31.1.12

Ao pôr do sol...


E assim, no final de um dia de pleno Verão africano, com uma morna e suave brisa que varria a Ilha e os pássaros, sempre os pássaros, que a enchiam de ritmo, cor e energia, recebia a notícia que desejei nunca ouvir enquanto estivesse em Moçambique.
Mas a realidade é crua, acabando quase sempre por acontecer o que tememos.
Estava uma luz perfeita nessa tarde e à exacta hora que o meu Avô se despedia do mundo, uma bola de fogo e toda a natureza se despediam daquele pedaço de terra.
Ele na sua casa, em Lisboa, onde sempre o conheci, eu num outro Continente e num lugar onde ele nunca me teria imaginado.
Na altura escrevi-lhe esta carta, que ainda hoje me faz encher os olhos de lágrimas.
Era "O" Avô, pois nunca tive outro. Fazia-me cócegas nas costas. Levava-me a passear à Gulbenkian, comprava-me uma sombrinha de chocolate na Pastelaria da esquina.
Por muitos anos, exactamente 16, eu fui a neta mais nova. A última de sete netos. Entre a família, chamavam-me a "Ritinha do Bó", a Rita do Avô. E eu só tinha mesmo este Avô.
Depois cresci e já estando casada a morar em Lisboa, julgo ter "descurado" a nossa relação, sem tê-lo feito com qualquer intenção e ainda hoje não percebendo o significado disso mesmo.
São questões que agora ficam. Cabe-me a mim pensar sobre elas e perceber o meu comportamento e a razão desse meu "movimento".
O que sei é que senti e sinto a sua falta. Era como uma consistência na minha existência, algo que esteve sempre ali, naquela casa, naquela sala pouco luminosa e naquele sofá verde.
Não podemos mudar o passado. Mas ele pode mudar a nossa atitude.
Hoje penso, um pôr do sol africano será talvez a melhor despedida do mundo.

Nota: nesta foto estou ao colo do meu Avô, em casa dos meus Pais e devia ter 1 ano.

30.1.12

Speaking of which...

Quando for grande quero ser um Julian Fellows (na versão feminina) e escrever/ criar uma série como o Downton Abbey.
Gosto tanto, tanto, tanto!
A propósito, depois daquele episódio da semana passada, hoje estou aqui que não me aguento para esta noite!
E o pior é que deve estar mesmo a chegar ao fim...
Oh dammit!

29.1.12

Tea time!


Ao contrário de mim, o meu Príncipe bebe litradas de chá o dia todo. Adora chá. Diverte-se a escolher chá, como se aquela coisa pudesse ter algum sabor: para mim sabe-me à água do duche.
Ora, com o frio que vai fazendo, nada com um chá para aquecer (diz ele). E foi num destes dias, em que ele preparava mais um chá, que eu reparo primeiro na roupa e depois na caneca.
O meu benfiquista doente tem um alter ego futebolístico very british!

Nota: tanto a t-shirt como a caneca são produtos, vulgo merchandising, do Liverpool FC.

Os meus sonhos


Então é o seguinte.
Vamos lá ver.
Sim, o meu sonho era ter uma Papelaria. Sim, o meu sonho era ainda ter uma Drogaria.
Sim, descobri agora que também gostava de ter uma Casa de Chá como esta da Crow&Crumpet em São Francisco.
Portanto, eu desde já explico que nada impede de se ter os 3 ramos do negócio no mesmo espaço.
O cliente entra e vai logo tratar de comprar uma vassoura e cordel para o estendal, a seguir dá-lhe para comprar um dossier e separadores, além de um bloco de papel cavalinho e canetas stabilo boss, finalmente toma um chá e uns scones com doce de morango, que até já vinham a calhar.
O que vocês não sabem é que eu não gosto de chá. Mas gosto do culto e dos bolos. E de um sítio assim, tão acolhedor e charmoso.
Drogarias, Papelarias e Pastelarias (o nome mais corriqueiro). Tanta coisa que os une e no fundo tanto que os distancia. Será que ninguém ainda reparou neste mix fabuloso?

27.1.12

Aqui é sempre mais bolos!

à custa disto já estou cheia de fome. gaita.
e salivo como um cão.
gosto tanto de bolos.
já comi o pão-de-ló e tanto até ficar mal disposta. é mesmo bom. apre.

Banco Farmacêutico

Não há dúvida que os leitores que por aqui passam é tudo gente do melhor que há!
Recebi há pouco a excelente notícia de que já existe um Banco de Medicamentos em Portugal, chamado Banco Farmacêutico, que está directamente associado a 49 IPSS e a cerca de 32 mil pessoas.
Maravilha!
Mais uma prova de que em Portugal há boas ideias e boas pessoas.
As acções de recolha de medicamentos acontece nas Farmácias através de voluntários (ao estilo do Banco Alimentar). Eu ainda não vi nenhuma, mas vou estar atenta.
Deixo-vos o email para, tal como eu, pedirem mais informação sobre como podem ajudar e contribuir!
bancofarmaceutico.pt@gmail.com
Coisas destas deixam-me logo bem disposta
(Não é que eu não esteja, mas fico mais e esqueço-me que tenho os pés gelados. Isto de estar a escrever ao computador tem tanto de criador como de produção pré-congelada, uma vez que ter o aquecimento ligado o dia todo é impensável e as casas portuguesas são, como todo sabemos, muito bem aquecidas e eu já não consigo enfiar mais camadas de roupa. Pareço o boneco da Michelin armado em Saramago.)

Bom fim de semana, caros leitores e...
Obrigada Ana!

26.1.12

Dúvidas, questões e inquietações

Tinha este Blogue uns escassos dias de vida e eu já aqui falava acerca dos velhos.
E voltei ao mesmo tema ainda aqui quando começou esta calamidade das mortes solitárias.
Maria de Jesus e Maria Manuela viviam a escassos passos de minha casa. Na verdade, passo ao fundo dessa mesma rua onde moravam e foram encontradas mortas, todos os dias, quando ando às voltas com o Flash.
Já estacionei o carro à porta daquele prédio.
Pronto.
Agora, tudo se torna mais complicado. Uma pessoa sente na pele. A proximidade é demasiada.
O Flash podia até ter levado uma festinha de uma das velhotas.
E quando morre um velho, morre uma história de vida. Inteira. Acabou-se. Finito.
O Coração Amarelo (também ali em baixo nos links) já faz o acompanhamento de idosos em situação de extremo isolamento, a Miserícórdia de Lisboa também. Mas não chega.
Há muitos mais.
Como iremos conseguir saber onde estão, cada um deles?

Mais um ponto de interrogação na minha cabeça, entre:
  • como conseguir criar um "banco de medicamentos"?
  • como encontrar um sistema de identificação para casas de idosos em situação de isolamento (sem se tornar num chamamento aos ladrões)?
  • como imaginar uma espécie de "torre do tombo da vida" em que cada pessoa era livre de lá deixar as suas memórias para quem as quisesse consultar? 
Falar não chega, já sei.
Mas por agora, só me resta isso.

25.1.12

Um novo caminho...


Às vezes demora. No nosso caso demorou quase tempo demais. Ou não.

Penso que talvez todos tenhamos de percorrer um tempo, que não é nem longo nem curto, nem muito nem pouco, é um tempo. Temos que o fazer, passar por momentos, coleccionar situações. As coisas não acontecem por acaso, temos de fazer acontecer o acaso. Temos de trabalhar a sorte.
You work hard, you get lucky.

Leva tempo, afinal.

Quase demos meia volta ao mundo e a nós próprios, mas parece-me que lá ao fundo está o princípio de um caminho.
E hoje demos o primeiro passo!

22.1.12

Das coisinhas da vida #4


Dos amigos.
Se há coisa complicada e elaborada de se compreender é a cena da amizade.
A minha primeira amiga foi a Verónica na 1ªClasse e apesar de não a ver há anos, continuamos em contacto pelo Facebook. Tenho amigos que são os "amigos do Facebook", tenho outros que nem sequer guardo o número de telefone, mas penso neles.
Diz-se que há medida que vamos ficando mais velhos a amizade vai refinando e cada vez vamos sendo mais "exigentes" com os amigos.
Esta noite, sonhei (já vos disse que sonho bastante, não é? e lá acordei com o meu Príncipe às cotoveladas: Rita! Estás a sonhar! Vira-te para o lado!). Dizia eu, esta noite sonhei que uma amiga morria num acidente de carro. Foi horrível e senti-me muito triste durante o sonho.
Nunca percebi muito bem o que significa sonhar com a morte de alguém, mas fez-me alguma confusão por ser com uma amiga, sendo que já sonhei com outras pessoas próximas.
(Já agora, alguém sabe de um bom livro de interpretação de sonhos? é que com a quantidade de sonhos que eu tenho e me lembro no dia seguinte, abatia o preço do livro numa semana!)
Hoje de manhã, pensei que não estava com ela há algum tempo e perguntei-me como estaria. Também não me pareceu bem ligar a dizer: "Olá, tudo bem? Olha, sonhei contigo e tinhas morrido num acidente de carro!"
Mas sei que se estivermos juntas, sentimos imediatamente que todo esse tempo que passou se diluí e a conversa surge naturalmente como se houvesse uma espécie de código que prevalece e não se quebra.
Tenho a ideia que a amizade tem a ver com essa ligação estratosférica que nunca se quebra, como um feitiço que fica para sempre.
Estabelecer essa ligação tem muito mais de inteligência do que naturalidade. Há que se ser inteligente para ser e ter bons amigos. Manter uma amizade por tantos anos, é tal e qual como um casamento, sendo que em primeiro lugar eu sou a melhor amiga do meu marido e o amor vai crescendo dessa ligação (é por isso que eu lhe digo que há medida que o tempo passa eu gosto sempre mais dele, nunca menos).
Há pouco tempo li algures que um amigo é aquele que nos apoia e nos diz que sim, mesmo que estejamos a fazer a coisa menos certa. E eu já tive a prova viva disso mesmo, quando decidimos ir viver para Moçambique numa tentativa talvez "pouco sã" de mudar de vida!
Tenho um imenso orgulho nos meus amigos, nas amizades que sabiamente cultivei e respeitei, cada uma com a sua maneira de ser com as suas coisas, os seus mundos.
A vida ensina que talvez nem tudo seja perfeito, mas ela dá "peças" fundamentais a saber utilizar, sendo uma delas os amigos.
Há dias menos bons, há dias em que estamos tristes como se uma nuvem negra entrasse no nosso espírito. Estamos sozinhos, por alguma razão, e por essa razão tomamos consciência dessa nuvem, desse vazio. Sentimo-nos pouco, curtos, que talvez a nossa existência seja tão insignificante quanto um abre latas. (Eu disse que havias dias menos bons.)
É bom saber que podemos mandar um sinal e receber uma resposta do outro lado. Um amigo que limpa as nuvens, puxa o lustre aos vidros da alma e nos devolve o sol. Por que há dias em que os limpa-chaminés somos nós e são eles que nos mandam os sinais de fumo.
Claro que a familía também é importante, mas tanta há gente que é da nossa família e não nos diz absolutamente nada. Foi a naturalidade que nos uniu, não a inteligência. Para mim, são raros os laços de família em que utilizei a minha astuta lente de observação e soube "encontrar" os "amigos". 
E depois, nos casos em que aconteceu, criamos uma belíssima relação em que nos tratamos como irmãos.
Há que sobretudo respeitar o outro, o amigo, aquele com quem estabelecemos o tal código invisível, resultando numa saudável relação. Quando sentimos, além do respeito, admiração e orgulho pela ligação estabelecida, está aí um Amigo daqueles a sério. Sem ser do facebook.
Tenho poucachinhos amigos destes, mas tenho para mim que devem ser os melhores do mundo!

20.1.12

Meus Senhores,

Gente como nós, que se irrita quando as torradas queimam de manhã, que apanham o cocó do cão, que detestam ter comichão no pé sem conseguir coçar, que tiram os restos de batata frita que se enfiam nos dentes com o dedo, que dão puns.
Meus Senhores, sendo vós eleitos por nós, gente tão somente igual a vós, como acham possível que assim se vá a lado algum?
A aritmética não é meu forte, mas a razão é tão simples que qualquer um pode chegar à mesma conclusão. Isto são só factos com "c" e não fatos de fazenda.

1º Civilização = mobilidade; isto é, o nível de evolução de uma Sociedade é directamente proporcional à sua rede de transportes e de circulação de meios locomotores (carros, camionetas, camiões, comboios, eléctricos, metros, barcos).

2º O preço da gasolina e do gasóleo, das portagens, das Scuts, dos parquímetros, dos seguros do carro, da inspecção, da revisão na oficina ultra-não-oficial que fica em cascos de rolha, numa terra chamada no mínimo, Sítio da Queiteira de Cima, o preço de tudo, já para não falar do carro em si, é obsceno nestes tempos e nesta terra.

3º Utilizar a rede de transportes públicos é para muitos a única solução. Garantem chegar ao emprego a horas e chegar a casa ainda a tempo de ver a novela, tendo antes estendido uma máquina de roupa escura e feito uma sopa de nabiças. Eu sou portadora do passe "Lisboa Viva", fervorosa adepta do Metro de Lisboa, além de usar o comboio na Linha de Cascais, o autocarro e até o eléctrico que passa à porta de minha casa.

4º Hoje mesmo o Governo anunciou cortes de várias "carreiras", de autocarros no centro e arredores de Lisboa, uma delas, segundo o que diziam na televisão, usada por muita gente que trabalha de noite. No Metro, além de cortarem carruagens e reduzirem horários em algumas linhas (especialmente de noite), vão passar a andar a 45km/h. O que é óptimo para jogarmos ao Mikado e assim fazer amigos debaixo do chão!


Agora, sem brincadeira, o que me aflige, é que isto são sinais errados. São medidas de austeridade é correcto, mas onde está o fim?
Utilizar um autocarro ou o metro de noite é também um sinal de segurança, sem esses apoios o medo de andar na rua à noite aumenta. E logo em Lisboa, que é uma cidade tão serena, tão pacífica quando comparada com grandes capitais da Europa e mesmo do Mundo.
As pessoas vão chegar atrasadas aos empregos e cansadas porque tiveram de mudar 4 vezes de linha, vão chegar exaustas a casa, não vão ter paciência para ajudar os filhos nos trabalhos e vão fazer uma sopa de pacote.
As implicações destas medidas são inúmeras, se a isso juntarmos ainda as questões laborais de aumento do desemprego, de carga horária, redução de vencimentos e de subsídios.

Meus senhores, aceito que seja a minha geração (35-40) a pagar a moeda dos disparates que andaram aqui a fazer quando eu era uma adolescente, comia bolycaos e estudava na Escola Secundária de Cascais. O que não compreendo é qual o objectivo disto tudo, por que se é tão drástico a curto prazo, quando a longo prazo as consequências são terríveis: famílias desestruturadas, pessoas perdidas, sem rumo, ausência de perspectivas positivas, mau ambiente em sociedade, depressões.

Ontem a notícia de que o aumento de suicídio tinha disparado em Países sob a tutela das medidas troikianas, além dos casos de depressão e recaídas ter aumentado em Portugal, é só uma amostra do que virá a acontecer nos próximos tempos.

Há que respeitar números, porque o dinheiro não cresce nas árvores e se andamos a brincar aos Países evoluídos agora temos de pagar esse erro, mas no fim de tudo, nesse fim que pelos vistos os Senhores não conseguem vislumbrar coisa nenhuma, estão pessoas. Pessoas como vós, que têm dores de cabeça e tomam aspirina C, que se cortam sem querer quando abrem uma lata de atum.

Na Farmácia vi um senhor, 40 anos, com uns bons sapatos e um casaco talvez largo, a pagar uma caixa de medicamentos com moedas e a combinar com a farmacêutica que só dai a poucos dias teria dinheiro para pagar o resto da receita. Fiquei intrigada. Pensei logo num Banco de medicamentos, como um Banco Alimentar, mas isso é praticamente inconcebível, muito complicado e que mexe com variados Lobbies.

Estou assustada com tudo isto, com o rumo que as coisas poderão levar. São as pessoas que garantem uma Sociedade equilibrada e próspera, esquecê-las e passar a olhar para tabelas de Excell, é matar a origem daquilo que nos distingue dos animais. Gostar de viver e ser optimista é o que nos faz progredir, querer ser melhor todos os dias e alcançar um bem-estar geral.
Colocar as pessoas em situação de desespero de uma forma totalmente involuntária (eu só penso naquelas pessoas que hoje souberam que vão ficar sem autocarro, quando é o seu único transporte) é deitar gasolina para uma fogueira.

Falar não chega, escrever não chega. Há que fazer qualquer coisa.
Eu tenho novidades em breve para vos dar, acerca de um negócio social onde estou envolvida e que será uma gota neste oceano de barcos a ir ao fundo, mas pelo menos iremos tentar preencher um pouco do que vem fazendo falta a tantas famílias.
Enquanto há pessoas que abrem lojas de roupa, outras há que abrem "Cozinhas com Alma."
Depois conto tudo.
Por agora chega de paleio e aproveitem este Sol que é de borla (por enquanto) e façam um pic-nic este fim de semana. Coisas que toda a gente gosta, não é Meus Senhores?

19.1.12

Assou-linda





Já se sabe que se eu fosse rica comprava a Papelaria Fernandes e dedicava-me ao mundo das micas e dos clips, das canetas de tinta correctora e cartolinas.
Mas se eu fosse mesmo muuuuito rica, então era dona de uma Livraria Assouline, uma espécie de Cartier dos livros. Só o aspecto da Livraria dá logo vontade de perguntar se não vendem avenças de sofás ou secretárias. Quanto ao conduto, vendem edições de luxo, edições exclusivas e na sua maioria os chamados "livros de mesa". Tudo caro como tudo, mas uma verdadeira loucura.
Infelizmente ainda não estive em carne e osso dentro de uma destas, mas faremos disso uma perspectiva a considerar.

Paleta






Que seja a primeira e única vez que isto aconteça aqui!
Colocar imagens de roupas, tendências e cenas dessas (tirando a dos balões e da casa de jantar), que eu fico logo com medo de estar a ficar ché-ché e completamente desinteressante.
Mas por ser só uma vez, pelo menos que seja com aquilo que eu mais gosto: cores! e cores como acima demonstrado.
E venha de lá essa minha memória de formiga, tal como diz o meu Príncipe (que tem uma de mamute da era pré-glaciar), para me lembrar de ter uns 7 ou 8 anos e ser Verão e usar umas roupas destas cores de tons pastel, suaves e tão doces que eu adoro!
Sempre gostei. Sempre gostei muito, até que esta Primavera regressam, assim como que vindas dos idos anos 80. E eu contente.
Também é verdade que o preto é a seguir a minha "cor" preferida, mas creio que dos opostos nasce a união.

18.1.12

livros emprestados


Os tempos estão de aperto.
Julgo que nunca de uma forma tão sistemática ouvi tanta conversa sobre o preço das coisas: gasolina e gasóleo, supermercado, colégios e cantinas, etc...
Além disso, é uma verdade que os livros em Portugal são, e sempre foram, caríssimos! Todos os meses gosto de comprar um livro, mas os tempos estão conforme o que eu digo no início do texto.
Quando fui para Moçambique levei vários livros emprestados. A partir daí adoptei mais essa posição e quando me falam de um bom livro, peço emprestado a quem mo recomendou.
Também é verdade que sempre vi a minha Mãe a ler livros emprestados e que até os forra para não estragar. Essa é a regra: devolver SEMPRE e tal como se recebeu!
Se fosse livro teria imenso gosto em visitar as casas de outras pessoas, conhecer mesinhas de cabeceira diferentes, até Países e Continentes. Um livro numa prateleira é uma tristeza! Um livro que vai passando de mão, em mão, leitor em leitor, é como um jogador da bola em internacionalizações: ganha nome, prestígio e fama.
Os dois livros que estou agora a ler, posto um sobre o outro na mesinha de cabeceira, são emprestados. Tenho um 3º a caminho.
O mais engraçado nisto tudo é que além de poupar, temos a garantia de que vamos gostar do livro. Isto é um péssimo incentivo às editoras, mas como também nenhuma quer saber de novos autores em Portugal, então eu (novíssima autora, cof, cof...) também não quero saber delas!
Para alegrar os dias, leiam-se bons livros, de preferência emprestados por alguém que os tenha lido e que nos seja próximo.
É uma aposta ganha!

15.1.12

E pronto.
Aquela menina que tem um Blog à custa de andar a fazer uma dieta de compras, e sobre quem eu aqui falei há uns tempos atrás, não só apareceu numa entrevista na "Time Out" como foi à Sic conversar com a Conceição Lino, acerca de casacos militares.
Não é que eu não ande aqui a tentar fazer uma dieta de Ferrero Rochers, em autêntico desmame, como que olhando para os pequeninos a dormir na tigelinha, e não me ache legítima a uma grande estrevista com a Judite de Sousa.
A questão é quão maravilhosa e misteriosa é a mente humana, com a sua curiosidade mórbida em observar uma moça a ter ataques de pânico quando passa em frente à montra da zara que diz "50%".
Apesar de não deixar de achar divertido a figura dos concorrentes do "Ganha num Minuto", ainda prefiro dedicar o meu tempo a coisas como os últimos episódios da Oprah, na sua última temporada (25ª) terminada a 25 de Maio de 2011, que só agora foram transmitidos na Sic Mulher.

Acho que nunca aqui o tinha dito, mas eu sou uma das fãs da senhora do Mississipi que revolucionou completamente e radicalmente o sentido da comunicação, feita pela televisão. Através do seu Programa, Oprah Winfrey, sempre transmitiu ideias positivas, de que nos devemos sentir bem na nossa pele, de que toda a dor é igual, de que devemos ouvir a nossa voz interior e por isso nos devemos questionar continuamente, de que todos temos uma vocação, devendo procurá-la e respeitá-la, nem que seja fazer boas sopas, ser Mãe ou gostar de escrever (!), de que somos merecedores de todas as coisas boas e mesmo quando as más acontecem, devemos retirar lições com isso.

O último programa foi só e apenas com ela a falar com o público e a passar as suas ideias, os seus sound bytes como tão bem sempre fez. Quando acabou, eu levantei-me e fui automaticamente mandar um email a dizer-lhe, entre outras coisas, Obrigada!
Isto sim é comunicação eficaz e de efeito imediato, sendo que nunca houve um programa em que eu não ouvisse uma nova mensagem, em que não aprendesse uma nova ideia, em que não ficasse com um novo ponto de interrogação na minha cabeça (onde já cohabitam uns quantos!!).
Agora acabou-se-me a fonte de energia positiva via ondas electromagnéticas.

A menina das compras fala de uma "arm party" em que o objectivo é, juntamente com o relógio, encher o pulso de pulseiras e merdas que tais.
Vou à rua com o cão e volto já.


12.1.12

Ainda a propósito do encontro entre amigos da escrita, onde se falou de tudo um pouco, passando pelos signos e todos os clichés da vida (nunca se falou da crise, pois na escrita, tudo está sempre em alta!).

- Que signo és tu?

- Leão. (respondo)

- O teu ascendente é ar?

- Acho que também é Leão.

- Hum. Mas então a tua Lua tem de estar em ar…

OK. Volto para casa, já se passaram alguns dias. Ligo cada vez menos aos signos, mas mesmo assim fui ao astro.com ver por onde andava a minha Lua. Pois que Gémeos a tomou no dia em que nasci.
Lá está, a Lua em ar.

Os amigos da escrita são como o algodão: não enganam!

Estive há pouco tempo com os amigos da escrita. O grupo de malta que se juntou um dia a uma mesma mesa, por partilhar um mesmo gosto: escrever. Tudo começou em 2006, ano em que fui despedida da empresa onde trabalhava, por afinal não servir para o que fazia há mais de cinco anos. Dei espaço e voz aquilo que sempre me tinha motivado: gostar de escrever.

Tirei o curso de Comunicação Social e Jornalismo no ISCSP (quando tudo ainda se passava na Rua da Junqueira) porque gostava de escrever e por isso achava que iria ser jornalista.
Então talvez tudo tenha começado em 1995.
Antes disso segui a vertende de Humanidades no Secundário, quando após o 9º ano tinhamos de escolher a "área" de ensino.
Então, se calhar, foi mesmo em 1992.
Pronto, foi há 20 anos. E com isto, penso que ainda antes disso, eu me lembro de sempre ter gostado de escrever.

Podia ter sido pior. E se me tivesse dado para tapetes de esmirna?

11.1.12

E assim...








A uma quarta-feira do mês de Janeiro, saimos os três a caminho daquele lugar.
Por onde desponta a vida ainda fria e tímida, com uma temperatura tão morna e suave para pleno Inverno, captei estes instantes.
E ao pôr do sol, cuja mesma bola de fogo tinha-se despedido horas antes da Baía de Pemba, que até arrepios me deu, de tão parecido que é, regressamos à cidade.
E agora, no quente da casa, sente-se ainda o ar forte que nos entrou pelo peito.
Que dia bem passado... e tão perto que é, afinal.

8.1.12

Novidades


Novidades aqui para estes lados do condado do bolo-de-arroz:
1. finalmente inicio o ano com a nova agenda encarnada da Moleskine!
2. já tenho o Borda de Água 2012, que como o próprio indica, contém indicações úteis e de interesse geral para todos.
3. por estes dias vou mergulhar aqui e entregar-me nas mãos da Andreia; nunca me apeteceu tanto um corte de cabelo (daqueles profundos) como agora e este é o momento.
4. ano novo, cheiro novo; o "Nu" da YSL é um perfume bom comó caneco.

5.1.12

O balanço

É inevitável.
Inevitável que deixemos passar um ano, sem nos questionarmos, sem nos balançarmos para sentir o peso do tempo que passou.
Um ano não é nada. Um ano, pode ser tudo o que temos.
A culpa é do calendário que carimba o tempo e o espírito. Dias, após dias, semanas, meses, um ano.
Este ano, a minha agenda era daquelas que se vai tirando pelo picotado o cantinho das páginas. Cada pedacinho de papel uma semana. Chegou ao fim. Lembro-me de a estrear no início do ano, no Ibo em Moçambique em que escrevi que tinha dado o primeiro banho do ano!

E que ano este.
Carregado de viagens: Ilha de Moçambique, Niassa, Malawi, África do Sul, Amesterdão, Roma, Douro, Algarve e Alentejo.
Carregado de movimentos: vindas a Portugal, regresso a Moçambique, resolução de voltar a Lisboa, fechar duas casas em Pemba e no Ibo, vender tudo, voltar a comprar tudo, largar o Flash, voltar a ir buscar o Flash, viver numa casa nova pela 3ª vez, abrir caixotes, limpar e arrumar.
Carregado de sentimentos: medo, angústia, sensação de liberdade, crescimento interior, frustração, excitação, alívio, plenitude, medo outra vez, sensação de estar perdida e renascer uma pessoa diferente.

Ultimamente tenho lido algumas coisas acerca de Biografias e Memórias. As Memórias, ao contrário das Biografias, referem-se a um período especifico da vida que se viveu de forma diferente e que de alguma maneira foi especial. O afastamento, o intervalo de tempo, é fundamental à escrita de Memórias. Quanto mais longe tiver ocorrido o "evento", melhor é a nossa capacidade de análise e objectividade na escrita. Se não fossem as Memórias de quem as começou a escrever no Séc. 16, hoje todo o conhecimento que teríamos da História e dos costumes seria muito mais pobre.

Desafio cada um de vós a dedicar-se a escrever as suas Memórias. Não é a vida toda, é uma parte da vida, uma fatia do bolo. Porque esse legado fica para sempre, deixa uma história, permite expurgar o que atormenta e talvez encontrar alguma paz de espírito.
Pois não é disso mesmo que se trata esta nova vivência, em tempos que se avizinham tão conturbados?
Eu vou então começando.   

3.1.12

Agora, para algo completamente diferente, deixo-vos algumas fotos da viagem até Roma. Que ao contrário lê-se Amor. Não é lindo?
E foi mesmo a propósito disso que lá fomos todos parar: Papai, Mamãe, Mano, Cunhada e nós os dois. Porque fez 40 anos que se casaram os meus progenitores e foi espectacular; estava um sol bestial, muita animação nas ruas, nas lojas, passeamos a pé por todo o lado, comemos massas, pizzas e gelados e até fomos todos ao McDonald's ao estilo Menu Happy Family. O meu Sr. Pai já paga meio bilhete à entrada dos Museus e afins, a minha Sra. Mãe arrecadou sapatos até não caberem mais dentro da mala. Nós curtimos a cidade (para mim, pela 5ªvez!!), as esplanadas e os capuccinos.
Valeu mesmo a pena, nunca falamos da crise, apenas concluimos que os romanos são loucos e que enquanto houver saúde, haverá sempre alegria!
Bom ano, bom ano!!
(a ver se este Blog dura até dia 21.12.2012, pois dizem que é o fim do mundo que está para vir!)











Passas para 2012 #12


finalmente, rumar a Sul!

Este ficou para o fim, pois eu acredito que dos últimos querem-se os primeiros. Isto é o que eu mais quero em 2012. Finalmente rumar ao sul, finalmente concretizar um dos nossos sonhos, o mesmo que nos fez dar quase uma meia volta ao mundo, viver um ano em Moçambique, mudar de casa 6 vezes, vender e comprar dois carros, deixar o Flash, voltar a ter o Flash. Para que o sentido da frase “mudar de vida” comece finalmente a fazer sentido!

2.1.12

Passas para 2012 #11


celebrar a "renovação dos votos"  pelos 12 anos de casamento

Quando fizemos 10 anos de casamento em 2010, tive imensa pena de não ter feito a tão “americanizada” renovação dos votos. Mas que eu tanto gosto. Na altura, estávamos em Moçambique, e a Igreja do Ibo estava em obras, por isso acabou por nada acontecer, senão um belo passeio de barco até ao banco de areia (um paraíso com duração de 3 horas no meio do índico) e um belo caranguejo com arroz de coco. Este último ano, nada de especial, fomos jantar fora e até não foi lá grande comezaina. Tenho para mim que todos os casamentos são especiais, mas o meu é mesmo muito especial. Caminhamos para 12 anos de muita vida e experiência em comum, muito caminho feito, muitos desvios, muitos buracos, muitos furos no pneu. Mas nunca desistindo, nunca deixando de gostar muito um do outro. Dizem que o amor não chega, mas nós já o vivemos só com uma cabana, e se sobrevivemos a isso, só podemos ser um casal especial. Por isso quero muito voltar a estar com ele num altar, virados um para o outro, a confirmar tudo o que dissemos quando uns miúdos eramos, sem saber o que a vida nos teria reservado. Venham mais 12 fáxavor!

1.1.12

Passas para 2012 #10


ir ver o Benfica  (e o CR7) ao Santiago Barnabéu em Madrid

Ora aqui está uma coisa que não depende totalmente de mim. É preciso que o Glorioso ajude à transformação do desejo em realidade. Se assim for, o meu homem, benfiquista obsessivo-compulsivo diagnosticado, prometeu-me que eu ia ver o Benfica a jogar contra o Real Madrid. E como eu gostava de ir ver um jogo ao Barnabéu, o Cristiano Ronaldo, o Special One, o Di Maria, o Fábio Coentrão, o Ricardo Carvalho e o Casillas, já agora. Importa depois saber da qualidade do acepipe que se vende dentro do estádio, pipocas ti-ti e maguns amêndoas não deve haver certamente.