se ser Pais.
É tal e qual quando tomamos a decisão de apanhar aquele comboio e não outro; o que se vai passar naquela carruagem, as pessoas, os instantes, são irreversíveis e irrepetíveis, não dá para mudar. Todo o percurso está traçado – e o que vai acontecer até se sair na Estação, só sucedeu porque tomamos a decisão de entrar naquele comboio.
E com eles assim foi.
Ao fim do primeiro ano, nada mais descobriram do que um quisto nela, que teve de ser retirado e falaram-lhe de “endometriose”.
No final desse mesmo ano resolveram mudar de casa e foram viver para um apartamento lindíssimo, de tectos altos e trabalhados, no centro da cidade, com tantas coisas novas e diferentes.
Os dois projectaram uma casa linda, linda de morrer. Fizeram pequenas obras e a casa parecia um apartamento no centro de Paris. Carregada de charme e romantismo – era uma casa retirada directamente de um romance. Branca, chão em soalho antigo perfeito, janelas grandes e uma atmosfera envolvente.
Seis meses após a mudança, e já com uma tentativa falhada de gravidez, a mulherzinha que sempre ficou com cicatrizes nos joelhos, foi despedida do seu fantástico emprego.
Aquele que a levava em 1ª classe aos Estados Unidos, às capitais da Europa, que lhe deu um carro topo de gama, telemóvel e agenda electrónica, que lhe deu um “estatuto” no mundo empresarial muito considerável, e lhe permitia comprar as coisas que quisesse , até um apartamento tão romântico.
Era o princípio do previsto “declínio” do mundo ocidental perfeito, a “bolha” que rebentava nos EUA e o declarado fim do “El Dorado” – da vida fácil, com casa e carro. Do consumismo puro e duro. A sociedade ressentia-se e a mulherzinha sentia os primeiros efeitos da tão falada “crise”.
A casa bonita tinha sido acabada de comprar e compunha-se como uma longa partitura a quarto mãos. Ficaram os dois sentados à mesa, na cozinha, onde jantavam todos os dias, a olhar para o escuro das traseiras do prédio.
Podia-se tentar e esperar – e talvez ela fosse trabalhar por conta própria, criar o seu negócio. Até lá passaria um ano e ela saberia o que fazer, tendo ele ficado no seu emprego, também “despromovido”, mas iriam os dois aguentar o “choque”. 
Para os dois foi um tempo de crescimento, ela construiu o seu ofício, dedicou-se a várias causas e recomeçou a sua escrita. Aquilo que sempre a tinha levado para o seu mundo, só o seu mundo.
E até arranjaram um cão!
Durante os dois anos seguintes continuaram com tratamentos – foram mais três tentativas, num nível que se poderia chamar de "ficção científica". O resultado foi sempre negativo e os dois decidiram não tentar mais. As consequências seriam fortes, a casa romântica foi a "terceira pessoa" que assistiu ao sofrimento dos dois.
Foi uma caminhada através do medo, da tristeza, da vergonha, da frustração, da raiva, do desespero. E da pergunta muito parva: porquê nós?

Ao mesmo tempo os dois foram construindo uma “empresa” a dois, uma dupla de trabalho na remodelação de apartamentos em Lisboa. Divertiram-se e fizeram bons projectos, ganharam dinheiro e conseguiram canalizar toda a sua energia para um objectivo comum – tal e qual se faz para um filho.
Mas havia mais um projecto em comum que queriam construir na Costa Alentejana, onde todos os Verões deixavam as suas intenções e sonhos. Ali poderiam ter um negócio, receber pessoas e também construir uma família. Uma casa no campo com a família!
Então, durante um, dois anos, andaram a descer e a subir, de sul a norte, à procura do seu terreno – da sua terra.
E foram de noite, e entregaram projectos na Câmara, pagaram sinais e falaram com dezenas de pessoas e desesperaram pois não conseguiram nada.
A vontade de sair de Lisboa era grande  e eles conheceram quem lhes mostrou um outro mundo: África, Moçambique, Quirimbas, Ilha do Ibo.
E num ano eles venderam a casa romântica, viveram num pequeno, mas bonito apartamento com um terraço no Chiado, venderam esse apartamento e foram para um 3º andar no mesmo prédio, venderam o carro e deixaram o seu cão, o seu "bebé", em casa dos Pais dela – o labrador preto, que sempre quiseram desde o dia em que casaram, mas que um ano e meio depois de o terem, tiveram de o deixar.
Largaram tudo e correram para África, como se fosse uma corrida ao ouro!
A sensação de África era-lhes estranha e a diferença com todo o seu mundo, durante 10 anos de casamento, em Lisboa, era abismal. Mas eles aceitaram e foram. Só se têm um ao outro, num sítio onde até sair água  pela torneira é uma celebração de alegria. Onde nada se assemelha a nada – apenas os move um sonho, tendo deixado os amigos e a família, a sua base e a sua casa.
Os outros, que os trouxeram até aqui – eu, narrador, escrevo em Moçambique – também os largaram e venderam-se à ambição e ao sonho emprestado.
Traídos, não desistiram e aqui ficaram. Os dois num outro mundo, numa ilha, aguardam pelo universo e pelo tempo, já que por aqui fizeram tudo o que lhes era possível.
Não sabem se terão outra resposta negativa, quantas mais casas terão de ver, por quanto mais irão adiar o sonho. Nas poucas certezas que lhes restam, sabem que se amam um ao outro e que por muito que a vida os obrigue a mudar de rumo e a barrar-lhes o caminho, eles avançam sem medo – sempre os dois, sempre juntos.
A história será sempre deles e o amor é o que lhes resta, neste mundo em que o pó é mais forte do que o homem.
A aventura assim continua, mesmo tanto tempo depois.   


**excertos do meu Diário Pessoal escrito durante a minha estadia em Moçambique, entre Julho de 2010 e Agosto de 2011

18.6.13

June Photo a day #18

 
 
a  nossa "nova" rua...

17.6.13

June Photo a day #17

no centro de mesa...

16.6.13

June Photo a day #16

almoço de...

o primeiro amigo


Ainda não vos tinha dado conta da, já esperada, fabulosa relação entre o Martim e o Flash. Ou por agora, faz mais sentido dizer, Flash e Martim.
Na verdade, foi tudo construído com muita calma e consistência, ingredientes fundamentais à educação de um cão e de uma criança, como se sabe.
Ainda o Martim era um embrião com poucos dias de vida, já o Flash sabia que ele cá andava. A palavra "Martim" começou a soar-lhe todos os dias, além de "bebé", ou "bebé da dona". Enquanto lhe dizia isto, apontava para a minha barriga que ele snifava no cimo das escadas.
O ritual era sempre o mesmo; depois do passeio matinal, o Flash subia as escadas à minha frente, e quando chegavamos ao último patamar, eu parava para descansar pois já levava com uns lances de escadas no lombo e uma barriguinha a crescer.
Nessa altura o Flash ficava uns degraus acima de mim, ficando com o focinho ao nível da minha barriga e eu começava a lenga-lenga: "está aqui o bebé da dona, o Martim", apontando para a barriga.
Depois veio a altura de fazer o quarto e preparar as roupas do bebé. O Flash nunca entrou no quarto do Martim sem a nossa autorização e só o fez 2/3 semanas depois dele nascer.
Da maternidade veio para casa na noite em que o Martim nasceu, a primeira peça de roupa que vestiu (dada pelo Hospital), para o Flash cheirar.
E a partir daí é a relação que têm.
O Flash inala o Martim conforme pode; adora cheirar-lhe a cabeça e quando o deixo, lambe-lhe os pés e as mãos!
O Martim já o vê, e apesar de ser uma mancha negra, reage, observando sempre muito atento.
O ladrar do Flash não o assusta, nem o acorda quando está a dormir.
O choro do Martim faz com que o Flash se deite perto dele, ou se estou a dar de mamar, senta-se ao meu lado.
Cheira-me que vão ser os melhores amigos, e que não podia estar mais feliz por ter um filho que cresça com um cão ao lado dele.
Porque amigos destes não são de mais!
 

15.6.13

June Photo a day #15


...e aquelas perninhas que não param um segundo quietas!

quando de menos é demais!

 
Iniciei-me ontem à noite nos palcos, numa primeira vez pós-parto.
Como sempre um deleite, para mim, toda a atmosfera dos espectáculos; a espera à porta, uns fumando cigarros, outros conversando, a entrada na sala, os lugares e quem nos calha à frente e finalmente quando o pano sobe.
Sendo dança, gosto ainda mais, mas seja música ou teatro, é sempre um momento que muito aprecio.
Na verdade, e não querendo estar para aqui "armada aos cucos", já vi muita, muita coisa. Ou seja, já muito passou por estes olhinhos, desde o Ballet Gulbenkian nos tempos áureos em que a minha Mãe me levava a ver coisas "fora da caixa", como a Companhia Nacional de Bailado, o Ballet de e em Nova Iorque, companhias russas, por aí fora...
Ou seja, já não "papo tudo e calo".
Desta companhia em concreto, Marie Chouinard, gostei da genialidade da primeira parte, em que a partir de desenhos feitos em tinta da china, os bailarinos fazem movimentos; são centenas de desenhos, logo centenas de movimentos.
É brutal! Uma anormalidade de passos, uns a seguir aos outros, uma coreografia "imemorizável"!
Nunca tinha visto tal coisa, achei mesmo genial.
Já a segunda parte, numa estreia mundial, me decepcionou.
Para começar com a música "cliché" do Satie, que não há filme, anúncio, vídeo no youtube que não use esta música, e depois, num determinado momento, os bailarinos a dançarem nus. Nunca tinha visto nu integral em palco, numa dança, entre homens e mulheres.
A dança não tem nada a ver com corpos nus. O corpo é essencial ao movimento, mas o movimento não precisa de ser nu. Além de que o corpo, principalmente de um homem, não é coisa muito bonita de se ver nua. Não há harmonia, continuidade ou ligação num corpo nu - e isto, para mim, são os elementos fundamentais da dança.
O nu é cru, e a dança é tudo menos crua.
Pelo menos para mim.
Acabei por vir mais cedo, não pelos "acessórios" à vista, mas porque já eram 23:00 e o meu pequeno bezerro tinha a sua hora de mamar a aproximar-se.
Mas, na minha simples opinião, o que é bom, é bom e pronto. Não é preciso mostrar pilinhas, maminhas e pipis para uma dança se tornar única, bem executada e bonita de se ver.
Tenho dito.
 
 

14.6.13

June Photo a day # 14


Hoje no paredão de Cascais.

13.6.13

o fim do ano


Estudei da 1ª à 4ª classe nesta Escola em Cascais.
E agora que os miúdos se preparam para o final do ano, foi inevitável lembrar-me desse momento que culminava com o dia do "passeio grande".
O passeio grande que é como quem diz, meterem-nos numa camioneta durante 12 horas a caminho de lugares recôndidos como Évora ou Estremoz, sendo que naquele tempo para se chegar a Lisboa tinha de ser pela marginal, naturalmente, e só isso já era um passeio enorme.
 
Tudo o que ultrapassasse as duas horas de caminho era qualquer coisa de espectacular e transcendente. Não havia telémoveis, GPS, ar condicionado na camioneta, caixas negras, o que queiram. Era muito provável que a camioneta desaparecesse com 30 crianças a bordo e que tivesse três furos em cada roda, e que se perdessem em média 1 criança e meia por cada paragem e até que se enganasse no caminho; mas o que é certo é que nunca aconteceu!
 
O farnel, era para mim, a peça fundamental desta história, composto por caprisone, sandes de panado, croquetes, pacotes de pala-pala e línguas de gato, sendo que os mais sortudos ainda levavam fatias de bolo caseiro.
Acabava sempre por haver alguém que apanhava sol na cabeça, vomitava o farnel inteiro, levava com um banho de água, encharcava os pés numa poça, perdia o lanche, ou o dinheiro para o gelado, chorava com vontade de fazer cocó e não conseguia fazer nas casas de banho das bombas de gasolina, fazia xixi nas calças, chorava com saudades dos Pais, fazia bolhas nos pés, enfim.

Era um dia inteiro naquela missão de chegar ao sítio mais longe de Portugal, para depois rapidamente meterem-nos dentro da camioneta outra vez e voltar para trás.
Se havia um acidente na estrada era bem provável que o passeio chegasse 3 horas atrasado, como foi no caso do meu irmão, que eu lembro-me bem da minha Mãe à espera dele às nove da noite à porta da escola, sem telefone, sem notícias, zero de informação. Era aceitável que a camioneta tivesse um despiste e como não havia cadeiras próprias para nada, ou regras de segurança, resultava numa catástrofe horrível, mas a verdade é que tudo chegou são e salvo.
Eram outros tempos.

Hoje, no fim do ano há festival de cinema e entrega de óscares...
Mal sabem eles a sorte que têm de não os meterem numa viagem a caminho de sítios complicados.

Talvez hoje tudo isto seja impensável, mas a verdade é que passamos todos por isto, e quando se fala em levar os miúdos a algum lado há logo 50 regras, os telemóveis das professoras, do motorista, e até dos miúdos, que já os têm, sistema de GPS, etc...

É tão fácil complicar que até assusta!

June Photo a day #13

 
...está com 20% desconto na Loja do Gato Preto!
 


11.6.13

June Photo a day #11



eu não digo que tenho uma cena com o número 7...!

10.6.13

June Photo a day #10

tu és os meus olhos!

9.6.13

June Photo a day #9

fiquei tão em baixo com isto das pulgas que nem quis tirar fotos...

8.6.13

June Photo a Day #8

um animal tão pequeno e tão largamente perturbador.
a pulga.
foi um desatino de 3 noites em que as bichas andaram entre a minha cama e as minhas pernas, comendo-me praticamente viva.
chamei a desinfestação e aconteceu o impensável: saltaram para o berço do M. e morderam no meu bebé de 3 meses : (
foi um desatino, o M. contente e calmo, eu histérica e furiosa com as p#tas das pulgas.


7.6.13

June Photo a Day #7

a luz da chuva
o reflexo no espelho
o olhar 

6.6.13

June Photo a Day #6

o transporte é mesmo este.
rua acima, rua abaixo lá vamos nós!

errata

A foto de ontem devia ser a #5, eu é que achava que ainda era dia 4 de Junho!
A de ontem será então esta:
 
O ambiente em que nos movemos, eu e ele, agora bem diferente do Bairro das ruas tortas, e muito provisório, pois daqui a nada já estamos na nossa casinha nova!
Assim escrevo e estou ao computador, com o M. a dormir na alcofa ao meu lado.
 
 
 
 
 
 
 
nota: para que se saiba, a temática deste desafio vai ser sempre em torno do M.!

5.6.13

June Photo a Day #4

after dark...

...quando o sol se põe, ele dorme naquela janela!
 
Sou uma macaca de imitação e gosto de coisas divertidas para animar o estaminé!
Ora vamos lá a isso!


3.6.13

 
Coisas que só se podem descobrir que se adora a partir do momento em que se é Mãe:
 
- eu poder chamar-lhe nomes fofinhos como bichinho, bolinha, passarinho, ...
- quando ele dá puns!
- quando está a mamar e de repente pára, olha para mim e ri-se que nem um perdido!
- vê-lo a dormir
- ouvi-lo a palrar
- ouvir a respiração no intercomunicador
- ouvir a chuchar na chucha
- as mãos e os pés
- os refegos das pernas
- o cheirinho
- a pele (suave, suave)
- saber que ele me conhece/ reconhece
 
...e por aí fora! A lista está a ficar cada vez mais extensa, porque todos os dias são coisas novas.
Há explosões de vida dentro dele e dentro de mim também!