conchas & cimento


Já não é a primeira vez, nem tão pouco será a última, está visto.
Muitas vezes acompanho a actividade major do meu Príncipe: remodelação & decoração de apartamentos em Lisboa.
Sendo que em 95% dos casos, as casas são no centro de Lisboa, muito por aqui à volta do Chiado, a sua estrutura de construção é toda pelo início dos anos 1900. Nessa altura não havia cimento, nem vigas de betão, eram antes os barrotes de madeira e a argamassa feita de pedras, terra e areia.
O cenário de uma obra em que se escarafuncha uma casa, destas características, até aos ossos, é dantesco. Há alturas em que julgamos não ser mais possível escarafunchar. Desta casa, onde tirei a foto, já sairam 23 camionetas de entulho - um Dante em versão trolha, eu disse.
E mais uma vez a surpresa acontece-me, quando uma vez por outra visito a obra, ou seja,  transporto-me para aquele lugar cheio de cabos de electricidade, betoneiras, canos de pvc, sacas de cimento, vigas, etc... (Eu não interfiro MESMO neste processo, não é a minha cena. A minha cena é mais escrever.)
Adoro quando encontro uma concha no chão, no meio do entulho ou escondida por trás de uma tubagem. A areia dessas paredes vinha da praia e as conchas vinham com ela.  
Acho tanta graça a isto.
No meio da cidade, há quase uma centena de anos, vivem conchas por dentro das paredes é só uma questão de as procurar e quem sabe ouvir o mar de então...

Comentários

Ó Ritinha, como eu gosto do teu blog e da tua escrita :-)

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