29.9.11

Recados











Outra coisa que eu gosto, mas gosto mesmo, são momentos de uma espécie de "voz colectiva", como as frases que estão nos azulejos do Metro ou na entrada de um Museu, ou numa placa de uma casa e que estão lá apenas para "nos servir"...

Ainda não consegui encontrar um nome para isto, mas é quando a voz de um se torna na voz de todos de uma forma não violenta, nem ruidosa.

As frases são mudas. Cabe a cada um que passa e lê dar-lhe ou não a devida voz.

E passam os dias e as noites e as frases estão à disposição de quem as quiser ler e "levar".




Essa voz colectiva é, mais uma vez, uma partilha. Um momento de "nós".

Esses momentos não obrigam a que sejam sempre frases eruditas, complexas ou filosóficas. Tudo o que comunica tem uma missão e mesmo que essa missão seja deixar um simples recado, então está a cumprir o seu papel.


Por ser mais "sensível" a estes momentos, tenho já o hábito bastante vincado de ler tudo o que me passa perto dos olhos. Por que "alguém" comunica comigo e eu sou um receptor atento!

O meu "radar" vai até ao mais pequeno papel que é deixado na porta, colado numa janela ou na caixa do correio.

No meio dos tão comuns "vende-se", "arrenda-se", "férias", "fechado por motivo de obras", lá se vão encontrando umas frases que ficam no imaginário.

Era giro se todos fizessemos o mesmo! Tinhamos uma Enciclopédia Larousse da "voz colectiva" para o século 21!











27.9.11

Estendal

O que eu gosto de quando um vizinho faz uma máquina de lavar com os peluches e os bonecos lá de casa! São estendais que davam um filme da Disney. Misturam a boneca de trapos com o coelho orelhudo e o urso que cheira a morango e debota tudo se for preciso.
Gosto mesmo destes estendais e de pensar nesta "malta" toda na máquina de lavar, encharcados e cheios de espuma, a mandar vir uns com os outros. Uns constipam-se e reclamam, outros divertem-se de cabeça para o ar, a ver quem passa lá em baixo!
Há um clássico exercício de escrita criativa que é do "ponto de vista", eu escrevia já o do boneco de peluche que vai à máquina de lavar e depois vai parar a um estendal.
Bem divertido!
(para mim, mas ou o mundo se tornou assim tão cinzento, ou a minha imaginação será sempre tão solta...)

26.9.11

E por último!

Rua da Felicidade





































Depois de uma segunda semana mais animada, aqui está a última "Rua", a da Felicidade com as suas 9 portas.


A porta que sair vencedora desta última ronda irá, com as outras duas finalistas, à Grande Final do Concurso "O Bolo-de-Arroz bate à Porta!"

Mais uma vez, existe do lado esquerdo um quadro com uma piquena sondagem, onde os leitores podem comodamente exercer o seu direito de cidadania bolo-arrozense!

Ora, até lá, bons votos e boas entradas!


Nota: desta vez a mini-votação fica lá até ao final da semana, ok?

24.9.11

A minha vida mudou porque...

As pessoas julgam que depois de viver um ano em África, numa Província distante e remota de Moçambique ainda com extensões a uma Ilha sem luz nem comunicações, a nossa vida muda.
Ela muda.
E mais ainda quando, como no outro dia, indo eu a passar na Rua da Boavista (ali para os lados da Freguesia de São Paulo), distraída olho para uma montra, vejo uma bomba de água, paro, olho para o preço, para a potência e penso de mim para mim: "Bela bomba de água, nada cara...".

23.9.11

Inter-Cidades: Paris

















Uma mão cheia contam as vezes que fui a Paris. Depois de ter visto o filme "Midnight in Paris" do Woddy Allen, apetece-me logo saltar para a segunda mão! É irresistível.

Enquanto que Nova Iorque, é para mim uma caderneta de cromos, em que cada momento é uma cena de um filme, e todos os momentos juntos fazem daquela cidade uma realidade paralela; em Paris tudo se resume a simplesmente ser e estar. Passear pelas ruas, pelos jardins, visitar museus, descer avenidas, sentar-se nos cafés, nos bancos do jardim, andar de bicicleta, de metro, a pé - em Paris o nosso movimento é o que basta para conhecer aquela cidade.


Em cada esquina e em cada recanto está a cidade inteira: as livrarias, os bistrôs, as padarias e os cafés, as lojas de velharias, os antiquários, os vendedores de gravuras e de livros antigos, as lojas de flores e de plantas, os museus, as lojas dos museus, as Igrejas e o Sena, os candeeiros e o francês pronunciado com um tédio fingido, o cheiro das baguettes, dos crêpes sucrées e dos macarrons acabados de fazer. Em Paris só me apetece estar. É quanto basta.

E, depois de ver o filme, concluimos que de facto todos os maiores pintores, escritores, artistas e pensadores do mundo estiveram lá, em épocas diferentes, mas sempre naquela cidade. Não é um qualquer lugar na terra que se pode gabar de juntar numa mesma latitude tanto nome, tamanho talento, tanta coisa!!


Dicas e Sugestões para Paris: ir! Go!

22.9.11

Cristovão


É o primeiro dia de aulas. Está calor. Só foi de manhã. Depois do almoço a Mãe foi buscá-lo à Escola e juntos voltaram para casa, nos Anjos.

A mochila está meio vazia, a Mãe não comprou os livros. A Professora disse que não era preciso, que havia de se arranjar uma solução. Cristovão não percebe por que não tem os livros, não pergunta. Ele não se importa. Dá a mão à Mãe e segue-a pelo Metro, ela nunca se perde ali dentro. Às vezes confunde a mão da Mãe, perde-se por uns segundos, e então olha para os pés. É fácil. São os que são pretos, com as pernas pretas.


Durante as férias, Cristovão brincou na Rua. Fez uma bola com jornais "A Dica da Semana" e fita cola bem forte, que a Senhora do café lhe deu. Brincou com os meninos, seus vizinhos e até foi convidado para a festa de anos do Zé Luís do prédio branco e janelas verdes, no 3º andar. Havia balões, gomas e chapéus do homem aranha. Ele nunca tinha ido a uma festa de anos com balões e gomas, muito menos com chapéus do homem aranha.


Quando chegou à Escola, parecia também uma festa, como a do Zé Luís, mas eram muitos mais meninos e não havia os balões, as gomas e os chapéus do homem aranha. A Mãe falou-lhe da Escola, os vizinhos falaram-lhe da Escola, até o Zé Luís falou-lhe da Escola. Se todos falam é porque devia ser qualquer coisa importante. Se até foi com a Mãe comprar uns sapatos e uma mochila, então é uma coisa mesmo muito importante.

E até aquele dia, Cristovão foi pensando na Escola, que toda a gente falava e ficou um bocado assustado. Quase que teve medo. Foi como naquele dia em que correu atrás da bola e como se esqueceu de apertar os atacadores, caiu e esfolou o joelho todo e viu sangue a escorrer-lhe como uma fonte. Assustou-se e teve medo. Mas não chorou.


No primeiro dia de aulas Cristovão também não chorou, mas teve um bocadinho de medo. Já na sala de aula, sentou-se ao lado de outro menino, que tinha um estojo do homem aranha. Afinal era como se fosse a festa do Zé Luís!

Voltou contente para casa, agarrado à mão da Mãe.

21.9.11

11 anos depois...

Se um dia voltasse a casar, (com o mesmo, claro!) seria assim... No meio do campo, de uma vinha, com a brisa de fim de Verão, como se fosse um simples encontro de amigos.

19.9.11

O grrrrande concurso continua...







































Caríssimos leitores!


Depois do Flash e eu quase termos entrado numa depressão profunda, pois no resultado do nosso absurdo entusiasmo com o Concurso "Bolo-de-Arroz bate à Porta!", obtivemos apenas 4 votos, e termos os dois discutido o quase fim deste Blog, pois a frustração de haver apenas 4 pessoas a ler o Blog era pior que comer um queijo fresco com aquela camada amarela espessa de fim de validade, resolvemos, mesmo assim, não perder a Esperança!!




Apresenta-se assim a Rua da Esperança com 11 portas. Para facilitar a votação, coloquei do lado esquerdo, um pequeno quadro onde é muito mais fácil e prático cada pessoa votar. Pode ser que assim tenhamos mais do que 4 votos.


A votação desta Rua decorre até 4ªfeira.


Se virmos que isto resulta, a Rua da Amizade volta ao ecrã na última semana, antes da votação final.


Até lá, boas entradas.

16.9.11

Fomos dar banho ao cão!























- Ena, Flash! Grande banho! Ficaste com o pêlo lindo, super cheiroso e luzidio! Estás outro cão, não achas?! Não sentes o teu pêlo muito mais macio e suave?


- Aquilo agora vai ser sempre assim?



- O quê? O banho?



- Sim. Vais-me lá levar muitas vezes?



- Não. Basta uma vez por ano, mas tu nunca tinhas tomado um banho a sério, Flash. Estavas mesmo a precisar!



- Do quê?



- De um banho! Não me digas que não gostaste?



- Mais ou menos. Aquilo a seguir fica-se um bocado mole e cheio de sono. Os outros estavam lá todos a dormir, também. Dá-me ideia que elas põem coisas no banho. Dormi a tarde toda e ainda hoje acho que sinto os dedos delas a esfregarem-me o pêlo.



- Oh, Flash! Mas repara como estás tão bonito?



- Mas eu estou igual, e aliás, até acho que deito muito menos cheiro e já não deixo tanto surro nas paredes, o que é uma maçada.


- Precisamente!


- E depois aquele secador. Aquele barulho horrível tu aceitas, mas a mim não me deixas ladrar na varanda quando eu quero cumprimentar os 47 cães que passam na rua, o carteiro, o homem que traz aqueles sacos de plástico que cheiram lindamente, e o outro que traz a tua roupa e a do Alfa, e os meninos que brincam na rua, e... por falar nisso...



- Sim.



- Acabou de passar a Sushi, que de certeza o dono dela não a leva ao sítio onde me levaste para ser drogado (eu ainda faço queixa à União Zoófila).



- E então?


- Então eu devia ir lá abaixo cheirar o xixi dela e mais os 25 sacos do lixo que estão nos cantinhos.


- Voltamos ao mesmo. És mesmo impossível!


- Olha, menina, impossível foi aquilo que me fizeste no outro dia, sim? E por isso, e porque não ladrei, não me zanguei com ninguém, e sei que me portei lindamente e tu ficaste toda orgulhosa de mim, eu mereço ir à rua e estar a cheirar a mesma pedra pelo menos 1 minuto.


- Está bem, anda lá.



- É preciso uma pessoa passar por estas figuras, sofrer na pele a humilhação para só depois disso merecer um mísero passeio na rua.


- Tu não és uma pessoa, Flash. És um cão.



- Não percebi?


- ...

12.9.11

Bolo-de-Arroz bate à Porta! O Grrrrrande Concurso da interné!

Rua da Amizade



























Caros leitores, o prometido é devido e por isso cá estamos nós, o Flash e eu, a apresentar esta nova e super fantástica rubrica do Bolo de Arroz.



Passo a explicar:


Diariamente o Flash e eu percorremos as ruas deste nosso Bairro lisboeta, ele vai cheirando e fazendo xixi por todo o lado e eu, andando atrás dele, lembrei-me de começar a fotografar as portas por onde iamos passando. São centenas delas, mas estas são aquelas que mais chamaram a nossa atenção.

Eu já partilhei com os meus caros leitores a minha mania das portas; que gosto de portas, pois é uma mania como outra qualquer. Há quem goste de coleccionar corta-unhas, pronto, comigo é fotografias de portas.

Assim, todas as segundas-feiras, durante as próximas três semanas, haverá votação naquela que for a vossa porta preferida.


O Flash e eu criamos três "Ruas": Rua da Amizade, Rua da Esperança e Rua da Felicidade. Que bonito e fofinho, não é?

É!

Esta primeira 2ªfeira temos então a Rua da Amizade, com as portas que podem ver acima. A porta que obter mais votos (vota-se no respectivo número da porta) de cada Rua vai à Grande Final entre as três mais votadas.


A Porta que ganhar vai ter uma foto com o Flash, à porta, e o respectivo distintivo de Porta vencedora "Bolo-de-Arroz bate à Porta!". O Flash ainda ganha dois biscoitos, antes e depois da fotografia.

Não vale votar duas vezes na mesma Rua, ok? Uma rua, um voto!

Será ainda sorteada pelos leitores uma colecção de capachos de entrada em fibra de coco, daqueles que estão no folheto do AKI.



Isto fica mais divertido quantos mais votos se conseguir por cada Rua, por isso apelamos à vossa participação, sendo que os votos são contados até à 4ªfeira de cada semana.



Bons votos e já agora, boas entradas!




(- Posso?

- Podes o quê?

- Falar!!

- Queres dizer o quê?

- Sinto-me oprimido...

- Estás com dores de barriga?

- Não. Estou oprimido.

- Tu não sabes o que é isso, Flash. Nunca te expliquei o que é estar oprimido, nem compreendo como é que um cão se pode sentir oprimido, mas enfim...

- Mas eu sinto-me oprimido!!

- 'Tá bem! Diz lá o que foi...

- Agora esqueci-me, mas acho que também preciso de ir à Rua... acho que é isso. Talvez o xixi? o cócó? Estou confuso!! Ajuda-me, por favor!

- Olha Flash, começa-me a faltar a paciência para essas tuas cenas de ir à Rua. Já foste há bocado. Não vou voltar lá abaixo.

- É por isso! É exactamente por isso que eu me sinto oprimido! Eu sou uma vítima, um cão-objecto, uma farsa!! Vou para a minha cama amuar e nunca mais te quero ver!

- 'Tá bem... vai lá.

- Eu vou e nunca mais te quero ver, nunca!

- Sim. Adeus.

- Um cão oprimido é o que eu sou, um cão oprimido!!

- Chega, Flash! Vai lá para a tua cama e amua.

- Chega?! Sou eu que digo chega! Eu vou amuar, eu serei um cão amuado!!

- ......

- Rita?! Alguém?! Não me deixem aqui, sozinho, oprimido!

- ......

- Rita? Ritinha?)