12.4.12

Era uma vez...




Aconteceu por estes dias em Lisboa o 1º Festival de Storytelling (True Tales Festival), um fenómeno ultra-anichado em Portugal mas já muito rodado no mundo anglosaxónico. Em Inglaterra há "doutorados" nestas andanças das histórias e dos contadores de histórias.
Foram dois dias apenas dedicados ao contar de histórias. Na noite em que assisti, a plateia do Tivoli estava cheia!

A organização comentava: como será possível haver tanta gente interessada em ouvir histórias dos outros? (tinham que ser verdadeiras e contadas no máximo em 10 minutos). Histórias tão simples como uma mudança de casa, uma operação ao coração ou até a primeira vez em que encontramos o nosso ídolo.

A verdade é que foram figuras públicas a contá-las, se fosse o Zé da Esquina duvido que a plateia estivesse cheia. Mas mesmo assim é preciso saber contar histórias, porque a) temos de saber rir de nós próprios, b) temos de alguma maneira ter as contas feitas com a vida e não andar a aqui atrás de alguma remissão e c) ter sabedoria e algum humor, o que significa ser inteligente.
Todas as histórias que ouvi foram maravilhosa, mas as do valter hugo mãe foram para mim muito boas. Talvez por ser escritor, esperava uma pessoa mais introvertida, tímida e monocórdica. Mas a verdade é que levou muita gente às lágrimas, de tanto rir.

Há regras para se contar histórias? Parece que afinal não.
As histórias "dos outros" interessam? Parece que afinal sim.

O actor Miguel Guilherme, anfitrião do "evento", falou aquilo que para mim conclui tudo isto, as histórias são aquilo que dão sentido à vida, daquilo que vivemos, que somos. Muito disso tem-se vindo a perder, pela força dos dias que correm e passam e por uma vida, e penso que para a maioria das pessoas, não tem sentido nenhum. Parar e ouvir uma história, uma vida de outro alguém é a coisa mais básica do mundo, mas são essas coisinhas de nada que se tornam as mais belas.

Sem saber, eu sempre fui uma apaixonada pelo storytelling, pela vida dos outros, pelas histórias. Acredito que é esse caminho de histórias que nos leva a ser o que somos hoje, não poderia ser de outra maneira, foi porque vivemos situações, momentos. E é minha curiosidade danada que me leva atrás dos "personagens" que fantasio na pessoa que vai à minha frente na escada do metro.
Gosto de escrever porque gosto de contar histórias e quando escrevo tenho a sorte de viver em muitos universos distintos.

E porque a vida é tantas e mais vezes melhor do que a ficção, superando-a, o meu desejo de conciliar a paixão da escrita com as histórias está a concretizar-se num fantástico projecto -  numa história escrita a três mãos!

To be continued...

1 comentário:

Anónimo disse...

Vais no bom caminho.Tudo o que acabas de dizer faz parte da cultura do nosso povo, coisa de que o nosso povo tanto necessita.Parece-me que é mais uma semente lançada por cima das cabeças , almas (que nunca ningem ainda viu)e sensibilidades de nós todos.Atenção , porque a tua maneira de pensar e de escrever pode transformar-te quase como que uma marginal , isto é , não ser igual aos demais.Vais no bom caminho.