2.7.12

Histórias da Carochinha

Hoje começo o Workshop "Histórias Infantis: como escrevê-las" na Companhia do Eu.
Já perdi a conta a quantos cursos fiz nesta casa de criativos, sei que desde 2006 não consigo deixar de lá entrar!
Para este mini-curso devo preparar-me com duas coisas:
1. O livro com uma história infantil com que me identifique.
2. Uma figura infantil e a sua descrição: descrição física, onde vive, os seus poderes, etc...

Quando ao primeiro ponto, pensei em várias histórias, uma delas, a da Polegarzinha, do Hans Christian Andersen, que eu lembro-me adorar ler quando era pequena. Mas agora, quando fui procurar a história novamente, achei altamente imprópria e horrível para o universo infantil!
A Polegarzinha nasceu no meio de uma papoila e assim que dormiu uma primeira noite numa casca de noz, ficou logo sem Mãe, tendo sido raptada por um sapo, com quem era suposto casar. Tendo conseguido fugir, viveu todo o Inverno sozinha numa Floresta onde encontrou uma toca de uma andorinha que assim que chegou o Verão voou para longe, deixando-a outra vez sozinha. Depois de passar as passinhas do Algarve, a Polegarzinha lá encontrou um Príncipe, mas uma coisa muito forçada. Ela chegou a trabalhar para um rato, que a troco de abrigo, exigia que lhe limpasse a casa e contasse histórias, ela esteve para se casar com uma toupeira que a ía meter a viver debaixo do chão a vida inteira e ainda chorava de saudades da sua amiga andorinha, que a tinha abandonado. E a Mãe? Nada, nicles.
Mas onde, minha gente, é isto próprio para uma criança ler?
A Polegarzinha, nos dias de hoje, seria uma activista da APAV, estaria a estudar direito das mulheres, andaria há anos em terapia, não conseguindo estabelecer uma relação estável com qualquer elemento do sexo oposto, valendo-lhe apenas os tamanhos 0 das marcas de roupa e o IKEA Kids, evitando ter de se vestir com folhas e dormir em cascas de nozes.

Isto deve-me ter deixado com lesões profundas, acredito nisso, e vai daí resolvi levar uma Anita. Bem mais fácil,  uma miúda bem resolvida, divertida. Há o cão Pantufa e o Avô querido, existe uma família nuclear estável.


A história é a "Anita e o Dia da Mãe" e quando agora o reli, tive exactamente a mesma sensação de quando o li pela primeira vez. Ela e o irmão vão fazer uma surpresa à Mãe, e os dois fazem um presente super especial e personalizado (já a prever o futuro), com a ajuda do Avô e do Pantufa. Até o Pai diz que o que importa não é o valor do presente, mas sim a sua intenção.
No fim, rematam o presente com um ramo de flores do campo. Só coisas boas. Ficamos logo bem dispostas assim que acabamos o livro, querendo por outro lado marcar um encontro entre a Polegarzinha e a Anita, a ver se uma anima a outra.

Já agora, vou tentar que parte deste curso me sirva para encontrar uma escrita de histórias infantis bem mais coloridas e leves, porque de gente cheia de traumas e problemas na vida está o mundo cheio. Vivam as Anitas desta vida!

2 comentários:

Anónimo disse...

Porque não a própria história da Carochinha...eu fazia de Carochinha à porta duma casinha para brincar como as do Jardim Zoológico: «Quem quer casar com a Carochinha, que é bonita e formozinha?»...mas tu lá sabes

Anónimo disse...

Mas o que é interessante é todo o movimento de ternura de umas flores para outras , esvoaçando ao longo de tanta floresta.