28.8.09

Instantes da minha cidade








Os dias e as noites.
A minha cidade.

Faço parte dela há pouco tempo, e talvez por pouco tempo aqui a continue a desfrutá-la...

Mas nestes momentos em que a retrato em que a sinto, sei que gosto dela.

E gosto mesmo!

25.8.09

Rir

Há uma coisa que assusta muita gente neste País: rir.
Para muita gente, rir é coisa dos palhaços. Dos tontinhos e dos parvinhos.
É quase interpretado como um sinal de fraqueza, de inferioridade.
Há imensa gente que tem medo de rir. Não se ri, pronto. Não consigo perceber.

É triste ter medo de rir. Não é preciso ser-se palhaço para se rir ou fazer os outros rir. Basta ser-se sincero, por dentro e por fora. Sorrir ainda alguns o fazem, mas rir é um passo mais à frente.
Eu tinha uma Avó que sorria pouco mas ria-se imenso. Dava umas boas gargalhadas de vez em quando. Eu adoro rir. Rir até doer a barriga. Para isso não é preciso ver filmes para rir. Basta nós próprios e o que vai cá dentro da cabeça. Sem medos nem preconceitos.

Mais do que rir, adoro fazer os outros rir. Acredito que muitos me julgam uma "tontinha", que coitada só se sabe rir. Também sei chorar (e bem!).
Acho que no fundo tudo se resume ao mesmo: esconder as emoções. Não vamos rir não vão pensar que somos parvinhos, não vamos chorar não vão pensar que somos uns coitadinhos.

Na volta, sou eu que estou ao contrário dos outros e efectivamente não devemos rir, nem fazer os outros rir que isso é coisa dos palhaços no circo. Tenho sorte porque tenho ao meu lado uma pessoa que me faz rir a todo o instante e eu a ele; e esta casa não é nenhum circo nem andamos junto no Chapitô.

Melhor ainda, gosto de rir sozinha, de mim própria.

23.8.09

Domingo


O Domingo é o único dia de semana que é um nome próprio (no plural): Domingos.

O Domingo é um dia complicado de se explicar. Desde que moro no centro da cidade que os domingos se tornaram piores...
Acabei de vir da rua, onde fui passear o Flash. Vazia. Há uma certa nostalgia. Muito suspiro.



Mais uma semana que passou a uma velocidade obscena, mais outra que está à espreita. As pessoas ao domingo deviam ter um sítio, tipo loja do cidadão, onde pudessem escolher o que fazer ao raio do dia, sentando-se numa cadeira e recebendo a opção escolhida por uma palhinha ou mesmo dentro de saco de soro fisiológico (um bocado futurista, é certo); do género:
Piso 0 - ir à missa; visitar os Avós e as Tias velhinhas; almoçar com os Pais; escovar o cão...
Piso 1 - ver episódios seguidos do Lost ; ler um livro inteiro; comer restos; dobrar meias e cuecas; andar o dia todo de pijama...
Piso2 - passar o dia a pensar que é Domingo; chorar porque é Domingo; enfiar-se num Centro Comercial e continuar a chorar.

O Domingo tem esta característica: é sempre igual em qualquer ponto da terra. Em qualquer casa do mundo. Eu evito sempre passar um Domingo quando estou a viajar, principalmente nas cidades. É uma tristeza pegada.

Parece-me que nada acontece ao Domingo. Nunca tomei grandes decisões num Domingo, nunca recebi boas ou más notícias num Domingo. Nunca fiz uma grande compra num Domingo. Eu própria nasci numa 4ªfeira.

O Domingo é assim uma espécie de "mal necessário" - temos todos que passar por ele, apesar de não adiantar grande coisa ao fim de semana, que devia ser 6ª e sábado e não sábado e domingo.

Nunca gostei de Domingos (os dias).

17.8.09

Pontos Fracos. #3 Revistas da "Tema"

Há uma Tabacaria a chegar aos Restauradores, quem desce a Av. Liberdade do lado direito, num centro comercial a cair de velho que se chama "Tema".
Consegue este estabelecimento comercial lisboeta juntar diversas variáveis que o tornam num "case study" do marketing moderno: 1. tem os empregados mais antipáticos e mal encarados do mundo; 2. tem um nome que não lembra ao diabo; 3. a localização é medíocre; 4. tem as mais fabulosas revistas à fase da terra; 5. conseguimos lá gastar 50€ em revistas em menos de 10 minutos.

A "Tema" (este nome é mesmo mau) vende tudo o que é mundo editorial das revistas nacionais (que para o efeito pouco interessam) e principalmente internacionais. Wall Papers e Vanity Fairs é coisa de meninos para "Tema". Há lá revistas com 200 páginas que custam 20€. São livros, portanto. Não. São revistas.

Têm aquele cheirinho da pasta do papel e do químico da tinta. As folhas são grossas com acabamento brilhante. As fotos são obras de arte além dos fantásticos anúncios de página inteira ou duas páginas (que nenhuma revista portuguesa ousa receber).
Há revistas de tudo: viagens e casas, culinária, jardinagem, arquitectura, gadgets, computadores, moda e decoração, design, pintura, música, arte, carros e etc, literatura, desporto, .... tudo o que faz parte do mundo está dentro da "Tema", exposto em duas paredes frente-a-frente ao longo de um corredor estreito, mas suficiente para ir deitando a baba à medida que o vamos percorrendo.

Lá dentro têm um aviso a dizer que não se podem ler as revistas; mas nisso a "Tema" é um outro fenómeno na nossa Lisboa e deixa-nos ficar ali a passar a tarde, a comer aquelas revistas com os olhos.
Depois, quando damos por isso, lá vêm mais uns quilos de ecoponto azul para dentro de casa... mas sabe muito passar umas horas dentro dos mundos da "Tema".

A "Tema" é uma tentação!

13.8.09

Parabéns, querido Pai!



Quando entrava pela casa, sabia que ela iria estar por ali, para me receber à porta, sentada a ler com uns óculos de massa de tartaruga, na cozinha ou na copa a orientar o jantar, no jardim, na varanda.... sendo sempre ela própria, como ela sempre estava.

Irrepreensível, sóbria e eterna. Como o colar de pérolas que usava, as roupas clássicas que vestia, as frases curtas em inglês que soltava quando se referia a uma situação caricata.
Encontrei-a tantas e tantas vezes, mas ela naquela altura (julgava eu) pouco ou nada me dizia.
Não entendia aquela atitude, porque não havia de brincar comigo, conversar talvez.
Era demasiado terrena para mim, que me achava uma princesa e ela a bruxa má.

Depois cresci. E ela morreu. Estupidamente cedo demais. E em mim cresceu uma ânsia de a ter conhecido melhor. E hoje teria tanta coisa para lhe contar, para que ela me ajudasse com aquela clarividência própria a entender as coisas.

Dela guardo os anéis que ficaram nas partilhas. Porque temos os dedos do mesmo tamanho, pelos vistos. Uso todos os dias uma aliança que era dela, ao lado da minha. Assim penso nela todos os dias. Na minha Avó Berenice.


A Avó Berenice é a Mãe do meu Pai que hoje faz 65 anos! Este texto foi escrito para um exercício de auto-hiper ficção, com o seguinte tema: tive um encontro com uma pessoa que me marcou na minha vida? onde foi? como foi? o que ela me deixou de presente?
A foto foi tirada cá em casa.

11.8.09

10 de Agosto 1977



Um dia depois a minha Avó Berenice enviava por correio este recorte aos meus Pais. Eu tinha nascido no dia 10 de Agosto.
Os meus Avós estavam em Londres, pois tinha adoecido o meu Avô...
Julgo não ser merecedora de tanta genoridade, mas como faço anos e dando-me a escolher um presente especial (impossível, já agora), escolho o ter conhecido e convivido mais com os meus Avós.
Preciso de Avós. Cada vez mais sinto essa falta, de um ancião.
Como não os "tenho" aqui comigo, converso com eles e muitas vezes pedindo-lhes um conselho, uma opinião, uma consolação. E tenho tido resultados!

6.8.09

à mão...







Numa tarde de Agosto, a natureza oferece-me o que tem de forma despojada e simples; daquilo mesmo do que é feita.

amoras, figos, pêras, pêssegos, oregãos...

E tal como ouvi no outro dia: como é possível o Homem fazer tanto mal à natureza que tanto nos dá?

3.8.09

meu querido mês de Agosto...

Agosto é um mês lindo!
Nesta altura do ano não há terrinha neste nosso Portugal que não tenha uma Festa.
Um Santo ou uma Santa.
Bailes, quermeses, bandas, fogueiras, cheiro a pão com chouriço, mais rifas, churros, pista de carrinhos de choque, gado vivo, cestas de verga e saquinhos de pano com colheres de pau...
Das melhores recordações que tenho de infância são das Festas nas aldeias; no Caramulo passei as melhores férias da minha vida. Sempre em Agosto, no meio da Serra! Lá havia sempre Festa, mas para um "upgrade" iamos até Viseu à Feira de São Mateus.
Foi em Agosto que fiz o meu inter-rail com mais duas amigas pela Europa e foi em Agosto que comecei a namorar com o meu Príncipe!

É o mês do emigrante, das noites quentes, dos casamentos em Fátima, dos amores de Verão, do gelado ao final do jantar com direito ao chinelo a raspar no chão, de meter o porta moedas debaixo do braço enquanto se vai ás compras, de chinelar mais um bocadinho no meio do Modelo enquanto se mete tudo para dentro do carrinho... é Agosto!

A praia está carregada de bolas de berlim (infelizmente, sem creme), batatas fritas e águas fresquinhas. A "Olá!" é a nossa melhor amiga além do chinelo que raspa mais um bocadinho na passadeira a caminho da praia.

Agosto é o mês de suspirar junto ao mar com o sabor do sal na pele, de comer tudo o que seja servido em pratos pequenos, com palitos, guardanapos e garfinhos a acompanhar.
É quando espreitamos mais além e vemos que estamos a quatro meses do Natal, que tinha sido ontem, que o ano já passou mais de metade, mas que ainda agora começava.

Eu nasci em Agosto e apesar de nunca ter tido uma festa de anos como deve de ser, acho que não deve haver mês com mais festas do que este.

Meu querido mês de Agosto!