7.5.13

o que fica e que vai

 
Foi esta a primeira drogaria em que entrei na minha vida.
Naturalmente foi pela mão da minha Mãe, uma fã sénior de drogarias, que logo me passou o fascínio pelo mundo das vassouras, desentupidores, lacas e sabonetes, soda cáustica, pregos e parafusos.
Um destes dias passei por lá e quis confirmar: está igual. O mesmo prédio no centro de Cascais quase a cair de velho, a mesma porta estreita e, pelos vistos, o mesmo Senhor ao balcão. E o mesmo cheiro.
Lentamente regresso à minha terra, Cascais. Nasci em Lisboa, mas em três dias estava lá outra vez. Onde fiquei até me casar. E para onde regresso, brevemente.
Há coisas na vida que não mudam, como a drogaria e o meu gosto por estes espaços tão preenchidos de memórias.
Mas outras há. E nós mudamos, e o mundo muda e tudo passa.
O lugar de menina é agora o meu refúgio de Mãe. E é um conforto que isto, pelo menos, ainda não mudou.
 
"Mudar não significa tornar-se outro, mas fazer uma experiência mais autêntica de si, nem que seja apenas de um maior confronto."
(José Tolentino Mendonça)
 
 

2 comentários:

Pedro disse...

Transportaste-me agora para o mundo da minha infância. Além das idas à praça, arrastando um carrinho de compras de tartan encarnado, as idas à drogaria do Sr. Joaquim eram uma constante. Do que me lembro mais eram dos detergentes. Eu queria sempre levar o que trazia os glutões :)

macaca grava-por-cima disse...

adorei a citação final! mesmo!