30.3.11

Estou agora em Maputo! A sensação de estar num pedacinho de Portugal já se sente... Pastelarias com a bica, pasteis de nata e bolos de arroz, as cervejarias com imperial mista e tremoços! Só agora há aqui uma coisa que me intriga... Ora, a questão da temperatura, não é. Pois aqui estão uns 32ºC e dizem que em Lisboa estão uns 18ºC... hum... Sim, continuo a gostar do meu Tugal, lá, lá, lá... e a luz de Lisboa, etc... mas há 6 meses que não uso um par de meias ou mesmo uma camisola com mais do que 10cm de manga. Como fazer isto, agora. Oh, meu Camões, não pensamos nisto, pois na altura também andavas nas águas quentes do Índico, certo?

28.3.11

Ser emigrante.

Podia ser este o início de mais uma canção do Dino Meira, ou do Tony Carreira... mas não! É esta coisa de estarmos longe do nosso País e depois ter saudades do cheiro das pataniscas com arroz de feijão, do escape dos autocarros da Carris a subir a Rua do Alecrim, da conversinha sem rumo que pode durar horas a fio com o empregado do café, de pisar pedras da calçada, de beber a bica, de passar pelo Rossio e subir ao Marquês de Pombal, de apanhar o Metro até aos Cais do Sodré e depois o comboio até Cascais, de ir à terra (Cascais) e estar com a família na terra, de não precisar de nada, nem de ninguém para chegar onde quero, de conhecer tantos cantinhos do meu Pais e de um orgulho muito à Dino Meira de ser portuguesa! Não sei de onde isto veio, esta coisa de, porque estou longe, enamorar-me perdidamente pelo meu País, acha-lo pequenino e perfeito, que os tugas são os maiores, que tenho tanto orgulho de ser tuga que só tenho pena de não parecer (fisicamente) mais tuga... aqui pensam que sou sul africana, o tempo todo. E eu sofro com isso, fico triste, quero ser portuguesa por dentro e por fora! Este meu êxtase tuga-emigrítico-agudo, só eu é que o sinto, porque o meu Principe, ele cheio de referências físicas tugalenses, até já mais a puxar para o argelino, acha que estou a delirar e que deve ser do calor e da humidade africana que isto se passa comigo. Não sei, não sei! Sinto-me como o Camões agarrado aos Lusíadas, pronto a morrer pela Pátria! E qual Almada Negreiros, faço um Manifesto anti-cinzentismo: Basta Pum Basta! Chega de pessimismo! Pim! Portugal é bom! Não é pela política, pelo FMI e pela economia que vale o nosso País! Portugal vale daquilo que é feito! Basta! Ser emigrante, foi coisa que nunca imaginei na minha vida, é engraçado pois agora penso que parte da história da minha família, pela costela do meu Pai, "Rugeroni", começou por um Gibraltino, José Garcia Rugeroni, que resolveu emigrar para a Europa. Na passagem por Lisboa, a caminho do seu destino, resolveu ficar por lá e casou com uma senhora portuguesa. Tiveram três filhos, dois rapazes e uma rapariga - a minha Avó paterna. E mais curioso é pensar que também esse meu bisavó emigrante se envolveu no turismo e fez um Hotel mítico em Lisboa, cheio de glamour e charme, o Hotel Aviz. Fê-lo comprando a casa ao seu sogro, Pai da sua mulher, e naquele Palacete construiu um sonho demasiado efémero. Esse sogro, José Joaquim da Silva Graça, foi um dos fundadores do Jornal "O Século", e eu quando tirei o curso de jornalismo nunca tinha alguma vez pensado sobre isso... Gosto destes rumos que se cruzam e quase se repetem na vida uns dos outros, como aqui as crianças andam às costas das suas Mães, e as suas Mães estiveram nas costas das Avós, e assim sucessivamente... Gosto de ser emigrante e gosto do meu País (malgré tout...) Pim!

24.3.11

Suplemento Desportivo

Tudo começou em Março de 1998. Era a Mini Maratona da Ponte 25 de Abril, inserida na Meia Maratona. 8kms a correr. Fui, não corri o tempo todo, mas cortei a meta!
Sempre me dei mal com a corrida e por isso nunca mais pensei nisso de andar a correr até ficar sem fôlego.

Ainda experimentava, e tal, mas não era coisa para mim. Gostava (e gosto) mesmo era das aulas no ginásio, boa música, tudo a dar o máximo! E ainda de umas aulas de Ballet, já na fase post-30, em que me entregava como se não houvesse amanhã.

A corrida sempre ficou sozinha, como a medalha que me deram no ano da Expo...

Entretanto, há coisa de 2 anos, voltei à corrida. Sempre cheia de medo, porque aquilo para mim era um bicho de 7 cabeças! Devagarinho, pouco a pouco, até começar a participar em provas de 10 km na cidade. A minha 1ª prova foi em Dezembro de 2009 e quando cortei a meta tive vontade de chorar, porque nunca na vida pensei algum dia em correr 10 km sem parar e cumprir a regra de o fazer em menos de 1 hora.
Conheci a força do meu corpo, das suas capacidades extraordinárias, das minhas pernas que não me deixaram mal e da minha mente que, espertinha, faz o que quer do resto.
Foi tudo graças ao meu coach, o meu Príncipe, personificado num Maradona da corrida, cruel e inflexível, que quase me arrancava os olhos quando preparavamos estas provas e corríamos juntos. A seguir a essa fiz mais uma meia dúzia delas, todas de 10 km e sempre com bons resultados.

A vinda para Moçambique veio, naturalmente, quebrar este treino que já ia em bom caminho, pois correr com este calor e humidade é um desafio completo. Chegamos a correr juntos no ginásio, sob o ar condicionado e até no Ibo, com a voz dele a comandar o meu rabo que teima em transformar-se num tanque de chumbo armado cada vez que ponho a correr. Só o ouvia a gritar: NUNCA parar!

É a regra nº 1 das provas: NUNCA parar.

Dia 10 de Abril, às 10H00, são outros 10km a percorrer, ao fim de quase 6 meses sem corridas... É a Corrida do nosso Glorioso SLB e como é costume vamos os dois. Ele vai à frente, a fazer os seus tempos xpto, e eu na traseira a lutar por não me esquecer do meu nome e morada em caso de colapso.

Antes de virmos para cá, fiz um check-up, e o cardiologista disse-me que a minha prova de esforço já era de um atleta semi-profissional, tipo: "não és uma sedentária vegetal de rabo almofadado". Fiquei orgulhosa!
Agora, a caminho dos 34, nunca estas coisas me fizeram tanto eco na cabeça.

Vive bem. Nunca pares.

21.3.11

Crónicas de Luz

Eu sei que tinha prometido aos meus caros leitores um relato cheio de detalhe e pormenor sobre este grande feito que é a Luz estar de volta a esta pacata Ilha.
A primeira vez foi em 1885...

Tinha comigo um pequeno gravador e máquina de filmar, para recolher testemunhos de todas as partes, da Sra. Padeira, que faz o pão ferver nas nossas mãos e suspirar pela manteiga dos Açores, do pescador que nos traz o camarão à porta de casa, no saco velho do OMO, do Polícia que é dono da mota mais americana da Ilha, da Sra. das Chamusas, do Calafate que arranja o barco na praia ao som do rádio de pilha, das crianças que jogam com a bola de sacos de plástico e empurram carrinhos de lata de atum e pneus de borracha de chinelas e até do sapo que vive à porta da Padeira. Não se sabe ainda por que razões escolhe ele o final do dia para se pôr à porta do quintal de onde saem pães a ferver, mas julga-se que é tudo uma longa história de amor, entre farinha de trigo.
Testemunhos a recolher também da comunidade de osgas do Ibo (diz-se já terem uma Mesquita), que do dia para noite vêem-se aflitas a ter de dar conta de tamanha quantidade de caça fácil a cair nas malhas da iluminação pública, que contava com pelo menos 618 melgas por candeeiro.

Eu poderia ter feito isto tudo, não fosse a gasolina do Gerador Municipal ter acabado antes do final do mês. Até nem foi a meio do mês, foi mesmo logo no início - o dia oficial para o início da luz foi 1 de Março e 10 dias depois acabava a gasolina.

Posso contar-vos que nos primeiros dias, os picos de energia, entre a luz ir e vir, eram aos 8 e 10 de cada vez. Mas a população não se deteve e arrancou para Pemba a encher-se de frigoríficos, aparelhagens e até ferros de engomar!

O sonho dourado chegava ao Ibo em forma de luz e de electrodomésticos! A população fez puxadas directas dos postes para dentro das suas casas, e deu-se vida a arcas congeladoras e a colunas de som de alta-fidelidade. A selva dos voltes estava montada.

Cá em casa manteve-se tudo na mesma. Pensámos que a gasolina iria durar, sim, mas nunca até ao final do mês. Demos o benefício da dúvida.

A realidade prova-nos que consegue ir ainda mais longe e 10 dias depois, o êxtase de uma Ilha cheia de energia, acabou sem grandes contestações. Serenamente, voltamos às gambiarras, aos mini painéis solares para carregar os telemóveis, às lanternas, à discoteca ao som do gerador. Nada de novo pelo Reino do Ibo. Foram delírios breves.
A população aguarda pelas cenas dos próximos capítulos para vincar as calças e as bainhas, até lá o depósito do Gerador continua seco como um peixe.

Não vale a pena, é assim mesmo…

18.3.11

Natureza Mãe

A Natureza só poderia ser Mãe, e a minha vivência em África tem-me dado todos os dias provas disso.

Só uma Mãe pode fazer nascer o sol sobre uma praia, através das nuvens difusas, com rasgos de voos de garças pretas e brancas e ao fundo brincam as baleias em mergulhos de amor profundo;
Só ela pode fazer cair a chuva, como se fosse um homem violento e agressivo, e a faça descer sobre a terra ressequida e sedenta;

Só ela pode fazer com que os pescadores agarrem o peixe quase com as mãos, em tamanhos e cores que reflectem a abundância e a riqueza debaixo do mar;

Só ela pode fazer com que as mulheres carreguem a lenha no topo das ideias, quilos e quilos de árvores esquecidas pelo mar que irão queimar o arroz dessa noite;

Só ela pode desenhar recantos do mundo, junto ao mar, jardins de vegetação verde e abundante, com árvores que vivem entre a areia e a lama, num chão salgado, mas cheio de vida, que depois se transforma num deserto de coral e de rocha, numa paisagem lunar, próxima de um planeta perdido;

Só ela pode preencher o nosso jardim de pássaros de tantas cores, com melodias que mudam conforme a hora do dia, com um macaco que nos visita calmamente e se senta numa pedra, comendo a sua fruta, com o caranguejo que vive no tecto da cozinha, e anda lateralmente entre passeios na relva e subidas ao telhado;

Só ela nos transporta para uma outra dimensão quando decide terminar o dia, com o pôr do sol, em que como uma maestrina, vai invocando todos os elementos, todos os instrumentos: sol, luz, cor, nuvens, céu, pássaros, barcos à vela e mar. E numa composição todos os dias diferente, ela mostra o milagre de sermos parte do Universo, pelas nuvens de cor pastel, rosa e lilás, a luz que aviva o olho encarnado da cegonha, com som das asas de um bando de pelicanos, num sopro perfeito e finalmente com o barco que se alonga no mar denso, com a sua vela e todo o tempo do mundo, como se todo esse tempo fosse aquele barco e aquela vela. E nem mesmo eu, que tire 478 fotografias, chame um pintor ou um realizador, conseguirei algum dia reproduzir o que são este minutos finais do dia, nesta Ilha mágica.

E como se não bastasse, na escuridão morna, salpicada de estrelas e de pirilampos, ela manda vir a Lua, que está cheia como uma bola de luz e faz sombra sob os coqueiros, dando banhos de prata às folhas verdes e gordas das árvores.

Só uma Mãe é capaz de tamanha generosidade, ao mesmo tempo que pode ser cruel e brutal. Só ela é capaz de equilibrar o mundo, como uma casquinha de madeira com uma vela magra e desmaiada que leva o homem e o menino, a atravessar o canal até ao outro lado.

A época das chuvas está a chegar ao seu fim. Toda a paisagem se irá alterar e outras coisas irão aparecer.
Por agora sei que num jardim vivem dois humanos, um macaco, um caranguejo, pássaros que são donos das árvores, e lagartos que dominam o território da relva na sua busca pelo cantinho mais quente do quadrado, neste pedaço de terra que se descolou do continente, no meio do Oceano, num lugar remoto do Planeta.

E mais uma vez dou graças por eu fazer parte disto.

12.3.11

Resgatar o Tempo



Há muito, muito tempo atrás, R. e A. viviam na Ilha do Ibo. A sua casa, em frente ao mar, era de um só piso, toda contornada por um alpendre em colunas. Tinha as janelas em vidro, o telhado em telha de Marselha, o chão em mica de Bilibiza, uma acácia vermelho fogo no jardim e dois coqueiros. A casa estava de frente para a Ilha de Quirambo, a mais próxima do Ibo, que se avista de um lado ao outro, atravessando o canal entre as duas.

Na sala de pé direito de quase cinco metros, havia um relógio, que no seu pêndulo, entre uma seta do cupido, que encerrava todas as juras de amor feitas um ao outro, estavam as suas iniciais: R. e A.
R. gostava de ouvir o relógio a funcionar, aquele barulho lembrava-lhe uma melodia, do tempo que lhe passava e da vida que muito livremente fluía entre si e o mundo.

Depois de uma noite de forte temporal, com chuva e trovoada, alguém entrou pela janela que se tinha partido com a força do vento e levou o relógio. Ficou um vazio naquela sala e na alma de R. e A. faltava aquele som amadeirado e suave das batidas do pêndulo, o guardião daquela dança entre os dois. Para lá e para cá.

E por muitas noites, depois desse temporal, os dois ficavam sentados no alpendre de frente para o mar, e diz-se que em noites de quarto crescente, em que o mar estava mole e cansado e as árvores do mangal mais afundadas no matope (lama) e mesmo os peixes nadavam mais baixinho e mais junto ao fundo do mar, em que quase parecia que o mundo estava parado, eles ouviam o tic-tac, o som pêndulo que vinha do outro lado do mar, do lado de Quirambo.

R. e A. voltaram aquela Ilha muito tempo depois. Não se sabe exactamente quanto tempo passou, será demasiado arriscado acreditar que foram eles mesmos que muitos anos depois lá voltaram. Aquela casa já estava há muito abandonada, e muito pouca gente habitava a Ilha.
Mas é certo que no ano de 2011, no mês de Março, R. e A. caminharam duas horas a pé até Quirambo. Entre o mangal, atravessando canais, braços de mar, com a sombra das árvores, os caranguejos que se escondem a cada pegada, os peixes que ficam esquecidos nos centímetros de água salgada, caminharam cruzando-se com homens e mulheres, crianças e pássaros que tão sensivelmente espetam o seu bico no chão comendo tudo o que a maré vazia pode deixar esquecido na areia e no lodo.

Chegaram à aldeia, com pouco mais do que vinte casas de pau-a-pique e colmo, a Escola Primária feita de cimento, duas bombas de água e duas gigantes mangueiras. Havia, como sempre, muito cheiro de quilos de peixe a secar, nas camas de rede postas ao sol escaldante, crianças sem brinquedos e um cão que dormia. Um homem local chamou-os, convidou-os a entrar em sua casa e então que os dois viram o relógio. Já não se ouvia o som das letras, mas estava intacto, apenas carregado de pó e teias de aranha e suplicava que o levassem dali, de volta “a casa”.

No dia seguinte, logo de manhã muito cedo, R. e A. foram à praia para arranjar um barco e atravessar o canal. Foram à casa do homem e voltaram com um saco, e lá dentro o que parecia ser uma caixa enrolada numa capulana. Os pescadores ficaram sem saber o que era, e ninguém conseguiu descobrir o que vinha lá dentro.
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E assim, R. e A. resgataram o tempo, o tempo de ver o besouro preto a beijar as flores de maracujá, de ver a osga debaixo da luz a caçar mosquitos, de ouvir as velas, à noite, a queimar a sua cera, de cheirar a roupa a secar na corda, de ver as crianças a trepar amendoeiras e a comer o fruto, de caminhar pela praia e ver o por do sol, numa vénia de fogo longínqua, da memória de uma casa em frente ao mar.

4.3.11

Hoje em Pemba, Moçambique, a minha amiga Yumi, sul-coerana, fez-me uma massagem tailandesa, pondo em prática um workshop que teve em Nairobi, no Quénia.

Acho que o "melting pot" é aqui mesmo e não em Nova Iorque!

Estamos de partida para o Ibo. Daí que as minhas mensagens se irão tornar mais raras... vamos para a nossa Ilha no meio do Índico, que já tem luz! É o que dizem! Prometo fotos e recolha de testemunhos dos habitantes, acerca deste grande feito naquele pedaço de terra.

até já!

3.3.11



Não faz mal andar à chuva, quando se deseja a chuva.

O calor nestes últimos dias tem preenchido todos os bocadinhos de ar fresco. Deixa-nos sem forças, incapacitados e permeáveis ao esforço inglório de andar pela rua, de tomar decisões, de entrar e sair dos sítios, de quase existir. Só conseguimos ficar quietos, sentados em frente a uma ventoinha e deixar o vento varrer a temperatura que emerge de dentro da pele.

Quando ontem começou a chover, gotas fartas e contínuas, vinhamos os dois a caminho de casa. Tinhamos passado a manhã na Praia e regressavamos depois do almoço, o único almoço que a barraquinha da Praia serviu. Filetes de peixe com batatas fritas e o peixe cozido com legumes, comida saborosa, sem pretensões, numa casinha de madeira com telhado de colmo em frente ao mar. Em qualquer outra parte do mundo (ocidental) custaria uma fortuna e para se lá chegar levariamos horas, ou estariamos em filas de trânsito, pagariamos um balúrdio e estariamos imenso tempo à espera de vez para almoçar. Ontem, não foi assim. A praia estava vazia, como quase sempre está.
Eramos só os dois e o mar, um calor forte, o sol de quem eu me escondo e os locais que atravessam aquele pedaço de areia sempre com qualquer coisa na mão: peixe, lagostas, colares para vender, amendoins, crédito para telemóveis, cigarros, chocolates (não havia o que eu queria!), pastilhas elásticas... Ninguém ali fica, todos passam.
Regressamos a casa com o sabor do sal no corpo e uma trovoda que se aproximava a passo leve mas determinado. As nuvens pareciam radiografias, escuras e negras, contrastando com o céu azul que ia perdendo a sua luminosidade.
O inevitável aconteceu e metade do nosso caminho foi feito debaixo de chuva. De chuva mesmo. Chuva que entra nos ossos e ensopa as pestanas, sem dó nem piedade. Chuva que cai à mesma temperatura que o nosso corpo, e toda a atmosfera é amena. E nós fazemos parte dela.
Cruzamos com outras pessoas, que sem acelerar o passo, tal como nós, caminhavam à chuva. Uns descalços, outros com sacas de arroz na cabeça, uma cabra comia à chuva, as crianças brincavam na chuva...
E eu por mim, tinha dançado à chuva! É bom quando o nosso corpo atinge a mesma temperatura de todos os elementos que nos rodeiam, é como se fizessemos todos parte do mesmo momento, sem que sejamos parte um dos outros. Mas naquele instante partilhamos a sensação, a chuva, a temperatura.
E já mais frescos chegamos a casa e retomamos a nossa pele!
E ainda ontem à noite ainda caiu mais uma tempestade em Pemba, com trovodada e chuva, chuva, chuva. Havia flashes de luz tão intensa, tão brilhante que iluminavam tudo, seria quase possível de ser ver o fundo do mar, tenho a certeza!
E hoje toda a terra acordou mais fresca e eu desejo ainda mais chuva.
A ver se danço desta vez!