9.8.12

O conto continua...


Parte II
Todas as manhãs, Maria Amália põe a gaiola do “Tito”, o canário amarelo, no prego da parede do lado de fora da janela. É lá que passa o dia, a encantar o Bairro com a sua doce melodia de canário amarelo. Muitas vezes, a pedido dos vizinhos, a gaiola é colocada mais cedo ou fica até mais tarde.  
Num dia, de grande ventania, o Tito, lá estava posto do lado de fora da janela. Veio uma rajada mais forte e a gaiola, com pouco mais do que 178 gramas, com o canário (de 15 gramas), voaram do 1º andar até ao passeio. O estrondo foi grande e trouxe a vizinhança às janelas.
Maria Amália quando ouviu o barulho vindo da rua correu à janela e percebeu a algazarra.
- Foi o Tito! O Tito caiu!
Correu a descer as escadas do prédio e quando chegou à rua estava a gaiola toda escavacada, o bebedouro e o comedouro partidos, e um homem com o canário enrolado num naperon, que servia para cobrir o “telhado” da gaiola.
- Foi esse senhor, vizinha! Foi ele que salvou o Tito. Se não fosse ele, o Tito, coitadinho, se calhar ficava-se e morria de susto. Foi esse Senhor que o salvou!
As vozes dos vizinhos chegavam das janelas e das varandas. Todos debruçados para assistir ao salvamento do Tito.
O homem pelos vistos passava pela rua no instante em que a gaiola caiu ao chão.
O Tito, na verdade, assim que se estatelou, não se mexeu – à parte de cantar, ele não devia saber para que deviam servir as suas asas. Nunca tinha voado. Estava encolhido e tremia como um cão com o rabo entre as pernas.
Uma gaiola com um canário amarelo aterrou aos pés do homem e o Tito foi salvo graças à orientação da vizinha do prédio em frente, a D. Lurdes. Essa mesma senhora (vizinha) que costuma estar 7 horas por dia à janela a fazer crochet, malha ou arranjos de costura, enquanto consegue controlar todas as pessoas que passam na rua, carros, carrinhos de bebé, carteiros, carrinhas da luz e da água, visitas inesperadas, saídas não previstas, ausências prolongadas.
Foi Dona Lurdes, que de imediato, no seu posto, deu as ordens:
- Agarre no passarinho, oh Meu Deus! Agarre-o, não o deixe fugir! Pegue no paninho e tente agarrá-lo! O Tito, o nosso Tito!!
Maria Amália agradeceu ao homem e levou o Tito para casa. Durante duas semanas o Tito não foi posto lá fora. Todos ainda estavam a recuperar do choque.
A rua, e o Bairro, voltaram à normalidade assim que o pássaro recomeçou a cumprir a sua função de cantar enjaulado.
 (continua)

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