11.11.11

11.11.11 às 11.11



Quando hoje acordei e saí à rua para passear o Flash, não me lembrei que era dia 11 do 11 do 11. Estava uma manhã menos fria, com a ameaça da chuva, mais uma vez.
Desde que voltei de Moçambique - ultimamente tenho ouvido tantas vezes "voltaste!?!"- tenho ido correr todas as segundas, quartas e sextas feiras de manhã. Começo na Estação de comboios de Santos, vou até ao BBC (já quase a chegar ao Museu de Electricidade) e volto.
Nestas últimas semanas, tem estado sempre sol às terças e quintas. Eu posso confirmar. Esta semana, então, não houve um dia que não chegasse a casa ensopada. Completamente. Qual Jessica Augusto ou a minha eterna heroína, Vanessa Fernandes, enfrento o vento e a chuva, numa batalha inglória contra a roupa toda molhada, os ténis a fazer blherg-blherg-blherg, a cara encharcada e o meu cérebro (seco) que me fala: o que raio estás tu aqui a fazer? olha bem a tua figura.
É verdade.
Na 4ªfeira era só eu e um pescador, que me deu guarida debaixo do chapéu por uns minutos, quando só me apetecia atirar-me para debaixo de um carro, tal era a carga de água e sem qualquer tecto à vista senão árvores e caixotes do lixo. Enquanto esperei que a chuva acalmasse, o Sr. pediu-me um instantinho e foi puxar uma das canas. Já lá tinha uma mini-dourada. "Está a ver?" - dizia ele - " É preciso é a gente vir, se a gente não vem, a gente não sabe se apanha ou não?!".
Nem Kant diria melhor.
Despedi-me da guarida do chapéu e segui até ao BBC. Completamente sozinha naquele percurso, era só eu e as gaivotas que serenas sobre a calçada adoptavam uma posição geometricamente igual, todas com o mesmo ângulo em relação ao Rio. A chuva voltou e eu decidi não parar mais até chegar a casa. E assim foi, depois com Aspirina C e espirros até mais não.
Hoje, no dia 11.11.11 às 11horas e 11 minutos e 11 segundos, deveríamos estar todos atentos a qualquer coisa, ou conscientes que algo poderia acontecer.
Pois aqui a vossa serva só pensou que hoje era 6ªfeira. Dia da corrida junto ao Rio. Mais uma dia que está a chover e eu lá me meti rua abaixo, caminhando a pé até à Estação.
Até chegar à Ponte, tudo bem, depois foi o dilúvio. Estava muito pouca gente, só me cruzei com um ou dois corredores e lá estava o meu "amigo" pescador-filósofo agarrado ao seu chapéu de chuva e às três canas de pesca. Consegui chegar ao Café In e abrigar-me da carga de água maior.
Decidi não parar mais, chovesse o que chovesse. Mas o pior não era a chuva, era o vento. O troço até ao BBC foi com a banda sonora de uma Ópera de Wagner - vento descontrolado e fortíssimo, mal conseguia abrir os olhos tal era a força e a quantidade de água que chovia, as gaivotas nos seus postos, eu, desfeita em suor e em chuva, a contornar os pilares e a iniciar, finalmente, o regresso a casa.
Cruzo-me novamente com o pescador-filósofo, começa a chover com muita força. Continuo. Não sentia os pés, nem as pernas, encharcadas. Só tinha uma imagem na minha cabeça que era um duche quente.
Aquela hora, em que mundo devia estar a desabar, eu estava a debater-me contra o tempo, pisando e saltando poças intermináveis até chegar novamente à Estação de Santos.
Missão cumprida.
Duche quentíssimo tomado. Aspirina C, desta vez sem espirros.
Pronto, foi assim que passei o meu único dia 11.11.11.11.11.11.
Para o ano há o 12.12.12. Vou fazer por estar na Biblioteca Nacional a ler os Sermões Escolhidos do Padre António Vieira, parece-me bem melhor e mais seco.
Bom fim-de-semana e boas castanhas!
(Nota: Não façam como eu que toda contente quis fazer o magusto cá em casa e queimei as castanhas todas, ficaram duras como pedras da calçada e era uma fumarada que não se podia aqui estar!)

1 comentário:

Anónimo disse...

Isto ao menos é sempre a somar , , a prosa.Mais uma página com uma descrição que enche a alma.Agora ,-- faz-me lembrar a tropa.Um militar não sabe o que é a chuva.Com a G3 ao ombro mais o cantil mais o saco do não sei o quê todo suado fosse debaixo de sol tórrido ou debaixo de chuva. O militar não sabe o que é a chuva.Tu com a tua idade serias para aí tenente ou mesmo capitão.Gostava de ir contigo.Com a tua descrição a pessoa fica com vontade de ir correr de baixo de chuva + o pescador filosofo etc , etc.Já comi algumas castanhas.Quando é que a gente se vê?
Beijos e abraços ao Alex e ao flash.

A branca agora quando nos recebe trás sempre uma folhinha na boca , está toda feminina.