25.12.11

Natal Africano


Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz... Mas é Natal.

Que ar abafado!
A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.

Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.

Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.


Cabral Nascimento
Obra Poética
Porto, Edições Asa, 2003

(Obrigada a Ana Ribeiro, que me enviou no ano passado um postal de Boas Festas para Pemba e lá vinha este poema que tanta verdade contem sobre o que eu sentia ser o Natal naquelas paragens - é tal e qual assim. Não existe nada do que é convencional, só o riso das crianças, que em toda a parte do mundo, é sempre igual.)

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