24.9.09

Saudade






Para começar este texto temos de primeiro pôr de lado aquilo que eu não quero que se confunda com a minha "saudade".
Não é saudosismo. Não é a dor da ausência (física e mental). Não é o: "Ó tempo volta para trás!", não é o fado da saudade.
A minha saudade, agora, é das coisas que eu sei que existem, fisica e mentalmente. Que eu sei estão lá, mas que por alguma razão estão longe de mim e é-me difícil chegar a elas.

Por exemplo: as minhas saudades do Douro. O Douro está lá. Eu posso pegar no carro e ao fim de 4 horas estou na Régua. Ele existe e isso traz-me saudades.
Ontem matei as minhas saudades da escrita. Ela é-me acessível. Posso pegar num caderno e escrever. Mas foi ontem entre tanta cumplicidade e amizade que eu matei as minhas saudades.
Tinha saudades daquela escrita. Partilhada e sentida, entre mãos e entre papel.

Agora tenho tido saudades. Muitas. Porque quando nem as palavras nos chegam, nem mesmo escritas, tudo se torna mais longe. E isso deixou-me a pensar. Antigamente é que as saudades existiam no seu pleno direito. Quando não existem telemóveis, nem e-mails, quando não havia telefone e um telegrama demorava dias a chegar. Quando nesse tempo alguém dizia: "tenho saudades tuas". Tinha mesmo! Não era só a ausência da pessoa, o estar longe. Era não haver forma de a conceber na imaginação, porque a voz e a palavra não chegavam.

Existem então as imagens, as fotografias. E então uma pessoa agarrava-se a uma imagem. Então, pensei eu outra vez, e no tempo em que não havia fotografias? Essas pessoas tinham saudades. Mesmo.
Dizem que o mundo é a tal aldeia global e com a comunicação abolimos fronteiras e as distâncias se encurtam. Acabaram foi com a saudade.
O novo mundo suprimiu as saudades. Reduziu-as a um estatuto tão inferior, que as tornou ridículas.
É ridículo hoje sentir saudades de alguém, porque esse alguém está sempre ali (telemóveis, emails, blogs, facebooks, twitters, etc...).

Mas eu sinto-me muito ridícula, porque estou cheia de saudades. Daquelas a sério, à século passado.

19.9.09

Pontos Fracos. #4 Sacos (o roubo!)

Mais uma fraqueza que é irmã de uma outra que ainda virá nesta lista. A das papelarias e do material de escritório.

Sacos. Sacos em papel, mas também em plástico (com qualidade e dependendo da pega).
Mas têm de ter aquela coisa que faz do saco, um saco que vale a pena ser guardado.
Eu guardo os sacos de uma forma pouco saudável, tal como aquelas pessoas que aproveitam o papel dos embrulhos no Natal; descolam cuidadosamente os bocados de fita cola, retiram os vincos do papel e dobram tudo muito bem e ainda aproveitam a fita do embrulho. Isso não é normal.

Ora eu também sou assim com os sacos. Dobro tudo respeitando os vincos originais, procuro não amarrotá-los e vou enchendo um saco grande com montes de sacos lá dentro. E reutilizo-os? A grande maioria não. Tenho sacos guardados há anos. 6 ou 7 anos é a idade normal de um saco meu. E o que faço eu com eles? Colecciono-os. Guardo-os como se fossem os primeiros dentes que caíram. De forma estúpida e doentia.

Se alguém tem o azar de me pedir um saco, a escolha é sempre uma tortura. Lá vou eu ao saco dos sacos escolher aquele que me "custa" menos dar. Alguns guardo-os como souvenirs das viagens, outros é mesmo por mania. Já imagino os sacos das Lojas quando passo por elas, ou se a compra vale o saco.
Gosto de sacos. Lembro-me de os coleccionar. Desde pequenina escolhia-os da gaveta de casa dos meus Pais e punha-os num grande saco no meu armário. Fazia uma triagem daquilo que valia a pena ser "arquivado".

Posso deixar um top 10 dos meus sacos (muda conforme as novas entradas): gucci (só tenho um, que agora fui ver e desapareceu (!!), fauchon, ladurée, ordning&reda, pink, kusmi tea, leitão e irmão, pastelaria garrett do estoril, custo barcelona e taschen.

Ao ir ver o saco dos sacos aproveitei e saiu-me uma arrumação (demorei um bocado a terminar este texto, as arrumações como já expliquei saem-me quando menos se espera) . Vi que o único saco da Gucci desapareceu e deu-me vontade de deitar tudo fora com a fúria. Mas guardei tudo outra vez e já lá estão todos a dormir juntinhos...

Roubarem-me um saco é uma invasão de privacidade! Um ultraje.

16.9.09

O casamento

Foi no dia 16 de Setembro de 2000. Já lá vão 9 anos. E nunca ninguém disse que o casamento era coisa fácil. Pois não.

Mas é uma descoberta, um crescimento a dois. A conquista da cumplicidade do outro e a paixão que pela primeira vez se transforma em amor.
Não tenho a receita perfeita mas sinto e sei que passa por duas coisas: muito diálogo a dois e muita tolerância.

O silêncio numa relação, num casamento, é como um enorme eucalipto. Absorve tudo o que apanha à sua volta, seca as terras, os rios, constrói-se num deserto. E atenção que eu sou adepta do silêncio, dos meus retiros... mas num âmbito e objectivo diferentes.

A tolerância tem a ver com uma palavra que é forte e poucos conhecem o seu verdadeiro significado: o perdão. O saber perdoar. Ouvir o outro. Não ferir. Saber ouvir.

O casamento é o crescimento de uma grande árvore da qual partem os ramos e as folhas. Os filhos e os netos. Destruí-la é coisa pouco complicada. Fácil mesmo nestes dias que correm. O desafio está em sabê-la manter firme.

O casamento, a vida a dois, é um surpresa todos os dias. Porque, e como dizia uma pessoa que eu cá sei, não há mais oposto neste universo do que um homem e uma mulher. Logo, como poderá tal coisa dar certo?

Mas o milagre acontece, de facto. E melhor do que isso é conseguirmos gostar do outro de maneiras e formas diferentes, todos os dias, todos os minutos.

Porque eu gosto ainda mais de ti todos os dias.

8.9.09

Dois amores





Não sei do que gosto mais.
Se do cheiro do mar, do sal e do barulho da areia a moer o fundo da praia. Se do cheiro do campo, dos sobreiros a ferver e da terra seca com uma brisa que vem de longe.
Ando no meio dos dois, nestes dias.
Será mesmo que os opostos se atraem?

4.9.09

Recomeço

Setembro é o mês de recomeçar.
Há quem ache que o ano novo devia começar em Setembro. Não em Janeiro.
O ritmo do dia-a-dia vai lentamente tomando balanço, como uma enorme máquina de roldanas que se ergue do silêncio da última paragem.
Começam as aulas. Lembro-me de adorar o "regresso às aulas" quando não se chamava "regresso às aulas"; era simplesmente comprar um estojo novo e material de educação visual, forrar os livros e imaginar quem seriam os novos colegas da turma.
Começa o último trimestre do ano. As cidades esquecem os dias da praia.
A natureza prepara-se retomar a sua atmosfera húmida e verde. O Verão é coisa rápida, realmente. O Outono espreita.
Sempre gostei desta sensação de final de Verão e início do Outono. Não sei se ela existe feita provérbio, mas podia!

2.9.09

Nasceu um anjinho cor de rosa!

Nasceu a Maria Margarida! E eu sou oficialmente Tia, pela primeira vez.
Nasceu a minha sobrinha.
Parabéns e sê bem vinda ao mundo novo. A Tia Rita tirou esta foto a pensar em ti.
Espero que gostes.
Foi num final de dia, com o sol bem dourado, no jardim da Casa que irás conhecer e fazer parte.
Também foi em Setembro, mas há quase 9 anos, que eu lá casei com o teu Tio.
Aqui fica a tua flor.

Nota: a Maria Margarida nasceu dia 1 de Setembro às 18h04.