30.10.12

This is not a baby blog, BUT...

 
 
Já imaginei este texto umas dezenas de vezes, já o escrevi na minha cabeça e já o terminei, mas a verdade é que só agora o estou a começar.
A verbalização e o envio "deste tema" para o mundo, para vocês, meus caros leitores, é quase uma ecografia à minha mente, que vem confirmar o que já há alguns meses se vem passando dentro de mim há quase 20 semanas.
 
É verdade, sim senhora!
Há 20 semanas que tenho a companhia do Martim.
Esperei algum tempo para dar a notícia aqui no Blogue, é verdade, mas dada a dimensão da realidade que agora vivo, adoptei esta posição mais "defensiva" se lhe quiserem chamar.
Não quero fazer o papel da vítima, que nunca me serviu, mas para quem literalmente lutou contra a infertilidade durante 8 anos, esta notícia, este Martim que aqui mexe e a quem já bate um mini coração, é uma espécie de confirmação da vida em Marte.
À primeira não acreditamos.
Nem à segunda, ou à décima primeira.
 
Foram 8 anos de um NÃO redondo. Era sempre NÃO.
Eu habituei-me ao NÃO, adaptei-me, já o conhecia tão bem, lidava com ele, sabia-o de côr, era-me fácil manejá-lo e quase aceitá-lo.
Quando obtive o SIM, demorou muito tempo até saber o que fazer com ele e como o aceitar. Eu nunca soube o que era ter um positivo.
Fiz várias tentativas, ou seja, tratamentos, coisas complicadas que não vale a pena estar aqui a explicar, léxicos de outro dicionário, adquiri uma cultura de um mundo que só alguns conhecem, demasiado científica, rebuscada, crua.
Havia poucos, ou nenhuns, com quem eu pudesse partilhar esse "meu problema". Os que me ajudaram era outros dos demais, dos que também lutaram e continuam a lutar contra uma evidência menos positivia e extremamente destruturante da vida, que só a alguns calha.
E como eu sempre disse, quem enfrenta este problema e o procura resolver, olhando-o de frente, é como quem entra numa maratona.
Ou seja, tem de estar no seu melhor psicológico, físico, financeiro, emocional e tudo mais, com a agravante que não tem ideia onde é a meta. Não se pára aos 42 kms.
Pára-se quando? Onde está a meta? Ninguém sabe.
A minha meta demorou 8 anos a chegar, mas há quem a atinja 6 meses ou 3 anos depois.
Não há regras, não há relógio.
Há paragens, intervalos, porque é impossível estar em contínuo neste estado de "maratona de luta" durante tanto tempo.
África significou um intervalo. Mas nunca desistimos.
Nunca, nunca iríamos desistir. Apenas saberiamos que, pelos vistos, iria levar mais tempo do que os "outros".
Agora escrevo este texto com a certeza de que "desistir é morrer".
 
Em tudo na vida, se caimos uma vez, temos de levantar a cabeça e tentar, tentar, tentar, tentar. Se é realmente isso que procuramos, não podemos desistir.
Durante este último tratamento, que resultou no nosso primeiro rebento, passava muito na rádio a música do Boss AC "Tu és mais forte", cuja letra tem tudo a ver com o que eu estava a passar. Se não resultasse eu não poderia desistir, tinhamos de recomeçar.
Um dia tudo fará sentido.
E o dia para nós chegou.
 
 


Tu mereces muito mais
És forte, abanas mas não cais
Mesmo que sintas o mundo a ruir
Quando as nuvens passarem vais ver o sol a sorrir
A estrada não é perfeita
Apenas uma vida, aproveita
Só perdes se não tentares
E não desistas se falhares
O que não mata engorda
Torna o teu sonho real, acorda
Limpa as lágrimas e luta
Segue o teu caminho e escuta
A voz dentro de ti
As respostas que procuras, dentro de ti
Acredita em ti que tu és
Mais forte e tens o mundo a teus pés

Tu és mais forte e sei que no fim vais vencer
Sim, acredita num novo amanhecer
Não tenhas medo, sai à rua e abraça alguém
E vai correr bem, tu vais ver

Um dia tudo fará sentido
E vais ver que terás o prémio merecido
És o que és, não és o que tens
A tua essência não se define pelos teus bens
Às vezes as pessoas desiludem
Mas não fiques em casa parado à espera que mudem
Muda tu rapaz
Muda a tua atitude, vais ver ver que és capaz
E nada te pode parar
Os cães vão ladrar e a caravana a passar
O teu sorriso de vitória no rosto
Nem tudo é fácil mas assim dá mais gosto
Quando acreditas a força nunca se esgota
Só a reconheces a vitória se souberes o que é a derrota
Vais ver que no fim acaba tudo bem
Sai à rua e abraça alguém




26.10.12

O bolo de arroz no papel!

 
 
A Revista Máxima de Novembro, acabadinha de sair para as bancas, traz um artigo bem interessante escrito pela Clara Soares acerca da "Escrita Expressiva - Pôr no papel impressões, ideias soltas e estados de alma é dar forma e sentido à vida. O uso criativo da palavra não é uma terapia, mas pode ser terapêutico."
 
A certa altura fala-se do meu Bolo de Arroz, este espaço que antes de ser meu, é vosso, é dos meus leitores. O facto de vir escrito "preto no branco", numa Revista com uma considerável circulação, que o "uso da palavra pode ser terapêutico", reforça a minha vontade de continuar a escrever e a partilhar os meus "estados de alma", pois foi precisamente para isso que criei este lugar em Abril de 2009. É o meu divã virtual. 
 
Um abraço a quem nunca deixou de visitar este cantinho, a quem o lê e diz-me para nunca desistir.
 
E tudo começa com a pergunta: por que escrevo?
Porque preciso.

25.10.12

Ser portuguesa e lisboeta.

O que faz deste micro País um acontecimento, para mim, tão especial, é que há coisas que só aqui acontecem.
Lisboa tem tudo o que é preciso para ser uma verdadeira capital europeia, bonitos edifícios, igrejas antigas, praças largas, ruas e avenidas, cafés e esplanadas, lojas, galerias e espaços bonitos; tudo o que uma cidade cosmopolita quer ter.
Mas depois, Lisboa tem aquelas coisas que só ela tem, só aqui, neste Portugal pequenino e curioso.
Fui até à Baixa e explorei os caminhos até chegar ao Poço do Borratém. Nesta rua pequenina, que une a Rua da Madalena ao Martim Moniz, está o Hospital das Camisas, um templo que ressuscita colarinhos e punhos, faz camisas por medida e opera autênticos milagres.
Ora, o meu Príncipe, que é um poço de saúde e elegância, já há algum tempo que baixou uns 3 números de camisas, era por isso simpático tentar apertá-las em vez de as deixar de usar.
O Hospital das Camisas fica na entrada da Junta de Freguesia de Santa Justa, ali junto ao vão das escadas que do lado esquerdo vão para a Junta e do lado direito segue-se para "A Lisbonense, Limpeza de Chaminés".
Enquanto me sentei no degrau, a esperar a minha vez, fui logo cumprimentada pelo Mel, um gato bonacheirão, propriedade da Junta mas que passa o dia cá em baixo a ver quem passa. Logo aqui temos um gato, que é da Junta, mas é de todos, o Hospital das Camisas e a limpeza de chaminés. Tudo isto numa porta de uma travessinha de pouco mais de 100 metros.
Despachado o assunto, regresso a casa passando pela Praça da Figueira e pelo Rossio. Lisboetas, visitantes, turistas - uma verdadeira cidade europeia.
Deu-me a vontade de um croquete e parei na "Tendinha do Rossio", uma tasquinha mesmo junto ao Arco que une o Rossio à Rua dos Sapateiros. É um sítio pequenino, com um curto balcão e meia dúzia de cadeiras, com uns óptimos salgadinhos para meio da manhã (as sandes de queijo fresco são um clássico da casa) e está ali desde 1840 a servir os lisboetas.
Mais uma vez temos a conjugação de fenómenos únicos: o croquete (coisa que eu acho ser 100% portuguesa, nunca vi isto em mais lado nenhum), o Rossio e uma tasquinha com 172 anos que resiste no mesmo lugar, com o mesmo propósito.
Voltei a casa subindo pela Rua do Carmo até ao Chiado, quase a chegar fui acenando à Flávia do Talho e à dona da Papelaria do Calhariz onde gasto continuamente dinheiro sem nenhuma razão aparente, a não ser a minha obsessão por Papelarias. E por nós ia passando o 28, sempre cheio de gente e de vida.
E é isto que me faz ser portuguesa e lisboeta. Adoro todos os Bairros de Lisboa, em todos encontro características que os tornam tão especiais.
Portugal é isto tudo e muito mais, coisas muito mais complicadas do que croquetes e camisas, mas isto é como gostar de Ópera.
Ou se adora ou se odeia.


23.10.12

O Paraíso na terra


Quando lemos numa revista que o sítio onde um dia vivemos é textualmente a versão terrena do paraíso celeste, é caso para se ficar a pensar.
Eu vivi lá, sim senhor, é verdade, mas vim-me embora. O paraíso é afinal insuportável?
Não sei.
No final de contas, e depois de ler as páginas dedicadas pela jornalista Patrícia Brito à Revista Up a descrever as Quirimbas como um lugar divino na terra, penso que tudo depende do que se espera quando se lá vai.
 
Se é para escrever umas páginas, tirar umas fotos, passar uns dias, mergulhar e ver golfinhos, dormir sob o céu mais estrelado do mundo e acordar sobre a terra mais virgem do universo, então sim, esse lugar para onde se vai é um paraíso.
Se por outro lado, é para "fugir" de fantasmas que não habitam em nenhum outro lugar senão dentro de nós, então não, esse lugar para onde se vai pode tornar-se num inferno.
Acerca do Ibo, ela escreve: "Tudo neste lugar tresanda a tempo." Há turistas "fascinados com a presença fantasmagórica do passado e anestesiados pela monotonia do presente".
Não o conseguiria escrever tão bem.
 
E é essa monotonia e esse tempo que se entranha na pele que faz daquele lugar tão especial, um sítio tão fora desta dimensão (talvez por isso mesmo chamá-lo de "paraíso"), em que a cor do mar, cheio de baleias e tartarugas, já era para mim tão natural como ter um Van Gogh na parede da cozinha.
O Ibo tornara-se para mim num paraíso insuportável. Os meus fantasmas não conseguiam fugir daquela ilha, encontraram até quem lhes fizesse companhia.
Naquela ilha só existe contacto com uma única realidade, a nossa. E isso é assustador só de pensar.
 
Foi a melhor lição de vida que tive, que num paraíso também existe um inferno e está dentro de nós o que se procura "retirar" e "usufruir" quando se vive uma experiência muito diferente da de um comum turista.
É que nas Quirimbas eu não fui turista, fui habitante. Daí deduzo que para quem visite o paraíso, maravilhas lhe parecem, mas talvez nem tanto para quem nele tenha de viver.
 
E isto tudo para dizer o quê, Rita?
Que não existem mundos perfeitos, lugares perfeitos, sítios perfeitos - que tudo depende de nós, em tornar o pior lugar na terra na mais bela maravilha do mundo.

21.10.12

telex

O meu Príncipe acabou de cortar a meta da sua Primeira Maratona (42 kms e 195 metros) com um espectacular tempo de 3 horas e 50 minutos!!
Preciso de um balde para tanta baba. Estou a explodir de orgulho, de emoção e só tenho pena de não estar lá na meta para o abraçar...
A sensação imagino que deve ser para lá de qualquer coisa. 
Na minha primeira prova de 10 kms, feita há 3 anos, chorei a cortar a meta.
Na primeira maratona, deve-se entrar em colapso!!
Parabéns a ele e a todos os que se superam a si próprios. 

19.10.12

diários de moçambique** #3

Diário de Moçambique. Volume 2. "as raízes do princípio"

23 de Fevereiro, 2011. (4ªfeira)

 
 
Já se torna complicado escrever algo com consistência e continuidade. O que escrevi de manhã alterou-se, pois o feeling acerca das ruínas e da aprovação do Governador fazem-nos crer que é melhor não definir já à partida a vinda do arquitecto.
(...)
E assim os dias passam, as horas enchem-se de calor e a nossa vivência, por estes dias, é assim meio volátil, etérea. Muitas coisas me ocorrem, muitos pensamentos, muitas conversas, muitas reflexões.
Continuamos aqui os dois, neste capítulo africano da nossa vida, a esperar e aguardar. (...)
Por aqui tudo é duro e cru. Mas eu cresço todos os dias e aprendo a gostar desta vida.
O sol aperta, os pássaros cantam, há sempre uma estranha melancolia e vazio no meio disto tudo.
O que será?
 

 **excertos do meu Diário Pessoal escrito durante a minha estadia em Moçambique, entre Julho de 2010 e Agosto de 2011

18.10.12


 
Se à tarde faço uma sestinha, deito-me na cama a ler um livro ou tiro uns minutos para navegar pelo telemóvel, o Flash acompanha-me sempre.
Deita-se na sua cama e fica a olhar para mim (ele está com os olhos abertos) até adormecer.
Sestas e saídas à rua, podemos sempre contar com ele!


16.10.12

Finalmente!!!

 
Minha gente!
 
Parece que alguém neste mundo dos Blogs , em português, resolveu partir para a acção e criar um Blog que é a personificação de todos os meus "ódios profundos" no que respeita a esta praga de bloggers fashionistas armadas aos cucos, a vestir roupas da H&M e malas de napa da Primark, a dar erros de ortografia e que só porque sim ditam tendências, e essa m**** toda junta que já enjoa!
 
A Patsy e a Eddie criaram o Bimba without the Lola que é um repositório e ao mesmo tempo uma  sátira aos  blogs destas  tipas insuportáveis que se fotografam nos quintais das casas com vasos de plástico ou em descampados no Bairro das Marianas.
Coisas tipo isto:
 
 
Sim, isto é da autoria de uma suposta blogger e há lá mais disto para ver e rir até mais não. É o mundo real, minha gente, é a nossa populaça no seu melhor.
Viva o Blogspot e a Primark que vieram dar a esta gente a oportunidade de criarem a moda do povo it-bimbo.
Espreitem o Blog que vale mesmo a pena, eu não vou perder nem mais um post!


15.10.12

conchas & cimento


Já não é a primeira vez, nem tão pouco será a última, está visto.
Muitas vezes acompanho a actividade major do meu Príncipe: remodelação & decoração de apartamentos em Lisboa.
Sendo que em 95% dos casos, as casas são no centro de Lisboa, muito por aqui à volta do Chiado, a sua estrutura de construção é toda pelo início dos anos 1900. Nessa altura não havia cimento, nem vigas de betão, eram antes os barrotes de madeira e a argamassa feita de pedras, terra e areia.
O cenário de uma obra em que se escarafuncha uma casa, destas características, até aos ossos, é dantesco. Há alturas em que julgamos não ser mais possível escarafunchar. Desta casa, onde tirei a foto, já sairam 23 camionetas de entulho - um Dante em versão trolha, eu disse.
E mais uma vez a surpresa acontece-me, quando uma vez por outra visito a obra, ou seja,  transporto-me para aquele lugar cheio de cabos de electricidade, betoneiras, canos de pvc, sacas de cimento, vigas, etc... (Eu não interfiro MESMO neste processo, não é a minha cena. A minha cena é mais escrever.)
Adoro quando encontro uma concha no chão, no meio do entulho ou escondida por trás de uma tubagem. A areia dessas paredes vinha da praia e as conchas vinham com ela.  
Acho tanta graça a isto.
No meio da cidade, há quase uma centena de anos, vivem conchas por dentro das paredes é só uma questão de as procurar e quem sabe ouvir o mar de então...

12.10.12

O nómada


Conhecemos o Jo no Ibo em Novembro de 2010.
A última vez que contou, tinha chegado aos 100 países. Trabalha para os Médecins Sans Frontières (MSF) e 90% do seu tempo de trabalho é passado em África.
Trabalha 6 meses por ano, descansa um ano e meio. Ganha bem, muito bem, mas também quem é que se dispõe a trabalhar 3 meses no maior campo de refugiados do mundo  (450 mil) em Dadaab, na fronteira entre o Quénia e a Somália, responsável por um Hospital e 4 Centros de Saúde? Ele não é médico, é responsável pela logística: poços, latrinas, estradas, sistemas de electricidade e esgotos, painéis solares, bombas de água, transportes, etc...
O Jo (Joel) é suiço e é o tipo de pessoa que se ficar no meio da selva consegue lá viver uns 7 anos e foi isso que fez quando viveu na Amazónia, no meio dos índios, a trabalhar como garimpeiro.
Entre os meses de trabalho nos MSF e as férias de ano e meio, viaja pela Europa, sempre no Verão/ Outono, com a sua mota a visitar os amigos que tem espalhados por aí.
No Inverno faz as malas e segue para um destino sempre tropical, ele odeia o frio. Há dois anos esteve no Ibo, no Inverno passado a trabalhar no Quénia e depois mais 2 meses no Congo e este ano, daqui a pouco, segue para um Atol chamado Rangiroa na Polinésia Francesa, para uns bons meses de descanso e mergulho (as fotos no Google são "dolorosas").
Não tem casa. Tem um barco em Genéve, no Lago, e uma cabana no sul de França no meio de um bosque. Não tem mulher ou filhos, tem os Pais e um irmão.
Tem uma conta no banco, mas não paga impostos.
É provavelmente o único nómada que eu conheço e esteve em nossa casa por uma semana. Agora já está de regresso a casa (Genéve) com a sua mota, de onde parte em Novembro para o Atol.
A próxima vez que vier a Lisboa, diz que vem de bicicleta.
E o herói dele é o James Bond.

10.10.12

Conversas do Divã #6


Mudaste.
Descobri que, espantosamente, as pessoas (algumas) mudam e mudar é bom.
A mudança implica aceitação e aceitar retira-nos o medo de mudar. É tipo pescadinha de rabo na boca.
Quando aceitamos uma situação, adaptando-nos a ela, partimos para um começo e esse começo é a mudança.
As pessoas mudam e isso é maravilhoso.
A mudança implica conhecimento e o conhecimento de nós próprio tranquiliza-nos e dá-nos a paz que procuramos. Não temos medo. Temos menos medo, vá. Que o medo também é "bom".
As pessoas mudam, e numa relação de amor, amizade, parentesco, profissional, as pessoas mudam-se e crescem.
O "conhece-te a ti mesmo" não é filosofia barata, é mesmo o princípio de tudo pelos anos 400 e picos a.C.
É a liberdade de escolha, de aceitar o que sou, com todos os defeitos e qualidades, de saber dizer o que sou, de não ter medo de falar, de ser, de mudar- para mim é essa arte de viver.
E a descoberta disso é uma revelação.


Isto é tudo uma teoria espectacular, mas na prática são poucos os "sem medo", os que dão voz a si próprios, os que mudam.
Acho que 95% do mundo está "do outro lado". Mas já não é nada mau perceber que existe qualquer outra coisa "para além disto". Quem quiser que dê o "salto".

8.10.12

As minhas vizinhas são melhores do que as tuas!

E são mesmo.
Senão, atentem nestes episódios.
 
Houve uma vez que foi graças a uma vizinha que eu fui salva de ficar fechada uma tarde inteira no pátio da minha outra casa (no r/ch deste mesmo prédio), em que estava a chover, não havia perspectivas de melhorias e o meu esponjo estava a caminho do Estádio da Luz para um Benfica - Sporting. Foi ela que lhe ligou para o telemóvel e lançou o SOS
Além do vizinho do prédio da frente atirar-me um chapéu de chuva, enquanto esperava, só para ficar menos ensopada.
 
Mais tarde, a vizinha do lado, janela do 3º andar com janela, deu-me uma esponja super xpto para tirar pêlos de cão. Ela gosta muito do Flash, conheceu-o este verão numa curta estadia no seu apartamento, pois pelos vistos mora no Brasil e eu desabafei acerca das tonelada de pêlo que o bicho larga pela casa. E ela vai lá dentro e atira-me a esponja!
Disse que como já não tinha cão cá em Lisboa, ficava para o Flash! Ainda não a experimentei, o bicho ainda não entrou novamente na fase da libertação horrenda de pêlos; aguardo para a testar.


E por último, e o melhor (porque mete açúcar à mistura), é a minha vizinha do 2º andar que é de Arouca, essa terra maravilhosa onde passei belos tempos de Verão e Páscoa da minha infância e que produz os melhores bolinhos do mundo: os melindres!
Só se vendem lá (pelo que eu saiba) é são assim uma espécie de pão de ló muito levezinho com cobertura fininha de açúcar em pó. Uma delícia.
Várias tardes passei eu a caminho da Pastelaria e no regresso, eu e a minha prima T., cada uma com o seu pacotinho, que chegava a casa vazio.
E não é que a minha vizinha esteve lá este fim de semana e trouxe-me um pacotinho de melindres? Só para mim!
Já comi metade... ando aqui a controlar-me...
 
 
É verdade que na sua maioria os vizinhos são uns grandas chatos, mas no meu caso, até não!
E que bom que isso é!
 
(até ver... :))