25.10.12

Ser portuguesa e lisboeta.

O que faz deste micro País um acontecimento, para mim, tão especial, é que há coisas que só aqui acontecem.
Lisboa tem tudo o que é preciso para ser uma verdadeira capital europeia, bonitos edifícios, igrejas antigas, praças largas, ruas e avenidas, cafés e esplanadas, lojas, galerias e espaços bonitos; tudo o que uma cidade cosmopolita quer ter.
Mas depois, Lisboa tem aquelas coisas que só ela tem, só aqui, neste Portugal pequenino e curioso.
Fui até à Baixa e explorei os caminhos até chegar ao Poço do Borratém. Nesta rua pequenina, que une a Rua da Madalena ao Martim Moniz, está o Hospital das Camisas, um templo que ressuscita colarinhos e punhos, faz camisas por medida e opera autênticos milagres.
Ora, o meu Príncipe, que é um poço de saúde e elegância, já há algum tempo que baixou uns 3 números de camisas, era por isso simpático tentar apertá-las em vez de as deixar de usar.
O Hospital das Camisas fica na entrada da Junta de Freguesia de Santa Justa, ali junto ao vão das escadas que do lado esquerdo vão para a Junta e do lado direito segue-se para "A Lisbonense, Limpeza de Chaminés".
Enquanto me sentei no degrau, a esperar a minha vez, fui logo cumprimentada pelo Mel, um gato bonacheirão, propriedade da Junta mas que passa o dia cá em baixo a ver quem passa. Logo aqui temos um gato, que é da Junta, mas é de todos, o Hospital das Camisas e a limpeza de chaminés. Tudo isto numa porta de uma travessinha de pouco mais de 100 metros.
Despachado o assunto, regresso a casa passando pela Praça da Figueira e pelo Rossio. Lisboetas, visitantes, turistas - uma verdadeira cidade europeia.
Deu-me a vontade de um croquete e parei na "Tendinha do Rossio", uma tasquinha mesmo junto ao Arco que une o Rossio à Rua dos Sapateiros. É um sítio pequenino, com um curto balcão e meia dúzia de cadeiras, com uns óptimos salgadinhos para meio da manhã (as sandes de queijo fresco são um clássico da casa) e está ali desde 1840 a servir os lisboetas.
Mais uma vez temos a conjugação de fenómenos únicos: o croquete (coisa que eu acho ser 100% portuguesa, nunca vi isto em mais lado nenhum), o Rossio e uma tasquinha com 172 anos que resiste no mesmo lugar, com o mesmo propósito.
Voltei a casa subindo pela Rua do Carmo até ao Chiado, quase a chegar fui acenando à Flávia do Talho e à dona da Papelaria do Calhariz onde gasto continuamente dinheiro sem nenhuma razão aparente, a não ser a minha obsessão por Papelarias. E por nós ia passando o 28, sempre cheio de gente e de vida.
E é isto que me faz ser portuguesa e lisboeta. Adoro todos os Bairros de Lisboa, em todos encontro características que os tornam tão especiais.
Portugal é isto tudo e muito mais, coisas muito mais complicadas do que croquetes e camisas, mas isto é como gostar de Ópera.
Ou se adora ou se odeia.


2 comentários:

Anónimo disse...

Fico satisfeito quando vejo que tu tiras partido dessas coisas que fazem com que sejas uma pessoa feliz.
Para que haja um país é necessário haver um território e população.Nos dias que vão correndo vivem-se dias , ás vezes muito difíceis, que fazem pensar se é o território que não presta ou se é da população.Mas para ti isso são trocos.Ainda bem , fico muito contente.

redonda disse...

Há croquetes na Galiza, muito variados, como de presunto.