29.11.13

Agendas 2014



 
 
Uma ideia de presente útil e que dura o ano todo?
Uma Agenda 365 Lifestories com textos e fotos da Isabel Saldanha.
Vocês sabem da minha assumida pancada com material de escritório.
Ora esta agenda é um primeiro passo para a minha conquista do espaço cideral dos cadernos, lápis e clips.
Foi um grande gozo fazê-la, deu o seu trabalho, mas o resultado é perfeito!
 
Toca a encomendar: eraumavez@lifestories.pt


diy



 
Eu, uma mulher das letras a fazer bricolage?!
Jogai todos no Euromilhões que isto vai cair um anjo!
Certo que sob orientação aproximada de minha Mãe, detentora de uma parafernália de ferramentas várias, à altura do desafio, mas ela "só" forrou a madeira com o tecido.
Todo o resto foi feito por mim :)
Os materiais usados vêm da Drogaria Costa e a finalidade é embelezar as minhas escadas, na hora de sair à rua com o Flash.
Not bad, hein?


28.11.13

Fazer ou não fazer.


Já por várias vezes tive esta conversa entre amigos, mulheres e homens, nunca chegando a conclusão nenhuma, apenas pensando que como em quase tudo na vida, é uma questão de opção e que está em nosso poder fazê-lo ou não.
Por isso, não venho aqui defender ou tentar convencer alguém a fazer terapia, posso só dizer o que acho, daquilo que tenho feito, e no sentido do meu caminho, tirando depois cada um as suas conclusões.
Entre amigos discutimos para que serve pagar uma hora por semana a uma pessoa só para nos ouvir e ainda por cima dizer coisas que já sabemos? nem há comprimidos nem nada, é só conversa...
Uma vez li um texto que descrevia a terapia como uma vela da Diptyque, que para o caso não interessa agora, mas que no fundo o que diz é que é uma vela aromática, como as milhares de velas aromáticas que existem por ai, mas esta é muito mais cara.
Por isso, serve como uma vela, qualquer outra faria o seu papel, mas custa três vezes mais. Ou seja, para ter cheiro em casa podemos pagar 4€ ou 40€; a mais barata também dá cheiro e faz o seu efeito. A de 40€ não é por isso essencial, quando outras já fazem o mesmo.
Ora, assim pode-se entender a terapia como um bem supérfluo, um bem de luxo.
Que não é essencial à nossa vida. Vive-se sem ela, na mesma.
É verdade que a terapia não é uma questão de saúde pública, mas, a meu ver, ela até deveria ser, pois para mim é um bem essencial.
Tenho gostos requintados, dirão. Nem por isso. Mais uma vez é uma questão de opção, acabo por não gastar dinheiro com outras coisas, enquanto que durante aquela hora semanal todos os eurozinhos são bem gastos; é o meu SPA e pronto.
Faço porque tenho uma hora em que posso estar calada ou sempre a chorar, ninguém me julga, não há perguntas chatas, se não quiser responder não respondo. Faço porque ouvir-me tornou-se das melhores e mais enriquecedoras experiências da minha vida, afinal eu sei aquilo tudo mas dizê-lo é marcar as minhas palavras no mundo com carimbos.
Faço porque me conheço melhor, o auto-conhecimento é para mim fascinante, quase um vício, como desenhar o mapa da minha alma, percorre-la e fotografar o meu interior com flash.
Faço porque acredito que podemos ser sempre melhores, e quando se sabe melhor, é-se melhor e o conhecimento que ganho em cada sessão são moedas de ouro que ganho no meu mealheiro.
Faço porque estou a coleccionar ferramentas tão importantes e tão úteis na minha vida que me sinto capaz de desmontar um motor e reconhecer cada peça.
Faço porque gosto, porque sempre gostei de Psicologia, porque acredito na capacidade da nossa mente, na força do nosso espírito e na capacidade sempre fascinante que o Homem tem de se superar a si próprio e de ser capaz da mudança que quer ver no mundo.
Faço porque me faz sentir livre, sem amarras, sem medos nem mentiras, e isso é talvez a coisa mais valiosa que uma pessoa pode comprar.
 

19.11.13

e eu, faço o quê?!


 
Depois daquela parte em que fiz pouco das amigas que quando estavam grávidas só viam roupas de bebés à frente, e em que tive de engolir o sapo, chego-me a um outro momento de evidência.
O meu M. está a crescer. Pronto. E já não vai no ovinho, não só porque já lá não cabe como já se quer sentar à gente crescida.
E eu faço o quê? Lanço esta criança para o mundo com cadeiras de bebé crescido.
Fico logo à rasca, isto até agora já foi tudo tão rápido e depois?
No outro dia, enquanto estava no banho (o local que eu tenho em casa mais parecido com um escritório, porque lá penso e tiro notas), realizei que se uma pessoa viver até aos 80, o que hoje em dia é bem provável, ter tido 8 meses representa 1% do total dessa vida.
Ou seja, isto tudo, até hoje, foi 1%.
O meu filho está a crescer.
Come 3 (três) conjas de sopa com 2 (duas) colheres de sopa de carne ou peixe, mais 5 (cinco) colheres de sopa de fruta.
Vou ali lambê-lo mais um bocado, enquanto ele me deixa e não se apercebe.
ai, ai...


14.11.13

Conversas do Divã #10

Fazer o luto.

Tenho a sorte de ao longo da minha vida ter experimentado muito pouco o sentimento de perda : quando tinha uns 10 anos morreu  o meu periquito Octávio e fiquei desolada de o ver no fundo da gaiola, duro e hirto de olhos fechados, 23 anos depois morreu o meu Avô e fiquei com o coração desfeito por estar a 9 mil kms de distância de toda a família.
Não me despedi de um ou de outro.
Aconteceu e o mundo continuou.
Um mês depois de ter nascido o meu filho, separei-me. Fiquei sozinha. Sem querer. Aconteceu e o mundo tinha de continuar.
Pela primeira vez tive de fazer um luto. Tive de me despedir de uma pessoa, muito longe de estar morta, antes pelo contrário, está viva e de boa saúde, que foi durante 12 anos meu marido, companheiro, confidente, amigo, amante.
E o mais estranho de tudo isto é que me sinto uma "viúva".
Tenho agora um ouvido especial para quem conversa sobre quem "cá não está", "quem partiu deste mundo" e a sensação é exactamente a mesma, sendo que ele não partiu, está vivo e existe.
A ausência de quem, de um dia para o outro, deixa de fazer parte do nosso dia, das nossas horas, dos nossos silêncios e das nossas conversas, é qualquer coisa de inexplicável.
Passando o tempo da dor e da revolta, ficam as memórias e os diálogos surdos.
É como se mesmo tendo tirado as fotografias das molduras, elas lá tivessem ficado.
Vão perdendo a cor, vão ficando mais debotadas, mais turvas, e num esforço de as recuperar limpo o vidro, agito a moldura, abro e fecho, sacudo o pó... mas o tempo está a levá-las, sem que eu nada possa fazer para o evitar.
Já tinha ouvido falar que um divórcio é um momento tão doloroso como viver a morte de um ente querido. Sempre me fazia uma certa confusão que assim fosse, pois a perspectiva da pessoa permanecer viva era pelo menos um ponto mais positivo neste jogo de azar.
Mas agora já percebo.
E quase que me atrevo a dizer, que não sei se não é mesmo pior, sabendo haver vida para além da dor.
Porque tenho de aprender a viver sem essa pessoa, sabendo que ela está viva, e que, no limite deste sofrimento consciente, não quis continuar estar viva, ao meu lado.
Retirou-se da minha vida, morrendo-me só a mim.
Sou por isso uma "viúva", ainda mais solitária do que a palavra existe.
Assim como quem perde a visão de um olho, aprende a ver e a fazer as coisas só com um a funcionar. Assim vivo eu. Aprendo a não ter essa outra pessoa ao meu lado, a viver sozinha fazendo as coisas contando comigo.
Do nada surgem as memórias, os momentos de paragem, de recuar, de lembrar, de chorar um pouco. Mas cada vez menos. Indo lá atrás e voltando aqui. Indo menos lá atrás e perguntando-me o que será amanhã. Querer afinal um outro amanhã.
Perdi a presença de um corpo, de uma voz, de um universo que se sumiu, de um mundo de coisas que carregava, de gargalhadas, de conversas, de situações, de momentos e de tempo que se passou junto. Muito tempo.Tanto que até África coube lá dentro.
Perdi uma pessoa que não morreu mas que se vai sumindo para longe.
Existiu.
Não existe mais.
Aceita-se, sofre-se com a falta, vive-se com a perda, aprende-se a viver outra vez.
São rastos de memórias, o tempo leva tudo, mesmo que eu não queira.
Foge por entre a areia, devagar, como a maré vazando. 
Um vazio que não é eterno e que em breve vai-se encher.
Acontece e o mundo tem de continuar.

 

7.11.13

violeta

 
A Violeta é uma menina-cadela de Cascais, muito redondinha e feminina, dócil e amiga.
É a grande companheira do Flash. Correm soltos pelo jardim e brincam entre os passeios.
Há já um grupo engraçado de cães com quem o Flash se dá, mas a Violeta é sem dúvida a sua grande amiga, também porque foi a primeira que conheceu quando cá viveu durante a minha estadia em Moçambique.
Passam os anos e ele continua a ser um cão relações-públicas seja em que território for! 

6.11.13

love letter

 
Gosto tanto de ti e tanto de escrever que não percebo como posso escrever cartas para te dizer o quanto gosto de ti, se tu não as lês. E ainda vai demorar tempo até as leres.
E então escrevo textos no computador, mas se vem um vírus, um cataclismo ou um dilúvio, vai-se o computador à vida, e o disco externo e lá se vão as tuas cartas. Posso escrevê-las à mão, que até gosto de o fazer, mas vem um incêndio, um tornado ou um tsunami e o papel fica todo molhado, as cartas ensopadas e as letras sem tinta.
Também podia fazer vídeos. Posso dizer à Avó e ao Avô para eles te contarem um dia quanto eu gosto de ti agora, agora que tens quase 8 meses, mas eles já estão um bocadinho mais velhotes e há coisas que se vão esquecer de te contar.
Então, deixas-me assim com este formigueiro que não sei como o acalmo. Porque gosto tanto de ti, mais do que mim e do que tudo. Não sei bem como se pode gostar assim. Porque depois tu cresces e vais gostar de outras pessoas sem ter a noção deste amor; mesmo que eu te diga, escreva cartas, como é que tu o sabes? Porque tu o sentes? E sentes?
Falo muito contigo, talvez fale de mais. Mas tu gostas sempre de me ouvir. Eu vou falando e vou escrevendo. Talvez nunca seja de mais.
Quando se ama muito alguém fica-se irrequieto, eu ando sempre irrequieta então. E já me disseram que isto não passa. É para toda a vida.
Mãe é um sinónimo de sentimento de culpa num dicionário que não se vende em lado nenhum e sobre o qual ninguém fala.
Acho sempre que poderia ser melhor Mãe, não achas? Há dias mais difíceis, e como estou sozinha, às vezes ando cheia de mim própria, perdida em pensamentos e em memórias. Não tem sido nada fácil, mas a vida resolve-se e está a resolver-se aos poucos.
És tu o meu pequenino sol que me dá tanta luz no meio de alguma escuridão.
Que a vida te dê para sempre tudo o que já me dás todos os dias.
Só espero que um dia também saibas o que é gostar assim de alguém. Porque isso é melhor do que todas as cartas que te possa escrever.
E já agora, também espero que um dia gostes de drogarias!
 


4.11.13

folhas essenciais


 
Há coisas essenciais.
Tanto pode ser a mala preta, a camisa branca ou o sobretudo de camelo, na versão Blog fashionista, ou um café, um chiado e o Borda d'Água, na versão Blog "Bolo de Arroz".
E não deixa de ser engraçado que tanto o bolo como o boletim, não são nada fáceis de manusear.
Nunca sei bem comer as fatias fininhas com recheio de doce de ovos, não sei se coma à mão, se corte com o garfo e faca, se utilize a colher (que já nos dão, tal é a tarefa) para ir minizando as migalhas; só sei que o que faço nunca dá para comer o bolo típico da Tartine de forma airosa e limpinha.
Já o Borda d'Água tenho de o cortar todo com a faca das cartas, que as folhas vêm todas coladas umas nas outras e é preciso abri-las como nos livrinhos de impressão baratucha.
Folhas e folhas. De pasta filo, de papel, de calendários, de doces de ovos.
São as minhas fugidas de Cascais ao centro do Chiado, os bocadinhos de Lisboa que são só meus, o Senhor dos jornais no Calhariz, as horas de almoço pela Rua Garrett.
Eu, Lisboa, palavras escritas com os dias de semear, café e bolos bonitos. 



2.11.13

5 anos


 
Todos os anos celebrei devidamente os anos do meu cão. Pelo menos, por aqui, sempre lhe dediquei umas palavras. E este ano, sem dúvida, não seria excepção.
Esta imagem do Flash na praia do Guincho, com uma bola de ténis e todo o universo a seus pés (neste caso, patas), é como eu desejo que um dia seja o seu "céu".
No céu dos cães há bolas com fartura, praias infinitas e ondas para serem nadadas com a energia própria deste cão.
Mas ainda lhe faltam uns anos para isso, espero eu - por isso vou-lhe dando bocadinhos de céu que ele vai gozando e vivendo com a intensidade e entrega que o caracterizam.
 
Hoje o Flash faz 5 anos!
E parecendo pouco, o que nestes últimos anos já se passou foi tanto.
Já viveu em quatro casas, com três famílias diferentes, já viu chegar um novo elemento à família para depois ver outro a ir-se embora.
Cão é cão, mas às vezes olho para ele e pergunto-me: onde está a consistência para este cão? e se isso o pode afectar, traumatizá-lo.
 
A consistência está no afecto que recebe e nunca com quem vive, onde vive e as experiências que vive. Cão é cão, e por isso vive o presente. Não é melancólico, não fica preso no passado, não se pergunta porquê. O Flash não se questiona.
E é isso que nos distingue dos cães. De resto, é um bicho cheio de alma, só que mudo. Fala à maneira dele, com os olhos, com as orelhas, com as pestanas.
 
Não digo que tem sido fácil estar sozinha com ele e com o M., porque as suas necessidades básicas (ir à rua) exigem rotinas que nem sempre se conjugam com um bebé de 7 meses. Mas com a ajuda dos meus Pais, tenho conseguido lidar com os "meus dois filhos", como costumo dizer na brincadeira.
 
E lá vou lidando com uma casa, um bebé e um cão. Somos pelo menos uma família divertida, quando estamos os três há sempre alguma animação. No outro dia, o iogurte do M. foi quase inteiro parar ao meio do chão - nada que o Flash não limpe em 2 minutos, qual Vileda.
Fazemos passeios a três, o Flash a correr como um desalmado no Jardim e o M. a rir-se no carrinho, e eu lá vou gerindo os "estragos" de um e as "gracinhas" de outro.
 
Amigo, logo não te dou iogurte.
Logo, dou-te um frango assado sem molho, desfiado.
O teu presente mais desejado, o quinto frango da tua vida!
Parabéns amigo!