29.9.11

Recados











Outra coisa que eu gosto, mas gosto mesmo, são momentos de uma espécie de "voz colectiva", como as frases que estão nos azulejos do Metro ou na entrada de um Museu, ou numa placa de uma casa e que estão lá apenas para "nos servir"...

Ainda não consegui encontrar um nome para isto, mas é quando a voz de um se torna na voz de todos de uma forma não violenta, nem ruidosa.

As frases são mudas. Cabe a cada um que passa e lê dar-lhe ou não a devida voz.

E passam os dias e as noites e as frases estão à disposição de quem as quiser ler e "levar".




Essa voz colectiva é, mais uma vez, uma partilha. Um momento de "nós".

Esses momentos não obrigam a que sejam sempre frases eruditas, complexas ou filosóficas. Tudo o que comunica tem uma missão e mesmo que essa missão seja deixar um simples recado, então está a cumprir o seu papel.


Por ser mais "sensível" a estes momentos, tenho já o hábito bastante vincado de ler tudo o que me passa perto dos olhos. Por que "alguém" comunica comigo e eu sou um receptor atento!

O meu "radar" vai até ao mais pequeno papel que é deixado na porta, colado numa janela ou na caixa do correio.

No meio dos tão comuns "vende-se", "arrenda-se", "férias", "fechado por motivo de obras", lá se vão encontrando umas frases que ficam no imaginário.

Era giro se todos fizessemos o mesmo! Tinhamos uma Enciclopédia Larousse da "voz colectiva" para o século 21!











1 comentário:

Anónimo disse...

Parece-me que depois de teres escrito esta fantástica prosa , que com poucas palavras disseste tudo , depois deste quase cântico sublime , falta veres um destes recados aqui perto de casa, para que , com a tua máquina , possas fazer uma foto maravilhosa.Aliás este assunto tem coisas interessantíssimas.