12.10.12

O nómada


Conhecemos o Jo no Ibo em Novembro de 2010.
A última vez que contou, tinha chegado aos 100 países. Trabalha para os Médecins Sans Frontières (MSF) e 90% do seu tempo de trabalho é passado em África.
Trabalha 6 meses por ano, descansa um ano e meio. Ganha bem, muito bem, mas também quem é que se dispõe a trabalhar 3 meses no maior campo de refugiados do mundo  (450 mil) em Dadaab, na fronteira entre o Quénia e a Somália, responsável por um Hospital e 4 Centros de Saúde? Ele não é médico, é responsável pela logística: poços, latrinas, estradas, sistemas de electricidade e esgotos, painéis solares, bombas de água, transportes, etc...
O Jo (Joel) é suiço e é o tipo de pessoa que se ficar no meio da selva consegue lá viver uns 7 anos e foi isso que fez quando viveu na Amazónia, no meio dos índios, a trabalhar como garimpeiro.
Entre os meses de trabalho nos MSF e as férias de ano e meio, viaja pela Europa, sempre no Verão/ Outono, com a sua mota a visitar os amigos que tem espalhados por aí.
No Inverno faz as malas e segue para um destino sempre tropical, ele odeia o frio. Há dois anos esteve no Ibo, no Inverno passado a trabalhar no Quénia e depois mais 2 meses no Congo e este ano, daqui a pouco, segue para um Atol chamado Rangiroa na Polinésia Francesa, para uns bons meses de descanso e mergulho (as fotos no Google são "dolorosas").
Não tem casa. Tem um barco em Genéve, no Lago, e uma cabana no sul de França no meio de um bosque. Não tem mulher ou filhos, tem os Pais e um irmão.
Tem uma conta no banco, mas não paga impostos.
É provavelmente o único nómada que eu conheço e esteve em nossa casa por uma semana. Agora já está de regresso a casa (Genéve) com a sua mota, de onde parte em Novembro para o Atol.
A próxima vez que vier a Lisboa, diz que vem de bicicleta.
E o herói dele é o James Bond.