30.11.12

na mesa de cabeceira...

 
De modo que as leituras têm sido estas.
Ando há que tempos para começar a "Servidão Humana" mas dá-me ideia que o grande "Romance" da minha vida vai ser outro...!


29.11.12

É bonito saber que as pessoas vêm aqui parar ao meu estaminé com pesquisas relacionadas com:
 
- casa dos piny pons
- bolachas de amêndoa
- gelados

e... o melhor de todos:
 
- como dar banho ao cão
 
Apesar de tudo, não sei se é dos banhos, mas o Bolo de Arroz tem recebido muitas visitas. Não sei se é um vírus que me entrou pelo estaminé ou se são mesmo leitores que espreitam pela primeira vez a chafarica. Já estamos a chegar às 100 visitas por dia!
Isto já é muita massa cinzenta junta. E eu fico muito feliz.
(a ultra famosa Pipoca Mais Doce atingiu os 24 milhões de visitantes, no fundo é só uma questão de tempo e eu dou duas voltas a Portugal, eu chego lá!)
A todos os que ainda procuram a casa dos piny pons, continuem, não desistam que dois ou três sites mais à frente ela vai aparecer.
Ou então vão logo directamente à Loja do Puto contra Ataca, em Lisboa, e fica o assunto resolvido.
 

28.11.12

Afinal o que eu quero são os bichos dos outros - Parte 2


Falar de bichos sem falar de cães, seria para mim uma estranheza.
Ora, como o que eu quero é final os bichos dos outros, eu quero esta cadela, a Dark que está sentadinha na cadeirinha do lado direito da fotografia.
A Dark é uma cadela labrador com pouco mais do que 1 ano e que vive a uns 10 metros de nossa casa. Acontece que os donos são proprietários de uma Loja de antiguidades na Calçada do Combro, Memória do Tempo, onde a Dark passa o seu dia.
É logo assim uma cadela cheia de requinte, pois passa o dia rodeada de coisas bonitas e antigas. Além disso, é a coisa mais meiga e doce que eu algum dia conheci. Cumprimenta-me sempre de forma dócil, calma e tranquila.
O que comparando com o selvagem do Flash, que dos seus 4 anos não evolui minimamente nas suas habilidades sociais, cumprimenta as pessoas com saltos, cheira-lhes o rabo, os pés e os sacos, ladra e desata a correr a fazer oitos, só me faz querer trocar de cão por uns dias.
Não me importava nada de ir para a Loja, passar lá o dia sossegada com a Dark enquanto o selvagem arranca bocados de relva, mija em todas as jantes de carros, caixotes do lixo e vasos, come toda a m*rd@ que encontra no chão e entra dentro dos prédios onde a porta tenha ficado, sem querer, aberta.
A última dele, aqui na rua, foi empoleirar-se na bagageira de um Mercedes lustroso, enquanto o dono do carro, um Senhor de fato impecável, arrumava um saco lá atrás.
O Flash não faz mais nada e mete-se de pé, com as patas apoiadas na bagageira a espreitar para dentro da mala... como se o mundo fosse dele e pronto!
Sendo assim, quero a Dark e pronto.

27.11.12

Afinal o que eu quero são os bichos dos outros - Parte 1

 
Já aqui demonstrei por diversas vezes que adoro ursos pardos!
Por todas as razões: vivem nas montanhas, no meio de cenários repletos de riachos, árvores, planaltos verdejantes e outros animais igualmente bucólicos, do género, bambis, esquilos, castores, lontras etc..., comem salmão e mel (coisas que eu adoro), hibernam e deixam assim que a vida lhes passe de maneira mais suave, constituem família, são espertos e dóceis.
Vai daí, eu um dia gostava de ter um urso, como se tem um cão, e este rapaz, o Casey Anderson só faz isso o dia todo há uns 20 anos: estuda, filma e produz documentários acerca da vida dos ursos pardos no Montana, nos EUA, onde ficam as famosas Rocky Mountains.
Tanto é assim que tem um urso, que é o "cão" dele; o Brutos que pesa 360kgs e foi o padrinho de casamento do Casey, quando este se casou com uma actriz!
Eu quero isto.
Quero um urso e um quintal nas traseiras da minha casa como uma montanha a perder de vista!  

26.11.12

diários de moçambique** #4 (continuação e fim)

Diário de Moçambique. Volume 1. "do que te leva a ir..."

30 de Novembro de 2010. (3ªfeira)

No caminho, encontro o Tiaheri que me ajudou a comprar uma super lanterna e pilhas por 130 meticais, fui ao pão que se vende por 2,5, 3 e 5 meticais e ainda fui visitar a florista do Ibo: a Dona Manassa que amanhã me recebe às 7h00 para eu aprender como se faz aquelas flores secas, que são folhas de mangueira. Comprei-lhe um colar.

Tu não imaginas o trabalhão que aquilo dá, cozer as folhas na panela, esfregar com uma escova e meter no cloro (deve ser lixívia). São 2 ou 3 mulheres que fazem aquilo – estão a fazer um candeeiro muito giro. Era giro vender isto no nosso sítio!

Depois, ainda na companhia do rapaz fui ao tal Clube Desportivo do Ibo (CDI), o sítio do Sahid o famoso pasteleiro do bolo de noiva que nos acompanhou numa viagem de barco.

Recebeu-me tão contente. Diz que o bolo foi um sucesso e a festa muito bonita – eu só me lembro das formigas pretas, gordas e reluzentes que se passeavam tão contentes pela cobertura branca! O Sahid tem um pequeno restaurante no CDI, com ementa, bebidas e tão feliz mostrou-me ele o seu estaminé.

Sentei-me e bebi uma Sprite. Os miúdos jogavam à bola no campo lá fora e foi um momento bem passado. Apareceu o “Cristiano Ronaldo”, aquele puto que tu gostas muito, que veio logo dar-me o resultado do último jogo do Real Madrid.

Ainda conheci o Siufu, que trabalha na Educação e está ligado ao desporto, cultura e … não me lembro. O Ibo tem equipa de futebol, atletismo e xadrez! E entra em competições provinciais. Há uma dança típica do Ibo que se chama Tufu e há por aí um Festival de Cultura. Fiquei logo cheia de ideias!

Ainda de regresso a casa encontrei o Elder, conheci finalmente o Dimitri e ainda vi o Arnau e demos dois dedos de conversa.

Cheguei a casa tomei um bom banho e vim para aqui, onde estou a escrever-te esta carta – o Miti Miwiri.

Quis-te contar tudo, tudo desde o segundo em que nos separamos. Vou dormir sozinha naquela casa, é verdade, mas tu sabes que eu durmo sempre bem. E está lá o Sahid no jardim, assim não me sinto tão sozinha. Tenha esta certa dose de coragem, que eu não sei de onde vem. Penso sempre na minha Avó Nice, porque ela também seria o tipo de mulher que dormiria sozinha numa casa como aquela, numa Ilha como esta, muito senhora de si.

Só durmo mal por pensar onde estarás. Já sei que passaste a “Ponta do Diabo” – passaste um obstáculo, superaste-te e eu também  me sinto mais forte neste dia sozinha. Não é fácil estar sozinha naquela casa cheia de complicações e de bichos, mas senti que assim que abro a porta para rua, há sorrisos por todo o lado e por isso sinto-me bem aqui.

Espero que durmas bem, amanhã estarás exausto e terás uns dias para descansar por aqui. Espero que chegues bem, rezo por ti.

Parece que estamos a viver o tempo das nossas vidas, a tua aventura deve ser verdadeiramente maravilhosa e só me resta esperar-te e ouvir depois a tua “carta”.

Fica bem. Amo-te muito. Um beijo salgado, um abraço forte. Quero-te ao pé de mim…

(Na noite seguinte, às 3h da manhã ele voltou! Vinha ensopado, exausto, queimado pelo sol, magro. Como eu não sabia ligar o gerador e a bomba de água, tivemos de o fazer aquela hora. Agora já sei e ele fica cheio de orgulho de mim!)

**excertos do meu Diário Pessoal escrito durante a minha estadia em Moçambique, entre Julho de 2010 e Agosto de 2011

22.11.12

diários de moçambique** #4

Diário de Moçambique. Volume 1. "do que te leva a ir..."

30 de Novembro de 2010. (3ªfeira)
 

(Esta entrada no meu Diário merece uma explicação prévia para se entender o seu contexto. O meu marido partia nessa madrugada para uma viagem de barco Pemba - Ilha do Ibo que supostamente duraria 8 a 10 horas. Como nesse dia o vento mudou, demorou 52 horas. Eu fiquei quase duas noites a dormir sozinha no Ibo e ele num barco no meio do Índico... Ele finalmente chegou na segunda noite às 3 da manhã.)

Meu Amor,

Como vais tu dormir esta noite? Onde? Debaixo das estrelas, no meio do mar, do Oceano.

Passei todo, todo o dia a pensar em ti. E ainda agora, que o sol se foi e anoite chega, não paro de te imaginar. Vou-te contar como correu, depois de te ter deixado no Paquite às 2h30 da manhã.

Regressei de carro, pela cidade adormecida, até casa. Não se via vivalma nas ruas, tudo tão silencioso e sereno – sabes, reparei melhor que a cidade não é muito bonita. E com aquela iluminação rarefeita e o céu tão negro, Pemba parecia um adolescente com acne – desconcertada, feia, perdida, à espera de uma Mãe que lhe faça a cama.

Quando cheguei a casa, como suspeitava, demorei imenso tempo a adormecer – eras tu naquela escuridão, no meio da areia a dizer-me adeus, eram os galos que se apresentavam ao serviço às 3h30 da manhã, foi o vizinho que teve uma insónia e acordou às 4 da manhã e começou a fazer barulho. Devo ter adormecido pouco antes do despertador ter tocado às 5h30 da manhã. Custou-me muito ter saído da cama.

Achei melhor tomar um banho, mesmo que frio, e arrumei tudo como combinamos. Tomei o pequeno almoço e às 6h30 estava com o Sr. Mário dentro do carro a caminho de Tandanhangue.

Fizemos a viagem num silêncio cordial, conversamos um pouco, mas deixamos que cada um viaja-se dentro de si também.

O Pai do Zulficar combateu pelo exército português, na época colonial e levou com uma mina que lhe deu cabo de um joelho. Deitaram fogo às suas lojas durante a guerra civil e já fez essa viagem que estás a fazer dezenas de vezes.

Foi ele que me disse que não chegarias hoje, com este vento contra, só irás chegar ao Ibo amanhã.

Foi ele que me disse que o povo moçambicano “é um povo que sofre”. E é, meu amor. Tu fizeste aquela estrada tantas vezes como eu. Os miúdos tão pequenos a carregar água na cabeça, as mulheres logo de manhã a carregar lenha, molhos gigantes de lenha na cabeça, os velhos nas bicicletas com canas de bambu enormes – vê-se que aquilo é um esforço.

E é tão cedo, e faz tanto calor, e eles andam tanto a pé até à machamba e levam com o pó dos carros, a lama da chuva e as nuvens dos mosquitos. E os meninos, sempre descalços brincam com pedras e paus.

Parei na estrada para comprar uma saca de carvão como me tinhas dito. Cada saco é 70 meticais mas se levas o saco pagas vasilhame! Com o saco são 100 meticais. Comprei a duas mulheres e foi o Sr. Mário que falou com elas.
Metemos a tralha toda dentro do barco-chapa e ainda esperamos 1 hora dentro do barco por mais dois chapas atolhados de gente. E foi aquele filme do costume; mas acho que desta vez pior! Mais elaborado. No meio dos passageiros e da mercadoria havia duas motas, sacas de carvão, farinha, açúcar, caixas de cigarros, galinhas, um pudim dentro de um saco com um par de ténis, sacas de manga seca e mandioca, um saco de carne crua, com moscas agarradas, sacos e sacos, malas e crianças.

Partimos contra o vento, tal como tu, com imensa ondulação. Levei com muita água, o barco pesadíssimo e demoramos duas horas a chegar ao Ibo.

Sabes que por viajar sozinha, sinto muito mais a diferença de tratamento, do que quando ando contigo. Quase que eu só existo se o "patrão", tu, também estiveres presente. O homem do barco-chapa foi muito bruto comigo, não gostei da forma como me tratou, era mal educado e percebi que fazia de propósito. Disse “mezungo” imensas vezes, sendo eu a única branca no barco (havia lá outro, mas era homem e da Fundação Aga Kahn).

Duas horas depois chegámos, paguei-lhe 100 meticais e depois ele veio pedir-me mais 30 pelo saco de carvão – eu dei-lhe os 30 só para não o ver mais. Veio o Manobra ter comigo e ajudou-me a tirar tudo do barco, até a saca de carvão. E depois ainda veio o Tiaheri, que tem aquele ar muito doce, porque vê-se que é um menino bom. Assim os três fomos até nossa casa, onde cheguei com a sensação estranha de não te ter, como de costume, ao meu lado.

Abri todas as janelas! Em três dias da nossa ausência fez-se pó e havia vestígios de ratinhos com algum veneno comido. Limpei a cozinha e fiz o almoço. Cozi massa e fiz tomate com azeite, alho e orégãos. Pus a mesa e sentei-me sozinha no alpendre a almoçar sozinha, claro. Eu e a casa a olhar para o jardim. Resolvi limpar um pouco a casa depois arrumei os sacos e saí à procura de uma lanterna para o Sahid.

(Continua)

**excertos do meu Diário Pessoal escrito durante a minha estadia em Moçambique, entre Julho de 2010 e Agosto de 2011 

19.11.12

a parede azul


 
Já aqui disse que acompanho regularmente o meu Príncipe nas suas lides profissionais, diga-se, andar nas obras dos apartamentos que recupera no centro de Lisboa.
Já vos falei por isso das conchas que encontro no meio do cimento.
No outro dia, numa outra obra, deparei-me com esta parede (magnífica).
É uma simples parede, em tempos terá sido completamente azul, agora escavacada e suja, quase vítima de um bombardeamento. A luz era de final de dia, a luz fria do Outono que faz realçar a cor entre o caos de uma casa em obras profundas. 
Rapidamente chamou-me a atenção aquele cenário, quase como se fosse um "quadro".
Há riscos de lápis do meio, medidas e um quase número de telefone.
 
Senti-me aquele tontinho do filme American Beauty que filmava os sacos de plástico ao vento... pois para o que me havia de dar, então.
Mas a verdade é que gosto de ver estas paredes que se revelam por detrás de papel de parede antigo (muitas vezes em várias camadas), de tinta plástica foleira e estuque descascado.
Quando estive em Moçambique visitei sítios rochosos com quedas de água, inselbergs e paredes de rocha maravilhosas. Nesses passeios, tentava sempre parar e colar as minhas mãos à pedra, à parede. Gostava da sensação de sentir a rocha, a força brutal daquelas paredes milenares. Abria bem os dedos, espalmava bem as mãos e uns segundos bastavam.
 
Aqui em Lisboa, não há montanhas nem quedas de água.
Há paredes azuis que me lembram a alma dos lugares, neste caso, de uma casa. Daqui a poucos dias vai levar com tinta de água em cima, vai-se sumir numa nova cor, mas aquela parede, cheia de feridas, nasceu azul.
E eu gosto de pensar e sentir estas coisas, assim como o outro filmava os sacos de plástico.
É assim e pronto.  
 

15.11.12

O mancha


O Flash é um tv-dog, ou seja, faz-nos sempre companhia quando à noite, depois do jantar, o serão é passado a ver umas poucas horas de televisão.
Deita-se, dorme, ressona, sonha. Vai alternando entre estar aos meus pés ou aos pés do seu Alfa.
Quando ele se deita aos meus pés é isto que vejo: uma mancha negra. Só se percebe que ele está ali graças à risquinha branca do olho!
Verdade que já o pisamos umas quantas vezes, pois nunca sabemos qual o lado que ele escolhe e quando nos levantamos, às vezes, esquecemos de ter em atenção que ele pode estar "lá em baixo"!
 

10.11.12

Home made



 
Das (inúmeras) coisas boas do Outono, aquela que é sem dúvida a minha estação do ano, é o voltar-se para dentro de casa e desatar a fazer coisas, feitos esquilos a armazenar reservas para o Inverno.
 
Fizemos piri-piri, tempero mui apreciado pelo meu marido. Usamos malaguetas moçambicanas numa brutalidade de proporção de sete oitavos de malaguetas para o restante de azeite -  acho que só do calor na cozinha, o frasco explode!
 
Produzimos muesli. Sem leite em pó, sem açúcar, tudo feito com produtos integrais e naturais e depois junta-se tudo no forno e fica uma maravilha - eu pareço, mais uma vez, um esquilo a comer daquilo e a catar passas e ameixas, blargh!
 
E ainda fizemos doce de abóbora com nozes "grosseiramente partidas", como vem na receita da Bimby. A minha amiga M. deu-me uma abóbora lindíssima, enorme, completamente biológica e eu experimentei a receita pela primeira vez. O doce ficou óptimo mas esqueci-me de escrever nas etiquetas "com nozes". Um requeijão já foi!
 
P.S - apesar de gostar muito do Outono, já de há uns anos para cá que sofro horrivelmente de uma alergia que me ataca sem misericórdia! Espirro 30 vezes de manhã e nada me resta senão ensopar lenços de papel... É um horror, eu nunca tive isto, surgiu-me aos 30 e poucos anos, para agora, neste Outono em especial, me fazer acordar a meio da noite com o nariz a picar por dentro! Já li que a gravidez também dá este tipo de reacções... Acerca disso, e das minhas impressões de grávida, falarei em breve!


8.11.12

Mais uma!


aqui tenho partilhado a minha especial atenção para com as montras das pastelarias em Lisboa.
Decerto que um pouco por todo o nosso Portugal, há estes belos exemplares de vitrinismo calórico-boleiro, mas eu quando vejo uma montra destas páro no mesmo instante e marco o momento para sempre.
Quem me vê ou pensa que sou uma deslumbrada turista sul africana, americana ou qualquer coisa que não europeia(pois não encaixo nos padrões) ou então pensa que sou uma coisa estranha. Portuguesa e estranha a fotografar montras de pastelarias.
 

6.11.12

Conversas do Divã #7

 
"Em África uma coisa é verdade ao amanhecer e mentira pelo meio-dia e não devemos respeitá-la mais do que ao maravilhoso e perfeito lago bordejado de ervas que se vê além da planície salgada crestada pelo sol."
Ernest Hemingay, Verdade ao Amanhecer (True at First Light)
 
A Mentira.
 
Poderia a humanidade ser o que é hoje, se a mentira não existisse?
Reformulando a pergunta: se todos dissessemos a verdade e nada mais que a verdade, estaríamos no exacto ponto onde nos encontramos? Com as nossas famílias, nas nossas casas, nas nossas relações, nos nossos circuitos?
Aquilo que hoje tanto se advoga, em que tanto se empina o nariz com o "digo tudo o que penso" não será um claro sinal de falta de inteligência?
 
Não se deve dizer tudo o que se pensa.
Se o mundo dissesse tudo o que pensasse estávamos reduzidos ao homo sapiens-sapiens, a caçar javalis e a cozer caldos de nabos (mas com a companhia de um cão, é verdade).
A mentira fez-nos chegar onde estamos, a mentira como um mecanismo de defesa e não como um pecado mortal.
São ferramentas de sobrevivência, assim como um reflexo que nos protege além de proteger aqueles de quem mais gostamos.
Se pensarmos bem, só mentimos a quem gostamos, a quem não queremos saber se vai lamber sabão ou ter uma crise de diarreia, dizemos o que for e mais um par de botas.
A mentira é como um conservante daqueles que se metem em sumos 100% naturais, para durar mais, para ter mais tempo, para evoluir para um outro patamar.
 
Não sou a favor da mentira maldosa, traiçoeira, tinhosa. Essa é tóxica.
Falo antes da mentira que nos serve para garantir uma rede de pessoas e de relações que amamos e queremos preservar.
Dando um exemplo muito básico, quando no Natal recebemos um naperon de crochet feito pela nossa Avó, vamos dizer (e porque isto seria dizer o que se pensa): "Oh Avó, que coisa tão pirosa, é que sinceramente isto já não se usa, é feio, fora de tempo, mau mesmo."?
Aquela malta que assume orgulhosamente que diz tudo o que pensa são uns infelizes. Coitados. Não sabem o que dizem.
Inteligencia é saber estar à altura do momento, e se para isso tivermos de utilizar a mentira então ela que saia do buraco. Que fiquemos calados, que façamos um sorriso, que digamos uma mentira.
Saber (de vez em quando) calar o pensamento, guardá-lo para si, dentro de si, não é mentir.
É precisamente o contrário, é ser fiel a si e aos outros.
 
E em jeito de final, a minha bisavó que se casou com um senhor de nacionalidade britânica e que educou os seus três filhos em colégios ingleses (incluindo a minha Avó paterna), dizia:
"Ask no questions, hear no lies."
 
Fica a deixa.  
 

3.11.12

 
Eu gostava de ter vivido noutra época.
Nesta, em que o campo era tão sofisticado como a cidade, em que ir à caça era um ritual elementar, em que se faziam pic nics com toalhas de linho e sanduíches de pepino. Chamem-me snob, o que quiserem. Eu gosto dos ingleses e gosto especialmente deles nesta época.
 
 
 
 
 
Esta série (Downton Abbey) é mesmo uma delícia!
 

2.11.12

Parabéns meu Amigo!

 
O Flash faz hoje 4 anos, o que na escala humana equivale a 32! Está quase da minha idade e muito ligeiramente se vai notando a sua personalidade a ficar mais tranquila e menos agitada. Ou seja, está a crescer! (finalmente)
Não deixa de ser o "relações públicas" do Bairro, aquele que se dá bem com todos, para quem está sempre tudo numa boa, o que é preciso é haver caixotes do lixo para cheirar e uns rabos de cabela também. Acorda todos os dias bem disposto e está sempre pronto para um passeio!
Quando o Flash fez 1 ano, em 2009, eu fiz-lhe uma festa de anos (foto em cima)! Mesmo.
Como todos os dias, ao final da tarde, participavamos no encontro de cães e respectivos donos no Parque do Arco do Cego (em Lisboa, junto ao Técnico), pensei em aproveitar esse ajuntamento de cães e fazer uma festa! Assim, avisei os donos com uns dias de antecedência para que nesse dia não faltassem (acho que era uma 5ªfeira).
Fiz um cartaz, enchi balões, comprei biscoitos e toppings de vários sabores e ainda levei chocolatinhos para os donos.
Nunca esperei conseguir uma reacção tão espectacular: eram perto de 20 cães e os donos trouxeram presentes para o Flash: bolas, cordas, biscoitos e até molduras com fotografias do Flash com os amigos. E ele esteve toda a tarde, e início de noite, com uma atitude hiper feliz, parecia que sabia que fazia anos e aquela era a sua festa.
Foi de tal maneira, que houve pessoas a vir perguntar-me se eu organizava este tipo de festas para outras pessoas/cães e ainda outros donos que ficaram sentidos por não terem sido convidados (que foi por não os ter visto na semana anterior)!
A moda pegou de tal maneira, que a partir dessa data, todos os outros cães começaram a ter festa de anos. Mas nenhuma teve o sucesso da festa do Flash!
Até o meu Príncipe, senhor muito discreto nas suas acções, e que não gosta nada destas manifestações, rendeu-se às evidências e quando chegou ao Parque e viu aquela animação não queria acreditar que fosse a festa do seu próprio cão!
Desta vez não há festa, há o frango inteiro (sem ossos) com arroz, como já tem vindo a ser tradição.
Mas fica uma recordação de uma parte desse grupo de amigos de quarto patas, que durante 2 anos foram a companhia diária do Flash (entretanto fomos para Moçambique e mudámos de casa). Temos imensas saudades deles, e quando às vezes conseguimos lá voltar, o Flash, e os outros, adoram o reencontro e tal como os grandes amigos, quando voltam a estar juntos é como se o tempo não tivesse passado!