22.4.14

 
Há mágoas que se afogam numa Zara.
Outras há que se enterram numa Livraria.
E o melhor, é que eu gosto das duas formas de matar os ansejos da vida.

20.4.14

Páscoa

 
 
Sou tão coerente e justa de mim própria, que até quando chega uma efeméride, como a Páscoa, remeto-me precisamente às mesmas ideias, pensamentos e sensações.
Adoro a ideia e o significado da Páscoa - "Passagem", e adoro recordar uma Páscoa passada em Arouca. Entre cameleiras e pão de ló, estive em casa dos meus Tios, com a minha prima, sempre meio à solta, meio selvagens, e com a minha melancólica imaginação pouco própria a uma miúda tão pequena.
Tanto é assim, que quando pensei em escrever sobre esta "Passagem", confirmei que da última vez que o tinha feito, foi antes de partir para Moçambique. Uma enorme passagem na minha vida.
E agora, quarto anos depois, estou novamente em "trânsito".
Ultrapassar uma separação, o fim de uma relação, um divórcio, é sem dúvida uma caminhada, uma passagem. Mas acredito já ter cumprido o pior troço do caminho. Estou tão certa e inteira dessa certeza, que por isso quero novamente celebrar esta minha Páscoa.
E como parece que quando nos ligamos às ideias e às metafísicas das coisas, elas sem saber como nos vão caindo no colo, tropecei nos desejos de Boa Páscoa de uma querida amiga, com idade para ser quase minha Avô, professora de Filosofia, uma mulher com quem tive (mais uma vez) o prazer de trabalhar, inteligentíssima, cultíssima, doente de artrite reumatóide, um mulherão de armas, cheia de energia, positiva até aos ossos, crente e cheia de fé; diz ela:  
Páscoa é Passagem, Libertação, RENOVAÇÃO. Por isso, desejo a todos uma Páscoa Feliz, ou seja, na Esperança Renovada de uma vida liberta de todas as escravidões, procurando, em coerência, uma Pessach (passagem) que possibilite o surgir de uma humanidade renovada e mais feliz.
Nada é mais honestamente libertador do que uma vida vivida em pleno, em ligação com os outros e com o nosso corpo. Sincera, sem metáforas, adjectivos ou farsas.
Quem se renova todos os dias é porque é verdadeiramente inteiro.
E eu sou uma mulher cheia de sorte porque sou inteiramente genuína e condizente comigo, com o meu caminho e com a minha passagem.
Todos os dias.
 

19.4.14

 
Quando duas amigas, mães e mulheres criativas se juntam, há uma data de coisas que saltam!
Salta um bolo de iogurte delicioso e montes de ideias. E vontade de fazer, de arregaçar mangas, de experimentar, de arriscar, de ajudar e no final de tudo de nos divertirmos.
Para breve, conto tudo! 

16.4.14

Que eu morra já esta noite...


... Se a MELHOR sensação da vida de uma Mãe não é ir espreitar o filho a dormir, antes de se deitar. 
Que coisa maravilhosa! 
E vê-lo de manha, doido de contente, à minha espera para lhe dar os bons dias?
(vou agora passar a esfregona por causa da baba)
Bons sonhos! 


15.4.14

CATRAPUMMMM...!


 
e está aqui o meu concentrado de energia e "positive thinking" para enfrentar a semana-que-se-quer-não-merdosa-mas-sim-cheia-de-cenas-positivas!
é 3ªfeira, viva!

14.4.14

the dog days are over

 
Isto hoje não vai ser bonito. Aviso já.
E, como de costume, vai sair tudo de rajada, sem rascunhos nem exercícios de estilo, linguística ou semântica.
Há dias de merda. Que normalmente são o resultado de muita merda acumulada.
Há três semanas que estou com o M. sem um único descanso de fim de semana.
Hoje de manhã, quando o fui deixar à creche (esse pedaço de céu que existe na terra, para todas essas Mães e Pais deste mundo, quando chega à 2ªfeira), batemos com o nariz na porta e viemos recambiados para casa. Começou com uma conjuntivite no fim de semana; é altamente contagioso, pois. Na escola não pode ficar.
Tudo bem, tudo se arranja e tudo passa.
De regresso a casa, tenho o meu segundo filho (o Flash) a pedir-me o seu grande momento do dia - o primeiro passeio da manhã! Ora, no meu malabarismo apurado, lá meto trela numa mão, pego no carrinho com a outra e partimos os três para o jardim.
Apanho cocós, falo ao telemóvel, troco sms, ponho a chucha, tiro a chucha, dou água, grito com o cão, sossego o M., esqueço-me se cheguei a estar sentada um minuto.
Como tive de ir a Lisboa, entrou o meu reforço (a minha Mãe). 
Mas antes disso, e ainda a sós com o M., mandei uma cabeçada brutal e andei aos berros pela casa, com o M. ao meu colo, a dizer todas as asneiras, ao mesmo tempo que gritava: "eu não posso partir a cabeça!".
Ainda com o M. ao colo, que hoje chorou e fez mais birras do que nos últimos 6 meses, fui ao congelador buscar um saco de ervilhas.
Sentei-me, sempre com ele ao colo (a cabeçada foi com ele ao colo e nunca o larguei, nem o meu corpo parece permitir tal coisa, mesmo se estivesse a pisar brasas), e com o saco de ervilhas na cabeça. Ele, riu-se, claro. E eu também.
Estou há uma semana a acordar todas as noites de 2/2 horas - estão-lhe a nascer os caninos.  
Estou de tal maneira cansada, que todos os dias esqueço-me de onde deixo o carro.
É sempre divertido quando quero sair de manhã e fazer-me de detective dos meus próprios passos.
Noites terríveis de dentes e ben-u-rons são demolidoras de qualquer dia.
Ando a cozinhar sopas, peixe, carne, massas, batata, arroz, fruta como uma louca, de tal maneira que ando a pensar ensinar o Flash a desligar a Bimby.
Ainda tento trabalhar, produzir o que seja, socializar, escrever ou mesmo ler qualquer coisa, mas com três fins de semana em modo "super-Mãe" não há clubes de leitura, manicure ou sono de beleza que ajude.
Recebo, também hoje, a confirmação de que não posso participar num concurso de escrita infantil, com novos contos, por já ter publicado, em 2009, o conto do Princípe Igor com a Porto Editora. Ou seja, há 5 anos publiquei UM conto numa colectânea de contos, e só por essa estúpida fatalidade e idiota iniciativa da minha parte, em querer dar-me a conhecer ao mundo das letras, a troco de zero, estou condenada a não ser coisa nenhuma.
Mas a frustração não fica por aqui.
Ando cheia de encontros e desencontros, numa baralhada emocional pegada, um novelo todo complicado que, apesar de não me ter levado a lado nenhum, cansou-me e desgastou-me. 
Lidar com tristeza e com raiva ao mesmo tempo, é coisa que me consome e com a qual sempre tive imensa dificuldade em fazer.
Se por lado, a tristeza é para mim tal e qual como para o Vinicius de Morais, ou seja, "tristeza não tem fim, felicidade sim" , por outro, a raiva é coisa com a qual eu não nasci munida de. Não venho com isso. Não está cá dentro. 
Tenho imensa dificuldade em zangar-me, é um tormento. Eu não me zango, e isso deixa-me tão zangada que eu não sei como é que me posso zangar. E assim, como seria de se esperar, quando me zango, ou tento, é um bocado mau. É tão mau.
Durante esta última semana, calhou a uma pobre rapariga da ZON ligar cá para casa para me impingir tretas de telemóveis e o caneco - levou com uma resposta minha que ainda hoje deve estar em casa a chorar.
É um inferno.
Bom, e ainda hoje, para terminar o dia.
Estou a dar o jantar ao M. e reparo que a conjuntivite está a ficar cada vez pior, os olhos inflamados, duas bolas amarelas nos cantos, ele queixa-se dos dentes, por ter de mastigar o arroz, e começa aos guinchos agarrado à boca, a Bimby começa a apitar e a massa, para o almoço de amanhã, vai cozendo até ficar uma papa nojenta.
E nesse segundo tenho dois fios de lágrimas a escorrer pela cara abaixo, enquanto ainda tento enfiar colheres de sopa e fruta na boca do M.
Acabo a fruta, preparo o banho. As lágrimas continuam. Eu continuo. Arrumo e limpo a merda em que a cozinha ficou, meto-o na banheira, ele chora, quer meter tudo lá para dentro. Ele irrita-se e começa a bater com os braços e a deitar a água toda cá para fora. Nunca chora para sair do banho. Hoje chorou.
Vesti-o, meti-lhe um ben-u-ron, limpei-lhe os olhos e pûs pomada. Deitei-o e fui limpar a merda em que ficou a casa de banho.
Tomei uma dupla de ibuprofeno e paracetamol, abri um pacote de bolachas, jantei duas empadas com umas fatias de queijo falmengo e sentei-me a escrever.
Agora, assim como estou.
Cansada, exausta, triste, meio-zangada, uma merda com um pacote de bolachas no fim. 
Mas há duas coisas maravilhosas no final de tudo isto; uma é que amanhã é outro dia e a outra é que este fim de semana vou estar só comigo.
Ler todos os livros que se acumulam na mesinha cabeceira, dormir, escrever, começar o dia sem planos, nem ideia de como e onde vai acabar (adoro a leveza dos dias não pensados), retomar-me e reencontrar-me.
Amanha é o primeiro dia desta certeza.
Hoje foi o último dia merdoso para que amanhã comece tudo de novo.
 
até amanhã!
 
 

10.4.14

A equação existencial


 
Sempre tive a sorte de, enquanto estando a trabalhar, cruzar-me com pessoas maravilhosas e sempre interessantes. Também há gente idiota e chata, é certo, ou então sou eu que vejo sempre coisas boas em todo o lado.
Mas optimismos e canduras à parte, muitos desses contactos profissionais resultaram numa amizade simples e honesta.
Como a Clara.
Faz hoje uma semana que jantei em casa da Clara, com a Joana e a gata dormitante. Conhecemo-nos há 10 anos, em 2004 numa viagem a Roma, sobre demência e Alzheimer, ela como jornalista da Visão, eu como relações públicas da Pfizer.
Desde então, e apesar do nosso "generation gap", sempre nos fomos mantendo ligadas. Primeiro há todo um lado místico da Clara que eu adoro (claro), falamos de signos (somos as duas Leão) astros, comportamentos e energias; e depois a Clara, além de jornalista, também é psicóloga - temos um festim de conversas, filosofias, teorias, de inquietações e incertezas. Tudo muito intenso e denso. E talvez seja por isso que nos encontramos muito esporadicamente; digamos que quando estamos juntas, pomos as as mesas todas a mexer!
Neste nosso último encontro, a  Clara falou-me da "equação existencial" que não é nada mais, nada menos do que a genética comportamental de cada um que só se "resolve", e só se encerra, no momento em que morremos (sim, também falamos da morte como quem troca receitas de bacalhau com coentros). 
Conhecendo cada um a sua equação e dos "números" que a compõem, temos à partida uma vida mais facilitada para quem vive cheio de pontos de interrogação a toda a hora, como eu. A equação existencial é daquilo que somos feitos, da existência que nos distingue dos outros e nos torna únicos e imperfeitos.
O tema da (im)perfeição não é novidade neste boteco, é-me "caro" e gosto sempre de o relembrar.
E com a Clara, demos a volta a estes assuntos e fechamos a noite com certezas nenhumas de nada.
O costume.
 

7.4.14

5 anos

 
Faz hoje cinco anos que comecei a preencher este arquivo de palavras minhas.
Antes disto já o fazia, escrevendo textos na máquina da minha Mãe, coisas cheias de densidade, confusas até para uma miúda que naquela idade devia estar mais preocupada com outras coisas.
Entre a internet e a máquina de escrever, estive muito tempo "calada" - engolia-me de palavras e de pensamentos, sem saber como os deitar para fora.
Afinal, tudo isto, e tudo o que sou, é simplesmente porque preciso de escrever.
Deve ser a mesma coisa para quem goste de pintar, desenhar ou cantar... preciso de me verbalizar em sílabas, como se escrevendo estivesse ao mesmo tempo a nascer em papel químico e a ouvir a minha voz.
Isto visto assim de longe até parece uma coisa digna e bonita - gratificante, até.
Mas é um horror.
Para ninguém deve ser tão difícil escrever como para quem escreve. Chega a ser um suplício.
E o pior é que as vozes têm vontade própria e exigem-me ditados autênticos (já trabalhei com a Associação de Esquizofrenia, por isso não vos apoquentais que eu não sou nenhum caso clínico). Ou seja, escrevo rios de coisas minhas, despejo-me toda para o fundo branco (do papel ou do ecrã) porque só assim acalmo estas tiranas (das vozes).
À boleia da escrita, passaram-se cinco anos da minha vida, tendo escrito este "Diário" em seis casas diferentes.
E à boleia desta frase absolutamente inquietante do Padre António Vieira, que me persegue há anos - "Só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos" - pûs-me então a ver o que andei a fazer...
 
Formação, tirar cursos de Escrita, voltar à Faculdade para estudar Filosofia, dar aulas, voltar à Escola para ter aulas de Ballet, fazer voluntariado, escrever contos e romances, publicar contos, participar e criar negócios a partir de ideias simples e giras (Saldanha Press, Ideias com Causa, Cozinha com Alma, Lifestories), ler e escrever para crianças, estar com animais, ajudar, sonhar com todas as letras, emigrar para Moçambique, voltar para Lisboa, nunca desistir de ser Mãe, nunca aceitar a derrota e ganhar distintamente um processo de Tribunal do Trabalho que durou 6 anos, ter (finalmente) uma ruína no Alentejo, ser afinal Mãe, saber aceitar o final de um casamento, do sonho e da ruína no Alentejo, fazer terapia sem ser um tabu, regressar a Cascais, dizer que gosto de coisas melancólicas sem ter vergonha, nunca deixar de acreditar no amor, assumir a minha alma e estar sempre a ouvir música enquanto escrevo.
 
Acho que não andei aqui apenas a durar... (faço-me tantas vezes esta pergunta, que imagino o Padre António Vieira a dar-me festinhas na cabeça e a dizer ao mesmo tempo: "coitadita")
 
E o que é comum a tudo isto, e aos cinco anos de palavras e desabafos, é que chutei sempre o medo para fora: o medo de dizer o que penso e do que outros possam pensar sobre mim.
Estou-me a cagar. Literalmente.
 
Só está comigo quem quer.
E é para esses meus queridos leitores e seguidores que vai a minha última palavra.
Também gosto muito de vocês.
até já!
 
        
 
 
 


power women

 

 
Umas das (imensas) novidades do ano 2014, é a de que faço parte de um clube de leitura, o "Déjà Lu - book club".
Tudo se passa em Cascais, é só mulherio e é óptimo!
Este mês houve a segunda sessão do ano, para a qual tinhamos de discutir / ler autores indianos.
Três coisas não faltam nestes encontros: livros (pois), comida e vinho.
Para esta última sessão, fomos buscar comida indiana e tudo levou um aroma a chamuça e a arroz basmati!
Claro que embrulhada nos livros, há a conversa típica de mulheres - confusa, sem nexo, deliciosa.
E novos elementos (sempre femininos) vão-se juntando.
Eu que sou dada às místicas da vida, acho que nada, ou quase nada, nos acontece por acaso - excepto tsunamis e tal, mas os nossos tropeços são quase sempre resultado de um devir de comportamentos, movimentos e decisões.

A história começa assim:
Quanto tinha uns 13 anos fui com a minha Mãe ao cabeleireiro. Havia um casamento nesse fim de semana, e eu lá ia alisar a trunfa de cabelo que tinha.
A certa altura, no meio daquela movimentação típica, entra uma "senhora" (teria uns 20 e tal anos) que eu reconheci logo como sendo a actriz Leonor Silveira.
Além de ser aqui de Cascais, era (e ainda é) amiga dos meus primos mais velhos e por isso sabia bem que era. Lindíssima, cativante e misteriosa.
Também tinha um casamento e vinha pentear o cabelo. Fez um apanhado. Ficou ainda mais bonita.
E eu, a partir desse dia, jurei a mim própria que quando um dia tivesse idade e autoridade suficiente para mandar nos meus penteados, haveria de apanhar o cabelo.
E assim foi e continua a ser.
Quem me conhece sabe bem dos meus apanhados, de pescoço e ombros nus. Adoro.
Nunca mais vi a Leonor Silveira, até ela entrar pela sala do clube de leitura, sentar-se no sofá com uma pilha de livros indianos e aguarda-se pela vez de falar.
Não me contive. Quando chegou a parte das apresentações, eu disse quem era e contei-lhe a história do apanhado.
Foi um momento todo emotivo! A Leonor ficou sensibilizada e eu corei :)
Depois, num tom de voz tão intenso como ela, leu uma belíssima passagem de um dos livros que tinha levado, e que me deixou com imensa vontade de ler, "Carruagem para Mulheres" de Anita Nair.
(Sinopse by wook: Akhila é uma mulher de quarente e cinco anos, solteira, empregada nas Finanças, a quem nunca foi permitido viver a sua própria vida; foi sempre a filha, a irmã, a tia, o sustento. Até ao dia em que compra um bilhete de ida para a cidade de Kanyakumari, à beira-mar, heroicamente só pela primeira vez na vida e decidida a libertar-se de tudo o que lhe foi imposto. Na atmosfera íntima da carruagem para mulheres, Akhila penetra nos momentos ,mais privados das suas vidas, procurando neles a solução para a pergunta que a acompanha desde sempre : poderá uma mulher ficar solteira e ser feliz, ou será que precisa de um homem para se sentir completa?)
 
"Sou uma vela sem pavio. Sou aquilo que as mães dos recém-nascidos e as noivas receiam. Sou aquela contra quem elas previnem com uma mancha negra na face esquerda da sua filha. Sou a razão que turva os olhos de um pai. Faço com que as irmãs mais novam receiem que eu faça parar as vidas delas. Faço chorar as mães. Encho os recantos de uma casa com a minha presença e faço cair os seus telhados com a minha mágoa por consolar.
 
Sou a quem tem os dentes compridos. Sou os vestígios frios no fundo de uma chávena. Sou a mercadoria que ninguém quer. Sou a lata por usar na prateleira do fundo.
 
Faço azedar o leite com o meu hálito. Posso transformar em cinzas tudo o que é verde e fecundo. Os charcos secam quando eu os piso. A terra estremece com o meu suspiro. As nuvens de chuva dissipam-se quando eu poiso nelas o meu olhar. Os bebés choram quando lhes passo um dedo pelas sobrancelhas. Não sangro, em vez disso, armazeno em mim os esporos de um milhão de ódios.
Sou o pesadelo que faz acordar as jovens esposas. Sou o restolho de saias que todas as mulheres receiam. Sou uma praga. Sou a sombra do mal. Sou o ogre que entope os poços de genes e devora os maridos.
 
Levo às costas todos o medos, todos os suspiros negros e todos os pensamentos atormentados que atravessam o espírito humano. A minha pele é opaca. Os meus olhos são espelhos pintados. A minha voz está impregnada pelo fedor corrosivo da amargura. O meu odor é o da naftalina. O meu nome, quando é pronunciado, soa a derrota."  


(é excusado confessar que a pergunta da Akhila é a que nós vamos fazendo, de vez em quando, ou mais de quando em vez, nas sessões deste Clube de feministas em catarse!)