26.4.12

Mulher aos 35 - Parte II


Uma mulher aos 35 quando fica um fim-de-semana sozinha em casa, rega plantas, faz máquinas de roupa, almoça em casa e convida umas amigas, pinta as unhas dos pés, lê 2 horas à noite na cama, depila-se, arruma a gaveta das camisolas, faz uma revisão no armário dos casacos.
(isto quando, claro, não existem crianças)
Um homem aos 35 quando fica sozinho em casa é como se fosse um homem aos 25 sozinho em casa, arrisco mesmo dizê-lo, é como se fosse um homem aos 15 sozinho em casa.
Isto diz qualquer coisa.
A pressão de saber se estamos à altura, se somos capazes.
Porque quando chegamos a casa a preocupação é saber se há pão e leite para o pequeno-almoço e se está a chover porque a roupa está na corda e a engomadoria esqueceu-se de passar lá em casa. E há ainda as festas de anos dos amigos dos filhos, as festas sem ser de anos e as festas da escola.
Aos 35 as mulheres desdobram-se entre trabalho, casa, escola e crianças, aulas de ballet, natação, escuteiros, máscaras de carnaval, trabalhos de casa, doenças, cenas de pancada com os irmãos, birras no supermercado, alergias e reacções a vacinas. E ainda ter as peles das unhas arranjadas, andar de saltos sem estarem carcomidos pela calçada e o cabelo impecavelmente lavado. 

Claro que os homens ajudam, claro que há maridos estupendos, e eu conheço alguns homens fantásticos que fazem tudo em casa, dão os banhos, arrumam a máquina da loiça, estudam com os miúdos, vão com eles às eternas festas de anos, dão o raspanete e com a Mulher/Mãe providenciam *uma educação calma e consistente aos filhos (isto é o que o Cesar Millan diz ser necessário para se educar devidamente um cachorro com 3 meses, cuja fórmula*, garantem-me as minhas amigas, é exactamente a mesma).

Mas uma mulher aos 35 é um mundo maravilhoso que se vislumbra, que para os homens é apenas a continuação daquilo que sempre foram. As relações são completamente diferentes, assumindo o princípio de que já se viveu algum tempo para se ter aprendido a ler nas entrelinhas, nos silêncios, nos olhares. É verdade que já não nos "atiramos de cabeça", pensa-se muito mais antes de responder. Observa-se muito mais. E tudo isto acontece porque se tem precisamente mais 10 anos do que aos 25. E se pensarmos numa criança aos 0 e aos 10 percebemos que esses anos são uma enorme diferença!
O medo de falhar, o medo da rejeição, o medo de deixar de amar, o medo de perder a paixão, o medo de uma data de merdas que nunca tinham passado pela cabeça. Uma perspectiva de "meio da vida", um balanço ao jeito feminino em que sempre se coloca num lugar de "foi bom, mas podia ser melhor". Aos 35 a mulher assume-se eternamente sonhadora, acredita piamente em Príncipes, em contos de fadas, em cavaleiros andantes. A busca da perfeição, a incessante busca da perfeição é aos 35 que começa. Activa-se uma parte do cérebro que nos faz correr atrás dos sonhos e quando isso acontece é uma espécie de "viagem sem retorno".
O que é bom.
Nunca pensei no que poderia ser aos 35 e por isso deixo-me ficar à escuta e em silêncio acerca dos próximos 35 anos.
A única coisa que me aflige é que aos 70 eu tenha este mesmo cérebro dos 35.

1 comentário:

Anónimo disse...

Pois.Não sei que mais posso dizer.Gostei daquela do Cesar Millan.Quanto ao resto trata-se de uma análize muito interessante e trata-se duma opinião tua.Verificar o antes o durante e o depois , é muito importante.