10.9.13

afinal, ser mãe


Se há um assunto sobre o qual posso escrever e descortinar as conclusões mais variadas é esta coisa de ser Mãe.
1. Porque esperei 8 anos para o conseguir
2. Porque durante esse tempo imenso tive mais tempo ainda para pensar no assunto
3. Porque sou Mãe há 6 meses e acho a coisa mais natural do mundo não aguentar mais estar em casa com o meu filho e querer ir pô-lo numa creche.
 
Eu trabalho em casa, sou uma tipa que se manda livremente ao trabalho, e por isso o meu escritório é um quarto e o meu "metro" é um corredor. Estar aqui com o M. era bom até ao dia em que se tornou um frete. E eu percebi: estares com o teu filho e ser um frete não deve ser bom.
Vai daí decidimos (o Pai do M. e eu) que era altura dele experimentar o mundo e na próxima semana já vai ter o seu primeiro dia de "escola".
Adoro o meu filho, esperei mais por esta criança do que 90% das mulheres que conheço, esfolo a minha pele por ele, corto o pescoço a quem lhe fizer mal, mas estar com ele todo o dia não é bom. Atenção! Não é bom, para mim.
Venham daí essas Mães maravilhosas que ficam com os filhos até irem, aos 3 anos, para a Escola, admiro-as profundamente, assim como as educadoras, que pela primeira vez percebi a essência do trabalho herculiano que optaram ter na sua vida. Porque elas além dos bebés dos outros, têm os dela. São mulheres com capacidades superiores e abençoadas sejam todas, porque o que seria do mundo sem berçários e creches!
 
Benditos equipamentos de apoio à educação das crianças.
 
Ser Mãe é bestial, é para lá de bom, é uma dimensão de nós que se completa e se preenche, mas não é tudo.
Não, não.
O nosso coração tem divisões desconhecidas e profundas, que a maternidade vem ocupar, mas há outras tantas por completar e que precisam de ser igualmente preenchidas, pois o equilíbrio de tudo vem da boa e saudável relação entre elas; além do bom conhecimento de nós próprias e daquilo que fará mais sentido para cada uma de nós.
Para mim, a concretização profissional é imensamente importante e neste momento espreitam óptimas oportunidades que me fazem querer estar apta e disponível para trabalhar. A realização pessoal também, e depois ainda a amorosa, mas por agora há que serenar o espírito e perceber que lá por ter estado tantos anos a penar por me realizar enquanto Mãe, não significa que tenha de sugar o meu filho a todo dia e a toda hora.
 
Tenho a certeza que nenhuma relação sobrevive a um contacto diário, 24 horas/dia, a única excepção seria feita na relação de uma Mãe com um filho, mas mesmo assim, o bom senso terá de existir.
Estou muito satisfeita com a decisão e prometo em breve dar as novidades aqui no estaminé.


4 comentários:

Anónimo disse...

Rita, acabei de ler o teu texto na Carrosselmag. Que coragem, bolas! Grande mulher! Um beijinho. Rafaela

macaca grava-por-cima disse...

e este post também mostra essa coragem... nem sempre é fácil dizer estas coisas e assumir uma postura diferente da "normal" sobretudo neste domínio "sacro-santo" da maternidade. bjs para ti Rita

Anónimo disse...

Concordo a 100%. E agora vou ler as publicações todas de uma vez, pq não conhecia o blog!!!! Tenho uma data de catch up para fazer!! Bjs, Marina E. ;-)

ana oliveira disse...

Miúda, acabei de ler os teus post's (este e o do carrossel).
Como mãe há uma pancada de tempo digo-te que estás CERTÍSSIMA !!! Ser mãe é ter dúvidas, fragilidades, assumi-las e ultrapassá-las. é sobretudo continuar a ser mulher pq uma não substitui a outra. só assim seremos as melhores mães do mundo. nunca estive com nenhum dos meus 4 até aos 3 anos em casa e não os vejo crianças traumatizadas. muito pelo contrário.
só as guerreiras conseguem isto. TU ÉS UMA DELAS ! LU