31.12.09

A porta


Choviam umas gotinhas muito finas e o vento uivava como um lobo desgovernado.
Subi a ladeira e fui-me abrigando da fúria dos elementos nos intervalos das casas, onde as pedras rudes já tinham sido gastas pelos séculos e os carreiros de água seguiam o seu rumo, já rotineiro.
Não havia silêncio, mas tudo estava suspenso.
Avistei uma porta. Fechada, zangada e com frio certamente. Não se quis abrir e ai de quem tome a ousadia de a forçar.
Gosto de portas, pensei. É um objecto que passa os dias virado de costas para nós, mas que nos persegue em todos os nossos passos. Tem uma função definida, apropriada.
Porta fechada - não entrar. Porta aberta - entrar. Porta entreaberta - espreitar!...
Arrombar uma porta é roubar. Bater com a porta é a força da ira. Dar pontapés e murros numa porta é um castigo.
A porta de uma casa... uma tábua rasa. Vai-se decalcando com o tempo, com as mãos e com os pés, com os sacos das compras, com as malas, com as chaves, o cão a raspar, a chuva que incha a madeira, o vento que a empurra, o sol que a descasca.
Arrancar uma porta é eliminar um rectângulo de memórias e de marcas.
Boas entradas em 2010!

20.12.09

A engorda

Começou a engorda.

Mais açúcar, mais fita cola, mais papel de embrulho, mais queijos e gorduras, mais cremes e recheios, mais sacos de plástico, mais papel do multibanco, mais vinho e digestivo, mais pão e batatas, mais chocolates e amêndoas torradas, mais gasolina, mais embrulhos e bolas coloridas, mais laços e mais papel do multibanco.

Menos paciência, menos tempo, menos respiração, menos calma, menos convicção, menos vontade, menos sono, menos silêncio, menos ouvido, menos pausas e menos tempo.

A balança só acusa mais peso. Mais engorda.
Mas precisamos do "menos" que agora fica reduzido a quase nada...

11.12.09

Hopenhagen

Daqui a uma semana acaba a esperança em Copenhaga.
Porque a Esperança só dura 15 dias...
Tenho medo de que não resulte em nada. Acho sinceramente que por muito que queiramos já não conseguimos parar uma máquina, um monstro gigante que se move há milhões de anos e que faz da terra aquilo que bem entende - o Homem.
Uma vez ouvi, e acho que já o escrevi, que nunca tanto mal foi feito a uma coisa que só nos dá graças - a natureza. Porque somos tão ingratos?

O homem é ingrato, insaciável e bruto.
Já o era quando andava pelas estepes, com um cão ao lado a caçar, agora só muda o cenário e em vez de um cão tem um carro.
A natureza só nos dá, não nos pedindo nada em troca. Nós só pedimos em troca e damos muito pouco.

As mudanças já são demasiadas, temo que tenhamos chegado a um ponto sem retorno. Por muito ecoponto amarelo, pilhão e vidrão que entupamos de lixo.
Porque fazemos muito lixo, porque já temos muitas vacas a pastar e muito milho a queimar terra, porque já derreteu muito gelo, já desapareceram muitas espécies e outras estão a dias de desaparecer... já foi feito todo o mal.
Agora andamos a tentar tapar buracos de uma barragem iminente de rebentar.

Temos esperança - HOPE - porque talvez seja aquilo que nos resta, no meio do destino traçado.

4.12.09

Anda tudo constipado de nariz a pingar. Uma interrupção neste Blog - passamos as mãos por gel desinfectante - e voltamos ao teclado. Um inferno, as constipações!

(adoro dizer: "que inferno!" dá-nos um ar secular, com uma expressão tipo queirosiana, mas cheia de blasfémia e de irritação dos novos tempos.)
Qu' inferno!!

Continuando.
As constipações trouxeram cá para casa o "Vik" (que se escreve Vicks). Oh, memórias olfactivas, como vos quero!
De repente abrimos o frasco (que já teve um re-style considerável) e vem aquele pijama de flanela cheio de borboto, as tardes em casa doente e constipada, cheia de brinquedos em cima da cama e bonecos, as mãos da minha mãe a esfregar o Vik cheias de força, a luzinha da mesinha de cabeceira que iluminava a pasta transparente... e no fim, o melhor, comer um bocadinho de "Vik" como se fosse um rebuçado de mentol!

Dormiamos como se fossemos um eucalipto numa sauna. Acordavamos sempre melhor.
Há duas noites que adormeço com estas memórias e sonho com rebuçados de mentol!

É bom ter memórias de cheiro.







1.12.09

O oposto

Hoje é o primeiro dia de Dezembro. A Lua está quase cheia; é amanhã, no segundo dia de Dezembro.
Saí à rua com a máquina para apanhar a Lua. Está lá em cima, como um poste de luz infinito com uma bola na ponta.

Diz-me o borda de água que devemos resguardar as plantas do gelo, arrotear terras (dar arrotos a terra?) e acarinhar o gado. Mesmo assim plantamos macieiras e pereiras.
O mês de Dezembro é um sopro de fim de ano. Passa tudo a correr. Desde o final de Outubro que se fala em Dezembro, nenhum mês é tão "falado" como o último mês do ano.
O Natal e a Passagem de Ano são uma parte da questão, a outra é o ano que chega ao fim.

Há uma certa tensão no mês de Dezembro.
Deve ser o mês com mais toques de carro na cidade, as pessoas andam muito tensas. Anda tudo muito tenso. Nos centros comerciais e nos supermercados há mais tensão ainda.
Até o Flash anda mais tenso...

Quando saí para tirar esta foto a rua estava calma, mas as pessoas pisavam as pedras com tensão, os carros roçavam o alcatrão na tensão.
Antes que todos apanhemos um choque de alta tensão, gostaria de sugerir uma espécie de Ashram para todos. Podemos levar uma árvore de natal e um presépio, algumas bolas e ramos de azevinho. Mas tenhamos alguma paz e tranquilidade. Pois é isso que deve ser o mês de Dezembro.

25.11.09

Há 164 anos...

No dia 25 de Novembro de 1845 nascia José Maria Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, filho de mãe solteira adolescente de Viana do Castelo e de um magistrado de Ponte de Lima.
Esteve em planos de ir parar à "roda", acabando por ir para os cuidados de uma ama que o amamentava.
É baptizado em Vila do Conde, filho de pai conhecido e de mãe incógnita.
Os Pais acabam por casar, quando Eça já tinha 4 anos, regularizando a sua "situação", mas continua a viver em casa da ama em Vila do Conde.
A Mãe, Carolina Augusta, não o quis buscar, mesmo depois de ter legitimado o filho. Dizia-se ter feitio violento.
Quando Eça faz 5 anos a ama morre, passando a viver com os avós paternos em Verdemilho. Era um menino sozinho.
Tinha pais, meios irmãos, mas viveu e cresceu com os avós.
Acabou para ir para o Porto estudar e mesmo tendo lá os pais a viver, ficou em casa de uns Tios. A Universidade fê-la em Coimbra, tirando o curso de Direito.

Nunca quis que escrevessem a sua biografia, afirmando: "Um homem de letras que não escreve memórias tem realmente direito a que os outros lhas não escrevam."

Viveu em Havana, Inglaterra acabando por morrer em Paris, enquanto consûl de Portugal. Casou com Emília de Castro e teve 4 filhos.

O resto já se sabe. O maior escritor e romancista português, símbolo do realismo.
O meu herói da escrita.

Um filho indesejado, mais do que qualquer outra coisa. Nunca aceite pelos pais, uma Mãe que o marcou imenso, fisicamente fraco e pouco bonito e de uma vida interior recheada de diálogos e de descrições.

O que o sofrer nos faz a escrever.




21.11.09

A montra


Estava um final de dia carregado de sentimentos. Carregado de emoções.
Aguardou que uma chuva miudinha terminasse, que as nuvens dessem lugar a um frio que subitamente parecia elevar-se das pedras, do alcatrão, da terra.
A rua estava triste de gente, mas cheia de vida interior - montes de folhas amarelas amontoavam-se junto às árvores, reflexos de chuva pairavam no ar e toda aquela atmosfera fria encheu-a dessa vida.
Primeiro vestiu-se a rigor, como forma de enfrentar os elementos (galochas, corta-vento, cachecol), depois pegou na trela e no cão e juntos sairam. Os passos dela compassavam a caminhada determinada. Sempre lado a lado.
Depois de uma rua sozinha, veio-lhe esta imagem da melancolia. A montra daquela loja era a imagem do seu sonho, daquilo que a poderia encher sempre de vida. Veio-lhe à memória o som de um piano, de um adagio perfeito e sofrido, do cheiro da resina nas pontas das sapatilhas, do corpo que se molda ao longo dos braços e do pescoço nus.
Pensou para si, nesse mesmo dia, que nunca poderia morrer sem antes escrever uma última linha de palavras.
Mas o sonho, aquilo a que olhava como o mais perfeito de si, seria respirar a dança numa conjugação de música, movimento e sentimento.
Ficou a olhar para aquela montra durante uns segundos e depois voltou à caminhada. Tinha sido um dia carregado de sentimentos.

16.11.09

Pontos Fracos. #5 Coisas Doces

Nº 5 - É coisa para estar a meio da tabela.

Não percebo, mas o raio da fotografia dos macarrons fica abaixo do texto. As coisas doces não são um ponto fraco. São um ponto.

Tipo ponto pérola para fazer ovos moles, para depois rechear um belo pão-de-ló. Ou então para caramelizar umas amêndoas e fazer praliné, para o gelado ou simplesmente para comer tipo nougat.

Uns petit gateaux de chocolate calham bem com gelado de nata, mas também com uma calda de frutos vermelhos - vulgo coulis.
Os macarrons comem-se de todas as cores, até chegar a um arco-íris interior.

Se pudesse tinha sido veterinária, mas acho que mais depressa vou estudar alta pastelaria (como a Leonor do "Flagrante Delícia" - nos links lá em baixo) para uma alta escola. Aprender a subtileza de operar no açúcar e manipular chocolate.
Mas não pode ser.
Comia metade dos ingredientes, lambia as tigelas todas, metia os dedos dentro dos tachos ao lume a fazer banho-maria, queimava-me a trincar amêndoas torradas e a provar bolos a escaldar saídos do forno. Era uma desgraça.
Então, compro a Confeitaria Nacional (não está a venda, mas eu compro) e meto-me na cozinha a despachar eclaires de baunilha e bolinhos secos sortidos.

No meio da cozinha. No meio da fábrica do açúcar.

Perto de casa dos meus Pais havia uma fábrica de bolos. E nós, miúdos que andavam a tarde toda a brincar na rua, juntavamos os escudos para ir comprar "bolos partidos" - eram aqueles que tinham defeito, coitados. Eu tinha a permissão de entrar na cozinha e estar no meio de batedeiras gigantes.

O Faruca e o Piloto (dois cães rafeiros) guardavam a fábrica e eram nossos amigos - brincavam connosco!

Veterinária, definitivamente - não tenho vontade de comer o Faruca, mas já me estou a salivar pela memória do cheiro do saco dos bolos partidos.






13.11.09

Vida de personagens: José Ecfrásio

Fiz "nascer" o José Ecfrásio há mais de um ano e nunca mais o vi. Era um homem que vivia numa meia dúzia de linhas de uma biografia imaginária. Era um ribatejano com ares de louco, morreu na noite de passagem de ano do séc. 19 para o séc. 20 em Lisboa. Viveu em Salamanca. Tinha 30 e poucos anos.

Há alguns dias dei por mim a pensar nele. Tenho escrito a pensar no José Ecfrásio e agora até recebo comentários vindos de Salamanca.

As personagens nascem dentro de nós, mas depois têm vida própria. Seguem o seu caminho e a sua vida. Depois, quando entendem, voltam a nós. Mas é só de passagem, porque elas não são verdadeiramente nossas. Nunca foram.

Mas ele é parte de mim. Ele tem coisas minhas. Um sofrer escondido, uma obsessão, uma busca incessante pela moeda. Um cumprimento do seu dever. E depois o amor. O amor que o interrompe e o deixa perdido, afogado no meio do rio.

José Ecfrásio tinha em si, quando nasceu, uma missão, uma partícula divina que o distinguia dos outros. Tinha a mania da superstição e hoje é 6ªfeira-13, e eu escrevo sobre ele - só reparei nisso agora, a meio do texto.
Quando estava na barriga da Mãe houve trovoada e dizia-se que os bebés ficavam com os raios dentro deles. E por isso José Ecfrásio não podia tirar os pés do chão, para estar em ligação à terra. Só os tirou para mergulhar e ir ter com Eva. O seu único amor. Ele só teve um amor e morreu por ele.

Voltei a encontrá-lo. Voltei a encontrar-me.

9.11.09

modo: hibernar



Posso?

Era bom que houvesse um botão, tal como no computador, para entrar em modo "hibernar". Suspende-se a vida por uns instantes, volta-se daqui a pouco.

A força dos dias que chegam ao fim. E eu que os tento contrariar.


Fazíamos como os ursos. Durante umas semanas comia-se bem - hiberna-se com a barriga cheia! Procurávamos o local ideal: a caverna, o esconderijo, uma caminha fofa.

Depois era só clicar no botão.


Passam-se uns dias, semanas ou meses e regressasse ao modo normal. Até o ursos já perceberam que não é por estarem meses a dormir que muita coisa muda. Acordam no mesmo sítio e a paisagem apenas mudou as suas cores. A terra que pisam ainda é a mesma.

Já agora aproveito para dizer que sempre gostei de ursos pardos. É um animal que me fascina. É um gigante da natureza, vive no meio da floresta, sempre meio solitário, meio escondido dos outros animais. Devem hibernar porque também eles se cansam dos dias que chegam ao fim dos anos, sempre iguais.
Hibernam e voltam já a seguir, quem quiser que aguarde.


4.11.09

flash gordon strikes again....

Bom.
Olá!
A Rita disse-me que houve imensa gente que me escreveu (3 pessoas, ela fica logo toda contente).
Além disso, disse-me que eu devia contar como foi o meu dia de anos, porque se venho para aqui dizer mal dela e do Xano, então que não seja pobre e mal agradecido, etc... enfim.

Ontem parece que se fez juízo na cabecinha destes dois e tive finalmente aquilo que sempre sonhei.
Estive 2 horas e meia no Parque com quase TODOS os meus amigos: o Boris, a Mathilda, a Cuca, o Salvador, o Balzac, a Clotilde, a Preta e a Carlota, o Gaspar, a Lucky, a Safira e o Noopy, a Pepper, a Carlotinha, a Nala, o Gastão, o Tobias, a Brownie, a Nali, a Chocolate, a Missy e a Babá.

Não sei o que é que a Rita fez mas apareceram quase todos e melhor ainda foram os biscoitos e as bolas. Havia bolas de todas as cores, todos podiamos furar e rasgar as bolas, sujá-las e eu pude fazer xixi em cima das bolas e de umas coisas que havia de papel (ela diz-me que são serpentinas).
Comemos os biscoitos todos e a Rita trouxe ainda um creme que se punha por cima dos biscoitos que era óptimo.
Pude comer biscoitos ao mesmo tempo que corria atrás da Cuca e da Nali, até o Balzac veio comer biscoitos e a Preta não teve medo da Rita. Às vezes o Gastão amuava e roubava-nos a corda para um canto. A Nali parecia maluca a saltar para cima da Rita com a caixa dos biscoitos e a Carlotinha nunca quis brincar, só queria biscoitos.
Até apareceu um amigo novo, o Boris. Gosto dele, cheira bem e gosta de morder a Cuca, como eu. Às vezes estavamos todos ao mesmo tempo, mais a Chocolate e a Nali! (a Rita pediu-me para evitar estes comentários, diz que são poucos próprios... chata).

Deram-me bonecos novos, espectaculares, a cheirar a borracha.
A Rita diz que houve pessoas que perguntaram que festa era aquela, e se havia aquilo ali todos os dias. Claro que devia haver. Mas acho que foi só ontem...
Fui o último a vir embora para casa: eu e o Gastão, que ainda estava amuado.

Agora é assim, ou me fazem isto todos os dias então começo a amuar como o Gastão.
A Rita está ali a dizer-me que já chega. Quer vir para o computador trabalhar.
Eu acho que vou dormir um bocado até o Xano chegar, sempre ajuda a passar esta pasmaceira.

Obrigado mais uma vez e olhem pelos meus amigos lá fora.

2.11.09

O Flash faz um ano!

(por uma primeira vez no Bolo de Arroz, é o Flash quem escreve...)

Ora, bom dia.
Olá a todos! O meu nome é Flash, sei que a maioria das 5 pessoas que lê este Blog já me conhece, e hoje faço 1 ano.
Faço 1 ano e aproveito desde já a oportunidade para vos contar como foi este ano... este ano foi, como podem verificar na minha foto acima, um enorme aborrecimento.

Quando cá cheguei adorava fazer xixi em casa, roía os cestos da cozinha (que são bem bons), mordia coisas que cheiravam a Rita e a Xano (o meu dono - o alfa cá de casa!), enfim era giro.
Mas não teve graça nenhuma.
Depois quando comecei a sair à rua e a conhecer montes de coisas, tipo: árvores, outras pessoas, o vento, os carros, carrinhos com rodas, postes de electricidade, achei que finalmente os meus donos tinham percebido! Mas não. Afinal é só de vez em quando.

Neste momento tenho vários amigos e amigas, com quem falo todos os dias e todas as semanas, e com eles é exactamente o mesmo. Sair, dar uma volta e ir ao Parque estar um bocaco com os amigos e pronto! Voltamos para dentro de casa. Incrível, vocês já viram isto?

A Cuca, o Salvador, a Mathilda, a Nali, a Brownie, a Jackpot, o Baltazar, a Clotilde, a Bica, a Missy, o Balzac, o Pirolito, a Carlotinha, o Buda, a Ginja, o Gastão, o Gaspar, a "M", a Nala, o Snoopy, o Riky, a Estrelinha, o Tobias, a Chocolate, o Kite, a Safira, o Ketchup e até a Carlota, a Riba, a Mini, a Preta e a Pepper que são as mais velhas - todos dizem o mesmo! (tenho poucos amigos, já viram isto também?)
Um aborrecimento pegado.

Passo os dias neste sítio onde me vêem, enquando a Rita está à secretária.
Todos os dias saimos de carro, e eu adoro ir á janela de boca aberta - mas também não me deixam, dizem logo para me sentar: Flash, senta!
Agora gosto de fazer xixi em cima de todos os cheiros: sacos de plástico, caixas de electricidade, caixotes do lixo, caixas de cartão, aqueles placards dos restaurantes e das lojas com os menus e os jornais. Mas também não posso. Ficam furiosos: Flash, não!

E já agora que ainda tenho tempo, eu agora, sinceramente e não desfazendo, estou bonito e elegante e é um facto que as minhas amigas sentem bem a minha presença.
Eu tento ir sempre até elas, conhecê-las, combinar um café, uma ida ao Parque, gosto de as cheirar, enfim, faz parte do meu charme. Mas até nisso os meus donos ficam zangados: Flash, não puxa. Aqui!

Posso só dizer-vos que houve uma altura muito boa, em que os dois se lembraram de nos mudarmos para uma casa mais pequena e iamos todos os dias para a Praia.
Nadava no mar, fazia buracos e escavações na areia, corria atrás do pau e da bola, davam-me banho ao final do dia, dormia muitas horas.
Enfim. Isso sim, é o que nós queremos. Mas pouco tempo depois voltamos para esta casa. Acho que desistiram da ideia de morar lá. Eu adorei, sinceramente.

Bom. Vou andando. Espero que ajudem outros amigos meus por aí.
Porque isto assim, mais um ano, e é uma seca!
Obrigado.

P.s - (a Rita explicou que ainda posso acrescentar mais qualquer coisa e põem-se p.s.)
Um agradecimento especial à Rita e ao Xicá que moram num sítio que demoramos sempre mais um bocadinho a chegar de carro, mas que são um espéctaculo. Aquilo sim é que é gente de bem! Quando lá fico durmo no quarto deles, nunca me deixam sozinho em casa, faço o que quero, puxo todos atrás de mim e nunca se queixam, estou sempre a sair à rua, tenho um jardim só para mim, dão-me chocapic ao pequeno-almoço, enfim, um luxo.



30.10.09

É mais fácil não escrever...





Gostaria de ser entrevistada para responder a esta pergunta: como eu escrevo?

Como ainda não estou ao nível de uma entrevista na Ler ou no Cartaz do Expresso, faço-a aqui no meu Blog.

Isto é meu, faço o que quero!


Escrevi agora um conto infantil. Foi horrível. Difícil e sem encontrar o meu tom. O meu tom de conversa com as crianças dos 8 aos 12 anos. A minha voz já a tenho e já a reconheço. Já se marca em qualquer coisa que escrevo. Sempre que escrevo, as minha palavras têm uma voz que me distingue.

Agora, e o tom? Escrever para crianças com que timbre? chamá-las de criancinhas inocentes? falar de coisas fofas? (aqui entramos num campo que me perturba, como os que escrevem comigo já o sabem) falar do mundo ideal? do mundo cruel?


Para este conto sentei-me nas cadeiras pequeninas do IKEA que há nas livrarias para as crianças e li o que elas lêem. Falei com Pais que têm filhos desta idade. Falei com educadoras e professoras.

Depois sentei-me e esperei que a conversa chegasse. Vou construindo essa conversa. Faço muitas perguntas. Vai nascendo a história. Sei como a quero começar e como a quero terminar. Nunca sei qual é o caminho.
A certa altura são as personagens que mandam e dizem-me o que querem, normalmente fartam-se de mim e seguem a sua vida. Atravessam a passadeira comigo e dão comida ao cão de manhã, mas depois fartam-se.
Daí que eu nunca sei o caminho que levo. São elas que me orientam. Escrevo o que elas querem.
Não sou esquizofrénica. Não sou escritora. Sou uma espécie de escriturária. Cumpro horários sentada a uma secretária. Obrigo-me a escrever todos os dias. Tenho de escrever, fazer intervalos e voltar a escrever. Se não gosto, volto a tentar. Fico farta. Zango-me.
Escrever é um sofrimento, muitas vezes. Pior ainda quando leio o que escrevo e não gosto e já li 20 vezes e já não aguento mais porque mudo sempre mais uma palavra.
Sou aprendiz, tenho um mestre. Sou aprendiz de construção de personagens e de enredos. Tenho colegas de profissão. São uns sofredores como eu. E lá nos vamos apoiando uns aos outros, seguindo o nosso mestre.
Não é que a escrita seja complicada, mas é muito mais fácil não escrever.

23.10.09

O algodão é frio



Chegou o Outono. Chegou a chuva. Os dias mais curtos e as noites mais frias.
As folhas a cair. O chapéu de chuva que se perdeu no fundo do armário. Os kispos que se embrulharam com chuva num último dia de Abril.
Chegaram os arcos das luzes e os volts do Natal. Chegou uma nostalgia esquecida de fim de Verão. Princípio de vida.
Chegaram os melros salpicados de chuva, os carros nas poças de água. Os sapatos a escorregar na calçada, o fumo das castanhas, o cheiro do sal queimado.
O forno volta a trabalhar, um cachecol amarrotado, sopas mais densas. As meias aquecem demais os pés, o algodão é frio mas a lã é sufocante.
Chega um balanço forçado, em jeito de final de ano. Chega uma especie de tristeza
Da minha janela passam as estações.
Tudo muda do lado de fora.
Pouca coisa muda do lado de cá.

16.10.09

Couves Coração


Depois dos 30, dos casamentos e dos nascimentos dos filhos, das primeiras idas para as escolas e pré-primárias, de uma vida profissional mais consciente e mais ou menos controlada e de uma relação que se vai tornando mais sólida e cúmplice com a nossa cara metade, temos de retomar o assunto dos amigos.

Houve ali um momento da nossa vida em que somos só marido e filhos, trabalho e família. Mas agora é tempo de retomar a amizade, de a reconhecer e dar graças pelos amigos que temos. O tempo que temos para eles é pouco? Não. Talvez seja mais do que suficiente, nós é que nos escondemos atrás dessa ideia muito comum.

Quando entramos para a escola pela primeira vez, qual é a primeira coisa que fazemos? Amigos. Quando vamos para o Liceu e depois para a Faculdade. Quando chegamos a um primeiro emprego ou a uma cidade desconhecida. Criamos laços de afecto e de amizade.

Cultivar amigos é como cultivar hortas (mais uma vez se prova que o Borda de Água é um meio auxiliar à minha sobrevivência) . Tratamos o terreno, semeamos, regamos, vigiamos de pragas e outros bichos, cuidamos e aguardamos pelo fruto. Depois do fruto, temos de o manter e de o saber usar.

Com 32 anos tenho tido um pensamento recorrente - sinto um enorme orgulho pelos laços de afecto e de amizade que criei ao longo desta minha curta e jovem vida. Acho que tenho uma belíssima horta de amigos!!
Não são muitos, mas são todos bons. E agora cada vez melhores e mais apurados.

Nesta fotografia estou eu com uma amiga tão especial como uma belíssima couve coração da minha horta. Eu gosto muito de couves coração, são pequeninas e rijas e têm uma cor verde água muito suave. São compostas por centenas de folhas macias e brilhantes, têm a forma de um coração e são muito saborosas. Cada folha é mais suave e tenra do que a anterior.

E a amizade verdadeira é assim - a cada folha que retiramos descobrimos que a seguir vem uma ainda melhor!
A amizade vai passando as estações do ano e os anos passam sobre ela, o nevoeiro, as chuvas e às vezes as tempestades, mas se foi bem vigiada e tratada, se o terreno que se escolheu para a cultivar foi certo, ela nunca vai desaparecer.

E tal como eu penso que quando estamos velhos vivemos uma segunda vez a infância, os amigos nessa altura ainda são mais verdade e fazem mais parte da nossa fibra, daquilo que somos feitos. Nunca os esquecemos, porque são o nosso chão.

O Outono passa pela minha horta, mas os dias estão perfeitos e as minhas couves coração crescem viçosas e brilhantes!

12.10.09

Cartões de Memória

Cada pessoa, quando nasce, devia vir equipada com vários cartões de memória, tal como se fosse uma máquina fotográfica.
Esses cartões de memória seriam trocados de vez em quando. Havia uma espécie de ecoponto, onde de tempos a tempos, eram depositados os cartões e levantados outros novos: os que tinham sido utilizados por outras pessoas.
Naquele depósito havia a distinção por cidades, bairros, ruas, aldeias, lugares...
Para que servia?
Para que cada um se visse a si próprio, pelas memórias dos outros. Para ver como é, aos olhos dos outros. Certas pessoas precisam disso, de ter a memória do outro, de viver a memória do outro.

A isso chama-se empatia.
Há pouca gente empática. A maioria gosta de se sentir muito bem calçadinha nos seus sapatos, nunca ousando experimentar espreitar para dentro de si. Muito memos para dentro dos outros, pondo-se no seu lugar.
Há cada vez menos gente com empatia.Seja aqui, seja numa cidade longe. Num outro País.

Anda tudo muito excitado consigo mesmo.
E pois sim, isso faz-me muita confusão. Não sei porquê.

7.10.09

Se tu visses o que eu vi....

Hoje vi tanta coisa.

Na fila dos correios, um paquete de Hotel aguardava pela sua vez enquanto lia as dezenas de postais que os hóspedes do seu Hotel inocentemente depositaram na recepção, a aguardar um selo e uma viagem até aos CTT mais próximos.
Primeiro virava-os para ver o tema: Castelo de São Jorge, Serra de Sintra, Jerónimos e depois lia-os com indiferença e até algum desdém.

Numa paragem de autocarro, de uma rua bem movimentada, dormia sentado um sem abrigo, com uns headphones nos ouvidos. Talvez ouvisse música. Talvez esperasse que algum autocarro o tirasse dali, o levasse para longe, para acordar de um pesadelo.

Nos bancos de um jardim homens olhavam para as horas que não passavam. Na esquina da rua mais um grupo de homens aguardava pela vida. Os dias são compridos demais e quando se está na rua, sem casa, sem rumo, as horas desafiam a nossa resistência.

O que lia os postais à espera do nº 227 está farto da vida, tem uma barriga grande e o colete da farda incomoda-o quando almoça o resto do Buffet farto do Hotel. O sem abrigo que não sabe se espera pelo autocarro nº723 está também farto da vida mas tem fome, não toma banho há muitos dias, não dorme em cama nenhuma e nunca entrou num Hotel.

2.10.09

To you

Hoje vou dar-te um presente. O meu presente é a tua memória, e eu vou escrever sobre ela.
Vou mergulhar no teu mar azul, sentir os pés na areia branca que ferve, respirar um vento morno e suave, sentar-me naquela praia.

Depois vou fechar os teus olhos e dentro deles vou espreitar a tua alma. Encontro-te lá dentro. Os teus sentimentos são puros e verdadeiros. És tu mesmo e por isso és feliz. Encontro os teus sonhos feitos balões de oxigénio. Encontro as tuas convicções, os teus pilares, a tua consciência tão limpa.

A tua força guia-te no meio do mar azul. Do teu mar azul.
Hoje dou-te a memória de uma viagem. Uma viagem até dentro de ti.

1.10.09

Carris de palavras


Já aqui tinha falado que gosto de metros. Gosto porque são como veias de um enorme corpo que é uma cidade.

Gosto ainda mais quando se fazem dos espaços urbanos, meios de comunicação com a pessoa. Quando há literatura no metro. Quando se põe ao alcance de todos aquilo que era apenas de um.
E podemos optar. Ou a queremos também ou esperamos pelo próximo comboio.
Eu não só a quero como a registo, fotografando-a.

Não há outro canal de comunicação como a nossa própria voz. Quando repetimos uma frase, lendo-a cá dentro ela é absolutamente nossa.
Os azulejos são generosos e oferecem a leitura. Todos os dias, todos os minutos.
É bom haver dias assim.

24.9.09

Saudade






Para começar este texto temos de primeiro pôr de lado aquilo que eu não quero que se confunda com a minha "saudade".
Não é saudosismo. Não é a dor da ausência (física e mental). Não é o: "Ó tempo volta para trás!", não é o fado da saudade.
A minha saudade, agora, é das coisas que eu sei que existem, fisica e mentalmente. Que eu sei estão lá, mas que por alguma razão estão longe de mim e é-me difícil chegar a elas.

Por exemplo: as minhas saudades do Douro. O Douro está lá. Eu posso pegar no carro e ao fim de 4 horas estou na Régua. Ele existe e isso traz-me saudades.
Ontem matei as minhas saudades da escrita. Ela é-me acessível. Posso pegar num caderno e escrever. Mas foi ontem entre tanta cumplicidade e amizade que eu matei as minhas saudades.
Tinha saudades daquela escrita. Partilhada e sentida, entre mãos e entre papel.

Agora tenho tido saudades. Muitas. Porque quando nem as palavras nos chegam, nem mesmo escritas, tudo se torna mais longe. E isso deixou-me a pensar. Antigamente é que as saudades existiam no seu pleno direito. Quando não existem telemóveis, nem e-mails, quando não havia telefone e um telegrama demorava dias a chegar. Quando nesse tempo alguém dizia: "tenho saudades tuas". Tinha mesmo! Não era só a ausência da pessoa, o estar longe. Era não haver forma de a conceber na imaginação, porque a voz e a palavra não chegavam.

Existem então as imagens, as fotografias. E então uma pessoa agarrava-se a uma imagem. Então, pensei eu outra vez, e no tempo em que não havia fotografias? Essas pessoas tinham saudades. Mesmo.
Dizem que o mundo é a tal aldeia global e com a comunicação abolimos fronteiras e as distâncias se encurtam. Acabaram foi com a saudade.
O novo mundo suprimiu as saudades. Reduziu-as a um estatuto tão inferior, que as tornou ridículas.
É ridículo hoje sentir saudades de alguém, porque esse alguém está sempre ali (telemóveis, emails, blogs, facebooks, twitters, etc...).

Mas eu sinto-me muito ridícula, porque estou cheia de saudades. Daquelas a sério, à século passado.

19.9.09

Pontos Fracos. #4 Sacos (o roubo!)

Mais uma fraqueza que é irmã de uma outra que ainda virá nesta lista. A das papelarias e do material de escritório.

Sacos. Sacos em papel, mas também em plástico (com qualidade e dependendo da pega).
Mas têm de ter aquela coisa que faz do saco, um saco que vale a pena ser guardado.
Eu guardo os sacos de uma forma pouco saudável, tal como aquelas pessoas que aproveitam o papel dos embrulhos no Natal; descolam cuidadosamente os bocados de fita cola, retiram os vincos do papel e dobram tudo muito bem e ainda aproveitam a fita do embrulho. Isso não é normal.

Ora eu também sou assim com os sacos. Dobro tudo respeitando os vincos originais, procuro não amarrotá-los e vou enchendo um saco grande com montes de sacos lá dentro. E reutilizo-os? A grande maioria não. Tenho sacos guardados há anos. 6 ou 7 anos é a idade normal de um saco meu. E o que faço eu com eles? Colecciono-os. Guardo-os como se fossem os primeiros dentes que caíram. De forma estúpida e doentia.

Se alguém tem o azar de me pedir um saco, a escolha é sempre uma tortura. Lá vou eu ao saco dos sacos escolher aquele que me "custa" menos dar. Alguns guardo-os como souvenirs das viagens, outros é mesmo por mania. Já imagino os sacos das Lojas quando passo por elas, ou se a compra vale o saco.
Gosto de sacos. Lembro-me de os coleccionar. Desde pequenina escolhia-os da gaveta de casa dos meus Pais e punha-os num grande saco no meu armário. Fazia uma triagem daquilo que valia a pena ser "arquivado".

Posso deixar um top 10 dos meus sacos (muda conforme as novas entradas): gucci (só tenho um, que agora fui ver e desapareceu (!!), fauchon, ladurée, ordning&reda, pink, kusmi tea, leitão e irmão, pastelaria garrett do estoril, custo barcelona e taschen.

Ao ir ver o saco dos sacos aproveitei e saiu-me uma arrumação (demorei um bocado a terminar este texto, as arrumações como já expliquei saem-me quando menos se espera) . Vi que o único saco da Gucci desapareceu e deu-me vontade de deitar tudo fora com a fúria. Mas guardei tudo outra vez e já lá estão todos a dormir juntinhos...

Roubarem-me um saco é uma invasão de privacidade! Um ultraje.

16.9.09

O casamento

Foi no dia 16 de Setembro de 2000. Já lá vão 9 anos. E nunca ninguém disse que o casamento era coisa fácil. Pois não.

Mas é uma descoberta, um crescimento a dois. A conquista da cumplicidade do outro e a paixão que pela primeira vez se transforma em amor.
Não tenho a receita perfeita mas sinto e sei que passa por duas coisas: muito diálogo a dois e muita tolerância.

O silêncio numa relação, num casamento, é como um enorme eucalipto. Absorve tudo o que apanha à sua volta, seca as terras, os rios, constrói-se num deserto. E atenção que eu sou adepta do silêncio, dos meus retiros... mas num âmbito e objectivo diferentes.

A tolerância tem a ver com uma palavra que é forte e poucos conhecem o seu verdadeiro significado: o perdão. O saber perdoar. Ouvir o outro. Não ferir. Saber ouvir.

O casamento é o crescimento de uma grande árvore da qual partem os ramos e as folhas. Os filhos e os netos. Destruí-la é coisa pouco complicada. Fácil mesmo nestes dias que correm. O desafio está em sabê-la manter firme.

O casamento, a vida a dois, é um surpresa todos os dias. Porque, e como dizia uma pessoa que eu cá sei, não há mais oposto neste universo do que um homem e uma mulher. Logo, como poderá tal coisa dar certo?

Mas o milagre acontece, de facto. E melhor do que isso é conseguirmos gostar do outro de maneiras e formas diferentes, todos os dias, todos os minutos.

Porque eu gosto ainda mais de ti todos os dias.

8.9.09

Dois amores





Não sei do que gosto mais.
Se do cheiro do mar, do sal e do barulho da areia a moer o fundo da praia. Se do cheiro do campo, dos sobreiros a ferver e da terra seca com uma brisa que vem de longe.
Ando no meio dos dois, nestes dias.
Será mesmo que os opostos se atraem?

4.9.09

Recomeço

Setembro é o mês de recomeçar.
Há quem ache que o ano novo devia começar em Setembro. Não em Janeiro.
O ritmo do dia-a-dia vai lentamente tomando balanço, como uma enorme máquina de roldanas que se ergue do silêncio da última paragem.
Começam as aulas. Lembro-me de adorar o "regresso às aulas" quando não se chamava "regresso às aulas"; era simplesmente comprar um estojo novo e material de educação visual, forrar os livros e imaginar quem seriam os novos colegas da turma.
Começa o último trimestre do ano. As cidades esquecem os dias da praia.
A natureza prepara-se retomar a sua atmosfera húmida e verde. O Verão é coisa rápida, realmente. O Outono espreita.
Sempre gostei desta sensação de final de Verão e início do Outono. Não sei se ela existe feita provérbio, mas podia!

2.9.09

Nasceu um anjinho cor de rosa!

Nasceu a Maria Margarida! E eu sou oficialmente Tia, pela primeira vez.
Nasceu a minha sobrinha.
Parabéns e sê bem vinda ao mundo novo. A Tia Rita tirou esta foto a pensar em ti.
Espero que gostes.
Foi num final de dia, com o sol bem dourado, no jardim da Casa que irás conhecer e fazer parte.
Também foi em Setembro, mas há quase 9 anos, que eu lá casei com o teu Tio.
Aqui fica a tua flor.

Nota: a Maria Margarida nasceu dia 1 de Setembro às 18h04.

28.8.09

Instantes da minha cidade








Os dias e as noites.
A minha cidade.

Faço parte dela há pouco tempo, e talvez por pouco tempo aqui a continue a desfrutá-la...

Mas nestes momentos em que a retrato em que a sinto, sei que gosto dela.

E gosto mesmo!

25.8.09

Rir

Há uma coisa que assusta muita gente neste País: rir.
Para muita gente, rir é coisa dos palhaços. Dos tontinhos e dos parvinhos.
É quase interpretado como um sinal de fraqueza, de inferioridade.
Há imensa gente que tem medo de rir. Não se ri, pronto. Não consigo perceber.

É triste ter medo de rir. Não é preciso ser-se palhaço para se rir ou fazer os outros rir. Basta ser-se sincero, por dentro e por fora. Sorrir ainda alguns o fazem, mas rir é um passo mais à frente.
Eu tinha uma Avó que sorria pouco mas ria-se imenso. Dava umas boas gargalhadas de vez em quando. Eu adoro rir. Rir até doer a barriga. Para isso não é preciso ver filmes para rir. Basta nós próprios e o que vai cá dentro da cabeça. Sem medos nem preconceitos.

Mais do que rir, adoro fazer os outros rir. Acredito que muitos me julgam uma "tontinha", que coitada só se sabe rir. Também sei chorar (e bem!).
Acho que no fundo tudo se resume ao mesmo: esconder as emoções. Não vamos rir não vão pensar que somos parvinhos, não vamos chorar não vão pensar que somos uns coitadinhos.

Na volta, sou eu que estou ao contrário dos outros e efectivamente não devemos rir, nem fazer os outros rir que isso é coisa dos palhaços no circo. Tenho sorte porque tenho ao meu lado uma pessoa que me faz rir a todo o instante e eu a ele; e esta casa não é nenhum circo nem andamos junto no Chapitô.

Melhor ainda, gosto de rir sozinha, de mim própria.

23.8.09

Domingo


O Domingo é o único dia de semana que é um nome próprio (no plural): Domingos.

O Domingo é um dia complicado de se explicar. Desde que moro no centro da cidade que os domingos se tornaram piores...
Acabei de vir da rua, onde fui passear o Flash. Vazia. Há uma certa nostalgia. Muito suspiro.



Mais uma semana que passou a uma velocidade obscena, mais outra que está à espreita. As pessoas ao domingo deviam ter um sítio, tipo loja do cidadão, onde pudessem escolher o que fazer ao raio do dia, sentando-se numa cadeira e recebendo a opção escolhida por uma palhinha ou mesmo dentro de saco de soro fisiológico (um bocado futurista, é certo); do género:
Piso 0 - ir à missa; visitar os Avós e as Tias velhinhas; almoçar com os Pais; escovar o cão...
Piso 1 - ver episódios seguidos do Lost ; ler um livro inteiro; comer restos; dobrar meias e cuecas; andar o dia todo de pijama...
Piso2 - passar o dia a pensar que é Domingo; chorar porque é Domingo; enfiar-se num Centro Comercial e continuar a chorar.

O Domingo tem esta característica: é sempre igual em qualquer ponto da terra. Em qualquer casa do mundo. Eu evito sempre passar um Domingo quando estou a viajar, principalmente nas cidades. É uma tristeza pegada.

Parece-me que nada acontece ao Domingo. Nunca tomei grandes decisões num Domingo, nunca recebi boas ou más notícias num Domingo. Nunca fiz uma grande compra num Domingo. Eu própria nasci numa 4ªfeira.

O Domingo é assim uma espécie de "mal necessário" - temos todos que passar por ele, apesar de não adiantar grande coisa ao fim de semana, que devia ser 6ª e sábado e não sábado e domingo.

Nunca gostei de Domingos (os dias).

17.8.09

Pontos Fracos. #3 Revistas da "Tema"

Há uma Tabacaria a chegar aos Restauradores, quem desce a Av. Liberdade do lado direito, num centro comercial a cair de velho que se chama "Tema".
Consegue este estabelecimento comercial lisboeta juntar diversas variáveis que o tornam num "case study" do marketing moderno: 1. tem os empregados mais antipáticos e mal encarados do mundo; 2. tem um nome que não lembra ao diabo; 3. a localização é medíocre; 4. tem as mais fabulosas revistas à fase da terra; 5. conseguimos lá gastar 50€ em revistas em menos de 10 minutos.

A "Tema" (este nome é mesmo mau) vende tudo o que é mundo editorial das revistas nacionais (que para o efeito pouco interessam) e principalmente internacionais. Wall Papers e Vanity Fairs é coisa de meninos para "Tema". Há lá revistas com 200 páginas que custam 20€. São livros, portanto. Não. São revistas.

Têm aquele cheirinho da pasta do papel e do químico da tinta. As folhas são grossas com acabamento brilhante. As fotos são obras de arte além dos fantásticos anúncios de página inteira ou duas páginas (que nenhuma revista portuguesa ousa receber).
Há revistas de tudo: viagens e casas, culinária, jardinagem, arquitectura, gadgets, computadores, moda e decoração, design, pintura, música, arte, carros e etc, literatura, desporto, .... tudo o que faz parte do mundo está dentro da "Tema", exposto em duas paredes frente-a-frente ao longo de um corredor estreito, mas suficiente para ir deitando a baba à medida que o vamos percorrendo.

Lá dentro têm um aviso a dizer que não se podem ler as revistas; mas nisso a "Tema" é um outro fenómeno na nossa Lisboa e deixa-nos ficar ali a passar a tarde, a comer aquelas revistas com os olhos.
Depois, quando damos por isso, lá vêm mais uns quilos de ecoponto azul para dentro de casa... mas sabe muito passar umas horas dentro dos mundos da "Tema".

A "Tema" é uma tentação!

13.8.09

Parabéns, querido Pai!



Quando entrava pela casa, sabia que ela iria estar por ali, para me receber à porta, sentada a ler com uns óculos de massa de tartaruga, na cozinha ou na copa a orientar o jantar, no jardim, na varanda.... sendo sempre ela própria, como ela sempre estava.

Irrepreensível, sóbria e eterna. Como o colar de pérolas que usava, as roupas clássicas que vestia, as frases curtas em inglês que soltava quando se referia a uma situação caricata.
Encontrei-a tantas e tantas vezes, mas ela naquela altura (julgava eu) pouco ou nada me dizia.
Não entendia aquela atitude, porque não havia de brincar comigo, conversar talvez.
Era demasiado terrena para mim, que me achava uma princesa e ela a bruxa má.

Depois cresci. E ela morreu. Estupidamente cedo demais. E em mim cresceu uma ânsia de a ter conhecido melhor. E hoje teria tanta coisa para lhe contar, para que ela me ajudasse com aquela clarividência própria a entender as coisas.

Dela guardo os anéis que ficaram nas partilhas. Porque temos os dedos do mesmo tamanho, pelos vistos. Uso todos os dias uma aliança que era dela, ao lado da minha. Assim penso nela todos os dias. Na minha Avó Berenice.


A Avó Berenice é a Mãe do meu Pai que hoje faz 65 anos! Este texto foi escrito para um exercício de auto-hiper ficção, com o seguinte tema: tive um encontro com uma pessoa que me marcou na minha vida? onde foi? como foi? o que ela me deixou de presente?
A foto foi tirada cá em casa.

11.8.09

10 de Agosto 1977



Um dia depois a minha Avó Berenice enviava por correio este recorte aos meus Pais. Eu tinha nascido no dia 10 de Agosto.
Os meus Avós estavam em Londres, pois tinha adoecido o meu Avô...
Julgo não ser merecedora de tanta genoridade, mas como faço anos e dando-me a escolher um presente especial (impossível, já agora), escolho o ter conhecido e convivido mais com os meus Avós.
Preciso de Avós. Cada vez mais sinto essa falta, de um ancião.
Como não os "tenho" aqui comigo, converso com eles e muitas vezes pedindo-lhes um conselho, uma opinião, uma consolação. E tenho tido resultados!

6.8.09

à mão...







Numa tarde de Agosto, a natureza oferece-me o que tem de forma despojada e simples; daquilo mesmo do que é feita.

amoras, figos, pêras, pêssegos, oregãos...

E tal como ouvi no outro dia: como é possível o Homem fazer tanto mal à natureza que tanto nos dá?

3.8.09

meu querido mês de Agosto...

Agosto é um mês lindo!
Nesta altura do ano não há terrinha neste nosso Portugal que não tenha uma Festa.
Um Santo ou uma Santa.
Bailes, quermeses, bandas, fogueiras, cheiro a pão com chouriço, mais rifas, churros, pista de carrinhos de choque, gado vivo, cestas de verga e saquinhos de pano com colheres de pau...
Das melhores recordações que tenho de infância são das Festas nas aldeias; no Caramulo passei as melhores férias da minha vida. Sempre em Agosto, no meio da Serra! Lá havia sempre Festa, mas para um "upgrade" iamos até Viseu à Feira de São Mateus.
Foi em Agosto que fiz o meu inter-rail com mais duas amigas pela Europa e foi em Agosto que comecei a namorar com o meu Príncipe!

É o mês do emigrante, das noites quentes, dos casamentos em Fátima, dos amores de Verão, do gelado ao final do jantar com direito ao chinelo a raspar no chão, de meter o porta moedas debaixo do braço enquanto se vai ás compras, de chinelar mais um bocadinho no meio do Modelo enquanto se mete tudo para dentro do carrinho... é Agosto!

A praia está carregada de bolas de berlim (infelizmente, sem creme), batatas fritas e águas fresquinhas. A "Olá!" é a nossa melhor amiga além do chinelo que raspa mais um bocadinho na passadeira a caminho da praia.

Agosto é o mês de suspirar junto ao mar com o sabor do sal na pele, de comer tudo o que seja servido em pratos pequenos, com palitos, guardanapos e garfinhos a acompanhar.
É quando espreitamos mais além e vemos que estamos a quatro meses do Natal, que tinha sido ontem, que o ano já passou mais de metade, mas que ainda agora começava.

Eu nasci em Agosto e apesar de nunca ter tido uma festa de anos como deve de ser, acho que não deve haver mês com mais festas do que este.

Meu querido mês de Agosto!

27.7.09

Luz


Sempre gostei da forma como a luz brinca com tudo.
Com as pessoas, com as árvores, com os bichos, com as folhas... a luz é matreira!

Aqui estava eu sentada num jardim e a luz brincava com a árvore. Aparecendo, desaparecendo.

Foi difícil... um segundo e clic! apanhei-te!

Neste jardim perdido no meio da cidade e de milhares de carros que passavam ao fundo na Auto-Estrada, a luz brincava sozinha.

Fiquei com ela uns minutos enquanto me aquecia as costas e o pescoço. Deixei que uma formiga andasse entretida no meu braço e despedi-me da luz, por enquanto.

Há dias em que o ar é muito suave e macio. Respira-se bem e o vento é leve. Ontem foi um desses dias de luz.

26.7.09

Um desabafo - II

Desta vez é uma conclusão a que já tinha chegado há algum tempo... mas serviu a confirmação da última vez que se passou (esta semana).
Se há coisa que faz muita confusão na cabeça das pessoas, numas mais do que em outras, pois claro, mas confusão faz, é uma mulher não ter filhos. Pior ainda, não casar. Péssimo e horrendo: estar casada há uns largos anos e não ter filhos.
Há que tirar esse mistério rapidamente a limpo! Qual quê? Casada e sem filhos? Como? Disse que não era casada e vive sozinha? Desculpe? E não quer ter filhos? Mas quer e não tem ou não quer e podia ter?

Como sou casada e não tenho filhos posso falar desse sector ostracizado da sociedade; já as mulheres solteiras não posso falar por elas, mas sinto que devem sofrer o mesmo tipo de radio-x à míngua da razão humana de estar na terra: viver em família e fazer filhos.
A cabeça começa em ebulição e as palavras são mais rápidas do que a razoabilidade.
Primeiro é o olhar compulsivo para a barriga: se estou de vestido, de t-shirt, de calções, de sobretudo ou de bikini, é igual. Um segundo na barriga, dois segundos nos meus olhos e mais um segundo na barriga.
Depois começam as perguntas cheias de segundas intenções (mas julgam que eu cheguei aqui ontem, não?): que idade temos? estamos casados há muito tempo, quanto? tanto? os Pais já são reformados? agora é que calham bem os netinhos, não é? eles gostavam, não? onde são as próximas férias? agora com o cão é que arranjamos uma companhia, não é? não é verdade que estes cães gostam muito de crianças?

Já quando as cabeçinhas estão prestes a rebentar, tipo panela de pressão sem pipo, não aguentam e deitam cá para fora o pavor que lhes enrola a língua, não sem antes começarem a corar ligeiramente: "Não leva a mal se lhe fizer uma pergunta....?"

Pronto.

É aqui que começa a minha diversão no massacre daquelas cabeçinhas. Elas acham que termina o sufoco que sentem de semanas, meses e até mesmo anos a fio sem ver uma melancia que crescesse na minha barriga.

"Ainda não temos filhos..." deixo o "ainda" no ar como quem atira uma moeda. Ficam para elas as conclusões. Mas agora o "ainda" não me tem servido e já há quem aprofunde a questão e lance um sapiente conselho: mas se pensa muito nisso é pior!o melhor é não pensar muito nisso...

Não pensar muito nisso...

Este desabafo é meu. E como é meu, escrito no meu Blog, eu aproveito para enviar uma enorme abóbora a cada uma destas pessoas que me inundou e me irá inundar com esta sabedoria popular-pré-natal. E vou pô-la em cima da cabeçinha de cada uma.
É pesada? Muito?
Não pensem muito nisso...

21.7.09

Um desabafo - I

Apenas mais uma confirmação daquilo de vinha a suspeitar há algum tempo.
Há algum tempo, desde que tenho um cão - o flash.
A pior raça de cão que existe é a: dono-de-cão português!

Graças à sua audácia e sentido de educação e civismo, temos um País onde os cães são tratados como gado vivo, ou seja, não se leva um porco ou uma vaca para dentro de um café, certo?
Claro que não! Assim como não se leva uma ovelha para uma praia ou uma cabra para um centro comercial.

Prova da destreza e da agilidade do dono-de-cão português, são os testemunhos que tenho vindo a recolher dessa gente abonada em verdades absolutas e fantásticas sobre o que é realmente um cão de companhia.

A saber:

- O Boss é um espectáculo! Só eu e a minha esposa é que nos podemos chegar a ele, outra pessoa eu não sei. Se deixar a mão assim solta ele vem logo cheirar e se for preciso morde! ai, morde, pois!

- O meu cão tinha uma personalidade como eu nunca vi! Ele se fosse preciso brincava consigo, mas não lhe dava muita confiança, e às vezes, vai não vai, lá ia uma rosnadela... pois ele só comigo é que ficava bem!

- Ele (o cão, um caniche por sinal) se ficasse aqui como está o seu (deitado à porta da frutaria à minha espera) desatava a ladrar. Ele não é cão de estar sossegado. Mas o seu é assim tão calminho... coitadinho se calhar está triste.

- Se fosse o meu cão aqui (numa esplanada, em que o deitei debaixo da mesa) já tinha dado cabo disto tudo! Deitava tudo ao chão, as mesas, as cadeiras... tudo!

Depois ainda há as toneladas de caca que preenchem as falhas das pedras da calçada em Lisboa, porque ninguém as apanha (cães vadios já não existem no centro da cidade), as criançinhas histéricas que desatam aos berros quando vêem um cão porque as mães ainda as incentivam com mais gritos, do estilo: "Se o seu cão toca na minha filha, você paga-me uma indemnização que vai ver!" ou então, quando mais velhas, gritam aos ouvidos do flash "auuuuuu, auuuuuu" numa bonita tentativa de contactar com o bicho.

3 em cada 5 pessoas com quem eu e o flash nos cruzamos na rua não gostam de cães: desviam caminho, atravessam a estrada, fazem caretas, esticam os braços para se afastarem...
Aceito que se tenha medo dos cães ou que não se aprecie a sua presença.
Eu adoro animais, uns menos do que outros, como os gatos, por exemplo, mas respeito-os sempre.
Daí a tratá-los como prolongamentos de micro-egos em disfuncionamento ou como micro-gente a quem se baptiza de igual modo, vai um bocado.

Cheguei foi à conclusão de que definitivamente Portugal não gosta de cães.
Isto é mau País para se ter cão...

20.7.09

Ir à Praça...



Assim que chega o calor e a atmosfera mole dos dias abafados lembro-me de ir à praça com a minha Mãe. Devia ser porque era na altura das férias e assim lá ia eu rua abaixo a empurrar o carrinho.

O cheiro dos pêssegos e dos morangos misturava-se com o sol abrasador, havia vespas a levitar sobre a fruta, folhas de alface no chão, abóboras esborrachadas e gomos de tangerinas translúcidas.

Eu tentava sempre procurar uma sombra pois não entendia como era possível alguém aguentar aquele calor (há mais de 20 anos atrás as estações do ano eram fiéis aos equinócios e por isso quando era Verão, era mesmo Verão - um calor insuportável de Junho a Agosto).

Quando finalmente a minha Mãe me levava para a sombra era um tormento... entrava-se então na peixaria! E o peixe todo gordo e luzidio mergulhado em gelo, as lulas moles e o peixe espada preto (que me fazia imenso medo).

Havia as flores e o pão e ainda a senhora dos ovos que os devia estar a cozer debaixo de um pano onde ela os escondia. Redondinhos e perfeitos.

Fui muitas vezes à praça com a minha Mãe. Muitas vezes me magoei nas rodas do carrinho e levava caneladas nas pernas (pela falta de jeito, pois), escondia-me nas sombras e fugia das vespas que se entretinham na polpa da fruta que pingava o chão preto de pedra e alcatrão.

Dias de calor, de cheiros antigos...

Foto: Mercado dos Lavradores, Funchal.

18.7.09

Mãe


O jardim que antecede a entrada da casa, unindo o portão à porta de madeira branca de quatro janelas em vidro e duas portadas compridas, é um quadrado verde perfeito.
Ao meio tem um caminho de pedra cinzenta, dos dois lados a relva, e a contornar o muro, os canteiros. Naquele tempo, havia ainda uma ameixoeira e um limoeiro. O limoeiro ainda hoje existe, o alpercheiro substituiu a ameixoeira.

De Verão enchia-se de verdes, de flores cheias de cor, de abelhas e besouros, de lagartixas e de formigas empreendedoras, e de bolas de futebol que os meninos da rua, sem querer, deixavam lá cair.
No Inverno vestia-se de gotas de água e sacudia o vento dentro de si.

Era raro o dia em que a minha Mãe não estivesse no Jardim, a maioria das vezes a cuidar dele, que a sabia de sua volta. A podar roseiras, a sulfatar o limoeiro que estava permanentemente com bicho e outras maleitas - mas que mesmo assim dava limões – a aparar as trepadeiras, a espreitar para dentro da terra a ver quando vinham de lá as flores. Quando o tempo a deixava, fazia do jardim o seu escritório, dava aulas a alunas estrangeiras, lia, dormia a sesta e até levava o cavalete e as tintas para as suas pinturas.

No Inverno, conversava com ele lá de dentro, espreitando pela janela. Seguia o estado da relva, fazia o ponto de situação das flores – normalmente a roseira nunca estava no seu momento certo – discutia com o meu Pai se devia plantar um arbusto de ibisco ou mais patas de cavalo.
E namorava-o assim durante todo o ano. A minha Mãe recebia-me da Escola no Jardim, foi no Jardim que eu cresci e que nós os quatro nos juntávamos todos os verões ao jantar.

O Jardim era o mundo da minha Mãe - e eu a ela sempre a imaginei como uma borboleta branca, a gozar cada flor, a pousar em cada canto, a cheirar os limões e a levitar docemente pelo cheiro da terra molhada.

Serpa - Retiro de Escrita, Julho 2008

P.s - Parabéns, querida Mãe!

16.7.09

à espreita...


Hoje no bolo de arroz é dia de celebrar. Celebrar a vida, a família, o amor.
O meu irmão, que deve ter lido uma vez este Blog, faz hoje 35 anos e a minha mãe também está de parabéns.

Foi um primeiro filho muito desejado que nasceu no meio de um turbilhão de sentimentos e emoções. Ainda hoje, 35 anos depois, conseguimos sentir essa presença nas palavras da minha Mãe.

O Flash está à espreita, aguardando um novo momento de celebração e de vida.
Que está para breve, we hope.

Parabéns mano João, esta foto também é para ti.

14.7.09

Nós e os Animais

video

Regressarei sempre a este tema, pois sou uma crente no milagre que é a relação entre os Homem e a Natureza, neste caso os animais.

Entre os dois sempre existiu uma comunicação muito própria e tudo passa por um sonho de um dia ir para junto deles. George Adamson e Jane Goodall são duas histórias diferentes, mas com um mesmo motivo - conviver e conhecer os animais. Leões e Macacos, respectivamente.

Este filme é a prova de que o milagre acontece.
Em 1969, dois irmãos ingleses compraram uma cria de leão que estava à venda no Harrod's. O leão Christian cresceu a correr num jardim de uma Igreja em Chelsea e vivia em casa. Aos 9 meses tornou-se incomportável manter um leão em Londres e resolvem enviá-lo para o Quénia, para uma reserva de leões (de George Adamson).
O vídeo mostra o reencontro do Christian com os dois irmãos, um ano depois de estar na selva. No final vêem uma leoa que também os cumprimenta - era a companheira de Christian que vendo aquela manifestação de amizade pura, juntou-se a eles, sendo que nunca os conheceu na vida.

Eu vi o documentário completo na tv com os dois irmãos a falarem nos dias de hoje sobre aquela convivência com o Christian.
Fiquei com um nó na garganta... e quis partilhar.

11.7.09

must love dogs



Desde Janeiro que partilho praticamante todo o meu dia com um cão. O Flash.
A adaptação à vida caseira foi feita seguindo os conselhos e os livros com toda a informação sobre estes seres de quatro patas. Que são seres verdadeiramente únicos e muito curiosos.
Como nenhum outro animal, o cão vive para fazer companhia aos seus donos, para ser parte de uma família. O cão existe para viver junto de nós. É como os touros. Apenas servem para as touradas, mais nada.
O cão pode ainda servir para a caça, para resgate de pessoas, para guardar casas e rebanhos, mas tudo, tudo se resume a uma coisa: ao contacto com o Homem. Ele faz tudo isso, mas apenas porque tem uma voz de comando que o "coordena" e retira o melhor de si, dentro da sua "linha" de raça.

Quando resolvemos acrescentar este novo elemento, sabíamos que seria um passo arriscado. Só sabe isso quem realmente gosta de cães. Porque quem realmente gosta de cães, e os conhece, sabe dessa dependência total que eles têm com os humanos.
Mais do que uma criança, que cresce e se torna autónoma, um cão depende totalmente de nós.
Não vai à torneira beber água sozinho, não abre a porta para ir à rua e fecha-a à chave.
Quando não estão connosco sobrevivem, tal como vemos os cães na rua, tal como um sem-abrigo. Sobrevive daquilo que encontra e daquilo que lhe dão.

A fronteira entre entender tudo isto, porque afinal de contas é um cão, e humanizar os cães como se vê muito por aí, é ténue.
É muito fácil esquecermo-nos rapidamente de que ele é um cão e dar-lhe um nome de gente, pô-lo a dormir na nossa cama, dar-lhe comida à mesa, limpar-lhe as patas com toalhetes de bebé, enfim...

Já se passaram 7 meses de convivência com o nosso cão e ele é aquilo que nós fizemos dele. Mas é um cão. Dou por mim confusa e cheia de sentimentos por ele, ao mesmo tempo que tento racionalizar que ele é um cão.
Infelizmente, e especialmente cá em Portugal, os cães não entram me lado nenhum. Não podemos ir à praia, a um hotel, a um café, a um centro comercial, a uma repartição de finanças.
Tudo isto por culpa... dos donos dos cães. Que os deixam correr atrás de tudo, ladrar porque mostram ser muito ferozes, fazer xixi e cócó em todo o lado e não apanhar. É uma disciplina inexistente. Que, bem pensado, é a mesma que vemos numa geração de gente sem educação nenhuma.
Talvez o nível de civismo dos cães revele o nível de civismo da sociedade em que vivem... seria um bom indicador!

Os cães precisam de donos e por isso precisam de educação. Quando se tem um cão assume-se um compromisso para o resto da sua vida.
Serão sempre felizes, sem dúvida, porque exigem muito pouco: apenas toda a nossa atenção.

9.7.09

silêncio



Tirei esta foto em Paris, na catedral de Notre Dame. Gostei do contraste do preto e do branco, da mulher e do homem e dos tecidos que quase se tocavam no chão de pedra.
Apesar de tudo haver naquele momento, gente, barulho, agitação, encontrões..., sabia que esta fotografia haveria de me remeter para um silêncio que eu procurava.
Hoje procuro isso. A palavra pode ser sagrada, mas o silêncio é de ouro.

6.7.09

maré vazia

Há dias que são de maré vazia... Deixam a alma despida, à mercê das pegadas, sensível.
A película de água que cobre a areia é tão ténue que parece um véu delicado. Deixa no ar o aroma do sal e da saudade. Às vezes sinto-me como a maré vazia.
Ao final do dia,
a praia é senhora de si, não precisa que lhe encham e esvaziem a maré. As gaivotas surgem no seu tempo, as pegadas diluem-se no mar que as leva como quem esconde segredos.

O mar, aquela massa densa de água salgada, é a coisa mais perfeita do mundo. Enche todos os recantos do globo. Preenche todos os pedaços que a terra não ocupou. Mantém-se firme, agarrado ao seu fundo. Cheio de sal. Quente e Frio.

Quando o mar recua da terra, deixa as feridas à vista, as rochas nuas.
Às vezes sinto-me como a maré vazia. A areia lisa e fina espelha a luz do sol. Inspira-se o sal, fecham-se os olhos, expira-se um sentimento.

O sentimento da maré vazia. É a tristeza, então? Não. A maré vazia não é triste. Melancólica? Também acho que não, talvez sensível. Por que tem a energia das ondas, não pode ser triste nem melancólica. Mas tem qualquer coisa que não se explica. Que se sente, como se aquele véu de água salgada percorre-se o nosso corpo e com ele levasse o cinzento dos dias e trouxesse uma memória, um cheiro de um outro dia, de uma outra vida.

Somos feitos de marés. Uns dias cheia, outros vazia. Nada é perene.
Mas lá vêm novamente os ciclos, as coisas redondas e completas de que eu tanto gosto. Um dia a seguir ao outro.
Uma maré depois da outra.





2.7.09

Pontos Fracos. #2 Arrumações

Ora, retomando a minha lista de coisas que me deixam mais à mercê da tentação, as arrumações estão quase taco-a-taco com uma saca de amêndoas torradas ou umas nozes para partir, feita um esquilo esquizofrénico!
Adoro arrumações. Então, se incluírem deitar coisas fora, encher sacos do lixo pretos e sacudir o pó do tempo, melhor!
Costumo dizer que enquanto faço arrumações, arrumo também a minha cabeça. Gaveta abre e fecha, deita coisa fora, põe no lixo, arquiva, põe no monte dos "to dos", tira do monte.

Acho que o Kant também devia adorar arrumações, porque quem inventa uma coisa como o pensamento categórico, em que dentro da nossa mente é só arquivadores cheios de informação e de coisas, sabe que de vez em quanto temos de arrumar, eliminar e deitar fora.
Por dentro e por fora.

Isto no caso das papeladas de casa e do trabalho. Quando chegamos a roupa e afins a regra é: se não usei na última estação é porque nunca mais vou usar.
Daqui resultam horas e horas em que ando de cabeça no chão e rabo no ar, sôfrega a triturar papeis e coisas. Diz quem assiste, o meu Príncipe, que perco a noção do tempo e das horas, entrego-me à tarefa feita missão e há que ter cuidado porque o critério do "deitar fora" é curto. Pouca coisa resiste às minhas arrumações.

Pior ainda, é que eu não sei qual será a próxima vez que irei ter um "surto" de arrumar/deitar fora. É psicossomático. Aparece e desaparece. Quando vem, tem mesmo de ser. Às vezes é de manhã, outras à noite. À tarde. Entrego-me ao surto sem resistência nenhuma.
É sem dúvida uma fraqueza minha, mas sou orgulhosa das minhas arrumações e depois de feitas sinto um prazer enorme.

Como se tivesse comido uma bela fatia de pão de ló!
... e fico toda arrumadinha, dentro e fora.

28.6.09

Manta de Retalhos - Maria Helena

Mais uma vez dedica-se o Bolo de Arroz aos velhos. Desta feita, a Maria Helena. Conheci-a num passeio de barco pelo Tejo. Estava toda contente, junto à proa, com as mãos a agarrarem um sorriso aberto e sincero. Vi-a e quis logo saber se talvez seria a primeira vez que andasse de barco.
"Não." - disse-me ela - "É que lembra-me quando ia para os Açores com os meus Pais..."
Maria Helena mora em Caselas, tem 80 e poucos anos e é toda enxuta e pequenina. Este dia era um dia feliz para ela. Lembrava-se do seu marido, já falecido há 40 anos.
"Eramos tão apaixonados."

O Pai era militar e a família de Maria Helena mudou-se para o Faial. Lá, ela conheceu o marido que tinha uma casa de cortes de fazenda. O Pai opôs-se ao namoro, porque ela era uma menina do Continente. Já ele era louco por ela, e na incerteza da bênção do sogro para aquela união, disse-lhe um dia: "Fugimos os dois e casamos. Vamos fugir, Maria Helena?!"

Não foi preciso fugir porque acabaram por casar cá em Lisboa. Tiveram filhos, mas esses estão fora da capital e Maria Helena mora sozinha num apartamento pequenino. Todos os dias tem uma combinação com a vizinha - se até às 9h30 ela não abrir o estore da janela do quarto, a vizinha pode e deve entrar em sua casa, para o caso de haver algum azar.

E o amor?

"Eramos loucos um pelo outro, ainda hoje nunca fui capaz de gostar tanto de alguém como dele."
Descemos do barco e com ela iam mais umas velhotas, amigas do Centro do Dia, com quem Maria Helena passa as horas devagar.
A viagem até aos Açores tinha sido curta, mas serviu para sentir a cor do mar azul que banhava os olhos da menina lisboeta que se iria apaixonar por um ilhéu.

Os últimos anos 20 anos da nossa vida servem para reforçar os primeiros 20. Tenho notado isso de uma maneira sistemática. Idos os filhos já criados, os anos de trabalho e de dificuldades, mudanças de casa e de emprego, fica aquilo que eramos antes de tudo existir.
Os hábitos genuínos, os medos, as angústias, as manias, os sentimentos - aquilo que nunca deixou de estar cá dentro, mas que durante uns anos andou adormecido.

Naturalmente, não podemos andar a avisar as pessoas que até aos 20 anos têm de notar bem aquilo que são, porque muito provavelmente é o que lhes irá revelar os últimos anos da sua vida.
O ciclo fecha-se assim, retomando o seu início.

É por isso que gosto de velhos. Da mesma maneira que gosto de coisas arrumadas e redondas, como um donut (pode ser o chocolate frosted da dunkin donuts...!).
Por que estão a completar-se e por isso a viver as "dores de crescimento".
Uma última vez.

Foto: Jardim Gulbenkian

24.6.09

Aviso!


Há bolo de arroz que se vende por aí sem qualquer tipo de camada, dita capa de açúcar! o que vêem branco na foto ao lado é o reflexo da luz da montra.
Ora, reparem bem neste aqui logo no canto inferior direito.
Nada, está nuinho!
Uma vergonha que tinha de denunciar aqui, no seu devido espaço público.

Isto é como atirarem com areia para os nossos olhos!
Como se no fundo do corneto não viesse aquele bocadinho de chocolate. Foi como ontem, 3ªfeira, não ter dado o episódio do Lost na FOX.
É quando chegamos ao Hotel e não há touca de duche, só gel de banho a cheirar a soflãn.

A vida é muitas vezes um bolo de arroz sem camada de açúcar.
Era suposto que... Mas não é.

Entra-se aqui num terreno complicado, pantanoso. Uma coisa que aprendi e de vez em quando me lembro e falo comigo.
São as verdade absolutas. Que é quem vive de verdades absolutas. Que o bolo de arroz tem camada de açúcar do princípio ao fim da vida. Que tudo é absoluto. Ou vivem uma vida inteira de vista turva ou a partir do dia em que salta a pergunta, tipo pipoca, cá dentro, é o princípio do fim. Do fim das verdades absolutas. Que não existem. Nunca.

Que todos os dias o sol se levante e se ponha, temos nós a certeza.

Até ao dia.

22.6.09

Viajantes

O Bolo de Arroz regressou de férias! Um sucesso!
Houve tempo para sopas (frias) e descanso e alguma meditação, também.
Do tema a inaugurar o Blog pós-banhos, havia vários, mas uma súbita ideia atingiu o Bolo de Arroz logo no último dia, já de regresso a casa.
Os viajantes. Os viajantes e essas megas cidades que são os Aeroportos.
Em condição de viajante, julgo ser o papel mais vulnerável e fragilizado em que o ser humano se encontra.

Então, vejamos:
Estar fora de casa, de terra, de tudo.
A vida toda dentro de uma mala - samsonite, roncato, caprisa, seja lá ela o que for, vai tudo dar ao mesmo.
Presos aos paineis de informação do Aeroporto.
Dispostos a pagar 37€ por uma sandes de fiambre seco, uma saca com 25gr de batatas e uma coca cola.
A andar descalço, sem cinto e com a vida toda radio-xizada.

Já no avião:
Confinados a uma cadeira e a um cinto de segurança.
A comida que recebemos como água no deserto.
A dores de ouvidos insuportáveis, a revistas sonolentas e a má luz para ler.

Sim, há a diferença entre o turista e o viajante. Verdade. Sendo o verdadeiro viajante aquele que dispensa o avião e aventura-se pelo mundo. Mas esqueçam lá isso.
Todo o mortal vai ao Terminal XPTO que se lixa e embarca. Como se aquilo fosse um barco.

Os Aeroportos são zonas francas. São um género de zona neutra, onde todos não são ninguém. Mesmo os que têm malas em fibra de carbono com rodinhas em todos os cantos, que frequentam os "lounges" VIP, que viajam com a pastinha debaixo do braço e i-phone...
Todos, todos se resumem ao mesmo.
São mundos destacados de um País, são globos terrestes em versão de carrinhos de malas, são portos de chegada e de partida. São poços de beijos e de saudades, de abraços e de lágrimas. Kilómetros de pessoas que estão em trânsito, nunca para ficar.

Já conheci alguns Aeroportos e pelas diferenças que existem entre eles, há sempre uma mesma sensação que lhes é comum. Que quando lá entro, há um fio que me desliga à tomada. Quando regresso, volto a ligá-lo.

11.6.09

O bolo vai de férias....

O bolo vai de férias uma semana.
Apenas para deixar o aviso aos 3,5 leitores que me seguem com alguma regularidade... espero trazer novidades pasteleiras de outras terras, ou não.
Vamos ter de pôr protector, pois o sol lá aperta.
Vou voltar com a marca da cinta do "fabrico próprio"!
até lá

8.6.09

Pontos fracos. #1 Sapatos que me sirvam


Se há coisa que eu gosto é de listas.
Ajudam a arrumar as coisas cá dentro, são mapas da nossa cabeça, coordenadas que resolvem assuntos e itens.
Então, resolvi fazer uma Lista dos meus 10 pontos fracos, tipo auto-análise SWOT!
Podem-se também chamar fraquezas, conforme a opção da tradução.

O nº1 não é por ser o mais fraco dos fracos. É só um bocadinho...
Sapatos que me sirvam, remete-me para o facto de que calço um número grande (40/41), logo tenho um pé grande. Além de grande é gordo. Isto é, papudo. Tipo sapo. Mais ainda, tenho o peito do pé alto.
Ou seja, tenho um pé maravilhoso de se calçar. Logo criei uma paranóia. A privação levou-me à obsessão e como não fui com eles (com os pés) para a psicanálise, eles não sabem que se devem aceitar como são e que deve ser a realidade a adaptar-se a eles e não eles à realidade.

Resultado: se apanho um par de sapatos que me sirvam é uma campanhia que dispara aqui dentro. Começo logo a salivar tipo cão do Pavlov. A cabeça perde o sentido, e se precisava de uns sapatos pretos e friamente os procurava, terei de comprar aqueles que me servem e que são... encarnados. Amarelos. Cor de Rosa. Não interessa. Servem!
Eles, ali ao fundo das pernas, com os dedinhos a dar a dar olham para mim todos contentes: ai que bom! uns sapatinhos a cheirar a novo! e não magoam. e têm um salto bom, e fazem as pernas altas.
As pernas, essas começam a gritar ao mesmo tempo que o rabo, e dizem: estamos mais altas e o rabo mais pequeno.
E depois começam todos a gritar ao mesmo tempo: compra! compra! compra!
E eu, de mão trémula alcanço a carteira e o cartão multibanco, enquanto o meu lado esquerdo do cérebro pede-me raciocinio, frieza e diz-me claramente: "tu não precisas destes sapatos, só os estás as comprar porque te servem."
Já não nada a fazer Sr. Lado Esquerdo, eu vou comprá-los. Obrigado por existir na mesma.

E sim, já levei o Sr. Lado Esquerdo à Bergdorf Goodman em Nova Iorque; pensamos os dois nuns Jimmy Choo pretos. 350 dólares. Vamos nessa Sr. Lado Esquerdo, para mim é uma vez na vida e para o Senhor? Não cabiam. O 41. Saí de lá a chorar agarrada ao saco da Loja (outro ponto fraco) cheio de papel de seda e dois cremes lá dentro.

Pronto. E esta é a experiência mais ou menos dantesca que eu vivo cada vez que uma sapataria se cruza no meu caminho. Eu não as procuro, são elas que me perseguem.

Sim, meu Principe, agora já compreendes não é? Já não te zangas com os meus sapatos pois não? São lindos... my preciousssss...

4.6.09

O mestre pasteleiro!

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Porque o humor será sempre uma filosofia de vida...
o maior filósofo de todos!