25.11.09

Há 164 anos...

No dia 25 de Novembro de 1845 nascia José Maria Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, filho de mãe solteira adolescente de Viana do Castelo e de um magistrado de Ponte de Lima.
Esteve em planos de ir parar à "roda", acabando por ir para os cuidados de uma ama que o amamentava.
É baptizado em Vila do Conde, filho de pai conhecido e de mãe incógnita.
Os Pais acabam por casar, quando Eça já tinha 4 anos, regularizando a sua "situação", mas continua a viver em casa da ama em Vila do Conde.
A Mãe, Carolina Augusta, não o quis buscar, mesmo depois de ter legitimado o filho. Dizia-se ter feitio violento.
Quando Eça faz 5 anos a ama morre, passando a viver com os avós paternos em Verdemilho. Era um menino sozinho.
Tinha pais, meios irmãos, mas viveu e cresceu com os avós.
Acabou para ir para o Porto estudar e mesmo tendo lá os pais a viver, ficou em casa de uns Tios. A Universidade fê-la em Coimbra, tirando o curso de Direito.

Nunca quis que escrevessem a sua biografia, afirmando: "Um homem de letras que não escreve memórias tem realmente direito a que os outros lhas não escrevam."

Viveu em Havana, Inglaterra acabando por morrer em Paris, enquanto consûl de Portugal. Casou com Emília de Castro e teve 4 filhos.

O resto já se sabe. O maior escritor e romancista português, símbolo do realismo.
O meu herói da escrita.

Um filho indesejado, mais do que qualquer outra coisa. Nunca aceite pelos pais, uma Mãe que o marcou imenso, fisicamente fraco e pouco bonito e de uma vida interior recheada de diálogos e de descrições.

O que o sofrer nos faz a escrever.




21.11.09

A montra


Estava um final de dia carregado de sentimentos. Carregado de emoções.
Aguardou que uma chuva miudinha terminasse, que as nuvens dessem lugar a um frio que subitamente parecia elevar-se das pedras, do alcatrão, da terra.
A rua estava triste de gente, mas cheia de vida interior - montes de folhas amarelas amontoavam-se junto às árvores, reflexos de chuva pairavam no ar e toda aquela atmosfera fria encheu-a dessa vida.
Primeiro vestiu-se a rigor, como forma de enfrentar os elementos (galochas, corta-vento, cachecol), depois pegou na trela e no cão e juntos sairam. Os passos dela compassavam a caminhada determinada. Sempre lado a lado.
Depois de uma rua sozinha, veio-lhe esta imagem da melancolia. A montra daquela loja era a imagem do seu sonho, daquilo que a poderia encher sempre de vida. Veio-lhe à memória o som de um piano, de um adagio perfeito e sofrido, do cheiro da resina nas pontas das sapatilhas, do corpo que se molda ao longo dos braços e do pescoço nus.
Pensou para si, nesse mesmo dia, que nunca poderia morrer sem antes escrever uma última linha de palavras.
Mas o sonho, aquilo a que olhava como o mais perfeito de si, seria respirar a dança numa conjugação de música, movimento e sentimento.
Ficou a olhar para aquela montra durante uns segundos e depois voltou à caminhada. Tinha sido um dia carregado de sentimentos.

16.11.09

Pontos Fracos. #5 Coisas Doces

Nº 5 - É coisa para estar a meio da tabela.

Não percebo, mas o raio da fotografia dos macarrons fica abaixo do texto. As coisas doces não são um ponto fraco. São um ponto.

Tipo ponto pérola para fazer ovos moles, para depois rechear um belo pão-de-ló. Ou então para caramelizar umas amêndoas e fazer praliné, para o gelado ou simplesmente para comer tipo nougat.

Uns petit gateaux de chocolate calham bem com gelado de nata, mas também com uma calda de frutos vermelhos - vulgo coulis.
Os macarrons comem-se de todas as cores, até chegar a um arco-íris interior.

Se pudesse tinha sido veterinária, mas acho que mais depressa vou estudar alta pastelaria (como a Leonor do "Flagrante Delícia" - nos links lá em baixo) para uma alta escola. Aprender a subtileza de operar no açúcar e manipular chocolate.
Mas não pode ser.
Comia metade dos ingredientes, lambia as tigelas todas, metia os dedos dentro dos tachos ao lume a fazer banho-maria, queimava-me a trincar amêndoas torradas e a provar bolos a escaldar saídos do forno. Era uma desgraça.
Então, compro a Confeitaria Nacional (não está a venda, mas eu compro) e meto-me na cozinha a despachar eclaires de baunilha e bolinhos secos sortidos.

No meio da cozinha. No meio da fábrica do açúcar.

Perto de casa dos meus Pais havia uma fábrica de bolos. E nós, miúdos que andavam a tarde toda a brincar na rua, juntavamos os escudos para ir comprar "bolos partidos" - eram aqueles que tinham defeito, coitados. Eu tinha a permissão de entrar na cozinha e estar no meio de batedeiras gigantes.

O Faruca e o Piloto (dois cães rafeiros) guardavam a fábrica e eram nossos amigos - brincavam connosco!

Veterinária, definitivamente - não tenho vontade de comer o Faruca, mas já me estou a salivar pela memória do cheiro do saco dos bolos partidos.






13.11.09

Vida de personagens: José Ecfrásio

Fiz "nascer" o José Ecfrásio há mais de um ano e nunca mais o vi. Era um homem que vivia numa meia dúzia de linhas de uma biografia imaginária. Era um ribatejano com ares de louco, morreu na noite de passagem de ano do séc. 19 para o séc. 20 em Lisboa. Viveu em Salamanca. Tinha 30 e poucos anos.

Há alguns dias dei por mim a pensar nele. Tenho escrito a pensar no José Ecfrásio e agora até recebo comentários vindos de Salamanca.

As personagens nascem dentro de nós, mas depois têm vida própria. Seguem o seu caminho e a sua vida. Depois, quando entendem, voltam a nós. Mas é só de passagem, porque elas não são verdadeiramente nossas. Nunca foram.

Mas ele é parte de mim. Ele tem coisas minhas. Um sofrer escondido, uma obsessão, uma busca incessante pela moeda. Um cumprimento do seu dever. E depois o amor. O amor que o interrompe e o deixa perdido, afogado no meio do rio.

José Ecfrásio tinha em si, quando nasceu, uma missão, uma partícula divina que o distinguia dos outros. Tinha a mania da superstição e hoje é 6ªfeira-13, e eu escrevo sobre ele - só reparei nisso agora, a meio do texto.
Quando estava na barriga da Mãe houve trovoada e dizia-se que os bebés ficavam com os raios dentro deles. E por isso José Ecfrásio não podia tirar os pés do chão, para estar em ligação à terra. Só os tirou para mergulhar e ir ter com Eva. O seu único amor. Ele só teve um amor e morreu por ele.

Voltei a encontrá-lo. Voltei a encontrar-me.

9.11.09

modo: hibernar



Posso?

Era bom que houvesse um botão, tal como no computador, para entrar em modo "hibernar". Suspende-se a vida por uns instantes, volta-se daqui a pouco.

A força dos dias que chegam ao fim. E eu que os tento contrariar.


Fazíamos como os ursos. Durante umas semanas comia-se bem - hiberna-se com a barriga cheia! Procurávamos o local ideal: a caverna, o esconderijo, uma caminha fofa.

Depois era só clicar no botão.


Passam-se uns dias, semanas ou meses e regressasse ao modo normal. Até o ursos já perceberam que não é por estarem meses a dormir que muita coisa muda. Acordam no mesmo sítio e a paisagem apenas mudou as suas cores. A terra que pisam ainda é a mesma.

Já agora aproveito para dizer que sempre gostei de ursos pardos. É um animal que me fascina. É um gigante da natureza, vive no meio da floresta, sempre meio solitário, meio escondido dos outros animais. Devem hibernar porque também eles se cansam dos dias que chegam ao fim dos anos, sempre iguais.
Hibernam e voltam já a seguir, quem quiser que aguarde.


4.11.09

flash gordon strikes again....

Bom.
Olá!
A Rita disse-me que houve imensa gente que me escreveu (3 pessoas, ela fica logo toda contente).
Além disso, disse-me que eu devia contar como foi o meu dia de anos, porque se venho para aqui dizer mal dela e do Xano, então que não seja pobre e mal agradecido, etc... enfim.

Ontem parece que se fez juízo na cabecinha destes dois e tive finalmente aquilo que sempre sonhei.
Estive 2 horas e meia no Parque com quase TODOS os meus amigos: o Boris, a Mathilda, a Cuca, o Salvador, o Balzac, a Clotilde, a Preta e a Carlota, o Gaspar, a Lucky, a Safira e o Noopy, a Pepper, a Carlotinha, a Nala, o Gastão, o Tobias, a Brownie, a Nali, a Chocolate, a Missy e a Babá.

Não sei o que é que a Rita fez mas apareceram quase todos e melhor ainda foram os biscoitos e as bolas. Havia bolas de todas as cores, todos podiamos furar e rasgar as bolas, sujá-las e eu pude fazer xixi em cima das bolas e de umas coisas que havia de papel (ela diz-me que são serpentinas).
Comemos os biscoitos todos e a Rita trouxe ainda um creme que se punha por cima dos biscoitos que era óptimo.
Pude comer biscoitos ao mesmo tempo que corria atrás da Cuca e da Nali, até o Balzac veio comer biscoitos e a Preta não teve medo da Rita. Às vezes o Gastão amuava e roubava-nos a corda para um canto. A Nali parecia maluca a saltar para cima da Rita com a caixa dos biscoitos e a Carlotinha nunca quis brincar, só queria biscoitos.
Até apareceu um amigo novo, o Boris. Gosto dele, cheira bem e gosta de morder a Cuca, como eu. Às vezes estavamos todos ao mesmo tempo, mais a Chocolate e a Nali! (a Rita pediu-me para evitar estes comentários, diz que são poucos próprios... chata).

Deram-me bonecos novos, espectaculares, a cheirar a borracha.
A Rita diz que houve pessoas que perguntaram que festa era aquela, e se havia aquilo ali todos os dias. Claro que devia haver. Mas acho que foi só ontem...
Fui o último a vir embora para casa: eu e o Gastão, que ainda estava amuado.

Agora é assim, ou me fazem isto todos os dias então começo a amuar como o Gastão.
A Rita está ali a dizer-me que já chega. Quer vir para o computador trabalhar.
Eu acho que vou dormir um bocado até o Xano chegar, sempre ajuda a passar esta pasmaceira.

Obrigado mais uma vez e olhem pelos meus amigos lá fora.

2.11.09

O Flash faz um ano!

(por uma primeira vez no Bolo de Arroz, é o Flash quem escreve...)

Ora, bom dia.
Olá a todos! O meu nome é Flash, sei que a maioria das 5 pessoas que lê este Blog já me conhece, e hoje faço 1 ano.
Faço 1 ano e aproveito desde já a oportunidade para vos contar como foi este ano... este ano foi, como podem verificar na minha foto acima, um enorme aborrecimento.

Quando cá cheguei adorava fazer xixi em casa, roía os cestos da cozinha (que são bem bons), mordia coisas que cheiravam a Rita e a Xano (o meu dono - o alfa cá de casa!), enfim era giro.
Mas não teve graça nenhuma.
Depois quando comecei a sair à rua e a conhecer montes de coisas, tipo: árvores, outras pessoas, o vento, os carros, carrinhos com rodas, postes de electricidade, achei que finalmente os meus donos tinham percebido! Mas não. Afinal é só de vez em quando.

Neste momento tenho vários amigos e amigas, com quem falo todos os dias e todas as semanas, e com eles é exactamente o mesmo. Sair, dar uma volta e ir ao Parque estar um bocaco com os amigos e pronto! Voltamos para dentro de casa. Incrível, vocês já viram isto?

A Cuca, o Salvador, a Mathilda, a Nali, a Brownie, a Jackpot, o Baltazar, a Clotilde, a Bica, a Missy, o Balzac, o Pirolito, a Carlotinha, o Buda, a Ginja, o Gastão, o Gaspar, a "M", a Nala, o Snoopy, o Riky, a Estrelinha, o Tobias, a Chocolate, o Kite, a Safira, o Ketchup e até a Carlota, a Riba, a Mini, a Preta e a Pepper que são as mais velhas - todos dizem o mesmo! (tenho poucos amigos, já viram isto também?)
Um aborrecimento pegado.

Passo os dias neste sítio onde me vêem, enquando a Rita está à secretária.
Todos os dias saimos de carro, e eu adoro ir á janela de boca aberta - mas também não me deixam, dizem logo para me sentar: Flash, senta!
Agora gosto de fazer xixi em cima de todos os cheiros: sacos de plástico, caixas de electricidade, caixotes do lixo, caixas de cartão, aqueles placards dos restaurantes e das lojas com os menus e os jornais. Mas também não posso. Ficam furiosos: Flash, não!

E já agora que ainda tenho tempo, eu agora, sinceramente e não desfazendo, estou bonito e elegante e é um facto que as minhas amigas sentem bem a minha presença.
Eu tento ir sempre até elas, conhecê-las, combinar um café, uma ida ao Parque, gosto de as cheirar, enfim, faz parte do meu charme. Mas até nisso os meus donos ficam zangados: Flash, não puxa. Aqui!

Posso só dizer-vos que houve uma altura muito boa, em que os dois se lembraram de nos mudarmos para uma casa mais pequena e iamos todos os dias para a Praia.
Nadava no mar, fazia buracos e escavações na areia, corria atrás do pau e da bola, davam-me banho ao final do dia, dormia muitas horas.
Enfim. Isso sim, é o que nós queremos. Mas pouco tempo depois voltamos para esta casa. Acho que desistiram da ideia de morar lá. Eu adorei, sinceramente.

Bom. Vou andando. Espero que ajudem outros amigos meus por aí.
Porque isto assim, mais um ano, e é uma seca!
Obrigado.

P.s - (a Rita explicou que ainda posso acrescentar mais qualquer coisa e põem-se p.s.)
Um agradecimento especial à Rita e ao Xicá que moram num sítio que demoramos sempre mais um bocadinho a chegar de carro, mas que são um espéctaculo. Aquilo sim é que é gente de bem! Quando lá fico durmo no quarto deles, nunca me deixam sozinho em casa, faço o que quero, puxo todos atrás de mim e nunca se queixam, estou sempre a sair à rua, tenho um jardim só para mim, dão-me chocapic ao pequeno-almoço, enfim, um luxo.