5.3.14

ser ou não ser

Acho que nunca me assumi como tal.
 
Mas também acho que nunca tive consciência do que é ser.
 
E hoje sou.
 
Feminista.
 
Acerca de mulheres-feministas é um facto que tanto tenho discutido nos mais diversos circuitos, como tenho observado no papel das mulheres e da sua capacidade de se desmultiplicarem em mil coisas diferentes.
Ponto assente de que ser feminista não é odiar homens, gritar em manifestações e/ou queimar sutiãs.
Para mim é uma questão de admiração, de valorização, como um clube de fãs. 
Podemos ser benfiquistas e feministas. Não vejo contradição nenhuma.
Há inúmeras razões que me levam a assumir este clubismo, mas uma das principais é a capacidade, que só as mulheres têm, de se descentrar de si próprias.
O homem, com o "h" minúsculo, é o ser mais "self-centered" do Universo.
A pré-história já o conta: caçador recolector, caçar para "se" alimentar, fazer fogo para "se" aquecer, reproduzir para "se" perpetuar e satisfazer as "suas" necessidades, e por último, na pirâmide futurista a que o Sapiens-Sapiens não teve acesso, a "sua" auto-realização, que naturalmente passa por si, e não por um outro alguém.
Já agora, e para que também fique claro, eu sou, e tenho de ser, a primeira pessoa a gostar de mim. Por isso, o descentralizar não é viver em função do outro, coisa que aprendi, da pior maneira possível, a não repetir nas próximas décadas, mas é uma fórmula simples: o amor próprio, bem cultivado, nas mulheres, cria mais amor e altruísmo;  já nos homens, dá em egoísmo. E seja de que maneira for.
No fim de tudo, quando tudo está perdido e/ou feito, um homem olha para o umbigo e pensa: "o que é que EU fiz mal?", a mulher olha à volta e pensa: "o que TU podias ter feito melhor?"

O discurso de abrir frascos de compota, mudar pneus ou desentupir os canos com soda cáustica já é um cliché, pois na verdade eu abro os meus frascos de compota, desentupo os canos cá de casa e não mudo pneus, ainda, mas sou capaz de passear o Flash, levar o M. no carrinho, estar a falar ao telemóvel e apanhar um cocó do cão, tudo ao mesmo tempo, e ainda estando constipada, doente ou com febre. Se é que me entendem.
E para que fique claro, adoro que um homem me abra a porta, carregue os sacos, dê-me o melhor lugar na mesa do restaurante, apanhe chuva para eu não levar com ela, durma mal e com frio para eu dormir bem e quentinha.

Correndo o risco de com este texto vir a "assustar" muito homem por ai, só posso pensar no evidente: quem tem medo compre um cão.
Acredito no amor entre um homem e uma mulher, acredito no casamento, sempre, e acredito no amor estúpido e idiota.

É por isso que sou feminista.
 


1 comentário:

Anónimo disse...

Está bem escrito e dá prazer de ler.Tudo o que escreves tem conteúdo.