30.12.10

Outros Natais

Aqui também foi Natal.

Apesar de toda a falta de “suportes” para nos lembrar dessa data, em que apenas o calendário marca o dia e a véspera de Natal, no Ibo celebrámos o Natal em família. Com a família que tínhamos. Uma família como um grupo de amigos à volta de uma mesa – como um símbolo de família. Não era a minha família no mês passado, mas pela necessidade que todos temos de nos juntar e de nos agregar, juntamo-nos uns aos outros e assim celebramos a noite e o dia da Família.

Estava uma noite especialmente calma e ao contrário do que tinha vindo a acontecer nestas semanas, em que havia sempre uma brisa que refrescava toda a ilha durante o escuro, desta vez, e na noite de Natal, não soprava uma aragem. Não havia vento e com isso o céu misturava-se entre nuvens e estrelas.
Como o nosso bacalhau tinha azedado enquanto estava de molho, resolvemos cozer uns caranguejos que chegaram a nossa casa na tarde de 24, trazidos por um menino que era do mesmo tamanho do saco dos bichos negros e lamacentos. Tinha a roupa tão rota e os olhos tão grandes que a visão daquela criança, na véspera de Natal, trouxe-me a memória de um outro Natal, aquele em que meninos da idade dele escrevem cartas ao Pai Natal, não vão pescar caranguejo durante a maré vazia.

Depois do caranguejo vieram os nossos amigos portugueses de Pemba, que por aqui passaram uns dias em nossa casa, tendo vindo conhecer o Ibo pela primeira vez. Há alguns portugueses em Pemba a trabalhar com ONG’s ou Instituições com Projectos com o Governo de Moçambique, além de espanhóis, franceses, austríacos, etc… A Maria João e o André chegaram com os caranguejos e o exotismo ao lado, pois veio a Yumi, uma coreana (do Sul) amiga do André que trouxe mais um Natal para dentro da Ilha.

Preparamos os nossos 10 quilos de caranguejo, além do arroz doce e do gelado de manga que já tinha ido para dentro do congelador na véspera, e partimos para casa da nossa amiga Lucie, uma Suíça que vive aqui no Ibo, com a mesma vontade do que nós – realizar um projecto de turismo na Ilha.
Em casa da Lucie havia mais amigos e assim pusemos a mesa no jardim, juntamos os nossos pratos e os talheres, vinho, pão, azeitonas e tremoços, uma deliciosa carne com cogumelos silvestres, um bolo de coco e assim estava pronta a nossa Ceia.

Descalços, eu de vestido, ele de calções e camisa, partilhamos aquele momento que pela sua simbologia nos levou a Portugal, nos fez estar à mesa, dentro de casa, com a lareira acesa, o frio lá fora, o bacalhau e as couves, o azeite a regar os pratos, o vinho, os doces e o queijo da serra. Os abraços e as camisolas quentes, a cozinha concorrida de gente, os rituais de já alguns anos desse outro Natal.

No dia seguinte saímos de barco pelas 8h00 para a Ilha do Matemo e ainda fomos mergulhar pelo mar, passamos o dia 25 a passear de barco, com o mar azul turquesa, mais uma vez todos juntos – os mesmos da noite anterior. A outra família. E pelas horas que iam passando eu viajava novamente até Lisboa, e agora para outra casa, cheia de gente e de crianças, para uma sala em que sempre me lembrei de estar no dia de Natal, em que lhe reconheço os cheiros e as cores, com o meu Avô sentado e nós à sua volta. Talvez ele já não se tenha apercebido da minha falta naquele almoço, mas eu acho que se ele soubesse onde eu estava, num barco, a ver peixes, conchas e estrelas-do-mar ele ficaria contente e se pudesse viria comigo também.

Ao final do dia regressamos a casa, cansados e esfomeados! Repetimos a mesma ementa e novamente nos sentamos à mesa. Terminando assim o nosso Natal entre amigos. Nessa noite as estrelas estavam mais brilhantes e estivemos algum tempo de cabeça para cima a olhar o céu – como se fosse esse o melhor presente do mundo!

BOM ANO NOVO!

24.12.10

Nesta época que se aproxima como se fosse a última portagem da auto-estrada, depois desta, só lá vem mais uma bomba de gasolina e chegamos a 2011; nesta época em que se trocam os desejos de boas festas e próspero ano novo, presentes e lembranças, barrigas cheias e iguarias sem igual; nesta época em que me sinto tão longe de tanta gente, de tanta coisa, mas próxima de uma alma grande e de um coração cheio de força, só quero e desejo que todos dêem graças pelo que os olhos vêem, pelo que a boca sente, pelo que o nariz cheira, pelo que o coração sente, pelo que as mãos agarram, pelo que o corpo vive.

Nada é tão grande como a capacidade que o Homem tem de amar, de perdoar e de sonhar.
Saber viver um dia de cada vez, agradecer pelo que nos é dado, ser feliz e fazer os outros felizes.

É o que eu desejo para todos.

21.12.10

Noites de Lua Cheia

Chega a noite. A minha altura preferida do dia (nunca pensei escrever isto, eu, um passarinho irrequieto da manha).
Noite de lua cheia. O vento e a brisa que varrem a ilha trazem ar fresco, tao fresco que nos renova e nos prepara para o dia seguinte. O dia do calor que consome tudo.
Tomo um banho e paro de suar.
As 18h00 e escuro, tao escuro como a noite pode ser escura. A lua esta tao inchada que faz sombras. Gosto de quando a lua faz sombras.
No Ibo nao ha electricidade (e neste PC nao ha acentos), entao a lua e um candeeiro gigante que ilumina os coqueiros, o mar, as casas abandonadas e perdidas... da a este canto um ar ainda mais encantador e magico.
So o fresco agora. De noite so quero o vento fresco e a luz da lua que entra na janela do nosso quarto, durante a noite, e ilumina os meus pes.
Dias de calor e noites frescas de lua cheia.

15.12.10

A minha caixa encarnada

Uma caixa encarnada. Nunca um presente de Natal teve tanto significado para mim, como uma caixa encarnada com uma chave.
É a caixa nº314.
Ontem fomos à Estação dos Correios pedir uma caixa postal (apartado), e todo o processo que começa a partir dai é um pequeno filme documentário.
Primeiro há que ter uma caixa livre que não esteja partida, sem fechadura e que tenha chave. É como encontrar um smartie cor de laranja, sem ter uma lasquinha, todo inteirinho. Neste caso é um smartie encarnado.

O sítio dos apartados, é uma parede forrada de caixinhas quadradas de 20 cm de metal encarnado, cada uma com um número e uma fechadura; do outro lado entramos num corredor onde estão os mesmo números e as prateleiras divididas com o tamanho de cada portinha, com uma profundidade de 40 cm, mais ou menos.
Ou seja, de um lado é uma porta encarnada com a fechadura, do outro vem o Sr. dos Correios e vai pondo em cada divisão as cartas.
Então do lado das prateleiras andava o Senhor a ver que caixa estava vazia, sem dono, e nós do outro lado, com umas chavinhas na mão, iamos seguindo as ordens dele. Ele batia do lado de dentro e nós do lado de fora andavamos atrás do pica-pau: "Aqui, aqui e aqui!!". Encontramos uma com chave e vazia: nº 170! Ah! não dá! é de um Padre.
Experimentamos outras chavinhas, ele ia batendo nas portinhas e nós tentavamos abrir com a chave.
Outra: nº 314. A chavinha entra, gira, mas não abre. Pintaram as caixas e a tinta colou a porta. Do outro, com uma pedra, batemos na porta e ela abriu!! Do lado de fora aparece a mão preta do Sr. e uma enorme teia de aranha acompanha a porta fechada há alguns anos. Nós aceitamos perfeitamente que a aranha fique e vá tomando conta das nossas cartas, sem as abrir antes de nós.
Que alegria! Uma caixa com chave, com porta, sem dono e pronta a ser nossa!

Mas, nem tudo é assim tão fácil... Há que se pedir o acesso à Caixa Postal, através de um Requerimento ao Chefe da Estação dos Correios de Pemba e ele tem de o aprovar. Então fiz o requerimento e fui hoje com o pedido, a uma outra Estação da Cidade, que, surpreendentemente, foi logo assinado e carimbado.
Aprovado: Caixa nº 314.

Voltamos ao local das caixinhas encarnadas e entregamos o papel. Aguardámos que fosse feita a conta e dada a entrada no Livro dos Registos das Caixas Postais, pagámos a conta, além dos 50 meticais pela chave que recebo, como se fosse uma coisa preciosa. Como se fosse um presente de Natal!

E assim, já temos uma caixinha em que podemos receber todas as maravilhas do mundo!
Eu sempre tive um grande fascínio por cartas e postais, sempre adorei escrever cartas e então recebê-las é como abrir um chocolate, desembrulhando-o do seu papel de prata.

Para quem quiser nos enviar esses "chocolates" o nosso endereço é:
Rita Saldanha
Caixa Postal nº 314
Pemba - Cabo Delgado
Moçambique

Será mais um prazer tão simples mas tão grande, ir à nossa Caixa e ver o que lá estará dentro!

14.12.10

Feliz Dia da Família






Espreito os calendários em Pemba, daqueles tipo cabaninha que estão em cima das secretárias das repartições, bancos, finanças, etc e confirmo que no dia 25 de Dezembro vem sempre escrito: "Dia da Família".
Em Moçambique, e especialmente no Norte, onde estamos, a grande maioria da população é muçulmana ou hindu. E assim, com a Família, encontra-se a celebração perfeita. Em Família e por uma Família, que estava no Presépio.
A árvore de Natal foi comprada hoje a um miúdo em Pemba, na Praia - é feita a partir de uma lata de tomate e com papeis de rebuçados, chupa-chupas e até de um maço de tabaco! Pode ser uma jarra com flores, um embondeiro carnavalesco ou uma Árvore de Natal, claro. Cheia de cores e de luz.
O Presépio já o tínhamos comprado em Setembro, no Ibo, ao nosso amigo Emanuel, o artista do pau preto, que tem a sua Oficina na Fortaleza de São João Baptista. Está na nossa casa do Ibo, e do jardim fui buscar as folhas e a flor, feita uma estrela de Belém. Eu gostei tanto deste Presépio em que cada figura é um pedaço de pau preto esculpido a partir de uma única peça, ficando nas costas de cada um a casca da árvore que é cor da madeira, como qualquer outra.
Iremos celebrar o nosso Dia da Família no Ibo, entre amigos, entre histórias e entre memórias de uma noite e de um dia carregados de afecto.
Será sem dúvida um Natal diferente, que já o está a ser, desde estes dias que já em Lisboa antecipavam a azafama das Festas.
Aqui não há lojas cheias de gente, nem supermercados, ou carrinhos carregados de coisas; não há iluminação nas ruas, montras, decorações; não há papel de embrulho, nem sacos, nem fitas; não há cartazes publicitários, autocarros e electricos onde viaja o Pai Natal; não há Pai Natal, nem cartas.
Aqui, no dia 25 de Dezembro, há o que cada um quiser.


12.12.10

África é Poema









































































África é Mãe e Criança. África é sempre Mulher.

É doce e suave para quem a ama, mas é cruel e dura para quem não a compreende.

É uma feiticeira de olhos negros, é uma doença que entra na pele.

Ingénua e pobre.

Sonhadora nas noites estreladas, cansada e pesada nos dias escaldantes.

Carrega água, madeira e terra. Os filhos nascem-lhe nos pés e crescem-lhe nas costas.

Brinca na inocência e corre com ilusões e fantasias antigas.

É casada com a terra e com o céu, com o mar e com a lua. O sol é o seu eterno amante.

Chora sofrimento e suor. E aceita.

África, a mim, parece-me assim.







10.12.10

As primeiras chuvas

Esta noite, já na cidade de Pemba, caiu a primeira grande chuvada que veio “inaugurar” a época das chuvas na nossa Província.

A força da chuva era tão forte que fazia vento, e de um calor insuportável que já se fazia sentir há uns dias, veio uma brisa muito fresca e limpa que entrou em nossa casa e também no meu espírito.

Hoje acordei (sempre cedo) com vontade de olhar lá para fora, e tentar sentir o cheiro da terra molhada e que aquela brisa novamente me tocasse, como se não tivesse sido um sonho. O vento fresco anda pela casa, e o pó acabou. A chuva desta noite, que foi contínua durante horas, quase parecendo que alguém se tinha esquecido do duche ligado, lá em cima, fez com que tudo mudasse - o ar seco, o sol escaldante, o pó denso. O céu está de um suave acinzentado e o verde das árvores mais lustroso.

Ontem voltamos a Pemba, ao final do dia, e trazíamos no carro toda a nossa desilusão, sentada lá atrás, cabisbaixa, pensativa e melancólica – cheia de memórias e de recordações.
Quando perto da meia-noite começou a cair aquela chuva, senti que também era sobre nós que ela descia – lavando o pó, limpando a melancolia, renovando a terra e o ar.

São dias difíceis, são dias em África, mas que o Universo sempre encontra um equilíbrio para tudo. Tal como a chuva veio para começar um novo momento.

7.12.10

A beleza das pequenas coisas.

De ter um frigorifico que finalmente funciona (a gás) e que demorou dias a fio a chegar ao Ibo, dois dos quais dentro de um barco pelo meio do oceano; de conseguir encontrar um pacote de guardanapos à venda; de sentir uma brisa, que é tão refrescante como o ar condicionado; de um banho ao final da tarde carregado de sabonete; de rir com vontade e voltar a rir; de ter um jardim cheio de pássaros coloridos; de apanhar papaias do jardim; de saber ligada sozinha um gerador e uma bomba de água; de apanhar o barco a tempo de chegar ao outro lado; de chegar ao outro lado; de conhecer pessoas maravilhosamente únicas e especiais; de sair de barco às 6 da manhã para um passeio no mar; de passear no mar e ver tantas tartarugas como se lhes perdesse a conta; de acordar com o nascer do sol; da sombra de uma amendoeiras gigante; de estar sempre apaixonada por ele e cada vez mais; de os dois tentarmos fazer pão num forno de lenha e de ter saudades das pessoas e de um cão, e não de coisas.

3.12.10

Diarios II

IBO

Tenho chegado à conclusão de que todo o homem é ansioso de rotina. Até mesmo os bichos. Pelo Ibo vamos encontrando a pouco e pouco a nossa rotina – o nosso ritual do dia-a-dia, que de alguma forma nos define, nos identifica.

Antes de começar a escrever essa nova vida que nos trouxe até aqui, em Julho, numa primeira fase em Pemba, explico que pelo meu computador e por mim viajam tantos curiosos seres, também eles a caminho das suas rotinas. Uma aranha minúscula instala-se na minha mão direita e vai teclando as letras comigo, bicharocos atravessam o computador num ritmo apressado, as lagartixas cumprem auto-estradas na relva à minha frente; quando tiver oportunidade ponho aqui uma foto de “onde é que eu escrevo”.

Aqui o dia começa às 4h00. Está a Vénus firme no céu lilás líquido, há as sombras dos coqueiros e das papaieiras do nosso jardim, e o Sahid, o nosso guarda muçulmano, de cócoras, a rezar. Começam os barulhos do costume – mas aqui os pássaros são muito mais criativos. Dizem que o Ibo tem uma variedade de pássaros muito acima da média e é possivelmente um dos melhores locais de observação nas Quirimbas. No nosso jardim, o coração desta casa, há ninhos de tecelões, que fazem uns novelos de palha perfeitos, e cantam maravilhosamente bem, de penas amarelas muito inchadas.

O sol surge como se fosse um interruptor e começa o calor. O calor preenche tudo e o quarto começa a ficar quente. As pessoas passam na nossa rua, falam, falam, sempre em kimani – o dialecto da ilha – as crianças choram e continuam a chorar durante todo o dia. Muito choram estas crianças – mas também, é porque há muitas crianças. Mais de metade da população do Ibo tem menos de 14 anos, e a esperança de vida é 38 anos… Mas o Ibo é um lugar mágico, em que de noite as estrelas preenchem os nossos olhos e de dia há uma agitação sentida, como se a terra fervilhasse.

Há barcos-chapa a sair para o continente, há outros a chegar, carregados de mandioca, carvão, motas, sacas de açúcar e de farinha, galinhas, mangas, e até um pudim numa forma dentro de um saco de plástico.

No Ibo há tanta vida, que é difícil de imaginar que numa ilha com 4 mil habitantes exista tanto movimento: mulheres que fazem colares e flores a partir da folha seca de mangueira, num processo trabalhoso e elaborado (já tenho uma lição marcada com a D. Manassa para aprender como se faz); um atelier de costura com camisas, calções, saias e vestidos feitos a partir de capulanas, em cores magnificas e com um acabamento muito bem feito, com um cunho muito personalizado (já encomendei uns calções ao alfaiate); ourives e artistas do pau preto; oficina de carpintaria; associações de mulheres pescadoras de polvo …

A nossa rotina ainda não se instalou totalmente, por culpa de um miserável frigorífico a gás. Demorou 2 dias a chegar aqui, por barco, desde Pemba, em que o Xano também embarcou nessa aventura, entre pescadores e marinheiros, visitas de golfinhos, mar azul-turquesa, frio, fome, sede e cansaço, discussões entre brancos e pretos e duas noites de céu negro, sem sinal de lua. Já o ligamos durante toda a noite e está lá tanto frio como está aqui fora.

Introduzo vários temas ao mesmo tempo, mas o calor é tanto que o simples facto de me ter posto cheia de iniciativa a passar cera líquida na mesa e no armário (louceiro) do nosso alpendre, fez descer desde o pescoço até à cintura uma película de mil gotas de suor que me encharcou em minutos o corpo todo. Ainda aqui sentadinha, só a mexer os dedinhos e pouco mais, sinto-me a derreter aos bocadinhos.

Tenho sempre as unhas sujas. Isso é outra coisa que aqui se passa constantemente, apesar de as ter sempre curtas e arranjadas, ficam logo cheias de sujidade. Parece que ando com as mãos dentro de baldes de terra.

Além do frigorífico morno, ainda faltam algumas pequenas coisas cá em casa, mas já está tudo mais ou menos. O menos talvez sejam os outros bichos (ratos) que cá andam com renda vitalícia e não há meio de acabar com eles – já devemos ter posto 1 quilo de granulado/ veneno, mas mesmo assim ouvimo-los durante a noite. Vamos mudar de quarto, passando de uma sauna nível 3 para uma de nível 1, onde mesmo assim o Xano dorme como se estivesse dentro do tal frigorifico que não existe. Dizem que a Ilha tem bastantes e nós já estamos em lista de espera para ter uma gata – os gatos dormem e comem o dia todo, as gatas caçam. Será uma coisa inédita nesta família, começamos pelo gato antes do cão. Sendo que, obviamente, temos de retirar todo o veneno quando a “caçadora” entrar no lar. Ela já nasceu, mas ainda é muito pequenina (1 mês). Não sei que nome lhe dou…

Também já temos a Rabina, uma rapariga de 27 anos que é a nossa empregada – fala bem português, sendo que o “bem” é um articular de duas ou três palavras. Faz tudo o que as máquinas no mundo ocidental fazem: lava roupa, loiça e aspira, além das limpezas.

Ontem resolvi fazer o nosso presépio, já que árvore de Natal é qualquer coisa muito longe disto. São as três figuras em pau-preto, pus umas folhas verdes em baixo e uma flor em cima, como se fosse a estrela de Belém. Fiquei toda contente a ver o nosso “Natal” no Ibo. Quando tiver uma ligação à internet em Pemba, vou tentar pôr fotos.

Quis fazer o presépio para me lembrar dessa rotina em Lisboa, fazendo um contraste tão grande com a memória do frio lá fora, as roupas quentes e o aquecimento ligado, as ruas cheias de gente e de carros, chuva, as famosas compras de Natal, a correria do Dezembro até ao final do ano.
A Rabina, sempre descalça, estende a roupa na corda, hoje reguei o jardim e acho que vou pôr uma flor fresca no nosso presépio.