31.10.11

Sinceramente eu não entendo porquê.
Mas se até no Largo de Camões em Lisboa há sepulturas com sons de corvos e bruxas é porque o Halloween deve ser uma coisa muito popular nos dias que correm.

28.10.11

O meu afia-lápis

Podem acreditar que do meu regresso de Moçambique, de um ano de vida partilhada entre duas casas (Pemba e Ilha do Ibo), só me esqueci de uma coisa, que deixei lá ficar.
O meu afia-lápis.

Não sei o que passou pela minha cabeça quando incluí o meu pobre e velhinho afia, daqueles que tem duas entradas, no role de coisas que resolvi deixar em Moçambique, ou seja, dar.
Eu dei o meu afia-lápis!! Como??
Naturalmente, dei roupa e sapatos, mas também mochilas, cadernos de escrita novinhos em folha, post-its, alguidares de plástico e caixas de palitos.
Mas o meu afia?!

Comecei a dar pela falta, quando há pouco tempo quis afiar um lápis. Passei então para outro. Depois de usar esse, passei para outro. E entretanto abria e fechava gavetas. O afia? Onde andava o afia?
Quando finalmente percebi que o tinha deixado em Moçambique, pedi-lhe perdão e parti para a compra de um novo afia. 300 anos de história ficaram para trás.
O meu novo afia-lápis só tem uma entrada, ainda está todo limpinho, luzidio e achei-o feliz assim que o meti no meu estojo. É um bebé-afia. Muito terá de passar para sequer chegar aos pés do outro, a quem eu remeti permanentemente para o estatuto de afia-expatriado.

É claro que assim que cheguei a casa fui afiar os meus lápis.
Até ao dia em que eu perco a cabeça e compro daqueles afias automáticos como se vê nos filmes, e que eu pessoalmente já experimentei, vou andando com o meu novo afia.
E não se esqueçam: "Always keep your pencils sharp!"

27.10.11

Da Vontade ao Fazer

Ora, eu bem sei que fui uma das defensoras do fim do extenso Verão que se fazia sentir.
Nunca falei em chuva e em ventos de 150 km/h, mas parece-me que o meio termo é coisa a que a meteorologia não assiste nos dias que correm. É tudo em extremo.
Eu queria era frio. Já não posso ouvir o meu Príncipe a reclamar: "como é possível alguém gostar disto?? queriam o fim do calor, já têm!! cambada de anormais!!", eu respondo: "mas amorzinho, eu sou uma dessas pessoas que queria o fim do calor...", ele diz: "eu sei!! eu sei!!"

Ultrapassando a fase meteorológica, vem então a fase mais plástica da coisa. Ou seja, quando retiramos as botas do fundo do armário, calçamos meias, pegamos no chapéu-de-chuva, molhamos a ponta do pezinho na poça de água, quando o cabelo fica esquizofrénico e suamos no Metro como se fosse uma sauna.
Mas vamos! É o momento de recomeçar!

Tirando a chuva, as poças, o vento e os montes de folhas que se acumulam em esculturas de papier mâché, é tempo de recomeçar!
Começando pela ída às bilheteiras dos espectáculos (a tão esperada "abertura da temporada") e sessões contínuas de cinema (não perder o DOC Lisboa, gentes da cidade!) passei aos cursos.
Ontem tive a primeira aula do Curso Complementar de Formação em Filosofia, na Universidade Nova. O primeiro módulo é "História das Ideias".
Foi absolutamente maravilhoso e dei cabo da média de idade da turma - é como se tivesse a ter aulas com os meus Pais e os amigos deles. O que até gosto e gostei mesmo do Professor, de duas horas que passaram a correr. De conversar sobre um abstracto que no fundo é parte do nosso dia. Aprender a relativizar (eu que já me achava uma pessoa dada ao relativismo, então ali nadamos nessa premissa), observar o que temos, recuperar o que foi feito e analisar.
Daqui a duas semanas começo um outro curso de escrita, desta vez "Biografias e Histórias de Família", mesmo ao lado de casa, na "Escrever, Escrever".
Ou seja, tudo está em movimento para estes lados.
E ainda haveria uns cursos de cozinha a rematar, mas por agora ficamos por aqui.

É importante quando passamos da vontade ao fazer.
Passamos muito tempo a pensar que gostariamos de fazer isto ou aquilo, mas depois não fazemos nada, quando o fazer é tão simples como muitas vezes pesquisar no Google. Procure-se o movimento da vontade, fazendo e agindo!

Padre António Vieira, talvez "o" maior filósofo português de sempre, dizia:
"Só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos."

25.10.11

E finalmente, gatos nos corrimões das varandas vai também, sempre bem!



É verdade que sou uma "dog-person", mas como sou atraída pelos bichos em geral, tenho vindo a desenvolver uma certa empatia com os mini-felinos. Tenho muitos vizinhos com gatos e eu gosto de os ir observando. São curiosos e misteriosos. Têm lá uma maneira de se dar com as pessoas que só eles é que sabem, e quem não gosta que se lixe e pronto.

São muito arrumadinhos (conseguem estar sentados em 3 milímetros de base plana), compostos. Cuidam-se e preservam-se.

Há os gatos nos parapeitos das janelas, sempre muito atentos aos movimentos da rua; há o gato do Oculista do Calhariz que deve pesar uns 10 quilos, além de lindíssimo, vive dentro da Loja e à noite dorme na montra! E ainda há os gatos que exploram as traseiras de uma casa, os terraços e os telhados. Sempre numa atitude de exploração do desconhecido, como se estivessem no meio da savana.

O Flash ainda não os compreendeu muito bem, mas é altamente atraído pelo cheiro e teima em enfiar-se debaixo dos carros!

Por aqui vamos continuando no estudo e observação da espécie!

Urra!!


118, mais precisamente!
118 visitas num só dia! é certo que não significa 118 pessoas diferentes, mas há cada vez mais gente a passar por aqui e isso deixa-me muito FELIZ!
(só espero que hoje não sejam 36...)
118 é também o número nacional de informações. Que coisa engraçada!
Obrigada leitores e ouvintes!

24.10.11

Das coisinhas da vida #2

Da prole.

De pequeninos "eus" que cada família produz. Da maternidade e da paternidade.

Já aqui deixei, em tempos, logo no início deste Blog, um desabafo sobre quem não produz linhagem e por isso se sente como um urso polar a subir a Calçada do Combro a tentar sentar-se lá atrás no 28. Um ser completamente anormal.

Essa sensação de "bicho raro" já me passou, pudera, já lá vão tantos anos que outra coisa não podia ser e acho que ainda ontem vi um hipopótamo a apanhar o comboio na Estação de Santos.
Recentemente troquei emails e mensagens com uma mulher, extra-ordinária, que há 20 anos tenta ter um filho, que ao 20º tratamento conseguiu finalmente engravidar e no dia 20 de Outubro nasceu a Marta.

A realidade supera sempre a ficção. A realidade é espantosa e cheia de requintes. Quem escreve gosta de o fazer porque inventa personagens, coisas, cenas, momentos, e põe tudo junto, mistura, baralha e baralha ainda mais.
Mas a realidade tem o condão de produzir personagens, coisas, cenas e momentos tão únicos como extra-ordinários!

Em conversa com amigas, mulheres, mães, casadas, juntas, divorciadas, mulherio que quando se junta partilha ideias, sentimentos, desabafos, cheguei a uma conclusão. Por ser a única que não tenho filhos, no meu círculo mais chegado de amigas, oiço-as com toda a minha atenção. Pratico a chamada "escuta activa", pareço um leopardo, escondido debaixo do capim, com as orelhas espalmadas contra a cabeça só a ouvir.
Depois de tanto ouvir, cheguei à conclusão de que afinal "ter filhos" é só uma das partes. Ou seja, não é um fim em si mesmo, é mais uma fase. Como quando passamos da Primária para o Liceu ou acabamos a Faculdade e mandamos c.v's ou como quando acabamos o MacRoyal Deluxe e passamos ao sundae de chocolate com topping de amêndoas.

Os filhos são afinal uma passagem. E o clique fez-se na minha cabeça. Só agora passados tantos anos, tantos anos em que fui um urso polar a tentar sentar-me num banquinho do 28, com toda a carga de sofrimento atroz que isso significa. Mas não é dessa dor que eu venho aqui falar, não lhe dou tempo de antena, nem a temo. Conheco-a bem. (Ela costuma querer sentar-se no banco do lado, mas eu nunca lhe passo cartão.)

Afinal, mesmo com filhos, há imensa frustração, dúvidas, angústias. E eu andei aqui ao engano. A julgar que assim que fosse Mãe que o mundo se tornaria mais azul e as laranjas mais saborosas.
Mas afinal, nada disso!
Ouço, leio. Livros como "Socorro, sou Mãe", insultos à celulite que se fossem água, seriamos seres anfíbios há muitos e muitos anos, os maridos, as empregadas, as eternas sogras, as escolas (o verdadeiro paradigma de fazer 3 anos), os maridos outra vez, o (não) sono, a (não) paixão, o (não) amor, a (não) realização.

Afinal é só uma passagem. A vida continua depois.
Elas confirmam, que é assim, sim senhora.
Além disso, há uma cascata de questões que correm atrás dos carrinhos e dos triciclos. Mãe, foi antes também filha. É uma pessoa, como eu, cheia de dúvidas.
Assim sendo, fico mais descansada.


É um estado de graça profundamente maravilhoso e uma realização, sem dúvida. Mas só, não chega. Elas mais uma vez confirmam.


Até lá, para quem não está habituado a ver os hipopótamos e os ursos polares, aprenda a respeitar um bocadinho quem se sente tão "diferente". Ninguém sabe o que cada pessoa sente e por muito que digam que imaginam, na verdade não imaginam coisa nenhuma.


Eu andei uns bons anos com uma saca de 50 quilos de cimento em cima da minha cabeça. Agora percebi como estava errada. (7 anos para haver um clique). Ter filhos, afinal, não é a solução que o Universo precisa.


Até lá, vou dar uma ajudinha a um pelicano que se entalou na máquina dos chocolates no Metro.

21.10.11

Houve um dia em que vesti isto...

Há uns quantos Blogs, em especial os do mulherio, onde é tudo a postar os looks do dia, da semana, do mês, as tendências, o raio que a parta.
Desde o momento em que mostrar-se aquilo que se veste é interessante, além de gerar uma espécie de curiosidade mórbida do outro lado, só me faz chegar cada vez mais rapidamente à conclusão de que somos um bicho (vou ali ao dicionário de sinónimos): anormal, cariado, corrupto e podre.
Sendo assim, e como hoje é 6ªfeira, apeteceu-me dizer que vesti isto num dia qualquer.
E digo também que a saia e o lenço foram comprados no mercado das calamidades em Pemba.
A 2,5€ e 0,50€, respectivamente. O lenço até tem etiqueta da H&M.
E já agora, porque quando leio que há quem ainda vai abrir lojas de roupa, sapatos e tralha que mais mês menos mês vai estar num mercado de calamidades algures num País africano a muitos quilómetros daqui, fico ainda mais certa da minha listinha de nomes giros que saquei do dicionário de sinónimos.
Das primeiras coisas que rapidamente adoptámos em Pemba, no Ibo então nem se fala, foi um código de vestuário muito simples e descomplexado. É verdade que o calor ajuda e claro, punha sempre uns brincos ou uma pulseira. Mas esta pura escravidão da moda em que se vive no mundo ocidental é sufocante.
Cabelinho lavado, unhas arranjadas, cheirinho a perfume, isso digo a tudo que sim! Não me confundeis!
Não estive um ano a viver em Moçambique para vir dar lições a ninguém, e falo contra mim que adoro umas ídas à Zara e sofro de obsessão aguda por sapatos, mas nada como parar e pensar.
Parar e pensar.

19.10.11

caminhando...

Disse Siddharta:
- Também eu estou na mesma situação que tu, meu amigo. Não vou para lado nenhum. Estou apenas a caminho. Sou um peregrino.
(...)
- Não sei, sei tão pouco como tu. Estou a caminho. Fui um homem rico e agora já não sou; e aquilo que serei amanhã, não sei.

Não estaremos todos, afinal, a caminho também?

Saberemos o que vamos ser amanhã?

É um atroz exercício de despertar, este de nos questionarmos se não somos nós também, e sempre, peregrinos.

Há dias em que ando assim. A caminhar, sem destino, não indo para lado nenhum, apenas a caminho.

18.10.11

D. Lena

D. Lena. 51 anos. Empregada de Limpeza da Conforlimpa. Veste bata verde. Faz a recolha dos caixotes do lixo e a limpeza dos átrios, bancos e gabinetes das Estações da Linha Azul. Hoje passa pela Baixa-Chiado. Flash faz a entrevista (eu nem imagino o que vai sair daqui, por isso vou fugir).

- Bom dia, D. Lena! Então aqui não se pode fazer xixi, nem cocó?

- Não, seu porcalhoto! A minha Xaninha se te visse fugia logo, ela já tem 14 anos e não atura porcalhotos como tu!

- Eu não sou nada disso! Chamo-me Flash e sou uma pessoa super simpática.

- Sim, mas anda lá com isto, ò menino, que a minha vida não é dar entrevistas. Ainda tenho de ir limpar os gabinetes.
(D. Lena pousa o saco preto de 788 litros que vinha a arrastar desde o fundo da Estação.)

- Oh, D. Lena. Diga lá o que andou hoje a recolher dos caixotes. Nada que se coma, não?

- Tu és mesmo porcalhoto! Escusas de andar aqui a cheirar, que eu não tenho nada para ti. Ouvistes? Hoje apanhei uma sandália com o salto partido, coitadita da senhora, que foi coxa no metro, um bloco de notas todo sujo de gelado derretido e uma daquelas coisas que se põem nos ouvidos. Sabes o que é? Aquilo que dá música, tem um fiozinho e duas coisas que se metem nos ouvidos.

- Isso come-se, de certeza!

- Não come nada!! Ai, rais parta o cão. Olha lá, eu tenho de ir aos gabinetes, já te disse!

- D. Lena, espere lá um bocadinho... a Rita zanga-se comigo se eu não fizer a entrevista...

- Vá. Não faças essa cara de sonso, que também não vale a pena. Diz lá, então.

- Que género de coisas é que a D. Lena encontra?

- Olha, tudo! Já me apareceu um telémovel no caixote do lixo, alguns porta-moedas - são os ladrões e a gente tem sempre de avisar o Chefe da Estação - ramos de flores, livros, CD's, até testes de gravidez e caixas fechadas com os bolos inteiros lá dentro!

- Muito bem, D. Lena. Por acaso não guardou essa caixa de bolos, não?

- Olha, até houve uma vez que deixaram no banco, esquecido, uma carta que era um cheque do Banco! Vê lá!

- E a caixa dos bolos?

- Ah! E também houve aquela vez em que me pediram para vasculhar os caixotes, porque tinham deitado para o lixo uma data de papéis com o bilhete de identidade lá no meio... Eu sinceramente, não sei onde as pessoas às vezes andam com a cabeça!

- Mas, D. Lena...

- Isto está a tomar um rumo, meu menino, tu nem queiras saber. Eu vejo! As pessoas julgam que lá por ser empregada de limpeza, que não sei das coisas. Mas eu sei! Eu vejo bem como as pessoas andam. A correr de uns metros para outros, a esquecerem-se das coisas nos bancos, as carteiras, as mochilas da escola, os sacos do supermercado. Eu sei bem como este mundo anda. Anda perdido.

- D. Lena...

- Vão-nos cortar com os subsídios agora. A minha Cátia está a acabar os estudos, tenho o meu marido em casa, desempregado e diabético, ainda não recebi o subsídio de férias deste ano. Isto está uma desgraça é o que te digo.

- D. Lena, vou fazer xixi, ali no cantinho.

- E quando a Cátia acabar os estudos, vai para o desemprego. Ai, pois. Que eu já lhe disse que ela tem de trabalhar, fazer pela vida, que eu não posso mais. É como o irmão, teve de ir trabalhar. E ele foi, é ajudante de pedreiro. E...
Ó porcalhoto!!! Tu não faças xixi aqui dentro!! Tu vais levar, anda cá!!

17.10.11

Gostos estranhos!

Não sou daquelas mulheres que discutem carros e opinam acerca dos modelos, que sabem os Tdi, e os 1.400 e essas coisas. Nunca tive um acidente, acho que sou uma condutora razoável, mas também não sou daquelas todas racing que puxam pela mudança e têm o pedal do acelerador sempre nervoso.
A minha relação com os carros, vem, em primeiro lugar, do seu carácter hiper-utilitário e ultrapassando essa condição, vem depois da diversão de condução que alguns modelos me dão.
Assim, quando me ponho ao volante de uma carrinha, muito semelhante às que estão a passar em frente na fotografia, fico toda contente!
Se noutra encarnação fui uma "Dona Antónia", a subir e descer os socalcos do Douro, a controlar a vindima e a observar da varanda de minha casa, o Rio que corre lá em baixo; num outro momento, devo ter sido condutora de camiões TIR, carrinhas de carga, forgões, camionetas e afins. Pois vos digo que adorava conduzir uma coisas dessas!! (e um tractor também!)
No Paris-Dakar há aquela prova dos camiões, não há? Pois era isso que eu gostava de conduzir. Um panzer das areias!
Já as motas, por exemplo, não acho graça nenhuma, e até tenho algum medo.
Sei lá eu, porque me deu para achar graça a isto.
Por isso, quando no outro dia foi preciso ir alugar uma carrinha para fazer umas mudanças, o meu Príncipe já sabia que tinha de me deixar dar uma voltinha. Aliás, eu é que fui buscá-la e entregá-la ao stand. Gosto imenso de conduzir aquilo, não me faz confusão nenhuma as manobras, sinto-me como peixe na água!
Uma maravilha!

16.10.11

Gosto de receber estas "encomendas"!

E já vamos em 2 quilos de marmelada + 1 quilo de geleia!
(E ainda falta meia caixa!)

mais recados...

Este recado, tipo graffiti-post-it, apanhei ali para os lados da Gulbenkian.

Gosto disto.

15.10.11





Por "culpa" da Pureza venho partilhar estas imagens!



O casamento das minhas duas Avós, pelos anos 30 e 40, em Lisboa: em cima Avó materna, em baixo Avós paternos.
Adoro noivas, adoro os vestidos, aquela sensação de se ser sublime.



Tive duas avós que eram lindas de morrer, cada uma no seu estilo, mas as duas enigmáticas.



Figuras femininas cheias de carga e de significado, cada uma no seu estilo também.



E isso, sem alguma vez eu ter provocado, marcou-me.
Muito.

14.10.11

E a Luluzinha...!



98...

Ontem, o Bolo de Arroz, quase chegou aos 100 leitores!
Até tinha aqui guardado um número "100" todo janota para pôr logo esta manhã, mas não faz mal. O que importa é que o número de visitas cresce todos os dias e eu fico TÃO contente como nem imaginam.
Agora, assim a modos que para celebrar o 98, eu podia escrever qualquer coisa engraçada.
Então cá vai:
Foi em 1998 que eu conheci o meu Príncipe! E foi precisamente tendo como cenário, a mega-super Expo' 98. Foi lá que demos os primeiros passeios, que ficamos apaixonados pela Croácia (e nunca lá fomos!) e que até tivemos o nosso primeiro jantar a dois.
98 é um número bonito, sim senhor!
Obrigada queridos leitores, por hoje me terem feito recordar esse momento tão especial!
Bom fim de semana, hein?

13.10.11

Das coisinhas da vida #1














Uma das coisinhas da vida é, sem dúvida, quando passamos a barreira dos 30 e ainda nos lembramos do cheiro dos nossos brinquedos, de como eram tão divertidos e ao mesmo tempo tão "basicozinhos"!

Mas também é quando ouvimos a senhora da secção dos cremes a sorrir entre dentes e a dizer: "Pois, quando chegamos aos 30 temos de ter mais cuidados...!"
Como?! Já não dá o creme Nivea?

É quando os nossos primos mais novos, a quem fizemos de babysitter e mudávamos a fralda, vão viver para o Brasil, entram para a Faculdade, ganham campeonatos de surf e de ski. Como é que a minha afilhada pode ser caloira no ISEG, quando me lembro, como se fosse hoje, do dia do seu Baptizado! Da saia e do blazer que levei e de ir ao cabeleireiro esticar o cabelo!

Como?!

É quando conhecemos miúdos e miúdas que dizem terem nascido em 1996... eu estava no 2º ano da Faculdade.

É quando estamos a ver o VH1 e aparece o vídeo da Lisa Stanfield a cantar "being around the world, and i, i can´t find my baby, and... blá, blá, blá... my baby!" e cantamos aos gritos no sofá, dançamos no meio da sala e depois vemos a data do vídeo: 1989.

Como?!

É quando damos por nós a lembrar o tempo em que íamos ao café comprar cigarros para os nossos Pais, que fumavam Português Suave e Ritz, e ainda trazíamos uma pastilha gorila com a colecção dos aviões da 2ªGrande Guerra Mundial.

São estas as coisinhas da vida.

Eu acho que sou nova, uma jovem cheia de vigor, mas não posso deixar de pensar que o tempo passou e passa. E que já existe um "passado".

Estes eram os meus brinquedos preferidos, sendo que falta aqui a foto de um elástico e de uma corda de saltar, esses sim estariam em ex aequo no nº 1 da tabela.

A bota Botilde de design e conceito tão simplório como enfiar aquilo no pé, pelo tornozelo, fazer girar e saltar por cima; o urso Angeloso, o ursinho legal com sotaque brasileiro; os pinYpons autêntico prelúdio do Sim City e finalmente o "Meu Pequeno Pónei" que hoje estaria interdito, pois aquelas crinas e aqueles acessórios seriam altamente comestíveis e inflamáveis.


E pronto. São estas as coisinhas da vida.




12.10.11

Lá vai alho!




E pela emésima vez, Rita envia o seu manuscrito para um concurso de literatura.

Desta vez é da Book.it a livravria/ papelaria/ tabacaria do Grupo Sonae.

Não sei se já tinha contado isto, mas eu tenho a aspiração (além dos sacos da Miele refª. JMC 675) de um dia vir a ser escritora, (eu dou tempo para a se rirem à vontade, mas o melhor vem agora) e, viver disso!


Ou seja, escrever o dia todo, e ainda ganhar com isso!

(pronto, agora sim, rebolem à vontade e façam a pinguinha de xixi na cueca!).

Terminei este romance em 2008 e desde então dediquei-me a contos, cheguei a publicar dois (um deles para crianças).


Neste momento, além do "Chão de Sangue" ir em CR-Rom a caminho do Lugar do Espido, Via Norte (seja lá onde isso for), está nas mãos da A., minha amiga, e devoradora compulsiva de literatura, que deve estar a esta hora a usar as costas das folhas para as filhas fazerem desenhos e depois disso deve mandar-me um email com uma única frase: "Vai limpar o forno com CIF, que eras capaz de te sair melhor."


Como aspirante a escritora, tenho os medos, as dúvidas e as questões inerentes.

Mas não desisto, até que a voz me doa!

Sendo assim, lá vai disto.




10.10.11

Habemus porta vencedora!



Ora aqui está!

O leitor escolhe, o leitor vota, o leitor tem!!

A Porta nº 7 da Rua da Esperança, foi a grande vencedora!

O Flash comeu não dois, mas sim quatro biscoitos, pois para manter o animal estanque naquela posição só com um hipnotismo profundo, e tal como tinha prometido a foto incluí um bolo-de-arroz!

Tive de pôr o Flash não literalmente à porta, pois sendo ele preto retinto e a porta também, às tantas não se percebia onde estava o cão, onde estava a porta.

E pronto.

O primeiro grande concurso do Bolo-de-Arroz chegou assim ao fim, foi uma alegria e só me resta agradecer a quem votou, assumindo assim publicamente estar a compactuar com a sanidade mental desta pessoa, que aqui está para vos servir e do seu cão, que aqui está para comer biscoitos, fazer xixi e dormir.

A todos um bem haja e continuação!


7.10.11

Preciso de camisolas






Ora, isto está a começar a chegar ao meu limite.

Eu preciso de frio. Eu preciso do Outono. Eu preciso de calçar umas meias. À noite, eu preciso de me tapar com uma manta.

Tenho a certeza que 95% das pessoas que neste momento lêem este post, julgam, e bem, que:


1º - não, eu não escrevo conforme o novo acordo ortográfico, nem nunca o irei fazer enquanto as minhas forças me permitirem.


2º - só posso ser maluquinha, e coitadinha, e isto deve-se a ter vivido num outro hemisfério, durante 1 ano.



Mas acredito, no fundo do meu ser, ora a hemisfério norte, ora a hemisfério sul, que não estou sozinha! Haverá por aí alguém que também já suspira por usar uma camisolinha de manga comprida, umas meitas, ver folhas no meio do chão, sentir uma brisa mais fresca...

As imagens das praias cheias no feriado do 5 de Outubro deixaram-me horrorizada! Seria o mesmo que ver gente em lutas com bolas de neve no 10 de Junho! Eu lembro-me que por esta altura, há uns bons anos atrás, eu já usava sapatos de carneira e fazia trabalhos na escola com as folhas dos castanheiros.



Claro que há uma enorme questão "climatérica", e que tudo isto são sérios sinais de que o mundo não está "saudável", mas independentemente dessas conclusões meteorológicas, eu gosto do Outono e do Inverno. Tal como adoro a Primavera e o Verão. Eu preciso de sentir as Estações e neste último ano apenas vivi num eterno Verão - eu não me lembro da última vez que vesti as minhas tão favoritas camisolas pretas de gola alta.


Isso afecta-me. Profundamente. Além de que, tenho concluído, o mundo tem vindo a ficar cada vez mais quente. O frio está-se a tornar numa coisa pouco gradual, descompensada e fulminante.


Tendo dito isto, restam-me as imagens de camisolas de lã, lareiras, chávenas de chocolate quente e sofás com mantas que vou vendo na internet, como quem sonha com o próximo destino de férias.

6.10.11

Food for Thought

“No one wants to die. Even people who want to go to heaven don’t want to die to get there. And yet death is the destination we all share. No one has ever escaped it. And that is as it should be, because Death is very likely the single best invention of Life. It is Life’s change agent. It clears out the old to make way for the new. Right now the new is you, but someday not too long from now, you will gradually become the old and be cleared away. Sorry to be so dramatic, but it is quite true.

“Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life. Don’t be trapped by dogma — which is living with the results of other people’s thinking. Don’t let the noise of others’ opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.”


By Steve Jobs
Stanford commencement speech, June 2005
The Man I Love
Billie Holiday, Dinah Washington


Someday he'll come along, The man I love
And he'll be big and strong, The man I love
And when he comes my way
I'll do my best to make him stay


He'll look at me and smile, I'll understand
Then in a little while, He'll take my hand
And though it seems absurd
I know we both won't say a word


Maybe I shall meet him Sunday,
Maybe Monday, maybe not
Still I'm sure to meet him one day

Maybe Tuesday will be my good news day

He'll build a little home, That's meant for two
From which I'll never roam, Who would, would you
And so all else above
I'm dreaming of the man I love



Esta é uma (maravilhosa) música que tenho ouvido ultimamente, cantada pela Ella Fitzgerald. Cada vez mais me convenço que o amor é uma coisa complicada e que o homem e a mulher experimentam-no de forma diferente.
Esta letra, escrita nos anos 50, mostra bem como uma mulher pode sentir o amor, o que é totalmente diferente de um homem. A versão "The Woman I love" nunca seria escrita desta maneira. Para um homem achar que um dia, se calhar hoje ou amanhã, ou nem sabe ele quando, irá aparecer a mulher que ele ama (no presente), não tem lógica no seu universo.
Nós, mulheres, esperamos eternamente pelo homem que amamos hoje. Ele virá. Ele está cá, um dia. E nós daremos o nosso melhor para ele ficar.

Observo muito os casamentos e as relações. Amigos, família, pessoas conhecidas. As que resultam e depois as que não resultam. As relações são complicadas.
Mas observo sempre este lado da mulher, este lado tão feminino de esperar, de estar no seu melhor e de o "fazer ficar".
E, a ideia que me dá, é que tem sido sempre assim. Mesmo agora, num novo milénio carregado de novos papéis, novos dogmas, novas prioridades, o que é na sua essência a relação entre um homem e uma mulher não mudou.

Nunca me senti uma feminista, nem quero a igualdade de direitos, pois considero a coisa melhor do mundo a diferença (não confundir com discriminação e outras coisas horríveis que se passam nos "quintos mundos" que existem lá fora), mas nós somos feitas de uma fibra magnífica e capazes de cantar músicas que dizem coisas assim.

4.10.11

Fernando

O maquinista.
Fernando, o maquinista.
Foi em Maio, ou já seria Junho? Lembra-se que já estava calor e nesse dia não levou o colete de malha azul escuro com a carcela em encarnado. Estava a conduzir a "máquina" para chegar ao cais do Campo Pequeno. No relatório do INEM eram 10:43.
Fernando é maquinista do Metro de Lisboa há 3 anos.
Antes disso foi taxista durante 1 ano, mas como o táxi era do Tio e ele encheu-se de dívidas, acabou por vender o carro.
Fernando respondeu a um concurso público e acabou por ser seleccionado e ficou. Este ano conseguiu mudar de horário e agora está finalmente a tirar o curso de técnico auxiliar de fisioterapia e massagem de reabilitação em horário pós-laboral. Ele gosta de conduzir as máquinas, mas não é o que sonha para o resto da vida. E lá por isso nunca se lembraria de se atirar para os carris de uma linha do metro.

Agora tem a certeza de que era Junho. Porque uns dias antes, no dia mundial da criança, tinha conduzido uma máquina cheia de meninos e meninas. Para muitos a primeira vez que andavam de metro. Fernando gosta de fazer os "serviços especiais". Houve uma vez um casal que quis casar na Estação do Parque e foi ele que depois os levou de Metro até aos Restauradores, onde havia o copo de água.
Nesse dia de Junho, pelas 10:43, Fernando conduzia a sua máquina (nº 1-873-0), linha amarela, saía de Entrecampos e entrava no cais do Campo Pequeno. Um homem, bem ao centro do cais, "cai" nos carris, um segundo antes de Fernando accionar o travão.
Um segundo antes do grito de uma senhora que estava três passos à esquerda, um segundo antes do cérebro de Fernando "escrever" a seguinte frase: aquele homem vai-se atirar, repara como ele está a pisar o risco amarelo, repara como ele olha para o chão em frente, como ele está vestido com este calor, de fato e sobretudo, como ele não olha para ti, para o painel, para as outras pessoas, só olha para o chão, para os carris, repara como ele dá um passo, repara com ele cai naquele fosso, repara como o peso que tu conduzes é tão forte que quase nem o sentes, é como se fosses de carro e tivesses pisado um pacote de leite, repara...

E segundos depois, Fernando parou a máquina. A sua carruagem não se desviou um milímetro dos carris. O comboio estava inteiro sobre o cais. Apesar de já vir em desaceleração, Fernando não conseguiu mais do que parar na parte da frente do cais. Uma travagem brusca causaria mais danos aos passageiros dentro do comboio do que ao que, brutalmente, já estava feito.

Não foi trabalhar durante uma semana. Depois outra semana a seguir. Apesar de ter passado para a linha verde, continua cheio de imagens e de sonhos durante a noite. Manteve o horário da manhã, ainda faltou a umas aulas do curso, mas não desistiu de ir trabalhar. Foi a uma psicóloga durante 2 semanas, não tinha nada para dizer. Falar sobre o quê?

Fernando, o maquinista do Metro que quer ir trabalhar para auxiliar de fisioterapia.
É só o que há a dizer.

3.10.11

"O Bolo-de-Arroz bate à Porta", A Graaaande Final!!











O leitor do "Bolo-de-Arroz" votou, o leitor escolheu!






Estas são as três portas que agora estão na Grande Final do Grande Concurso da Interné, "O Bolo-de-Arroz bate à Porta!": a Porta nº 16 da Rua da Felicidade, a Porta nº 7 da Rua da Esperança e a Porta nº 19 da Rua da Amizade.






Mais uma vez, é o leitor bolo-arrozense que vai escolher e a porta vencedora terá imensos prémios, além de uma foto com o Flash, 2 biscoitos + um bolo-de-arroz!






Quem será então, a Porta vencedora?






É começar a votar!






Até lá, boas entradas!







1.10.11

O (meu) jardim secreto
















































"- achas que estas pessoas que aqui vêm com os filhos (e os netos), também vinham cá quando eram pequenas?


- acho que sim... talvez.



- só deviam cá deixar entrar quem tivesse vindo em criança! é como se só essas pessoas o merecessem...



- pois é, tens razão."



Calouste Sarkis Gulbenkian é um senhor que muita gente não sabe quem é, mas ele é o grande responsável pelas mais fortes memórias de infância de uma larga maioria de pessoas que vive em Lisboa e arredores.


Nascido em Istambul, no seio de uma família de comerciantes arménios, viveu durante 13 anos em Lisboa, instalado no Hotel Aviz, "um afamado e luxuoso hotel situado em plenas Avenidas Novas."






(Não foi por "isso" que decidi escrever este texto, mas a título de curiosidade deixo-vos um apontamento: O Hotel Aviz foi antes propriedade do Sr. José Joaquim Silva Graça, Fundador do Jornal "O Século", que o vendeu ao seu genro, meu Bisavô, José Garcia Rugeroni e que o transformou no tão famoso Hotel Aviz. A minha Avó e ainda o meu Pai viveram e cresceram entre esse negócio familiar, que terminou pelos anos 60, deixando a impressão de um Hotel que talvez tivesse sido um mito.)







O Senhor além de rico, filantropo e de gosto muito exigente, era um coleccionador exímio de obras de arte. Morre nos anos 50. Da constituição da Fundação Calouste Gukbenkian, passaram cerca de 10 anos até à construção da Sede e Museu, num quarteirão sob o Largo de São Sebastião, no Parque de Santa Gertrudes onde chegou a ser o primeiro Jardim Zoológico de Lisboa.





O Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, um projecto dos arquitectos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles, é o resultado de uma imaginação tão fértil que a todo o instante esperamos ver um gato que fale, um pato a ler um jornal, ou um violino feliz a flutuar no Lago...




Eu sou parte dessa gente que escolhia as côdeas do pão para ir dar aos patos e que, ainda hoje, adora a ideia de um dia se poder perder ali dentro e encontrar um esconderijo secreto.


Atravessá-lo, de uma ponta a outra do quarteirão, são minutos de evasão a qualquer hora do dia. É verdade que já não corro atrás dos pombos, nem levo côdeas de pão para os patos, mas mesmo para quem nunca lá tenha ido em pequeno, é obrigatório sentir-se convidado a experimentá-lo uma primeira vez, seja adolescente borbulhento, adulto descrente ou velhinho rabugento.






Quem partilha momentos neste Jardim cria laços para o resto da vida.

Nota: Alguma informação foi retirada do Livro "Gulbenkian, Arquitectura e Paisagem", Lisboa, 2007, Edição da Fundação Calouste Gulbenkian - Serviços Centrais. À venda na Fundação por 5 euros.