31.12.12

Próxima paragem!

 
Não encontro melhor sítio para fazer o clássico "Balanço do Ano" (2012), do que estando sentada no Elevador da Bica, no cimo da calçada, a espreitar o Tejo lá em baixo.
Ora vamos lá ver como foi, tendo como base as "12 Passas" que eu escrevi no final do ano passado:
 
#1 - escrever a história/ biografia do meu bisavô Joseh Rugeroni.
A verdade é que o mais difícil está feito e a preguicite aguda atacou-me por completo quando em Abril comecei a dedicar-me à Lifestories. Desculpas, desculpas, mas o trabalho que está feito não se perde. É uma questão de método e rotina que eu não soube ou não consegui adoptar (e bem que o meu prof. José Vegar me avisou disto!).
Mas consegui chegar até à Lifestories, um projecto que conta as histórias de muitas mais pessoas, com ideias e iniciativas tão interessantes e que me preenchem imenso, foi uma enorme conquista!
 
#2 - ouvir mais boa música e ler mais bons livros.
CHECK! tudo em clássico, descobri Alberto Caeiro, Mia Couto, Mário Cláudio e reforcei Somerset Maugham.
 
#3 - conseguir de uma vez por todas fazer suspiros.
isto deve ser um síndrome qualquer, porque durante 1 ano nunca mais experimentei a receita... é stress pós-traumático.
 
#4 - escrever o meu segundo Romance.
isto nem em 2015... as perspectivas é que tenho demasiado assunto e pouca escola alemã dentro de mim, que me permita ajuizar-me nas rotinas e em métodos de escrita e de trabalho de investigação. Mas ainda fiz um curso de escrita de contos infantis, apresentei o meu conto em duas turmas no Colégio de São Tomás, participei nuns concursos de escrita e fiz a 2ªparte do curso de "Histórias de família".
 
#5 - ser Mãe.
SUPER CHECK!!! 8 anos depois, no dia 16 de Julho de 2012 tive finalmente a confirmação!
 
#6 - ir a Moscovo e ver o Bolshoi.
Continuo a querer ir lá e a não gastar as minhas 55 mil milhas da TAP acumuladas entre Lisboa-Maputo.
 
#7 - conseguir, de uma vez por todas, que o Flash seja um cão adulto.
CHECK, conforme post do dia 29.12!
 
#8 - não deixar de sonhar.
Agora com a gravidez tenho sonhos altamente psicadélicos, ao estilo de Stanley Kubrick. Casas fechadas, banheiras, carros no meio de furacões, personagens estranhos.
 
#9 - continuar a praticar "mente sã em corpo são".
Fiz ballet e contemporâneo na Escola Superior de Dança, duas vezes por semana, até Junho. Ainda intercalei com muitas corridas matinais à beira Tejo. Quando o M. se alojou cá dentro abrandei nisso tudo, mas não deixo de apanhar o 28 e ir à Baixa.
 
#10 - ir ver o Benfica, e o CR7, a jogar em Madrid.
Isto não deu, mas fui a Olhão, ao Estádio José de Arcanjo ver o Benfica contra o Olhanense. Perdemos e eu apareci na TV a assobiar, com os dedos na boca, contra o árbitro.
 
#11 - renovar os votos nos 12 anos de casamento.
O M. já cá andava e por isso calmamente celebramos os 12 anos de casamento com uns dias maravilhosos, de final de Verão, passados na Zambujeira do Mar na Herdade do Touril. Foi uma surpresa do meu Príncipe, em grande!
 
#12 - finalmente rumar ao sul.
A casa já existe, é uma ruína, é certo, mas existe e já é nossa e o projecto para aquela casa está todo pensado. A localização é na Zambujeira do Mar. Só falta completar a burocracia toda para a aquisição do terreno, que é colado à casa, mas que não estava contemplado na compra. As perspectivas apontam que o consigamos em Março, a partir daí começam as obras. Só nessa altura levanto a ponta do véu e vos mostro a casa, linda, no cimo da colina com vista para o mar, o nosso projecto de turismo, há mais de 8 anos, pensado e muito sonhado.
 
Foi um ano fantástico!
Apesar de não ter viajado grande coisa, fui a Roma e a Sevilha, fui mais uma vez orgulhosamente madrinha de uma menina amorosa (adoro ter só afilhadas, é muito girl power!), conheci óptimas pessoas, dediquei-me à escrita (apesar de tudo), tive a deliciosa confirmação do sentido da continuidade deste Blog, com o artigo publicado na Máxima e vi nascer, crescer e prosperar um projecto único em Portugal, a "Cozinha com Alma", do qual faço parte com muito orgulho, dando semanalmente o meu contributo para esta pioneira iniciativa.
Para tudo é preciso uma dose de sorte, mas muito do que aqui está foi pela força e perseverança, minha, mas em alguns casos também de uma outra pessoa (o meu marido), em que juntos criámos um sistema que nos puxou durante este ano e nos fez chegar a várias "estações".
Cheguei a 2013, mas a viagem continua, com imensas novidades e vontades.
até já!
 



29.12.12

uns restos do Natal...

 
Ainda aqui ficam uns restinhos do Natal, pois eu ainda não tive vagar para vos dar conta destes dias de Festas. Os cadernos da Lifestories têm-nos retirado muito tempo e agora ainda mais, depois do artigo no Suplemento P3 do Público (o artigo pode ser lido AQUI).
Além disso o computador também resolveu ter uma espécie de bloqueio nervoso de final de ano e mostra-me um ecrã profundo e preto, e é tudo.
Fechei-o e desisti de tentar, pelo menos até ter cabeça para me dedicar a essa causa.
 
Mas dizia eu, ainda tenho uns restinhos do Natal, como falar-vos da fantástica performance do Flash durante os dias 24 e 25 de Dezembro. O Flash durante dois dias foi um cão de 40 quilos dentro de duas casas lotadas de gente, crianças, adultos, velhinhos, bebés e grávidas. Além de queijos, tostas, arroz, bacalhau, batatas fritas, pão, manteiga, leitão, perú recheado, batatas assadas, presunto, mousse de chocolate, farófias, arroz doce, bolos, pudins e tartes.
Portou-se tão bem o meu Flashinho!
 
É já um cão com 4 anos, convenhamos, e nós tinhamos a secreta esperança de que um dia havia de ser, o bicho havia de se acalmar e ser um real cão de companhia. Apesar de ter roubado uns bonecos da árvore de Natal, mais uns brinquedos das minhas sobrinhas e de ter literalmente comido uma casa do jogo do monopólio, o Flash tem de receber uma boa nota pela prestação natalícia.
O meu Pai diz que ele está "um Senhor!".
Meu cão lindo.
 
Estou cheia de saudades, pois desde o dia de Natal que ficou em Cascais, com os meus Pais, e eu e o Alfa sentimos a casa muito vazia. Dia 1 já o vamos buscar para ao pé da gente. Até a minha Paula reclamou logo assim que chegou a casa e não o viu...
Apesar de não falar, nem de se ouvir, o Flash é (cada vez) uma excelente companhia.
São precisos é 4 anos para se começar a falar assim... e o melhor é ainda não deitar os foguetes todos!
 
 


26.12.12

mais cadernos a caminho...


Aqui não se brinca.
Depois das couves, do bacalhau, do perú recheado e das farófias, voltamos ao trabalho.
Aqui por casa tudo bem, foi um Natal normal e tranquilo.
O Flash está "clinicamente morto", na véspera foram 22 pessoas, no dia, ao almoço, foram 26 sendo que 7 eram crianças, ele deu conta de tudo e de todos mas o estado vegetativo de hoje é notório. Nem veio para Lisboa, ficou em Cascais a dormir e nestes próximos dias está em recuperação, evitamos que assim tenha de descer escadas e cansar-se mais a cheirar os imensos presentes que o M. recebeu.
Bom.
Amanhã chega mais uma fornada de cadernos "Um dia" e temos de nos despachar a fazer envios!
E que tal os vossos Natais?


25.12.12

diários de moçambique ** #5



Diário de Moçambique. Volume 1. "do que te leva a ir..."
 
26 de Dezembro de 2010. (Domingo)
 
Ontem foi dia de Natal.
O primeiro em 33 anos que não passo em Lisboa ou em Torres Novas, com a família.
Em que não visto uns collants, ou uma camisola quente, em que não como bacalhau ou perú.
E por estranho que me possa parecer, não senti falta disso. Por muito que eu busque cá dentro, que eu remexa as minhas entranhas e os meus sentimentos - não me fez assim tanta confusão. Não chorei, não fiquei triste - claro que pensei muito. Falei com os meus Pais, com o meu irmão e a Inês. E pronto. Não precisei de falar com mais ninguém.
Veio de Pemba o André, a Yumi e a Maria João, que estão agora cá em casa. Cozemos 10 quilos de carangueijo, fiz gelado de manga (que foi um sucesso, pois as mangas são delicisosas!) e o arroz doce da minha sogra.
 
A nossa ceia de Natal assim foi, ainda com uma carne feita pela Lucie, vinho, aperitivos e café. Ficamos todos juntos até à meia-noite, em casa da Lucie e depois voltamos para casa. Não houve presentes nem decorações, só as estrelas. Estava uma noite muito quente, muito húmida. Ainda desejamos as Boas Festas com quem nos cruzamos e vimos as luzes coloridas da pastelaria da Ana. Oferecemos um pacote de arroz ao Sahid e à Rabina.
 
Mas aqui nada cheirava a Natal - o Natal esteve dentro de mim.
 
Ontem, dia 25, fomos até à Ilha do Matemo para tomar o pequeno almoço no Resort do Rani, mas já saímos muito tarde e quando lá chegamos não havia pequeno-almoço!
O Xano e o Jo ficaram numa outra ponta da ilha a pescar e nós voltamos com uma coca-cola na barriga... Passamos o dia no barco e ainda me assustei um pouco à procura do Xano, que finalmente apareceu do meio do Oceano!
Voltamos ao Ibo e ainda fomos comer um jantar de Natal, feito de restos deliciosos, em casa da Lucie.
De vez em quando olhava para o relógio e imaginava aquela hora do dia o que se estaria a passar em casa do Avô, ou se já estariam a almoçar, ou de volta a Cascais.
Porque todos os anos era sempre igual - e eu não posso sentir falta de uma coisa que é sempre igual.
 
 
 

**excertos do meu Diário Pessoal escrito durante a minha estadia em Moçambique, entre Julho de 2010 e Agosto de 2011

24.12.12

As couves!

Neste momento tudo se resume a uma questão essencial: as couves.
Ontem, em Lisboa, no Calhariz, já estavam verdes e viçosas.
Hoje, na aldeia onde passo as noites de Natal, já se está a tratar do assunto.
O fundamental são as couves, o belo azeite para regar, o bacalhau fofo e finalmente as farófias!
Boas comezainas!

22.12.12

Boas Festas!

 
No final de contas, e porque eu não ando aqui a enganar ninguém, eu sou uma tipa clássica. Gosto daquilo que fica sempre bem e que é eternamente bonito. Como jóias por exemplo.
Mas isso agora não convém, nem é tempo, vamos lá voltar ao início.
Dizia eu que sou uma tipa clássica, e vai daí quando recebi esta imagem de Boas Festas identifiquei-me logo com ela. Eu gosto destas cenas.
Além de adorar os animais todos de roda do Pai Natal, gosto deste cenário, dos passarinhos de barrete, do bambi de cachecol.
Não é a onda do vintage, que já está a enjoar um bocado, é a onda mesmo do clássico.
Já é raro alguém gostar disto, acho eu. As ilustrações, mesmo as de contos infantis, são todas bastante abstractas, até para quem é adulto é lê os contos, como eu.
Desejo a todos um Natal feliz e em paz. Clássico ou não, mas que vos faça sentido, que seja o Natal que cada um deseja para si.
Podem comer bacalhau ou empadas de galinha, é indiferente. O importante é que faça sentido para cada um de vós.
 
 
 
 


20.12.12

76 MB

Acabei de descarregar um ficheiro de receitas da Bimby chamado: "doçaria conventual portuguesa", com 76 MB.
Não sei se isto é bom ou mau.

Já cá canta...

 
Este ano não deixei para a última, não senhora!
Já tenho a minha Agenda Moleskine 2013, novinha e bem encarnada como o Benfica!
Apesar dos cadernos da Lifestories virem um dia ser grandes concorrentes destes senhores (!!), não há dinheiro mais bem empregue do que nesta Agenda.
Dura um ano inteiro, dentro da carteira, a cair no chão, com água em cima, dentro das mochilas e das malas, a capa não se desfaz, o papel é resistente, não se afunda no meio da carteira porque é encarnada e vê-se à distância, tem o tamanho ideal, o espaço ideal para escrever, tudo em ideal.
Já comecei a escrever os afazeres de 2013, e vocês?


19.12.12

cenas de grávida

(o post que se segue é em torno da temática da gestação, quem não tem paciência, e está no seu direito, espere por amanhã que há outros assuntos, mas hoje é o que temos!)
 
Fui hoje de manhã fazer uma análise que serve para medir a tolerância da pessoa grávida à glicémia (açúcar) e assim fazer o despiste da Diabetes.
Que coisa mais nojenta que inventaram para uma pessoa fazer!
Logo de manhã tive de ir em jejum.
Sacaram-me sangue (tanto sangue sacam a uma grávida, senhores!), fiz xixi para um tubo (tanto xixi faz uma grávida para copos e tubos) e depois emborquei uma garrafa de 250ml de um líquido laranja que (...ainda me vem o sabor à memória, blarghhh!!) era insuportável de doce e espesso e tudo, e tudo.
Fui-me sentar 1 hora quieta na sala de espera do Centro de Enfermagem, enquanto o meu filho se contorcia na barriga e eu, quase a ter um fanico, ía me aguentando.
O Centro de Enfermagem fica mesmo no meio do Bairro Alto e assim já estão a ver a animação que aquilo é, não estão? Velhotes na conversa, o homem do Talho que vem trazer sacos de laranjas para oferecer ao Sr. Enfermeiro, a senhora da recepção que é casada com o Sr. Enfermeiro, os dois que são os Pais da dentista que é a dona do Centro, ... e podiamos continuar por aí fora!
Uma hora depois tirei outra vez sangue e fiz xixi para um tubo.
E duas horas depois repeti a mesma dose.
Tudo sem comer, a ouvir o Manuel Luís Goucha e a Cristina-histérica aos gritos, sem ser capaz de ler uma revista tal era a má disposição com que fiquei.
No fim, o simpático Sr. Enfermeiro (a quem eu chamo carinhosamente de "lenhador"  pelas mãos gigantes, a barba enorme e as camisas aos quadrados que veste por baixo da bata branca) deu-me uma fatia de bolo rei , que eu detesto, mas dada a minha fraqueza aceitei, tendo vindo a cuspir os bocados de frutas cristalizadas Bairro Alto abaixo até chegar à Padaria Portuguesa, onde finalmente pude alarvar num pequeno-almoço.
Para a semana volto lá, porque tenho de ir fazer uma análise à urina. Apanhei uma infecção urinária, lá estão as grávidas e o xixi.
O episódio que tive este fim de semana nas urgências de Santa Maria (onde fui lindamente bem atendida e tratada) também seria digno de uma mini-novela, além das minhas idas ao Centro de Saúde (também no Bairro Alto) em que as cenas e os diálogos são cada vez melhores.
É este agora o meu universo, senhores.
Isto e sujar-me a toda a hora.
Como a barriga está maior tenho a camisola permanentemente com nódoas.
O universo das mulheres gestantes é, sem dúvida, um mundo novo para mim!
 
 
 

A farda

Casaco azul tamanho 46
Camisa azul claro
Gravata azul escura
Cabide de arame
 
Jorge é nome de quem leva uma farda. E se farta dela.
Os 25 anos de serviço no posto da Alfândega tiraram o brilho do azul e arrancaram os botões e os berloques dourados.
Mais vale deixá-la pendurada num parquímetro do que ter de olhar para ela todos os dias. Alguém que a leve.
As calças ainda servem para usar com camisa e casaco ao Domingo.
Foi comprar camisas de poliéster e agora vai todos os dias às 9h30 da manhã para o café, ler "A Bola", ver quem passa, gozar a reforma. À tarde é jogo de cartas no Bingo.
Ao fim de semana continua a ir ao Rio pescar douradas, leva o canito e a mulher faz crochet dentro do carro.
Um homem não se quer em casa durante a semana, nem uma farda se quer fechada num armário.  

18.12.12

O poder de um clássico

 
Todas as famílias felizes se parecem; as infelizes não.
 
Nada é mais poderoso do que uma primeira frase tão bem "tirada" como esta que o Leo Tolstoi escreve na primeira de 868 páginas do seu mítico Romance, "Anna Karenina", escrito em meados de 1869.
E, para mim, nada consegue superar o poder de um clássico.
Nem mesmo o filme.
Gostei da encenação, a ideia do Teatro é genial, mas não adorei os actores, achei as jóias demasiado "Parfois" e principalmente desiludiu-me não ver os reais cenários de uma Rússia imperial que me fascina.
Só a casa de campo do Levine me acalentou a imaginação: era tal e qual eu a  tinha imaginado, enquanto li este "tijolo" deitada na cama, à noite, ou sentada no jardim em Moçambique, entre Pemba e o Ibo.
No fundo, em relação ao filme, achei uma versão low-cost, como convém, nos tempos que correm. Soube-me a pouco.
Só esta primeira frase é para mim inexpressável em mil imagens, mil cenários ou mil personagens.
E é por isso que um livro quando é bem escrito, ou seja, quando se torna um clássico dos clássicos é uma coisa belíssima, rara, única e poderosa.

17.12.12

Golden Days

 
Apesar do dia de hoje ter sido do mais sinistro e cinzento que há, nunca é de mais relembrar que estamos no Outono!
O Outono que termina daqui a dias, data também escolhida pelos Maias (não os da Rua das Janelas Verdes) para o fim do mundo, é a minha estação preferida.
Dos finais de tarde de ouro, como este que captei a semana passada com a máquina do telemovel, aqui perto de casa, da aragem fresca mas refrescante, das folhas caídas e mornas, do chão brilhante, das casas iluminadas por dentro, do cheiro a forno ligado.
Das coisas que mais senti falta em Moçambique foi do Outono, precisamente.
Como se me faltassem algumas horas do dia, ou dias da semana.
Agora venha de lá o Inverno e o fim do mundo.
Estamos preparados para tudo!
 


16.12.12

os pedaços de fita-cola...

 
 
 
Há dois anos o Natal foi no Ibo, 30ºC, chinelos, vestido de alças, carangueijo, gelado de manga caseiro, zero família, amigos novos, gente desconhecida, árvore de natal só se for a Papaeira, presépio em pau preto, presentes só em espírito, lojas só em revistas, luzes só as das estrelas, tudo diferente.
Este ano.
Mantive o presépio e fui buscar rama de pinheiro (nórdico, daquele que não cai) à Praça da Ribeira, a 5 euros o molho, espetei-lhe um laço numa jarra e voilá!
Embrulhei os presentes com papel de embrulho bonitinho, acrescentei etiquetas e raminhos de pinheiro para enfeitar.
Até acrescentei a banda sonora, pois sou fã confessa de músicas de Natal e comprei no itunes o novo disco do Rod Stewart só de músicas de Natal. Perfeito! E ando eu com as músicas, traz e frente, e ainda umas velinhas de cheiro pela casa.
Mas foi quando me sentei a embrulhar os presentes, enquanto, tal como a minha Mãe me ensinou, cortava os pedaços de fita cola e os arragava às pontas dos dedos e os colava na bordinha da mesa, que percebi que por muitas voltas que o mundo dê, voltamos sempre ao que somos.
À nossa essência, seja ela qual for.
E os pedaços de fita cola levaram-me até mim e no regresso trouxeram-me saudades desse Natal africano, tão distante, tão diferente.
No meio do frio ou do calor, em África ou aqui, eu serei sempre eu.
Com fita-cola ou sem ela.

15.12.12

uma vergonha...

Não tem desculpa esta minha ausência.
Ou talvez tenha?
Por causa dos cadernos da Lifestories e de um post no Blog da Pipoca Mais Doce, que simplesmente os adorou (pode ser lido AQUI), instalou-se o caos nas nossas vidas!
Foi uma autêntica explosão de emails, pedidos, encomendas, telefonemas para a gráfica e o pânico geral instalou-se.
O efeito imediato que aquele post provocou surpreendeu-me verdadeiramente.
Nós não estavamos minimamente preparadas, sabiamos que estando a oferecer um exemplar de cada à propria Pipoca era uma forma de os divulgar, caso ela lhes achasse alguma graça.
Mas a verdade é que os adorou e recomendou-os no Blog como presente de Natal, ainda por cima com um texto lindíssimo.
Em dois dias esgotamos a 1ª tiragem e temos dezenas de pedidos para a 2ª tiragem.
No meio disto a Lifestories começou a preparar uma História de Vida, de um "jovem" Engenheiro que hoje faz 90 anos e que nos conta um percurso de vida maravilhoso.
Para ajudar, o M. resolveu mostrar-me o que são contracções e eu tive de ficar de repouso forçado.
E depois é o Natal e o Benfica a ganhar.
E tudo isto fez-me estar estes longos dias afastada do meu estaminé.
Me desculpem. 
Tenho montes de coisas para vos dar e contar, para assim me perdoarem.
Começo já a seguir!
 
 


6.12.12

Onde vou eu, ele vai!

 
Pois aqui ando eu pelos lados da Pensão Amor na Rua do Alecrim, a horas diurnas e decentes convenhamos!
Se eu ando e por onde eu ando, anda ele também: esta ideia de eu ser uma espécie de canguru não deixa de me parecer divertida.
Se eu vi no outro dia o 007, então o M. viu o 007, pelo menos ouviu de certeza! E comeu pipocas com a Mãe, está claro.
Andamos de 28, apanhamos o metro, vamos ao Sr. David, o sapateiro nas escadinhas da Bica, à frutaria, visitamos a Sandra no Palácio do Papel no Calhariz e cheiramos o papel e experimentamos canetas, vamos à Pensão Amor, andamos às voltinhas em Lisboa a distribuir cadernos.
Ando eu, anda ele todo contente.
 


5.12.12

E ainda a Lifestories...

 
Assim que começamos a comunicar ao mundo os cadernos  "Um dia" (na semana passada), a Sónia Morais Santos, a jornalista que tem o Blog "Cocó na Fralda", foi uma das nossas primeiras contempladas com a oferta das duas versões dos cadernos.
Queríamos dar-lhe a conhecer o que fazemos e como fazemos e principalmente quem somos nós, a Lifestories: três raparigas (até aos 35 ainda dá) apaixonadas pelas histórias de vida.
A verdade é que nem sequer a Sónia ainda os recebeu (vai recebê-los hoje, precisamente) mas fez logo menção à Lifestories no seu Blog. Mais do que a promessa dos cadernos, ela adorou o nosso projecto!
E assim, sem mais nem ontem, fez logo um post no Blog sugerindo um presente Lifestories para este Natal. (podem ver AQUI)
Nem sabemos bem como reagir a isto, agradecendo o reconhecimento claro, e esperando que 2013 nos traga muitas mais histórias de vida! E que os cadernos as registem : )
 

3.12.12

Cadernos Um dia...



 
Quando me envolvi pelas histórias de vida e me juntei à Lifestories, apaixonando-me  assumidamente pelas vidas dos outros, percebi que efectivamente o português é um género pouco dado a isso.
Ou seja.
Não temos qualquer tradição em biografias e memórias, não existe uma cultura de partilha de histórias, de registo ou de respeito pelo património brutal que são os trilhos que cada um vai vincando no seu caminho ao longo da sua vida, seja ele presidente de um banco ou pastor de cabras.
 
Quando comecei a traçar o trilho do meu Bisavô, feito cão a farejar a caça, percebi que era uma lança em África e sempre matutava sobre o porquê desse silêncio na escrita da vida e dos costumes.
Por que será que somos tão fechadinhos nas nossas conchas, tão medrosos do que os outros pensam, com o julgar alheio, com o olhar invejoso do lado? Isso já vem do tempo do Camões e aventurar-me por aí seria uma conversa sem fim. Mas para mim tudo se resume a isso, a uma cultura ainda profundamente enraízada no nosso povo do medo dos outros e de não mostrar "o que se passa por cá". Pode cair mal.
 
Vai daí a Lifestories, de maneira ténue e ligeira, mas com um toque de humor e alguma originalidade, quis precisamente dar uma mãozinha a quem ainda acredita que a vida deve ser registada e partilhada, lida e desenhada.
Os diários são fonte inesgotável de histórias, memórias, estados de espírito e espelhos fidedignos do que se vive numa época, do que é o universo próprio daquela pessoa em particular.
Os cadernos "Um dia" são o empurrão para a escrita que se lança para o universo, sem medos, nem julgamentos alheios.
Há dias bons e menos bons, a vida é mesmo assim.
 
São assim dois os cadernos que a Lifestories apresenta:
Um Dia | Um Desenho; para a pressa dos rabiscos, das tatuagens prometidas e das ilustrações mais tímidas.
e
Um Dia | Uma Palavra; para as exclamações efusivas, as interrogações em perspectiva, todos as reticências, os furos da ciência e os sonhos para o futuro.
Os cadernos são pessoais mas transmissíveis e trazem pistas para o desempate da inspiração e os despistes necessários para iluminar a hesitação.

Por cada 100 cadernos vendidos a Lifestories propõe-se resgatar uma vida solidária, personagens que marcam a vida dos bairros e das comunidades.
Todos os cadernos estão numerados.
 
Esta é uma edição limitada sem prazo de validade!
Preço: 9,90€ (envio por CTT ou entrega na zona de Lisboa)
Para mais informações e encomendas: eraumavez@lifestories.pt