30.5.12

Flash aux jacarandá



Por estes dias, Lisboa pinta-se de jacarandá.
A explosão de púrpura pelos ares, faz cair no chão as flores que tingem a calçada de cor e textura.
Na verde relva, o negro Flash refresca-se de roxo.
Gosto destes passeios ao final da tarde. Encontrámos mais um local de encontro de amigos de 4 patas, mesmo junto ao Museu de Arte Antiga. A alegria canina nestes encontros é contagiante!
O Flash adora chegar a casa e deixar-se ficar à janela, libertando o calor do dia.
Gosto do calor a perdurar pela noite, em que se deixa a janela da varanda aberta e a casa se enche de uma ténue corrente de ar.
E o Bairro já cheira a Santos. A sardinha assada já penetra no ar, música, gente na rua, andorinhas em chilreio, e os jacarandás a florir.

Nota: estou a ler as "Memórias Secretas da Rainha D. Amélia" e foi ela que mandou plantar muitos dos jacarandás que temos em Lisboa. É sempre um acto de enorme generosidade plantar uma árvore da qual se deixa aos outros a sua contemplação.




27.5.12

32.000

Que bonito chegar a este belo número de visitantes/ leitores/ curiosos.
Trinta e dois mil.
E para celebrar, algo que não tem nada a ver:

Aqui está o meu cão preferido dos desenhos animados, o Mutley das Wacky Races, com o seu riso muito característico. O dono, o Dick Dastardly, é mau como as cobras e passa as corridas a tentar sabotar os carros dos outros. O Mutley diverte-se a sabotar a sabotagem do dono.
É um cão fiel, portanto.
Ri-se com um género de tosse do canil e irrita-se com uns grunhidos ainda mais divertidos.
Às vezes quando me irrito, sou como o Mutley. Pronto.
Ando um bocadinho em falta com os conteúdos aqui para este estaminé, eu sei.
Prometo recompensar com conduto de qualidade, para breve.

24.5.12


Pronto. Acabou-se.
Esteve-se assim, uma canseira.
É que agora, eu sou esquisita, feita bicho-da-praia que não gosta de pessoa/gente/humano ao perto. Nem ao longe. Foram paisagens africanas em território Ibérico. Ao fundo, pelo menos, se nadarmos muito, chegamos ao Magrebe.
O Flash entrou e saiu da água 851 vezes; já nos fomos certificar se está vivo, dado o fio de baba que lhe escorre, e o seu estado relativamente imóvel, desde que chegamos a Lisboa. Está vivo, confirma.
Já percebi que na minha ausência, pouca coisa perdi: o José Castelo Branco vestido de gaja nos Globos de Ouro e no fundo foi tudo.
O Euro2012 está a chegar, o calor também. Tuga que é tuga já se está nas tintas para a crise. Venha mazé o pires dos caracóis e a jola.
O resto logo se vê.
Sea lo que sea, como dizem os outros.

16.5.12

Aviso

O Bolo de Arroz vai esta semana a banhos, que com este calor não se aguenta.
E agora dizem vocês: Não se aguenta? E em Moçambique, o calor não era pior?
E agora eu digo: Não. Este calor seco, que faz das ruas de Lisboa uma espécie de Rabat, deixa-me de rastos. A humidade sempre me garante um mínimo de sobrevivência.

Ora, faz um ano que eu não meto os pés na praia, isto é, a última vez que o fiz foi em Moçambique. Vai daí, resolvi fazer o levantamento do stock do merchandising a que a praia obriga.
As minhas gavetas explodem de capulanas e de cores africanas, ainda com cheirinho a sal, os meus protectores estão com bom aspecto e os fatos de banho sobreviveram ao Verão africano.

Dizem que vai ficar mais fresco, é verdade. Mas eu estou como as velhas que dizem que não aguentam o calor, eu efectivamente não aguento este calor.
O calor empapa o espírito, o fresco faz bem à má circulação.

Sendo assim, vou ali e já venho.
Até já.

P.s - o Flashómetro também vai e eu que estou doidinha para vê-lo, feito cão feliz, a correr na praia. a última vez que ele furou as ondas já foi há 2 anos. uma eternidade. tal como nas velhas, a ver se não lhe dá um fanico com a alegria do areal e do mar!

14.5.12

Omeletes sem ovos


Há dias, disse o nosso PM: "Estar desempregado não pode ser um sinal negativo". Tem de "representar também uma oportunidade".
E pronto. Levantaram-se as vozes, como se convém. Estaria a ofender quem passa fome, quem não tem por onde se virar, quem se vê entre a espada e a parede.

Nunca tanto se falou em se ser empreendedor. E quando se fala, é para se atirar ovos podres. Mas é preciso fazer omeletes, ou seja, é preciso sair desta, senão a malta não se safa. Mas onde estão os ovos (sem ser podres), afinal?
Pus-me a pensar. Parece-me lógico o que o PM diz, mas também concordo com aqueles que se vêem num beco sem qualquer saída, em situação de desespero. Onde está a final a culpa?
A resposta não é na política. Não senhores. A resposta li eu há uns dias:
Não se nasce empreendedor. Aprende-se.

Bingo!
E contra mim falo: a mim nunca ninguém me ensinou a criar o meu próprio emprego, à minha geração ensinava-se a fazer o curriculum. Ponto. Ninguém pegava na cabecinha e se punha a pensar. Os ovos, afinal, estão aqui. A resposta é na formação, pensei, na escola, nos primeiros tempos de vida de uma criança em idade escolar e por aí fora.
Foi então que tomei conhecimento de uma Associação chamada “Junior Achievement “ (saber mais aqui) que desde 1920, eu repito 1920, ou seja há quase 100 anos, ensina miúdos dos 6 aos 18 a ser empreendedores (uma organização não política, não governamental ok? não é o Estado que tem de encontrar soluções, são as pessoas que têm de começar a pensar em respostas adequadas aos tempos que se passam, certo?).

Esta Associação sem fins lucrativos ensina-os, dá-lhes as ferramentas necessárias para os pôr a pensar, a encontrar soluções, a preparar apresentações, a expor as suas ideias. A este rectângulo de vida quase milenar, chegou em 2012 pela primeira vez a Junior Achievement (pela mão da Sonae) a colocar desafios aos miúdos do Norte do País. Depois há uma final em Bruxelas, onde serão apresentadas as melhores ideias a nível europeu.
Isto não é de nenhum Governo, nem de nenhum PM. Isto é do senso comum. E a declaração do Coelho foi um desabafo, um pensamento do senso comum. Assim o penso.

Quantas e quantas empresas portuguesas, tradicionais, familiares, maduras, se vêem aflitas com a falta de ferramentas, porque não sabem nem nunca ninguém lhes ensinou a inovar, a ir buscar novos clientes, a pensar numa nova vertente do negócio, a agir em comunidade, a dar asas à criatividade.
Podem os EUA ter muitas coisas erradas, mas outras tantas fazem-nas muito bem feitas. Toda a minha formação profissional foi adquirida numa empresa 100% americana, que na sua génese nada tinha a ver com a gestão feita em Portugal. Eu gostava daquele método de trabalho e postura americana, eu não me identificava com a forma aportuguesada com que as coisas eram feitas cá.
É verdade que fui despedida. Mas hoje, passados 6 anos, e tendo-me estabelecido como free lancer, em tudo o que faço, em toda a minha maneira de trabalhar, é a escola americana que está presente. Os americanos fazem bem feito e pensam nas coisas. Só não sabem improvisar e é aí que está a arte em se ser português no mundo empresarial. Somos excelentes improvisadores. Juntar as competências técnicas e ferramentas de trabalho com o improviso que nos é característico, parece-me ser a receita ideal para o empreendedorismo. Essa palavra que as pessoas urram e acham ser uma ofensa.

Ofensa é continuar a pensar que o Estado tem de dar emprego às pessoas e a pôr o pão na mesa. Estamos, como sempre, a viver utopias e a discutir ideais e a perder tempo com a política. Às vezes acho que somos um povo de tolinhos, a viver sonhos de casas de férias no Algarve e monovolumes lustrosos, mas sempre à espera que o Estado resolva as tais coisinhas da vida.  
O pensamento de que o importante é o povo não morrer à fome e ter direito a uma casinha com retrete e um quintalzinho com uma horta é do passado, senhores. Já chega disso. A ideia de que o povo merece tudo, porque tudo é do povo, é de 1974 quando em Londres, o telejornal da BBC, abre com uma reportagem sobre Portugal que nos intitula de "O Manicómio Europeu". Já passaram 38 anos. E continuamos a parecer maluquinhos.
A política é, para mim, cada vez mais um exercício de retórica, retrogrado e obsoleto. O português adora uma boa estrofe assim como uma boa retórica; até o Papa João Paulo II quando cá esteve em Fátima, em 1982, fez um discurso de 45 minutos, coisa nunca vista em lado nenhum.
Só dependemos de nós próprios, não é do PM, nem do Governo. A culpa é de todos. Porque no Governo estão pessoas, não animais de duas cabeças. São pessoazinhas em quem o povo votou, não são ovnis.
A solução para uma empresa quando entra em colapso não é a organização de uma campanha, com sondagens e votos, é a criação de massa crítica, de soluções, é a criatividade e a originalidade. A omelete precisa de ovos, não te votos. 
Gostava um dia de fundar um movimento a-político, em que as pessoas formariam grupos de trabalho, os tão americanos “Think Tanks” (aprendi tanto com isto, nos idos anos de vida corporativa americanizada): são verdadeiras oficinas de ideias, pesquisas, pensamentos, soluções concretas para coisas concretas. Sem discursos, nem eleições.
Correndo o risco de ser vaiada, o meu Bolo de Arroz ser vandalizado com grafittis e tags, só quero que fique bem claro que: adoro o meu País, acredito que podemos sair desta crise e tenho imensa esperança nesta nova geração, pois acho mesmo que a melhor coisinha que nos poderia ter acontecido foi precisamente uma crise.



13.5.12

Quem disse que os estendais são uns chatos?

aqui tinha falado da minha observação sempre curiosa aos estendais da cidade.
Acho que muitas histórias se podem pendurar por lá...
Hoje, no meu estendal, tive direito a uma joaninha bastante à vontade em frente à camara e no da vizinha do lado, bendita senhora que resolveu fazer uma máquina de peluches, tive uma festa com um canguru, uma vaca e um porco (há lá mais um que eu não percebo o que é, mas parece-me uma galinha?)!
Já sabem, caros leitores, no dia em que fizerem uma máquina de peluches toca a enviar fotos dessa loucura estendida para este Bolo de Arroz.


9.5.12

As grandes questões universais

Porque é que sempre quando desfiamos bacalhau, ou qualquer coisa do género que nos imunda as mãos, dá-me comichão no nariz ou muita vontade de coçar a cara, e pareço um símio a esfregar-me loucamente no ombro.
São para estas questões que o Universo deveria encontrar uma resposta.

7.5.12

Depois dos gatos...



Ei-los!
Os Gnocchi da Elisa (aqui, ainda em cru) foram cozinhados ao momento e feitos com molho de tomate, manjericão e queijo parmesão!
E mais ainda o pecorino, o salame, a carne brasato com salada de rúcula rematando no final com um crumble de maçã e chocolates gianduiotti.
Isto tudo bem acompanhado por vinho tinto do Douro.
Uma conversa animada, a vista sobre a Ponte e o Cristo Rei, o Tabu e o Ulisses sempre de nossa roda.
Um jantar delicioso, com histórias maravilhosas e tudo por causa de dois gatos.
Há coisas giras que nos acontecem na vida, acho que muitas vezes só temos de nos "pôr a jeito" para elas se sucederem.

5.5.12

ando eu pelo Bairro do Amor...


Gosto disto. Gosto mesmo disto.

A Nina a cheirar-me o casaco, o chão de pedra velha e bonita, a conversa do parapeito da janela para o hall do prédio.
Passo os dias na rua a falar com pessoas, a meter conversa, a ouvir histórias, a ver olhos cheios de lágrimas, a subir escadas de prédios esquecidos.
Gosto disto e tenho tanta sorte.
Passo os dias a ouvir a vida dos outros. Dos outros que ninguém conhece.

A Maria João e eu já passamos por testemunhas de Jeová, já carregamos as couves do Sr. António pelas Escadinhas da Bica e assim vamos andando Rua de São Paulo acima e abaixo.
Não sabemos se somos nós ou se são os outros que tanto precisam de contar o seu "era uma vez...", pois por estes dias temos conhecido tantas realidades anónimas fascinantes.

Brevemente deixo aqui mais novidades de uma nova Lifestories!

3.5.12

4 dias e 2 gatos







No quinto andar do meu prédio, há uma janela sobre Lisboa cujo parapeito é de dois gatos.
O Tabu é todo preto e tem uns olhos verdes como dois berlindes luminosos. É muito curioso e cheira as minhas mãos com profundo interesse.
O Ulisses é um mini-tigre que só dá sinal de vida quando ouve a tigelinha a encher-se de croquetes Hills, observando-me de longe.
O Tabu é o gato-cão, o Ulisses é o gato-gato.
O Tabu esperava-me à porta e vinha-se sempre despedir de mim, falava comigo e logo no primeiro dia, quando não encontrava as tigelas da comida, ele "disse" onde estavam.
Seguia as minhas mãos, cheirava-as, olhava pela janela a ver a vista, olhava para o mundo.
O Ulisses nunca aparecia antes de ouvir o barulho dos croquetes a cair na tigela.
Nunca quis nada comigo, nem com as minhas mãos. E ontem, no meu último dia ao serviço, miava assim como quem suspira: estou cansado de estar sozinho e tenho saudades da minha dona.

Acho que ainda vou ter saudades deles.
Até lá, a ver se ainda me calham uns gnocchi!

2.5.12

Feira do Livro

Round 1...

língua oficial portuguesa sem o novo acordo ortográfico: 8

literatura estrangeira da boa traduzida: 3

1.5.12


Não.
Nós hoje não estivemos numa fila do Pingo Doce.
Estivemos aqui com a Primavera a dar 100% de vida: papoilas, mimosas, vaquinhas, memés e etc.
Mesmo o tipo de campanha que eu adoro!