17.7.13

quando o amor (afinal) acaba

"Talvez sejas antiquada..."
 
Para mim o amor não deveria acabar nunca e um casamento seria para sempre.
Acredito, sofregamente, que nada persiste sem sacrifício, sem haver uma luta, algo por que se acredita.
Sou de uma dedicação canina ao objecto do amor, fiel e imperturbável, recta como uma linha de comboio, firme como uma estaca de marfim.
Inabalável.
E agora, afinal, o amor acabou.
O dele, não o meu.
 
E agora, como se faz?
Alguém me explica onde se enfiam estes sentimentos, em que gaveta se metem, como é que se fazem etiquetas e separadores neste dossier que agora passa a arquivo morto.
Toda a minha vida acreditei no amor para sempre.
Toda a minha confiança estava depositada naquela pessoa, no meu Príncipe que afinal não existe mais.
Toda a minha dedicação seria para ele.
 
E agora, afinal, o amor acabou.
E o que dói, o que mais empurra o dedo na ferida, ainda aberta, é saber que eu já não tenho o meu lugar no seu coração.
Ocupo uma outra divisão, desconhecida para mim, como um quarto escuro.
A partir de agora, já não faço parte da sua história.
Apareceu uma nova personagem e eu perdi o meu papel principal.
Então perdi tudo o que tinha. O amor, a confiança, o sonho, a fantasia.
Roubaram-me tudo.
Só ficou o meu filho e eu nua e despida de amor, a ter de consolar e dar um colo, quando a mim só me restam farrapos de sentimentos. Quando eu estou inconsolável.
 
Tenho amigos poetas, escritores, pintores, artistas que me poderiam ajudar a compor um cenário, a descrever aquilo que sinto, a espalhar os mil pedaços de mim em palavras infinitas de um amor que acabou.
Mas eu não sei como se faz.
O ódio e a raiva parecem-me coisas fáceis e simples de se alcançar; deviam existir outros sentimentos, muito mais elaborados e eficazes na expurgação desta mágoa.
 
Como se deixa de gostar de quem se ama?

O que é afinal o amor.
Estou confusa.
É uma coisa que acaba. O amor começa e acaba, como uma época das chuvas.
Não vai chover para sempre.
 


4 comentários:

Pedro disse...

Oh querida, sinto muito. Era tudo o que não queria para ti (eu sou um piroso que gosta de finais felizes). Não há corações novos por aqui, mas há ouvidos, ombros e colos! Um grande beijinho

Anónimo disse...

Só o tipo tresloucado que entra numa escola aos tiros é que ñ acha mta piada a finais felizes... eu tb gosto de finais felizes. De pessoas felizes ainda mais.
Mas, tal como TODAS as pessoas que vivem neste mundo, ninguém é, por decreto, feliz. Aliás, quem já teve um "final feliz" nem nos poderá vir aqui confirmar se era verdadeiramente aquele final que queria..

Vivemos momentos felizes. E isso é maravilhoso.

Rita,

Feliz, é estarmos ao lado de alguém que nos faça rir. É quando nos sentimos bem, genuinamente. Ás vezes isso acaba. Ha pessoas que nao sabem o q isso é. Mas quando "isso" acaba,outras coisas Começam. E o fim, esse, ainda vai tão longe....
Mas é tb de memórias boas q se faz a vida, as recordações do que já vivemos, lembram-nos quem nos fomos, e ajudam-nos a olhar em frente.

Agora é tempo de lamber feridas. Dói, mas passa. Não ha bem que perdure, nem mal que dure para sempre. É por esta razão que temos q dar graças nos momentos bons e, esperar, quando a tempestade entra.

A dor vai passar. Transforma-se. Não se lhe deve dar muita importância, deve ser desvalorizada. Porque, e isso sim, tem uma enorme importância, a sua saúde é, em primeiro lugar, o bem mais precioso que tem. Essa sim insubstituível. E nesta fase, terá que a preservar, para q consiga cuidar, educar, criar o seu filho.

A nossa vida é cada instante q passa. Cada segundo deve assumir a importância q tem, nem mais nem menos. Lembre-se disso, quando estiver a chorar, pelo que acabou, em vez de.... Escrever contos e historias para ler ao seu filho, por exemplo! Pensar em que parque ira passear, qual a primeira viagem q vai querer fazer com ele. Em que colégio o ira matricular, etc, etc, etc. A sua cabeça não pode parar, porque a vida não vai parar. Quando parar... Força.

Anónimo disse...

Coisas bonitas.

Anónimo disse...

A vida prega-nos partidas e coloca-nos em situações que nunca imaginaríamos um dia poder estar. O tempo traz-nos anos bons, anos menos bons e quando julgamos que não há nada a fazer, que não há possível remédio para o que nos deixa de rastos, encontramos naqueles que nos ficam nos braços e nos amam incondicionalmente a razão para avançar sem olhar para trás. Todos os dias que perdemos a pensar no que poderia ou não ter sido não passam disso mesmo: Dias perdidos.
Depois de assente a poeira percebemos que a melhor saída é mesmo levantar os olhos quando caminhamos, para olhar em frente e apreciar tudo o que ainda aí vem.

Adoro o blog e aqui deixo uma dedicatória que vale a pena ver até ao fim:
http://www.youtube.com/watch?v=aQZV6kEVTFo

Beijinhos