29.4.14

e para rematar...

APRENDER A SER

 
Quando retiramos da nossa vida o trabalho, a família, os amigos, os bens materiais, o que eu queria ser e não fui, e o que eu ainda quero ser e luto por isso… Quando retiramos todos estes focos da nossa vida, o que é que fica?
Se hoje deixasses de te preocupar em cuidar dos outros, sejam eles parentes, amigos ou superiores hierárquicos, para onde iria a tua consciência? Para onde iria a tua convicção? Se hoje não tivesses absolutamente nada que te preocupasse, nem dinheiro, nem metas ou objectivos, o que restaria?
Restaria a tua luz interior. Restaria a tua essência, a tua vibração profunda. Essa vibração do teu Eu seria mais forte ou mais fraca consoante as vezes em que te tivesses despojado de tudo e das vezes em que já tivesses lá ido. A força dessa vibração iria depender do número de coisas com as quais te dispersas e da quantidade de coisas que – às vezes sem importância nenhuma – arranjas para fazer.
Essa vibração está à tua espera para salvar a tua vida e levar-te ao teu propósito. Essa vibração tem de ser acarinhada, alimentada e instruída para que brilhe de forma sistemática e inequívoca, de modo a dar consistência a esta encarnação. Tudo o que possas fazer, que não seja dar luz à tua luz, não procede e não resulta.
Primeiro que tudo, primeiro que os outros, primeiro que tudo o que tens a fazer, primeiro até que a tua sobrevivência, está a tua luz. Estás tu. Depois tudo virá, de uma maneira abrangente e apaixonante, sob o signo da abundância.
Aprende a fazer brilhar a tua luz. Aprende isso, e serás iniciado.

já passou!

















 
Curtida a fossa, chorado tudo o que tinha a chorar e a sentir toda a agonia que tinha a sentir, acabou.
Não é tipo interruptor, mas é quase. Comigo funciona assim - o que é óptimo, mas também é mau.
Estou a planear uma escapadinha, e só isso já me deu imenso ânimo.
Viajar, ver arte até cansar, ouvir muita música, visitar Bibliotecas, ler e escrever, viajar mais e ver mais arte até cansar e ouvir mais música.
Daqui a pouco estarei neste modo. Intenso e viciante!
(afinal sou uma sortuda, eu sabia)



27.4.14

Prenúncios




Às vezes sou um bocadinho profética.
Acredito-me em profecias. Sinais do tempo. Coisas para acontecer. Coincidências que não existem.
A notícia de hoje, da morte de Vasco Graça Moura, foi mais uma estalada, poucas semanas depois da morte do Manuel Forjaz.
 
Tinha chegado de Moçambique há pouquíssimo tempo, ainda me recompunha de tudo aquilo, quando fui ao CCB almoçar com uma amiga e prima, que lá trabalha.
Era uma espécie de Setembro. Tudo ainda morno, meio gás. Sentamo-nos as duas no refeitório do primeiro andar, frente a frente.
Pouco depois, entre apresentações breves de uma simples descontracção, senta-se ao meu lado o VGM e almoçamos os três. Foi das primeiras vezes que percebi o efeito de África em mim; tornara-me leve com a vida, serena e descomplicada.
Falamos de livros, dos clássicos que ele absolutamente recomendava ler, de escrever e ainda falamos de amor e de se estar sempre apaixonado.
E depois eu disse-lhe que acabara de chegar do Ibo, onde tinha estado a viver entre a ilha e a cidade de Pemba. Ele ficou curioso: "O que faz uma senhora da vossa idade no Ibo?"
 
Hoje também estive com uma amiga que passou pouco mais de 24 horas no Ibo, durante uma viagem a Moçambique, no início do mês.
Do meu universo de família e amigos, é a segunda pessoa conhecida que lá põe os pés.
E eu perguntei: "Ana, o que achaste?"
E ela disse: "Rita, aquilo é mágico, é quase irreal. Acho que tu até vieste de lá muito bem..."
 
Não sei. Não sei o que fiz no Ibo. Nem sei se vim de lá muito bem.
Só acredito que tudo tenha feito sentido para que hoje, quatro ano depois, eu ainda me sinta como parte daquele lugar. E vai ser assim para sempre, até eu morrer. Já percebi.
 
E morreu o Manuel Forjaz e agora o VGM e eu, que nunca tive medo da morte, só posso acreditar no absoluto sentido que a minha vida teve enquanto lá estive e continua a ter. Só desejo viver o suficiente para que faça o meu filho entender essa busca de uma tal plenitude, que só lhe pode trazer paz e tranquilidade.
Em qualquer parte do mundo.


26.4.14


 
Tão divertido como encontrar umas sandálias lindas em 41, com 50%, nas vésperas do Verão, é entrar na Galileu em Cascais, e ir à procura de livros.
Recebe-se um mapa e desce-se para o mundo dos livros perdidos.
E encontrei-o!


24.4.14

Crónica da tristeza

 
 
Há muito tempo que não curtia uma fossa tão grande.
E curtir a fossa é isso mesmo.
Colar-me numa tristeza e numa melancolia peganhenta, mas ainda assim ser capaz de me pôr a dançar para o M., enquanto faço sopas, varro o chão e baixo-me 28 vezes para ir buscar as coisas que ele atira.
Li há pouco tempo uma espécie de profecia que dizia que antes de qualquer coisa de grande e bom acontecer, tudo se desmorona.
Uma fénix que renasce das cinzas, depois de ter ficado toda chamuscada.
Um clássico, afinal.
Como sempre me considerei uma clássica na íntegra, acabo por ver tudo a desfazer-se e a aguardar pelo momento da coisa grande e boa.
Agora, caros leitores, agora é que chega a parte em que me revelo.
Eu, que neste ultimo mês zanguei-me mais vezes do que nos últimos 30 anos da minha vida, estou possuída pela zanga.
Por isso, quem pela primeira vez durante este texto vier julgar-me e sussurar nessa leitura surda: "ah, ela realmente é uma mimada de merda, a vida é-lhe tão fácil e ainda se queixa!" -  que vá lamber sabão!!
Porque eu tenho tido uma vida facilitada, então, moro numa casinha toda bonita, num sítio onde não é suposto as pessoas estarem tristes ou cansadas (Cascais é a terra da gente feliz e rica, certo? pobres e tristes não há!), tenho os meus Pais, com saúde, que vivem ao meu lado, óptimo irmão, boas amigas, convivo com gente civilizada e educada, gente que só me quer o bem e o melhor, e não tenho de ter um trabalho chato das 9:00 às 17:00, e vivo desafogada, sem dívidas de maior ou problemas de saúde, e faço coisas interessantes, cultivo-me, ouço música, leio, escrevo, vou a exposições, tenho uma vida social intensa e recheada de momentos interessantes. Pois é. 
Mas sinto-me sozinha, e isto acertou-me como um soco no estômago.
Sentir-se sozinha é uma coisa que não está relacionada com sexo, raça ou credo, é tipo uma situação que se nos aparece sem que estejamos num grupo que assim o defina.
Não escolhe as pessoas, não está relacionada com comportamentos de risco - é uma merda que quando nos bate à porta, só se pode abrir e deixá-la entrar.
É uma solidão idiota, e uma tristeza estúpida.
Certo que ter o M. doente, praticamente todas as semanas desde há um mês, também não abona a esta Senhora que resolveu entrar cá em casa e sentar-se no meu sofá, todas as noites.
Noites de inferno, com a otite a matar os ouvidos do meu filho e a minha saúde mental.
E apesar desta noite ter tido um intervalo de 24 horas, a noite anterior foi a pior de sempre, desde que nasceu.  
Levantei-me 56 vezes para perceber o que se passava, pûs soro, aspirei o nariz, dei o antibiótico às 2:00, o xarope às 5:00, meti-lhe a chucha, procurei que adormecesse, sentei-o no meu colo, deitei-o outra vez, tirei-o da cama e embalei-o, fiz-lhe cócegas nas costas, dei-lhe leite, água, limpei-lhe o ranho que lhe escorria, as lágrimas, dei-lhe mimo e tentei afagar-lhe todo o sono mal dormido - pensei em levá-lo para a minha cama, mas não tenho quem o ampare do outro lado.
Tenho medo que caia a meio da noite.
Ele é pior que um vitelo acabado de nascer, mexe-se 20 vezes, rebola, dorme de barriga para baixo e rabo espetado, dá coices, fala, atira com os braços - um circo autêntico.
Já sei, já me disseram que há umas redes que se metem para eles não se atirarem da cama abaixo.
Mas até aqui confirmo a minha estúpida solidão.
Volto para a cama, depois desta luta, e sou um resto de pessoa, sei que me chamo Rita e pouco mais. Não há um abraço, não há uma mão que me segure, não há um eco, ou qualquer outra voz que me ouça e me pergunte como estou. Falo sozinha. Muito.
É certo, que mais vale sozinha do que comer croquetes a saber a óleo de pataniscas, mas eu acho que ser humano nenhum foi feito para estar sozinho  - é uma tristeza, pronto.
E perguntam vocês, se eu tenho feito a coisa de maneira a mostrar-me "disponível" para o mundo.
Rita, Ritinha, tens de te disponibilizar para o Universo, que o Universo depois envia a resposta.
E então, a Rita disponibiliza-se, a tal ponto de começar a usar creme para contorno dos olhos, se é que me entendem.
Rita, cuida-te, trata-te, põe-te a jeito, mas não tão a jeito, quer dizer, tens de te proteger, mas mostrares também algum interesse, não penses, e sente o que tens de sentir, mas não dês o teu coração logo assim, insinua-te, abre mais um botão da camisa, mas mantem-te misteriosa e cativante, faz uma conversa leve, divertida e simpática, mas não sejas miúda ou tola, mostra que és tu que mandas, dá-te aos outros, mas não mostres demasiado interesse nem que estás muito disponível, quer dizer, tu tens de estar disponível para os outros, mas não dês a entender a esses gajos o que se passa, nem que ficaste sozinha com o M., nem que levaste 12 anos de um casamento que acabou da maneira mais abrupta, nem os 8 anos de tratamentos, ou o despedimento da Pfizer ou a tua maneira sempre ingénua de acreditar que no fundo todos os homens são bons.
É fácil, então, repara: os homens são todos uma merda, Rita. Quer dizer, todos os que tu achas piada e por quem te interessas. Porque há uns tão queridos e impecáveis. Mas tu gostas sempre dos que não te acham graça nenhuma.  
E levaste uma estalada há 1 ano que mandou  a tua auto-estima para o piso -10 de um prédio sem fundo, vá, vê lá com quem te metes. É que tu agora não te podes magoar.
- Mas eu tenho de me disponibilizar, não foi o que disseram?
(a minha única oportunidade de afirmar qualquer coisa)
Foi, mas não te podes magoar. Tens de saber com quem te estás a meter. Tens de ter calma, que ele vai aparecer. Não podes estar ansiosa assim. Tens de te tranquilizar.
Só assim vais perceber. Não podes começar logo de repente, Rita. Tens de ter calma. Isto não é quando tu queres.
 
Entretanto janto todas as noites de tabuleiro no colo em frente à televisão, conto a mim própria como me correu o dia, vou-me rindo com a televisão, enrolo-me na manta, acendo uma vela para me fazer companhia e levo um livro para a cama até adormecer.
Já tratei do Martim, já o enchi de mimos e de beijinhos repenicados de Mãe babada, já o consolei dos desconsolos e dei festinhas naquela cabeça tão redondinha que cabe ainda toda na minha mão. Mas sinto-me sozinha.
Amor de Mãe é outro campeonato. Falamos de Liga dos Campeões e Campeonato do Mundo. Não se misturam as conquistas.
Mas eu não me queixo, então. Não me posso queixar. Tanto tempo para ter este filho, para concretizar o meu sonho e agora, agora que consegui, queixo-me de estar sozinha.
Ah, Rita.
Não percebes nada, Rita.
Da última vez que te apaixonaste não havia telemóveis, facebook ou instagram. Tiravam-se fotos com rolos de 24 ou 36 fotografias e era-se sócio de clubes de vídeo com cassetes VHS e Beta.  Os trabalhos da escola eram feitos em acetatos, os computadores pesavam 25 quilos, no mínimo, e escreviam-se cartas e postais. Quais emails.
Não percebes nada do amor, Rita. Agora, como sempre.
E assim, no meio desta minha fossa emocional e sentimental, ainda fiquei sem a minha empregada, que me dava quatro horas por semana de um descanso principesco, (sim, tenho empregada, sou por isso uma cabra de uma gaja que tem empregada e ainda se queixa, certo?) comecei com a minha TPM, perdi a inspiração de uma data de ideias para a escrita, deixei a meio tantas coisas, e meti-me em outras tantas que estou em falta: encontrar clientes para a Lifestories, fechar projectos /livros, cumprir prazos e ideias com que me comprometi no início do ano, resolver casos bicudos na Cozinha com Alma, organizar uma venda de mães (garage sale), ir às vacinas com o M., tratar do selo do carro (é agora?), encontrar uma empregada, manter-me a pôr creme de contorno dos olhos, não falhar horas do antibiótico do M., ...

Na "Velha Casa" do José Régio, há uma parte em que o Lelito (o personagem principal), decide a meio da sua crise de rapaz confuso, que seria eternamente infeliz e profundamente miserável.

O que é, para mim, o mais fácil e óbvio passo a seguir. Escolher ser miserável é a opção mais fácil e acertada para mim.
Mas, apesar de tudo, não a escolho, não.
Curto a fossa, chafurdo bem nesta lama, mas não me fico por aqui.
Dias melhores, como diz o moçambicano, "há-de vir".
 
 


22.4.14

 
Há mágoas que se afogam numa Zara.
Outras há que se enterram numa Livraria.
E o melhor, é que eu gosto das duas formas de matar os ansejos da vida.

20.4.14

Páscoa

 
 
Sou tão coerente e justa de mim própria, que até quando chega uma efeméride, como a Páscoa, remeto-me precisamente às mesmas ideias, pensamentos e sensações.
Adoro a ideia e o significado da Páscoa - "Passagem", e adoro recordar uma Páscoa passada em Arouca. Entre cameleiras e pão de ló, estive em casa dos meus Tios, com a minha prima, sempre meio à solta, meio selvagens, e com a minha melancólica imaginação pouco própria a uma miúda tão pequena.
Tanto é assim, que quando pensei em escrever sobre esta "Passagem", confirmei que da última vez que o tinha feito, foi antes de partir para Moçambique. Uma enorme passagem na minha vida.
E agora, quarto anos depois, estou novamente em "trânsito".
Ultrapassar uma separação, o fim de uma relação, um divórcio, é sem dúvida uma caminhada, uma passagem. Mas acredito já ter cumprido o pior troço do caminho. Estou tão certa e inteira dessa certeza, que por isso quero novamente celebrar esta minha Páscoa.
E como parece que quando nos ligamos às ideias e às metafísicas das coisas, elas sem saber como nos vão caindo no colo, tropecei nos desejos de Boa Páscoa de uma querida amiga, com idade para ser quase minha Avô, professora de Filosofia, uma mulher com quem tive (mais uma vez) o prazer de trabalhar, inteligentíssima, cultíssima, doente de artrite reumatóide, um mulherão de armas, cheia de energia, positiva até aos ossos, crente e cheia de fé; diz ela:  
Páscoa é Passagem, Libertação, RENOVAÇÃO. Por isso, desejo a todos uma Páscoa Feliz, ou seja, na Esperança Renovada de uma vida liberta de todas as escravidões, procurando, em coerência, uma Pessach (passagem) que possibilite o surgir de uma humanidade renovada e mais feliz.
Nada é mais honestamente libertador do que uma vida vivida em pleno, em ligação com os outros e com o nosso corpo. Sincera, sem metáforas, adjectivos ou farsas.
Quem se renova todos os dias é porque é verdadeiramente inteiro.
E eu sou uma mulher cheia de sorte porque sou inteiramente genuína e condizente comigo, com o meu caminho e com a minha passagem.
Todos os dias.
 

19.4.14

 
Quando duas amigas, mães e mulheres criativas se juntam, há uma data de coisas que saltam!
Salta um bolo de iogurte delicioso e montes de ideias. E vontade de fazer, de arregaçar mangas, de experimentar, de arriscar, de ajudar e no final de tudo de nos divertirmos.
Para breve, conto tudo! 

16.4.14

Que eu morra já esta noite...


... Se a MELHOR sensação da vida de uma Mãe não é ir espreitar o filho a dormir, antes de se deitar. 
Que coisa maravilhosa! 
E vê-lo de manha, doido de contente, à minha espera para lhe dar os bons dias?
(vou agora passar a esfregona por causa da baba)
Bons sonhos! 


15.4.14

CATRAPUMMMM...!


 
e está aqui o meu concentrado de energia e "positive thinking" para enfrentar a semana-que-se-quer-não-merdosa-mas-sim-cheia-de-cenas-positivas!
é 3ªfeira, viva!

14.4.14

the dog days are over

 
Isto hoje não vai ser bonito. Aviso já.
E, como de costume, vai sair tudo de rajada, sem rascunhos nem exercícios de estilo, linguística ou semântica.
Há dias de merda. Que normalmente são o resultado de muita merda acumulada.
Há três semanas que estou com o M. sem um único descanso de fim de semana.
Hoje de manhã, quando o fui deixar à creche (esse pedaço de céu que existe na terra, para todas essas Mães e Pais deste mundo, quando chega à 2ªfeira), batemos com o nariz na porta e viemos recambiados para casa. Começou com uma conjuntivite no fim de semana; é altamente contagioso, pois. Na escola não pode ficar.
Tudo bem, tudo se arranja e tudo passa.
De regresso a casa, tenho o meu segundo filho (o Flash) a pedir-me o seu grande momento do dia - o primeiro passeio da manhã! Ora, no meu malabarismo apurado, lá meto trela numa mão, pego no carrinho com a outra e partimos os três para o jardim.
Apanho cocós, falo ao telemóvel, troco sms, ponho a chucha, tiro a chucha, dou água, grito com o cão, sossego o M., esqueço-me se cheguei a estar sentada um minuto.
Como tive de ir a Lisboa, entrou o meu reforço (a minha Mãe). 
Mas antes disso, e ainda a sós com o M., mandei uma cabeçada brutal e andei aos berros pela casa, com o M. ao meu colo, a dizer todas as asneiras, ao mesmo tempo que gritava: "eu não posso partir a cabeça!".
Ainda com o M. ao colo, que hoje chorou e fez mais birras do que nos últimos 6 meses, fui ao congelador buscar um saco de ervilhas.
Sentei-me, sempre com ele ao colo (a cabeçada foi com ele ao colo e nunca o larguei, nem o meu corpo parece permitir tal coisa, mesmo se estivesse a pisar brasas), e com o saco de ervilhas na cabeça. Ele, riu-se, claro. E eu também.
Estou há uma semana a acordar todas as noites de 2/2 horas - estão-lhe a nascer os caninos.  
Estou de tal maneira cansada, que todos os dias esqueço-me de onde deixo o carro.
É sempre divertido quando quero sair de manhã e fazer-me de detective dos meus próprios passos.
Noites terríveis de dentes e ben-u-rons são demolidoras de qualquer dia.
Ando a cozinhar sopas, peixe, carne, massas, batata, arroz, fruta como uma louca, de tal maneira que ando a pensar ensinar o Flash a desligar a Bimby.
Ainda tento trabalhar, produzir o que seja, socializar, escrever ou mesmo ler qualquer coisa, mas com três fins de semana em modo "super-Mãe" não há clubes de leitura, manicure ou sono de beleza que ajude.
Recebo, também hoje, a confirmação de que não posso participar num concurso de escrita infantil, com novos contos, por já ter publicado, em 2009, o conto do Princípe Igor com a Porto Editora. Ou seja, há 5 anos publiquei UM conto numa colectânea de contos, e só por essa estúpida fatalidade e idiota iniciativa da minha parte, em querer dar-me a conhecer ao mundo das letras, a troco de zero, estou condenada a não ser coisa nenhuma.
Mas a frustração não fica por aqui.
Ando cheia de encontros e desencontros, numa baralhada emocional pegada, um novelo todo complicado que, apesar de não me ter levado a lado nenhum, cansou-me e desgastou-me. 
Lidar com tristeza e com raiva ao mesmo tempo, é coisa que me consome e com a qual sempre tive imensa dificuldade em fazer.
Se por lado, a tristeza é para mim tal e qual como para o Vinicius de Morais, ou seja, "tristeza não tem fim, felicidade sim" , por outro, a raiva é coisa com a qual eu não nasci munida de. Não venho com isso. Não está cá dentro. 
Tenho imensa dificuldade em zangar-me, é um tormento. Eu não me zango, e isso deixa-me tão zangada que eu não sei como é que me posso zangar. E assim, como seria de se esperar, quando me zango, ou tento, é um bocado mau. É tão mau.
Durante esta última semana, calhou a uma pobre rapariga da ZON ligar cá para casa para me impingir tretas de telemóveis e o caneco - levou com uma resposta minha que ainda hoje deve estar em casa a chorar.
É um inferno.
Bom, e ainda hoje, para terminar o dia.
Estou a dar o jantar ao M. e reparo que a conjuntivite está a ficar cada vez pior, os olhos inflamados, duas bolas amarelas nos cantos, ele queixa-se dos dentes, por ter de mastigar o arroz, e começa aos guinchos agarrado à boca, a Bimby começa a apitar e a massa, para o almoço de amanhã, vai cozendo até ficar uma papa nojenta.
E nesse segundo tenho dois fios de lágrimas a escorrer pela cara abaixo, enquanto ainda tento enfiar colheres de sopa e fruta na boca do M.
Acabo a fruta, preparo o banho. As lágrimas continuam. Eu continuo. Arrumo e limpo a merda em que a cozinha ficou, meto-o na banheira, ele chora, quer meter tudo lá para dentro. Ele irrita-se e começa a bater com os braços e a deitar a água toda cá para fora. Nunca chora para sair do banho. Hoje chorou.
Vesti-o, meti-lhe um ben-u-ron, limpei-lhe os olhos e pûs pomada. Deitei-o e fui limpar a merda em que ficou a casa de banho.
Tomei uma dupla de ibuprofeno e paracetamol, abri um pacote de bolachas, jantei duas empadas com umas fatias de queijo falmengo e sentei-me a escrever.
Agora, assim como estou.
Cansada, exausta, triste, meio-zangada, uma merda com um pacote de bolachas no fim. 
Mas há duas coisas maravilhosas no final de tudo isto; uma é que amanhã é outro dia e a outra é que este fim de semana vou estar só comigo.
Ler todos os livros que se acumulam na mesinha cabeceira, dormir, escrever, começar o dia sem planos, nem ideia de como e onde vai acabar (adoro a leveza dos dias não pensados), retomar-me e reencontrar-me.
Amanha é o primeiro dia desta certeza.
Hoje foi o último dia merdoso para que amanhã comece tudo de novo.
 
até amanhã!
 
 

10.4.14

A equação existencial


 
Sempre tive a sorte de, enquanto estando a trabalhar, cruzar-me com pessoas maravilhosas e sempre interessantes. Também há gente idiota e chata, é certo, ou então sou eu que vejo sempre coisas boas em todo o lado.
Mas optimismos e canduras à parte, muitos desses contactos profissionais resultaram numa amizade simples e honesta.
Como a Clara.
Faz hoje uma semana que jantei em casa da Clara, com a Joana e a gata dormitante. Conhecemo-nos há 10 anos, em 2004 numa viagem a Roma, sobre demência e Alzheimer, ela como jornalista da Visão, eu como relações públicas da Pfizer.
Desde então, e apesar do nosso "generation gap", sempre nos fomos mantendo ligadas. Primeiro há todo um lado místico da Clara que eu adoro (claro), falamos de signos (somos as duas Leão) astros, comportamentos e energias; e depois a Clara, além de jornalista, também é psicóloga - temos um festim de conversas, filosofias, teorias, de inquietações e incertezas. Tudo muito intenso e denso. E talvez seja por isso que nos encontramos muito esporadicamente; digamos que quando estamos juntas, pomos as as mesas todas a mexer!
Neste nosso último encontro, a  Clara falou-me da "equação existencial" que não é nada mais, nada menos do que a genética comportamental de cada um que só se "resolve", e só se encerra, no momento em que morremos (sim, também falamos da morte como quem troca receitas de bacalhau com coentros). 
Conhecendo cada um a sua equação e dos "números" que a compõem, temos à partida uma vida mais facilitada para quem vive cheio de pontos de interrogação a toda a hora, como eu. A equação existencial é daquilo que somos feitos, da existência que nos distingue dos outros e nos torna únicos e imperfeitos.
O tema da (im)perfeição não é novidade neste boteco, é-me "caro" e gosto sempre de o relembrar.
E com a Clara, demos a volta a estes assuntos e fechamos a noite com certezas nenhumas de nada.
O costume.
 

7.4.14

5 anos

 
Faz hoje cinco anos que comecei a preencher este arquivo de palavras minhas.
Antes disto já o fazia, escrevendo textos na máquina da minha Mãe, coisas cheias de densidade, confusas até para uma miúda que naquela idade devia estar mais preocupada com outras coisas.
Entre a internet e a máquina de escrever, estive muito tempo "calada" - engolia-me de palavras e de pensamentos, sem saber como os deitar para fora.
Afinal, tudo isto, e tudo o que sou, é simplesmente porque preciso de escrever.
Deve ser a mesma coisa para quem goste de pintar, desenhar ou cantar... preciso de me verbalizar em sílabas, como se escrevendo estivesse ao mesmo tempo a nascer em papel químico e a ouvir a minha voz.
Isto visto assim de longe até parece uma coisa digna e bonita - gratificante, até.
Mas é um horror.
Para ninguém deve ser tão difícil escrever como para quem escreve. Chega a ser um suplício.
E o pior é que as vozes têm vontade própria e exigem-me ditados autênticos (já trabalhei com a Associação de Esquizofrenia, por isso não vos apoquentais que eu não sou nenhum caso clínico). Ou seja, escrevo rios de coisas minhas, despejo-me toda para o fundo branco (do papel ou do ecrã) porque só assim acalmo estas tiranas (das vozes).
À boleia da escrita, passaram-se cinco anos da minha vida, tendo escrito este "Diário" em seis casas diferentes.
E à boleia desta frase absolutamente inquietante do Padre António Vieira, que me persegue há anos - "Só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos" - pûs-me então a ver o que andei a fazer...
 
Formação, tirar cursos de Escrita, voltar à Faculdade para estudar Filosofia, dar aulas, voltar à Escola para ter aulas de Ballet, fazer voluntariado, escrever contos e romances, publicar contos, participar e criar negócios a partir de ideias simples e giras (Saldanha Press, Ideias com Causa, Cozinha com Alma, Lifestories), ler e escrever para crianças, estar com animais, ajudar, sonhar com todas as letras, emigrar para Moçambique, voltar para Lisboa, nunca desistir de ser Mãe, nunca aceitar a derrota e ganhar distintamente um processo de Tribunal do Trabalho que durou 6 anos, ter (finalmente) uma ruína no Alentejo, ser afinal Mãe, saber aceitar o final de um casamento, do sonho e da ruína no Alentejo, fazer terapia sem ser um tabu, regressar a Cascais, dizer que gosto de coisas melancólicas sem ter vergonha, nunca deixar de acreditar no amor, assumir a minha alma e estar sempre a ouvir música enquanto escrevo.
 
Acho que não andei aqui apenas a durar... (faço-me tantas vezes esta pergunta, que imagino o Padre António Vieira a dar-me festinhas na cabeça e a dizer ao mesmo tempo: "coitadita")
 
E o que é comum a tudo isto, e aos cinco anos de palavras e desabafos, é que chutei sempre o medo para fora: o medo de dizer o que penso e do que outros possam pensar sobre mim.
Estou-me a cagar. Literalmente.
 
Só está comigo quem quer.
E é para esses meus queridos leitores e seguidores que vai a minha última palavra.
Também gosto muito de vocês.
até já!
 
        
 
 
 


power women

 

 
Umas das (imensas) novidades do ano 2014, é a de que faço parte de um clube de leitura, o "Déjà Lu - book club".
Tudo se passa em Cascais, é só mulherio e é óptimo!
Este mês houve a segunda sessão do ano, para a qual tinhamos de discutir / ler autores indianos.
Três coisas não faltam nestes encontros: livros (pois), comida e vinho.
Para esta última sessão, fomos buscar comida indiana e tudo levou um aroma a chamuça e a arroz basmati!
Claro que embrulhada nos livros, há a conversa típica de mulheres - confusa, sem nexo, deliciosa.
E novos elementos (sempre femininos) vão-se juntando.
Eu que sou dada às místicas da vida, acho que nada, ou quase nada, nos acontece por acaso - excepto tsunamis e tal, mas os nossos tropeços são quase sempre resultado de um devir de comportamentos, movimentos e decisões.

A história começa assim:
Quanto tinha uns 13 anos fui com a minha Mãe ao cabeleireiro. Havia um casamento nesse fim de semana, e eu lá ia alisar a trunfa de cabelo que tinha.
A certa altura, no meio daquela movimentação típica, entra uma "senhora" (teria uns 20 e tal anos) que eu reconheci logo como sendo a actriz Leonor Silveira.
Além de ser aqui de Cascais, era (e ainda é) amiga dos meus primos mais velhos e por isso sabia bem que era. Lindíssima, cativante e misteriosa.
Também tinha um casamento e vinha pentear o cabelo. Fez um apanhado. Ficou ainda mais bonita.
E eu, a partir desse dia, jurei a mim própria que quando um dia tivesse idade e autoridade suficiente para mandar nos meus penteados, haveria de apanhar o cabelo.
E assim foi e continua a ser.
Quem me conhece sabe bem dos meus apanhados, de pescoço e ombros nus. Adoro.
Nunca mais vi a Leonor Silveira, até ela entrar pela sala do clube de leitura, sentar-se no sofá com uma pilha de livros indianos e aguarda-se pela vez de falar.
Não me contive. Quando chegou a parte das apresentações, eu disse quem era e contei-lhe a história do apanhado.
Foi um momento todo emotivo! A Leonor ficou sensibilizada e eu corei :)
Depois, num tom de voz tão intenso como ela, leu uma belíssima passagem de um dos livros que tinha levado, e que me deixou com imensa vontade de ler, "Carruagem para Mulheres" de Anita Nair.
(Sinopse by wook: Akhila é uma mulher de quarente e cinco anos, solteira, empregada nas Finanças, a quem nunca foi permitido viver a sua própria vida; foi sempre a filha, a irmã, a tia, o sustento. Até ao dia em que compra um bilhete de ida para a cidade de Kanyakumari, à beira-mar, heroicamente só pela primeira vez na vida e decidida a libertar-se de tudo o que lhe foi imposto. Na atmosfera íntima da carruagem para mulheres, Akhila penetra nos momentos ,mais privados das suas vidas, procurando neles a solução para a pergunta que a acompanha desde sempre : poderá uma mulher ficar solteira e ser feliz, ou será que precisa de um homem para se sentir completa?)
 
"Sou uma vela sem pavio. Sou aquilo que as mães dos recém-nascidos e as noivas receiam. Sou aquela contra quem elas previnem com uma mancha negra na face esquerda da sua filha. Sou a razão que turva os olhos de um pai. Faço com que as irmãs mais novam receiem que eu faça parar as vidas delas. Faço chorar as mães. Encho os recantos de uma casa com a minha presença e faço cair os seus telhados com a minha mágoa por consolar.
 
Sou a quem tem os dentes compridos. Sou os vestígios frios no fundo de uma chávena. Sou a mercadoria que ninguém quer. Sou a lata por usar na prateleira do fundo.
 
Faço azedar o leite com o meu hálito. Posso transformar em cinzas tudo o que é verde e fecundo. Os charcos secam quando eu os piso. A terra estremece com o meu suspiro. As nuvens de chuva dissipam-se quando eu poiso nelas o meu olhar. Os bebés choram quando lhes passo um dedo pelas sobrancelhas. Não sangro, em vez disso, armazeno em mim os esporos de um milhão de ódios.
Sou o pesadelo que faz acordar as jovens esposas. Sou o restolho de saias que todas as mulheres receiam. Sou uma praga. Sou a sombra do mal. Sou o ogre que entope os poços de genes e devora os maridos.
 
Levo às costas todos o medos, todos os suspiros negros e todos os pensamentos atormentados que atravessam o espírito humano. A minha pele é opaca. Os meus olhos são espelhos pintados. A minha voz está impregnada pelo fedor corrosivo da amargura. O meu odor é o da naftalina. O meu nome, quando é pronunciado, soa a derrota."  


(é excusado confessar que a pergunta da Akhila é a que nós vamos fazendo, de vez em quando, ou mais de quando em vez, nas sessões deste Clube de feministas em catarse!)

6.4.14

a minha carta para o Manuel Forjaz e a lição que ele me dá no minuto a seguir a morrer...

Cascais, 15 de Janeiro de 2014 13:19
 
Caro Manuel,

Gostei imenso de ler a sua entrevista no DN.
A sua generosidade é imensa, e talvez seja por isso que a família "detesta" a sua exposição aqui no Facebook.
É quase como se o Manuel fosse um bocadinho "de todos" e de ninguém, ao mesmo tempo.
Escrevo-lhe por duas coisas:
1- identifico-me e revejo-me com tudo o que diz, e o que sente, apesar de, felizmente, não estar doente.
2- a minha relação com Moçambique é inexplicável e faz-me sofrer, como se estivesse doente.

Acredito que a maior riqueza que o Homem pode conquistar é a sua liberdade. Mas ser livre é uma gaita. Não associo tanto a liberdade ao dinheiro, como acho que faz um pouco parecer, como se para se ser livre é preciso ter muito dinheiro. Claro que inúmeros exemplos existem de homens ricos e pobres de espírito, e claro, também, que o dinheiro pode servir, e muito, nem que seja para pagar umas quantas sessões de Psicanálise!
O "conhece-te a ti mesmo" não é para qualquer um.
E exige trabalho.
Como diz o Donald Trump: you work hard, you get lucky!

Faço um imenso esforço por me conhecer, por me prever, por me respeitar e assim ser livre. O que me faz não ter medo da morte, mais tenho que o meu filho ou o meu cão sejam atropelados.
Digo "gosto de ti" a toda a hora, uso o meu sorriso como uma arma, acredito que no limite, todas as pessoas são boas, não tiveram foi a mesma oportunidade de se conhecer e por isso fizeram "más" opções...
A felicidade é mesmo uma escolha e até o sem-abrigo está debaixo da ponte pelas escolhas que fez.

Só uma coisa lixa o esquema, que é o acaso.

E o acaso é um meteorito que cai em cima de um planeta, um tsunami no dia de Natal, um cavalo que se atravessa no meio da estrada, as células que se multiplicam, os ovários que não funcionam... porque se as estatísticas existem, elas precisam desses acasos, que nos fazem pertencer ao universo das percentagens.
No meu caso calhei no universo dos casais inferteis.

Tenho 36 anos, fui casada durante 12 e vivi 8 anos com a infertilidade, numa espécie de doença que não é doença. Perguntavam-me mil coisas. Estavam sempre a perguntar de quem era a culpa, minha ou dele?
Ao fim de 7 anos sem filhos fomos para Moçambique (2010), por escolha nossa, por decisão dos dois.
Nunca lá tinhamos vivido ou sequer tinhamos raízes.
Fomos para as Quirimbas, vivemos entre a Ilha do Ibo e Pemba. O objectivo era criar um negócio de turismo (eco lodge).
O resultado, ao fim de um ano, foi o regresso a Portugal.

Uma mulher que não consegue ser Mãe é um bicho estranho. Só a paixão por ter um filho ultrapassou o amor que desenvolvi por África, numa espécie de amor-ódio.
Ao 8º tratamento consegui engravidar e 9 meses depois nasceu o Martim. E quando o Martim fez 1 mês, fiquei sozinha em casa com o meu filho e o meu cão.
O Pai tomou a decisão de sair de casa.
Assim, fui calhar ao universo das "Mães solteiras", a quem os maridos deixam depois do nascimento de um filho.

Deixei-o ir à sua vida.

Quem viveu e chegou a dormir sozinha numa Ilha, sem luz ou água canalizada, no meio do Índico, onde de 6/6 horas ficava isolada do mundo, tratar de um recém-nascido era conversa mole para mim.
África deu-me esta clareza de espírito, que a natureza será sempre superior ao Homem e por isso o que vier, será.

A liberdade é ouro em pó, quando comparada com a "vida de carneiro" que as pessoas levam pelo Ocidente... nunca se pode ser tão livre quando se vive em África.
É por culpa de lugares que comecei a escrever romances, o primeiro foi o Douro, que é para mim a geografia mais perfeita do mundo, o segundo foi Moçambique e o Ibo, dois lugares onde o silêncio é oco.
No Douro e no Ibo.

Quando voltei de Moçambique comecei a escrever uma história do M. (só sabia que começava por M.) que começa assim:
"Ser livre.
Todos os homens querem ser livres, quando depois passam a vida inteira a fugir da liberdade. É um contrassenso. São poucos os homens que conseguem ser realmente livres. Totalmente livres. Quase que um estado aproximado ao de um animal na savana. Mas mesmo o animal da savana tem a sua liberdade condicionada. Pelos outros, por quem o rodeia, pelo local onde está.
M. é o estado mais aproximado de um animal na savana. Está totalmente livre e por isso é um caso tão raro como o sítio que escolheu para viver. A total liberdade é para M. a verificação de três dimensões: material (das coisas), sentimental (das pessoas), intelectual (dos pensamentos)."


O que nos faz ser, não são as doenças, os acasos estatísticos dos universos de amostras, as coisas que temos, ou o que não temos, as escolhas que outros tomam e que alteram o percurso da nossa vida, deixando-nos no lodo autêntico.
O que nos faz ser inteiro é ser verdadeiramente livre, dar um sentido à vida, seja a fazer muito dinheiro num banco ou a cavar batatas no Alentejo.
O que nos faz ser inteiro é optar por não ter medo, e quando não temos medo somos o ser mais aproximado de uma qualquer dimensão metafísica de plenitude e harmonia.
É essa a dimensão em que o Manuel vive, e há muito pouca gente a atingir esse estado - faz parte de um universo muito reduzido de sortudos que se conhecem a si mesmos, que aceitam.
E não têm medo!
Força !

 
 
Resposta do Manuel (minutos depois):
 
Perderam quilálea? Só Moçambique para gerar vidas...de acordo com quase tudo.
Fico curioso o que faz na vida? um bj e espero um dia conhecê-la.
Pensa bem e escreve com o coraçao nas mãos.
 
 
Estou destroçada!
: (