12.7.12

diários de moçambique** #1



Diário de Moçambique. Volume 2. "as raízes do princípio"
17 de Julho, 2011. Já no Ibo.

Estou no Ibo, e a sensação é diferente. Aqui sinto muito mais a sensação da despedida e não deixa de ser triste. (…)
Estamos na nossa casa, onde nada nos é estranho, onde conheço de cor o jardim e as árvores, os segredos e os truques de cada coisa – do frigorífico que só funciona se a chama estiver num determinado lugar, do filtro, do gerador e da bomba de água. Desta vida que foi tão simplesmente uma enorme espera, preenchida por um dia-a-dia demasiado simples. Feito de gestos tão simples, como cozinhar o pequeno-almoço, almoço e jantar. Ver a roupa a secar, ouvir a Rabina a limpar casa, ir comprar peixe, ver o peixe a grelhar, coser uma camisa rota, ouvir as crianças a brincar e a chorar logo às 5 da manhã, ouvir os galos e os pássaros. E esperar.
Foi uma vida de espera. Longe da família e dos amigos, longe do mundo.
É bom estar aqui, mas este contacto diário comigo mesma é demasiado intenso. Demasiado presente. Muito cru, demasiado a cru. (…)
Não sei quando voltarei. É estranho. A razão da minha mudança de vida, a razão de uma nova vida é agora uma despedida. Os dias são agora muito mais frescos e sabe bem dormir de janela fechada, com um lençol por cima. De manhã, quando fazia o pequeno-almoço, pelas 9  da manhã, estava a suar em bica, escorriam-me gotas de suor pelo pescoço. Hoje, foi muito mais fresco. Fiz tudo sem suar e sem estar a sentir-me a derreter viva. Sensações diferentes e diferentes conclusões.

**excertos do meu Diário Pessoal escrito durante a minha estadia em Moçambique, entre Julho de 2010 e Agosto de 2011

1 comentário:

Anónimo disse...

Essa espera e essa passagem por um lugar tão mágico tornou-te ainda rica na alma!

Bem hajam por terem ido e voltado!