29.9.12

Vai desde já um pedido de desculpas pelo atraso no escritismo deste canto, mas não tenho tido vagar!
Não é que me ande a beijar ao espelho, qual Narciso, mas ando a fazer coisas que gosto muito e isso é bom.
 
A Cozinha com Alma recebeu mais 12 famílias para as Bolsas Sociais e eu sou a primeira cara que as recebe, ouve e apoia. Para lá de toda a burocracia que faz parte destas coisas, há encontros, conversas, histórias partilhadas. Como imaginam não é fácil, a minha formação não é na área social, acho apenas ter bom senso e algum equilíbrio mental.
Não é fácil ouvir pela boca de cada pessoa histórias de vida incomuns ao meu universo, tristes e injustas. Mas eu aprendo tanto nesse ouvir e dá-me imensa força, por muito que achem o contrário. São lições de vida que aprendo e crescimento que experimento.
 
A Lifestories aproveita a mudança de estação para se mudar. O nosso facebook está a animar, contactos, ideias, parcerias. Alguém no outro dia comentava que por ser mudança de estação tendemos a ficar mais cansados, quebramos, como as árvores e os bichos (o Falsh anda com uma neurazinha de ir para cama à tarde, tipo amuado). Mas é um óptimo sinal, eu adoro o Outono e este recomeçar nunca me fez tanto sentido!
 
E finalmente, o amor a dois.
Ao fim de 12 anos de casamento é maravilhoso ter projectos a dois, construir coisas em conjunto é fantástico. Há já muito tempo que queremos finalmente rumar a sul, para na Costa Alentejana iniciar uma casa, um projecto de vida que irá passar por turismo, comunicação, agricultura (estou a dedicar-me ao estudo de plantação de frutos vermelhos) e vida ao ar livre.
Demos os primeiros passos há um ano, agora seguem-se os próximos.
Ando a semear o ano de 2013 de amor e compotas!
E já aqui está uma sementinha a crescer, mas sobre isso darei novidades para breve!
:)


23.9.12

A moldura

 
Uma fotografia 10 x 12cm sépia
Um passe partout em cartolina amarela
Um vidro 10 x12 cm
 
 
A ela só lhe interessava a moldura, o conteúdo era-lhe indiferente. A moldura era de prata casquinhada, tinha uns floreados e em baixo as iniciais E.M.
Despejou a fotografia na rua. Um homem de bigode e casaco abotoado. Indiferente.
Ela é superficial. O que conta é o que está por fora, o interior é despojável. Se se chamava Eduardo Martins ou Eurico Mendes, o que interessa. Chamava-se qualquer coisa E.M, tinha bigode e pode muito bem viver no meio da rua.
A moldura é que conta. A prata. Os floreados.  


19.9.12







 

Conclusão: não fui à Manif!
É verdade, eu que estava tão feita para me juntar aqueles milhares e que depois adorei ver as fotos e as imagens no dia seguinte.
Mas a verdade é que o meu marido fez-me uma surpresa, o malandro! No sábado depois do almoço rumámos ao sul, à minha querida terra da Zambujeira do Mar que já me deixava tantas saudades...
Estava longe, longe de pensar que iria passar 3 noites fora de casa, num sítio ma-ra-vi-lho-so a Herdade do Touril, que há tantos e tantos anos conhecemos mas só agora experimentamos na pele a sensação de um serviço 6 estrelas, umas instalações fantásticas, um silêncio revigorante.
A Herdade do Touril é aquele tipo de sítio que dá um pão de quilo alentejano no final, antes de voltarmos a casa, que na casa de banho põe produtos da Damana e de onde conseguimos ouvir ao longe as vaquinhas a pastar na Herdade, que tem Nespresso e quilos de pardais a chilrear a manhã inteira.
É bom. Foi bom.
Sempre que me desloco para estas latitudes há um aumento de 300% de ingestão de pão alentejano. Torrado, fresco, só com manteiga, com doce, com queijo, no molho do arroz de peixe, com azeitonas, enfim...
E ainda visitamos as praias da nossa costa alentejana, tão agora famosas.
Acrescentamos mais uma ao nosso portfolio, a dos Aivados (junto a Porto Covo).
Linda, linda, linda. Sem concessão, permite levar o Flash, acessos fáceis, areal a perder de vista, mar perfeito.
O fresquinho da maresia já lá vai, agora  estou de volta ao calor da cidade, que eu já não aguento! (chega de Verão, venha o Outono que eu tanto gosto...)


 

16.9.12

4.380 dias


Que são precisamente 12 anos!
Não há palavras, só emoções, sentimentos, silêncios, olhares, sentires.
Tem sido uma viagem maravilhosa, cheia de surpresas, cheia de buracos e pneus furados, poucos mapas, zero GPS, mas não existe um melhor companheiro, um melhor amigo para descansar nas subidas e contemplar as paisagens na descidas... respirando fundo e recomeçando.
Não há bem maior do que ter ao nosso lado quem nos aceita como somos e quem nos desafia a ser ainda melhor.
Quero mais!

13.9.12

mixórdia de 5ªfeira

 
 
1. A Padaria Portuguesa tinha a sair bolinhas de água quentes, trouxe três, já comi duas. Eles dizem que é pão de água, deve por isso ser light.
 
2. No Sábado vou à minha primeira Manif, desde aquela em que participei com 15 anos contra a PGA há 20 anos. Aquela do rabo em frente ao Ministério da Educação, lembram-se? Em Cascais também houve "réplicas" disso e eu baldei-me às aulas no Liceu e juntei-me à Manif. Dia 15 não tenho outra hipótese, isto agora só lá vai com gritos e insultos.
 
3. A Vogue promove hoje uma noite de compras no Chiado até às 23h00, com 10% de desconto nas lojas aderentes. Estamos um bocadinho autistas, não?
 
4. Talvez ainda lá passe, assim comássim, e vou ao Santini, os gelados também levam tanta água que aquilo pouco ou nada tem de calorias.

5. Houve 45 mil candidatos ao Ensino Superior em Portugal e 85 mil à Casa dos Segredos, um reality show a começar em breve na TVI. Pensem vocês, eu até agora não consigo pensar em nada.

 
 


11.9.12


Há dias em que gostava de ser uma leoa a descansar debaixo de uma acácia, a contemplar a savana em África.
Esta imagem é o ilustrar perfeito das minhas curtas e breves ambições de pertencer a um outro mundo, do silêncio, do que é natural e não imposto, do que é ser-se e não parecer-se.
Mas também gosto de ir almoçar ao Chiado com as amigas e espreitar as lojas (pronto).

7.9.12

Perdidos & Achados


Um par de sapatos tamanho 36/ 37
Em pele castanha
Com salto em bom estado.
 
 
Abre-se um novo separador neste Bolo de Arroz.
E que é: o das coisas espantosas que se encontram na rua. Mais precisamente, neste caso, em cima de uma daquelas caixas de electricidade.
Um saco de plástico com um par de sapatos impecáveis e bem tratados. O saco estava exactamente assim, eu não lhe mexi.
Apenas puxei do telémovel e tirei a foto.
Coisas na rua, deixadas, esquecidas, abandonadas. São pequenos nadas, mas poderiam ser uma história tão divertida ou tão triste.
Não me bastam os estendais, agora gosto de andar a ver o que as pessoas deitam pela rua, de mãos esquecidas ou com a cabeça ocupada.
São rastos de gente. Eu gosto muito destas pistas que cada um deixa, e sigo-as como um cão a farejar a presa.
Quem também encontrar disto por aí, que se acuse!
E juntos fazemos um "perdidos&achados" como  um depósito de coisas e de pedaços de vidas.
 
 


5.9.12

A primeira vez


Para muitas e tantas crianças esta semana é um princípio, é uma primeira vez.
Para outras é o regresso.
Eu adorava voltar à Escola, adorava ir comprar cadernos e lápis, etiquetas, borrachas e papel autocolante para forrar os livros. Andava desde meados de Agosto a perguntar quando é que voltava à Escola, ficava em pulgas com a ideia de novos colegas, outros Professores, salas novas, livros novos, mochilas e estojos.
 
Só fui para a Escola na pré-primária, aos 5 anos, e a minha Mãe tem esses relatos escritos em que eu chegava ao portão do Colégio da Cidadela em Cascais, e começava a cumprimentar todas as amigas com beijinhos. A excitação era mais que muita, nunca fiz qualquer birra, eu estava doida para ter amigos, brincar, conversar e divertir-me.
(Ainda hoje se pode dizer que não sou uma rapariga tímida...)
 
Ontem, a minha sobrinha M. com 3 anos, entrou para o Jardim de Infância. A cena da choradeira, agarrada à Mãe, os guinchos e aquilo tudo que já é tradição nesta primeira entrada no mundo escolar não é coisa para a M. Ela estava doidinha para ir conhecer meninos, sentar-se na sala, fazer actividades, divertir-se e conquistar um espaço novo, com recreio e baloiços. Dormiu a sesta lindamente e comeu como uma crescida.
 
Quando ontem à noite vi o bibe dela pronto para esta manhã, não resisti em tirar-lhe uma foto. Minha querida sobrinha, sempre tão amiga dos outros e uma criança tão feliz.
Claro que os outros também são felizes, mas choram que nem um desalmados e coitados julgam que é o fim do mundo.
 
Mas esta é uma etapa maravilhosa na vida deles. Não houve ano da minha vida de escola em que eu vibrasse com estes dias, tal era o meu entusiasmo!
A M. só fez beicinho quando percebeu que o dia ía acabar.
Eu fazia birras quando a minha Mãe não me deixava levar socas para o Colégio.
Há coisas nunca mudam.
 

3.9.12

um post de cenas fúteis vs questões profundas



Os meus presentes de anos: uma mala linda de morrer da Longchamp (a pliage em pele cor camel) e o anel veneração da Stylista, a cobra que se enrola no dedo!
 
Agora, as minhas inquietações:
 
De mala com cheiro a pele ao ombro e anel no dedo, nunca este mês de Setembro me deu tanta volta à cabela. Tenho de definir a minha vida profissional rapidamente.
Desde que cheguei de Moçambique que isto anda aos bocados, pára, arranca, anda, tropeça. E agora que toda a gente fala do "recomeço" de "planos que se seguem", eu não tenho planos. E isso deixa-me muito baralhada e a fazer listas do que gosto, do que quero fazer, do que é viável, do que já há, do que poderia ainda haver, etc...
Ando perdida em pensamentos e listas.
Não cheguei a nenhuma conclusão.
Preciso de trabalhar, preciso de "fazer" pois como diz o Padre António Vieira: "Só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos".
E tenho esta frase escrita num post-it na parede em frente ao computador. E dói ler isto. Por que eu não quero apenas durar. Tenho muita coisa que comecei (Lifestories, Biografia do meu bisavó, romance, contos, etc...) mas nada que se tenha concretizado.
Preciso de concretizar.
E concretizar é uma gaita.
Prontos.
Já desabafei e agora vou arrancar a m**** do post-it da parede e resolve-se já o assunto.
 
 
 

Balanço dos últimos dias:
 
Um frasco de compota de Figo
Uma caixa com meia dúzia de ovos
Um camembert inteiro com papel e autocolante
 
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Um cão chamado Flash
 
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