15.7.14

"it made us different..."


Um casal oriundo de Boston foi viver durante um ano para uma Ilha perto da Noruega, com uma população de 103 pessoas. (ler artigo aqui)
Ela, de raízes nórdicas, foi dar aulas na escola primária, ele, de raízes asiáticas, despediu-se do emprego como gestor numa empresa de software e dedicou-se à fotografia.
Os dois filhos, ainda em idade pré-escolar, frequentaram o jardim de infância.
Foram e voltaram.
E quando voltaram foram para a mesma casa, o mesmo Bairro, o mesmo circuito de amigos, e quando se viram naquela situação, tantas vezes comum, de estarem a ouvir as conversas entre amigos, em que um se queixa do trabalho, o outro dos filhos e mais outro da falta de dinheiro, têm um clique. Percebem que estão diferentes.
E para sempre vão ficar diferentes.
Eu identifiquei-me muito com esta história.
A diferença, para a minha experiência no Ibo, está na geografia da Ilha e nos filhos a cargo. Que logo tudo muda.
Mas as emoções são as mesmas.
O sentir-se diferente.
Não deixo de ser a mesma pessoa, mas também sou outra.
Por minha vontade, aceitei passar por esse processo.
A seguir a esse, veio outro, o da separação, sem a minha vontade.
E fiquei diferente.
Mais ainda.
E isto tudo não é mais do "a vida" a passar - que nos torna diferentes, quando tudo à volta vai ficando igual.
Estive estes dias pelo Porto, a propósito da Lifestories e de uma menção honrosa que os cadernos "it takes 2" receberam. Fui de comboio.
As viagens de comboio são muito literárias e interiores, são intensas. Ou durmo como um urso a hibernar, ou filosofo como um grego.
Fiz um pouco das duas - tendo sempre a sensação que à medida que o comboio avança pelos carris, avanço eu pelas minhas teorias.
E nessa viagem de comboio pensei precisamente no que nos faz ser diferentes; o que nos faz continuar a crescer, quando o corpo já estagnou.
E quando e como o Martim irá passar por isso. Por que implicando dor e algum sofrimento, não é o que nenhuma Mãe queira para o seu filho.
Mas a vida vai passar por ele, assim como passa por mim, assim como o comboio passa e rola pelos carris, assim como o tempo vai correndo pelos ponteiros.



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